DE PATO A GANSO
Enquanto um vai, outro vem.
Promessas que não deram muito certo, cada qual vai procurar brilhar e dar um grau
na carreira em outro lugar.
Sempre tudo regado a
milhares, milhões de dólares.
Ganha o jogador, ganha o
clube, ganha o empresário, ganha o patrocinador, ganha o comentarista, mas
geralmente perde o futebol.
Pato deixa a Europa para
trás e se reapresenta ao Corinthians, clube que tem que abrigá-lo mais por uma
questão contratual do que sentimental. No fundo, os dois – jogador e clube – se
odeiam, mas os dois têm que representar o seu papel. Os torcedores torcem o
nariz, a diretoria conta e reconta o salário altíssimo que engrossa o passivo
do clube e o técnico Cristóvão Borges, também vítima da desconfiança de todos –
torcedores e dirigentes – segue coçando a cabeça e esperando que um anjo do
Senhor ilumine a todos e faça com que o atleta se encaixe no seu plano de
trabalho sem gerar muito conflito.
Ganso deixa o Brasil para
trás e faz o caminho inverso. Parte com a marca daquele que deveria ter dado
certo mas não deu, gerado no Santos de Neymar e tido na época como o craque do
time sem jamais ter se firmado como uma figura indispensável. Depois tentou alavancar
o futebol do São Paulo, para onde sob muita reclamação da torcida peixeira. Na seleção,
foi ignorado pelos técnicos que se sucederam no comando. É mais uma tentativa
de um jogador desacreditado se firmar no complicado futebol europeu.
Assim é o futebol, onde a
unanimidade é uma coisa muito rara e a manutenção de um status passa por muitos
detalhes que vão desde a oportunidade criada e aproveitada e a conquista dos
indispensáveis títulos, de preferência tendo o jogador em foco como figura
principal.
Muitos se perguntam o que
teria sido de Pelé se ao invés de se encontrar com um time estruturado como o
Santos, onde teve companheiros do quilate de Zito, Mengálvio, Coutinho e Pepe,
tivesse ido parar na Portuguesa.
O mundo do futebol divide
seu rebanho entre aqueles que fizeram acontecer – e aí se situam Messi,
Cristiano Ronaldo, Ibrahimovic, Suárez, Neymar e alguns outros, para ficarmos apenas
na atualidade – e os outros, entre os quais estão aqueles que perderam o bonde
da história e os que estão começando agora, sonhando alto.
Os clubes costumam trazer
jogadores de renome para defender a sua camisa pelo aspecto técnico (afinal, um
bom jogador é sempre bem-vindo) e também por uma questão de marketing, pois
existem patrocinadores que apostam alto na marca.
Às vezes funciona, outras
não.
O Flamengo, por exemplo, vai
inchando o seu elenco com jogadores de qualidade que na prática não estão
melhorando o padrão do time. A contratação de Leandro Damião, outro que já
deveria ter dado certo, é vista pelos torcedores como uma temeridade,
principalmente porque a posição – centroavante – já está razoavelmente coberta
por um figurão, Paolo Guerrero, e por uma agradável promessa – Felipe Vizeu.
Para o meio do campo, no
entanto, pode ser que a repatriação de Diego – aquele mesmo que surgiu ao lado
de Robinho no Santos de 2002, passando com algum sucesso por Portugal,
Alemanha, Itália, Espanha e Turquia – venha suprir o toque de refinamento que o
time precisa.
Como as janelas de
transferência acabaram de fechar, somente algum ilustre desempregado da Zona do
Euro poderia mostrar seu futebol no nosso país tropical, como fez o holandês
Clarence Seedorf em 2012 ao decidir dar um pouco de gás ao Botafogo.
O mercado sul-american, no
entanto, está andando a todo vapor.
Entre os doze principais
clubes do Brasil – quatro de São Paulo, quatro do Rio, dois de Minas e dois do
Rio Grande do Sul – existem no momento cerca de 45 estrangeiros fazendo parte
do elenco, vindos dos diversos países da América do Sul.
Na quarta-feira o número foi
acrescido de outros jogadores hermanos. O São Paulo, que perdeu Calleri, já
contratou o atacante Andrés Chavez e está fechando com o lateral Buffarini,
ambos argentinos. O Internacional trouxe o uruguaio Nico López, e o Atlético
Mineiro acaba de fechar com o venezuelano Rómulo Otero.
O tricolor estava
praticamente fechado com o atacante argentino Caraglio mas desistiu da compra,
possivelmente preocupado com os problemas que a contratação traria para os locutores
esportivos durante a transmissão dos jogos.
(Artigo publicado no caderno de Esportes do
jornal O Imparcial de 22/07/2016)
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