terça-feira, 5 de janeiro de 2021

 



AS CORES DO SWING
           (Livro de Augusto Pellegrini)

CAPÍTULO 22 - RESUMO DA DISCOGRAFIA


ISHAM JONES (1894-1956) 

Nome completo – Isham Edgar Jones

Nascimento – Coalton-Iowa-EUA

Falecimento – Hollywood-Florida-EUA

Instrumento – sax-tenor

 

Comentário – Isham Jones liderou diversas orquestras durante as décadas de 1920 e 1930, sempre com relativo sucesso. Na época, ele fez uma série de gravações de músicas dançantes e com isso se tornou uma das orquestras mais populares do país naquele dado instante. Além de ser um excelente bandleader, Isham Jones tinha a virtude de ser um esplêndido compositor.  Suas músicas – entre as quais podemos destacar “It Had To Be You”, “I’ll See You In My Dreams”, “On The Alamo”, “Never Again”, “You’re A Dream Come True” e “You’ve Got Me Crying Again” – foram gravadas com muito sucesso por muitas orquestras e por diversos cantores. Apesar de ser um pianista razoável e um saxofonista de grandes recursos, foram raras as vezes em que Jones se colocou na condição de solista na sua orquestra, preferindo deixar o trabalho para alguns dos seus músicos, entre os quais se destacaram Benny Goodman e Woody Herman. Em 1924 Isham Jones excursionou pela Europa com a sua orquestra, e em 1925 ele realizou as suas primeiras audições radiofônicas. O período áureo das suas apresentações e gravações transcorreu entre os anos de 1920 e 1927, quando ele teve a preocupação de transportar para a orquestra o som do jazz existente na época, bastante sedimentado no estilo chicago. Posteriormente, Jones tentou ingressar pra valer na onda do swing, como as outras orquestras vinham fazendo. Os músicos que tocaram com ele nesse período, que vai de 1932 a 1936 iriam futuramente formar o núcleo da orquestra de Woody Herman. Alguns críticos de jazz consideram a música de Isham Jones talvez um pouco comercial, direcionada mais para a dança do que para o entretenimento jazzístico, mas isso não tira o brilho da sua performance. Isham Jones se manteve musicalmente ativo durante os anos 1920 e 1940, tendo se aposentado precocemente por motivo de saúde.

 

Alguns dos principais músicos que participaram da orquestra – Benny Goodman (clarinete), Carroll Martin (trombone), Charles McNeil (banjo), Chelsea Quealey (trompete), Frank Bruno (trompete), George Walters (trompete), Guy Carey (trombone), Joe Bishop (baixo), Joe Frank (bateria), Louis Panico (corneta), Roy Bargy (piano), Sonny Lee (trombone), Tom Moore (guitarra), Woody Herman (clarinete).

 

Resumo da discografia (gravações no período de 1922 a 1935)

 

A Little Street Where Old Friends Meet (Gus Kahn-Harry Woods)

All Mine - Almost (Isham Jones-Charles Newman)

Aunt Hagar’s Children Blues (William Christopher Handy-Tim Brymm)

Blue Prelude (Joe Bishop-Gordon Jenkins)

Blue Room (Richard Rodgers-Lorenz Hart)

China Boy (Dick Winfree- Phil Boutelje)

Cotton Picker’s Ball (Elmer Schoebel-Irving Mills)

Crazy Rhythm (Irving Caesar-Joseph Meyer-Roger Wolfe Kahn)

Dallas Blues (Lloyd Garrett-Hart Wand)

Dardanella (Felix Bernard-Fred Fisher-Johnny Black)

Doin’ The New Low Down (Jimmy Mc Hugh-Dorothy Fields)

Farewell Blues (Paul Mares-Leon Roppolo-Elmer Schoebel)

For All We Know (Sam Lewis-John Fred Coots)

Frankie And Johnnie (Tradicional)

Get Lucky (Roy Bargy)

I’ll Never Have To Dream Again (Isham Jones-Charles Newman)

It’s The Blues (Jean Goldkette)

I’ve Found A New Baby (Jack Palmer-Bert Williams)

Louisville Lady (Billy Hill-Peter DeRose)

Mama Loves Papa (Cliff Friend-Abel Baer)

Midnight Rendezvous (Isham Jones-Eddie Stone-Nick Hupfer)

My Honey’s Lovin’ Arms (Herman Ruby-Joseph Meyer)

My Melancholy Baby (Ernie Burnett-George Norton)

Never Again (Isham Jones-Gus Kahn)

Riverboat Shuffle (Hoagland “Hoagy” Carmichael-Irving Mills-Dick Voynow)

Royal Garden Blues (Clarence Williams-Spencer Williams)

Sentimental Gentleman From Georgia (Mitchell Parish-Fred Perkins)

Sugar (Maceo Pinkard)

Sweet Georgia Brown (Ben Bernie-Maceo Pinkard-Kenneth Casey)

Sweet Man (Roy Turk-Maceo Pinkard)

Virginia Blues (Ernie Erdman-Fred Meinken)

(When It’s) Darkness On The Delta (Marty Synes-Al Neiburg-Jerry Livingston)

Wabash Blues (Dave Ringle-Fred Meinken)

Why Can’t This Night Go On Forever (Isham Jones-Charles Newman)

You’re Just A Dream Come True (Isham Jones)

You’ve Got Me Crying Again (Isham Jones-Charles Newman)

 

 

domingo, 3 de janeiro de 2021

 


AS CORES DO SWING
           (Livro de Augusto Pellegrini)

CAPÍTULO 22 - RESUMO DA DISCOGRAFIA


HARRY JAMES (1916-1983) 

Nome completo – Harry Haag James

Nascimento – Albany-Georgia-EUA

Falecimento – Las Vegas-Nevada-EUA

Instrumento – trompete

 

Comentário – Desde pequeno Harry James sempre foi íntimo do público e do sucesso, pois se exibia como contorcionista no Mighty Haag Circus, um pequeno circo de propriedade da família. Seu pai era trompetista e líder da banda do circo, o que despertou em Harry um interesse precoce pela música. Ainda criança, Harry iniciou seus estudos práticos e teóricos de música, tendo o pai como professor. No princípio, ele começou apenas a ter noções rítmicas e a tocar tambor, mas em seguida passou para o trompete. Aos doze anos, Harry já tocava na banda oficial do Christy Brothers Circus, para o qual a família trabalhava na época, e aos quatorze foi vencedor de um concurso local para trompetistas. A partir de então ele decidiu que seguiria definitivamente a carreira musical e aperfeiçoou o seu sopro, que na época já era diferenciado. Em 1935, quando tinha dezenove anos, Harry James já se tornara suficientemente conhecido a ponto de ser chamado pelo bandleader Ben Pollack para fazer parte da sua orquestra, sendo no ano seguinte promovido a primeiro trompete. Não demorou muito para que ele chamasse a atenção de Benny Goodman, com o qual tocou a partir de 1936 durante o período áureo da Era do Swing. Harry James era dono de um sopro forte, cristalino e inconfundível, e possuidor de uma extraordinária técnica que lhe permitia executar no trompete peças escritas até para o violino, como “The Flight Of The Bumblebee” e “Hora Staccato”. Harry montou a sua primeira formação em 1939, e foi nacionalmente reconhecido com a gravação da música “You Made Me Love You”. A partir de então, ele começou a colecionar sucessos, que culminaram com a participação em diversos filmes de Hollywood, como “Springtime In The Rockies” (1942), “Best Foot Forward” (1943), “Bathing Beauty” (1944), entre outros. James adicionou glamour ao espírito jazzístico do swing, utilizando instrumentos como violas, cellos e violinos, e vestindo a orquestra com um figurino requintado. Os críticos são unânimes em afirmar que se Harry James tivesse dedicado mais da sua vida ao estudo e à interpretação das raízes do blues, ao invés de enveredar pelo mundo do show business e do cinema, ele seria venerado como um dos maiores trompetistas de jazz da história. James se manteve musicalmente ativo desde os anos 1930 até o início dos anos 1980.

 

Alguns dos principais músicos que participaram da orquestra – Al Cuozzo (trompete), Allan Reuss (guitarra), Arnold Ross (piano), Buddy Rich (bateria), Charlie Queener (piano), Carmen Cavallaro (piano), Corky Corcoran (sax-tenor), Don Lamond (bateria), George Davis (sax-barítono), Joe Mondragon (baixo), Johnny MacAfee (sax-alto), Juan Tizol (trombone), Neal Hefti (trompete), Nick Bouno (trompete), Nick Fatool (bateria), Si Zentner (trombone), Sonny Payne (bateria), Vido Musso (sax-tenor), Willie Smith (sax-alto).

 

Resumo da discografia (gravações no período de 1943 a 1955)

 

Autumn Leaves (Jacques Prévert-Joseph Kosma-Johnny Mercer)

Autumn Serenade (Peter De Rose-Sammy Gallop)

Between The Devil And The Deep Blue Sea (Harold Arlen-Ted Koehler)

Blues (An American In Paris) (George Gershwin-Eddie Sauter)

Blues In The Night (Harold Arlen-Johnny Mercer)

(By The) Sleepy Lagoon (Eric Coates)

Cibiribin (They’re So In Love) (Alberto Pestalozza-Harry James-Jack Lawrence)

Dancing In The Dark (Howard Dietz-Arthur Schwartz)

Deep Purple (Peter DeRose-Mitchell Parish)

Embraceable You (George Gershwin-Ira Gershwin)

Harlem Nocturne (Earl Hagen)

How Deep Is The Ocean? (Irving Berlin)

Hora Staccato (Grigoras Dinicu)

If I Loved You (Richard Rodgers-Oscar Hammerstein II)

I’m Beginning To See The Light (D.Ellington-Johnny Hodges-HarryJames-Don George)

In A Mist (Bix Beiderbecke)

Indiana (James Hanley-Ballard MacDonald)

It’s Been A Long, Long Time (Sammy Cahn-Jule Styne)

Jealousie (Jacob Gade)

King Porter Stomp (Jelly Roll Morton)

Lover Man (Roger Ramirez-Jimmy Sherman-Jimmy Davis)

Lullaby In Rhythm (Benny Goodman-Edgar Sampson-Walter Hirsh-Clarence Profit)

Lullaby Of Broadway (Al Dubin-Harry Warren)

Manhattan (Richard Rodgers-Lorenz Hart)

Memphis In June (Hoagland “Hoagy” Carmichael-Paul Francis Webster)

Midnight Sun (Lionel Hampton-Sonny Burke-Johnny Mercer)

My Melancholy Baby (Ernie Burnett-George Norton)

Oh Baby What You Do To Me (Harry James-Lionel Newman)

Rose Room (Harry Williams-Art Hickman)

September In The Rain (Al Dubin-Harry Warren)

Serenade In Blue (Mack Gordon-Harry Warren)

Skylark (Hoagy Carmichael-Johnny Mercer)

St. Louis Blues (William Christopher Handy)

That Old Feeling (Lew Brown-Sammy Fain)

The Flight Of The Bumblebee (Nikolai Andreyevich Rimsky-Korsakov)

The High And The Mighty (Dimitri Tiomkin-Ned Washington)

The Man I Love (George Gershwin)

These Foolish Things (Harry Link-Jack Strachey-Holt Marvell)

Three Coins In The Fountain (Sammy Cahn-Jule Styne)

Trumpet Blues (Harry James-Jack Mathias)

You Don’t Know What Love Is (Gene De Paul-Don Raye)

You Go To My Head (J.Fred Coots-Haven Gillespie)

You’ve Changed (Bill Carey-Carl Fisher)

Where Or When (Richard Rodgers-Lorenz Hart)

 

 

 


A PORTA ABERTA

(Augusto Pellegrini)

E, de repente, a porta fica aberta
Deixando passar uma lembrança amarga
Tento um protesto, mas a voz embarga
Lembrança errada na hora mais incerta

Por que voltaste a me assombrar em sonhos
E reviver uma mágoa esquecida?
Lembrança má das ilusões sofridas
Qual vagas loucas chicoteando escolhos

A porta fica aberta e tu passas por ela
A mesma imagem que atravessa os anos
Dores da alma, pranto, desenganos
Passam também, seguindo o vulto em tela

Quero acordar deste meu sonho ruim
Fugir do teu, do meu fantasma abjeto
Sonho importuno que me deixa inquieto
Sonho indiscreto que não tem mais fim

Mar 2018

 

 

sábado, 2 de janeiro de 2021

 


  AS CORES DO SWING
 (Livro de Augusto Pellegrini)

 CAPÍTULO 22 - RESUMO DA DISCOGRAFIA


GLENN MILLER (1904-1944) 

Nome completo – Alton Glenn Miller

Nascimento – Clarinda-Iowa-EUA

Falecimento – Canal da Mancha-Europa

Instrumento – trombone

 

Comentário – A orquestra de Glenn Miller se tornou tão famosa que extrapolou os limites do jazz e do swing, e foi apreciada por praticamente todos aqueles que gostavam de ouvir música de qualidade e de bom gosto, independentemente do rótulo. Suas músicas “In The Mood” e “Moonlight Serenade“ estão entre as mais executadas no mundo. Miller iniciou sua carreira trabalhando como arranjador para duas das principais orquestras existentes, a de Ben Pollack e depois a dos irmãos Dorsey. Quando montou seu próprio grupo, Glenn Miller conseguiu adicionar ao swing um som melodioso, cujo timbre provinha da presença de um clarinetista como líder do naipe de saxofones, uma de suas ideias como brilhante arranjador que era. Glenn Miller se tornou um herói americano quando decidiu se engajar no esforço militar do país levando seus músicos para o campo de batalha da Segunda Guerra Mundial na Europa, colaborando com o entretenimento dos soldados americanos e pagando com a vida pela ousadia. Aos quarenta anos, Miller morreu no palco da batalha, quando seu avião desapareceu numa travessia entre a Inglaterra e a França, presumivelmente vítima do mau tempo ou abatido pelo inimigo. O motivo do desaparecimento de Glenn Miller nunca foi contestado no Brasil nem – evidentemente – nos Estados Unidos, mas é objeto de especulação em diversos outros países, especialmente na Europa, devido a um questionamento feito pelo jornal alemão Bild Zeitung, que publicou na época uma nota informando que o músico havia morrido em Paris, e que a notícia sobre a queda do avião fora plantada apenas para manter em alta o moral das tropas americanas. Embora relativamente curta, a carreira de Glenn Miller foi brilhante e bem sucedida. Ele se manteve musicalmente ativo desde o início dos anos 1920 até a sua morte em 1944.

 

Alguns dos principais músicos que participaram da orquestra – Al Klink (sax-tenor), Billy May (trompete), Bobby Hackett (trompete), Bunny Berigan (trompete), Charlie Spivak (trompete), Chummy McGregor (piano), Ernie Caceres (sax-alto), Jack Lathrop (guitarra), Jerry Jerome (clarinete), Johnny Best (trompete), Johnny Mince (clarinete), Maurice Purtill (bateria), Ray Anthony (trompete), Ray Bauduc (bateria), Ray McKinley (bateria), Tex Beneke (sax-tenor), Trigger Alpert (contrabaixo).

 

Resumo da discografia (gravações no período de 1939 a 1944)

 

A String Of Pearls (Eddie DeLange-Jerry Gray)

Amapola (Joseph La Calle)

American Patrol (Frank W.Meacham-Jerry Gray)

And The Angels Sing (Johnny Mercer-Ziggy Elman)

At Last (Mack Gordon-Harry Warren)

Blue Evening (Gordon Jenkins-Joe Bishop)

Blue Skies (Irving Berlin)

Body And Soul (Johnny Green-Edward Heyman-Robert Sour-Frank Eyton)

Boogie Woogie (Clarence Smith)

Bugle Call Rag (Jack Pettis-Billy Meyers-Elmer Schoebel)

Chattanooga Choo-Choo (Mack Gordon-Harry Warren)

Cherokee (Ray Noble)

Elmer’s Tune (Elmer Albrecht-Sammy Gallop-Dick Jurgens-Paul Weirick)

Little Brown Jug (Bill Finegan)

Melancholy Lullaby (Edward Heyman-Benny Carter)

Moonlight Serenade (Mitchell Parish-Glenn Miller)

My Reverie (Claude Debussy-Larry Clinton)

Holiday For Strings (David Rose-Sammy Gallop)

I Dream Of Jeannie With The Light Brown Hair (Stephen Foster)

I Dream Of You (Edna Osser-Marjorie Goetschius)

I Know Why (And So Do You) (Mack Gordon-Harry Warren)

I’m Getting Sentimental Over You (Ned Washington-George Bassman)

In The Mood (Joe Garland-Andy Razaf)

It Happened In Sun Valley (Mack Gordon-Harry Warren)

It’s Been A Long, Long Time (Sammy Cahn-Jule Styne)

(I’ve Got A Girl In) Kalamazoo (Mack Gordon-Harry Warren)

Pagan Love Song (Arthur Freed-Nacio Herb Brown)

Pennsylvania 6-5000 (Bill Finegan-Jerry Gray-Carl Sigman)

Rhapsody In Blue (George Gershwin)

St. Louis Blues March (William Christopher Handy)

Serenade In Blue (Mack Gordon-Harry Warren)

Stardust (Hoagland “Hoagy” Carmichael-Mitchell Parish)

Stormy Weather (Harold Arlen-Ted Koehler)

Sun Valley Jump (Jerry Gray)

Sunrise Serenade (Frankie Crale-Jack Lawrence)

Sweet Eloise (Russ Morgan-Mack David)

The Nearness Of You (Ned Washington)

The Old Couple (Neal Hefti)

The Very Thought Of You (Ray Noble)

To You (Tommy Dorsey-Ted Shapiro-Benny Davis)

Tuxedo Junction (Buddy Feyne-William Johnson-Julian Dash-Erskine Hawkins)

When You Wish Upon a Star (Ned Washington)

 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

 


SINOPSE DO PROGRAMA SEXTA JAZZ DE 30/11/2018
RÁDIO UNIVERSIDADE 106,9 Mhz
São Luís-MA

MARLENE VER PLANCK  - MY IMPETUOUS HEART

O mundo da música está repleto de grandes artistas que devido a um campo de atuação restrito ao seu local de origem se tornam pouco conhecidos aos olhos e ouvidos do mundo. Este é o caso de Marlene Ver Planck, cantora nascida em Nova Jersey que fez do eixo Nova Jersey-Nova York seu palco de sucesso, e que com sua voz limpa, clara e segura, aliado a um swing e a um feeling interpretativo de alta qualidade, encantou gerações. Marlene se especializou como cantora de jingles, mas também cantava em bares e casas noturnas, tendo dividido o palco a as gravações com mais de uma dúzia de cantores famosos como Billy Eckstine, Vic Damone, Tony Bennett, Perry Como, Frank Sinatra e Mel Torme. Neste álbum lançado em 2006 ela se apresenta com um trio e conta com a participação especial de outros músicos de destaque como o guitarrista Bucky Pizzarelli e os pianistas George Shearing e Marian MacPartland.  Marlene Ver Planck morreu aos 84 anos em 2017.

Sexta Jazz, nesta sexta, oito da noite, produção e apresentação de Augusto Pellegrini

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

 


 À MODA DA CASA 

(marcha de Augusto Pellegrini - 1968)

 

Silenciosamente eu saio à rua

A manhã flutua

E o nevoeiro da noite passada passou

Silenciosamente cuido de mim

Num botequim

Cerveja preta gelada

E um misto quente na chapa

Indiferente

À moda e à marca da casa

 

Silenciosamente no barulho

Milhões de embrulhos

Pacotes muitos, laços cor de rosa nas mãos

Silenciosamente sons musicais

Sons guturais

São discos tocando alto

E gente ganhando a nota

Indiferentes

À moda da casa

 

O grande sucesso do momento

É de ciúme, de queixume

Ou puro ardume de amor

Com azedume eu saio à rua

Com coragem

Não é fácil enfrentar monstro-motor

À moda da casa eu vejo o caso

Com descaso

Por acaso eu sou alguém?

Não sei

Então eu sigo à moda da casa

Esqueço o caso num silêncio

Até que eu faço muito bem

 

Perigosamente o povo vive

Mais uma crise, mais uma virgem

Pétala de rosa no chão

Naturalmente sempre os dramas existem

E as damas insistem

A convidar na calçada

Ao menos lá na avenida

Indiferentes

Às coisas da vida

 


AS CORES DO SWING
           (Livro de Augusto Pellegrini)

CAPÍTULO 22 - RESUMO DA DISCOGRAFIA

FLETCHER HENDERSON (1897-1952) (*)

 

Nome completo – James Fletcher Hamilton Henderson Jr.

Nascimento – Cuthbert-Georgia-EUA

Falecimento – Nova York-New York-EUA

Instrumento – piano

(*) Alguns biógrafos dão como data de nascimento dezembro de 1898.

 

Comentário – Fletcher Henderson foi um músico de muita importância nos primórdios do jazz orquestrado, quer como um bandleader inovador, quer como arranjador, ou ainda como descobridor de talentos. É indiscutível que as orquestras que ele conduziu nos anos 1920 e 1930 foram fundamentais para o desenvolvimento do jazz orquestrado em Nova York e serviram de modelo para diversas outras formações que vieram a seguir. Henderson foi um pianista que deu certo quase sem querer, pois sua intenção, ao se mudar de Atlanta-Georgia para Nova York, o grande centro nervoso dos Estados Unidos, era ser químico e farmacêutico. Devido à falta de oportunidades acadêmicas, ele começou a tocar piano e acompanhar cantores para depois se aventurar na montagem de uma orquestra. Grandes músicos de jazz, como Coleman Hawkins, Don Redman e Benny Carter, praticamente começaram as suas carreiras participando do seu grupo. Antes mesmo que as big bands passassem a comandar o panorama musical, a orquestra de Fletcher Henderson já era considerada a mais perfeita e inovativa, graças aos seus arranjos ousados e totalmente voltados para o jazz, e até o aparecimento de Duke Ellington em 1927, ele não tinha concorrentes. Henderson não gostava de viajar, e o fato de permanecer durante tanto tempo sem sair de Nova York abreviou o tempo de duração da sua orquestra. Ao abandonar a carreira de bandleader, ele dedicou o seu tempo a escrever arranjos para outras orquestras e, esporadicamente, a trabalhar com pequenos conjuntos, como o sexteto de Lucky Thompson em 1950. De 1950 até a data do seu falecimento, em 1952, Henderson sofreu uma série de acidentes cardiovasculares que o paralisaram parcialmente, impedindo-o de prosseguir com o seu trabalho. Fletcher Henderson manteve-se musicalmente ativo desde o início dos anos 1920 até o início dos anos 1950.

 

Alguns dos principais músicos que participaram da orquestra – Ben Webster (sax-tenor), Benny Carter (sax-alto), Benny Morton (trombone), Charlie Green (trombone), Coleman Hawkins (sax-tenor), Dickie Wells (trombone), Israel Crosby (contrabaixo), J.C.Higginbotham (trombone), Joe Smith (trompete), John Kirby (contrabaixo), Kaiser Marshall (bateria), Lester Young (sax-tenor), Louis Armstrong (trompete), Rex Stewart (trompete), Roy Eldridge (trompete), Russell Procope (sax-alto), Sid Catlett (bateria), Tommy Ladnier (trompete).

 

Resumo da discografia (gravações no período de 1923 a 1938)

 

Alabamy Bound (Buddy De Sylva-Bud Green-Ray Henderson)

Beale Street Blues (William  Christopher  Handy)

Can You Take It? (Fletcher Henderson)

Chime Blues (Fletcher Henderson)

Clarinet Marmalade (Henry Ragas-Larry Shields)

Copenhagen (Walter Melrose)

Cotton Picker’s Ball (Elmer Schoebel)

Dicty Blues (Fletcher Henderson)

Don’t Be That Way (Benny Goodman-Edgar Sampson-Mitchell Parish)

Down South Camp Meeting (Fletcher Henderson-Irving Mills)

Fidgety Feet (Eddie Edwards-NickLaRocca-Henry Ragas-Tony Sbarbaro-LarryShields)

Go ‘long Mule (Henry Creamer-Robert A. King)

Gulf Coast Blues (Clarence Williams)

Henderson Stomp (Fletcher Henderson)

Hotter Than ‘ell (Fletcher Henderson)

How Come You Do To Me Like You Do? (Gene Austin-Roy Bergere)

I’ll See You In My Dreams (Isham Jones-Gus Kahn)

I’m Coming Virginia (Will Marion Cook-Donald Heywood)

Just Blues (Fletcher Henderson)

Just Hot (Phil Napoleon-Jimmy McHugh-Frank Signorelli)

King Porter Stomp (Jelly Roll Morton)

Limehouse Blues (Douglas Furber-Philip Braham)

Lonesome Journey (Fletcher Henderson)

Old Black Joe’s Blues (Fletcher Henderson)

Play Me Slow (Milt Hagen)

Prince Of Wails (Elmer Schoebel)

Sensation (Nick LaRocca-Larry Shields)

Shanghai Shuffle (Gene Rodemich-Larry Conley)

Sugar Foot Stomp (Walter Melrose-Joe King Oliver-Louis Armstrong)

Swanee Butterfly (Vincent Rose-Will Donaldson)

Teapot Dome Blues (Elmer Schoebel-Irving Mills-George D. Lottman)

The Stampede (Fletcher Henderson)

The Unknown Blues (Fletcher Henderson)

Then I’ll Be Happy (Lew Brown-Cliff Friend-Sidney Clare)

Variety Stomp (Fletcher Henderson-Jo Trent-Charlie Green)

Why Couldn’t It Be Poor Little Me? (Isham Jones-Gus Kahn)

Wild Party (Will Hudson)

Wrappin’ It Up (Fletcher Henderson)

Yeah, Man! (Noble Sissle-J.Russell Robinson)

You Go To My Head (J.Fred Coots-Haven Gillespie)

 

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

 


AS CORES DO SWING
           (Livro de Augusto Pellegrini)

CAPÍTULO 22 - RESUMO DA DISCOGRAFIA


DUKE ELLINGTON (1899-1974) 

Nome completo – Edward Kennedy Ellington
           Nascimento – Washington-D.C.-EUA
           Falecimento – Nova York-New York-EUA
           Instrumento – piano 

Comentário – Duke Ellington foi um pianista de jazz que transcendeu a arte de tocar piano. Mais do que um excelente pianista, Ellington foi um grande compositor, um arranjador inventivo, um maestro competente e um dedicado professor, e é considerado pelos críticos e pelos especialistas um dos maiores nomes não apenas do jazz, mas da música norte-americana de todos os tempos. Ele foi um dos primeiros músicos de jazz a utilizar elementos eruditos para inovar a arte musical do século vinte e provar que seria possível a fusão entre a música negra e a tradição orquestral europeia. Nesta fusão, por mais que tomasse emprestado tais elementos, Ellington nunca deixou de utilizar a música negra como seu principal ingrediente, e esta negritude explícita está presente em cada uma das suas obras. Músicas como “In A Sentimental Mood”, “Caravan”, “Mood Indigo”, “Sophisticated Lady” e “Take The A Train” (esta composta por Billy Strayhorn, seu principal colaborador por mais de trinta anos) transcendem ao tempo e ajudam a tornar o jazz imortal. Ellington deixou um legado magnífico, compondo músicas orquestrais com característica sinfônica, músicas para dança (do balé ao swing), músicas de big bands, músicas essencialmente jazzísticas, suítes, concertos, música sacra, o mais puro blues e até algumas incursões no free-jazz. Ele era uma pessoa equilibrada e carismática, o que levou alguns dos seus músicos a tocarem na sua orquestra por mais de quarenta anos. Conta-se que seu apelido ”Duke” foi dado por um vizinho quando ele tinha oito anos, devido ao seu modo educado e elegante de agir. O fato é que, desde criança, Ellington foi um paradigma em todas as suas ações, quer como cidadão, quer como profissional. Ele compôs sua primeira música (“Soda Fountain Rag”) em 1914, quando tinha quinze anos, e nunca mais parou de compor. De acordo com o trompetista Miles Davis, “todos os músicos deveriam um dia se reunir e agradecer a Duke de joelhos por tudo o que ele fez pela música norte-americana”. Duke Ellington manteve-se musicalmente ativo dos anos 1920 até os anos 1970.

 

Alguns dos principais músicos que participaram da orquestra – Al Sears (sax-tenor), Barney Bigard (clarinete), Cat Anderson (trompete), Clark Terry (trompete), Cootie Williams (trompete), Fred Guy (guitarra), Harry Carney (sax-barítono), Jimmy Hamilton (clarinete), Johnny Hodges (sax-alto), Juan Tizol (trombone), Lawrence Brown (trombone), Otto Hardwicke (sax-tenor), Paul Gonsalves (sax-tenor), Quentin Jackson (trombone), Ray Nance (trompete e violino), Rex Stewart (trompete), Russell Procope (clarinete), Sam Woodyard (bateria), Sonny Greer (bateria), Wendell Marshall (contrabaixo), Willie Cook (trompete).

 

Resumo da discografia (gravações no período de 1924 a 1967) 

Black And Tan Fantasy (JamesBubber’ Miley-Duke Ellington)

C Jam Blues (Duke Ellington)

Caravan (Duke Ellington-Juan Tizol-Irving Mills)

Clarinet Lament (Barney Bigard-Duke Ellington)

Cotton Tail (Duke Ellington)

Creole Love Call (Duke Ellington)

Crescendo And Diminuendo In Blues (Duke Ellington)

Crosstown (James Cavanaugh-John Redmond-Nat Simon-Jack Mason)

Do Nothin’ Till You Hear From Me (Concerto For Cootie) (DukeEllington-Bob Russell)

Don’t Get Around Much Anymore (Duke Ellington-Bob Russell)

Echoes Of Harlem (Duke Ellington)

Everything But You (Harry James-Duke Ellington-Don George)

I Got It Bad (Duke Ellington-Paul Francis Webster)

I Let A Song Go Out Of My Heart (DukeEllington-IrvingMills-John Redmond-Henry Nemo)

I’m Beginning To See The Light (D.Ellington-Harry James-Johnny Hodges-Don George)

In A Mellow Tone (Duke Ellington)

In A Sentimental Mood (Duke Ellington-Irving Mills-Manny Kurtz)

It Don’t Mean A Thing (If It Ain’t Got That Swing) (Duke Ellington-Irving Mills)

Jump For Joy (Duke Ellington-Paul Francis Webster-Sid Kuller)

Just A-Sittin’ And A-Rockin’ (Duke Ellington-Billy Strayhorn)

Just Squeeze Me (Duke Ellington-Lee Gaines)

Ko Ko (Duke Ellington)

Lazy Rhapsody (Duke Ellington-Mitchell Parish)

Mood Indigo (Duke Ellington-Irving Mills-Albany “Barney” Bigard-Claude Austin)

9:20 Special (Bill Engvick-Earle Warren)

One O’Clock Jump (Count Basie)

Perdido (JuanTizol-Erwin Drake-Hans Jan Lengsfelder)

Pitter Panther Patter (Duke Ellington)

Prelude To A Kiss (Duke Ellington-Irving Mills-Irving Gordon)

Ring Dem Bells (Duke Ellington-Irving Mills)

Rockin’ In Rhythm (Duke Ellington-Irving Mills-Harry Carn)

Satin Doll (Duke Ellington)

Skin Deep (Louis Bellson)

Solitude (Duke Ellington-Irving Mills-Eddie DeLange)

Sophisticated Lady (Duke Ellington-Irving Mills-Mitchell Parish)

Take The A Train (Billy Strayhorn)

The Brown Skin Gal In The Calico Gown (Duke Ellington-Francis Paul Webster)

The Jeep Is Jumpin’ (Duke Ellington-Johnny Hodges)

The Mooche (Duke Ellington)

The Tatooed Bride (Duke Ellington)

Warm Valley (Duke Ellington)

 

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

 


CRISOLDA VAI CASAR
(Excerto - Augusto Pellegrini)

 

Crisolda vai casar.

Por encanto ou desencanto, Crisolda vai casar depois dos quarenta anos, curada da febre dos quarenta graus, subindo a escada dos quarenta degraus, com Nicolau, o maldito do bairro.

Bela como uma prima-dona de Rossini maquiada como artista mambembe e inconvincente como desculpas de maridos ao alvorecer, Crisolda veste um branco vestal de um ridículo surrealista como se o costureiro tivesse sido Fellini.

O pai de Crisolda, debaixo dos sete palmos há sete anos, está finalmente aliviado pelo esperado momento e anseia em ouvir a marcha nupcial de Mendelsohn ecoando pela nave da igreja enquanto suspira, exalando um fogo-fátuo que mais se assemelha a fogos de artifício chineses em noite de réveillon.

A mãe de Crisolda, debaixo dos cobertores pretextando uma imobilidade reumática, fruto psicossomático das suas desesperanças, suspira aborrecida e aguarda a volta do casal para abençoá-los ou amaldiçoá-los ao pé da cama.

Aquela linda garotinha de cabelos cacheados e vestido de lacinhos, a boneca do bairro, se transformara rapidamente na doce e meiga Crisolda, sonho e desejo dos adolescentes da vizinhança, e depois na bela Crisolda amadurecida como fruta de estio, passando pela casa dos vinte com a arrogância de quem quer permanecer solteira por não encontrar ninguém à sua altura. Chegara aos trinta ainda luminescente com as bênçãos de Balzac, mas a partir daí começou a entrar em franca decadência como flor amanhecida e agora é um retrato amassado  e amarelado pelo tempo, o tornozelo ainda fino evocando sensualidade, mas as ancas sacudindo proeminentes e gelatinosas como trouxa de lavadeira.

Este quadro desanimador – comentavam – teria forçado Crisolda a aceitar, como derradeiro alento, dizer “sim” ainda que fosse para o maldito do bairro.

Crisolda vai casar. 

Ela teve muitos pretendentes, mas de recusa em recusa, de negativa em negativa, de oportunidade havida em oportunidade perdida, a areia do tempo foi se escoando pelo fino conta-gotas da ampulheta e Crisolda foi se transformando de princesa em borralheira, de rosa orvalhada em flor de resto de festa, de borboleta em crisálida, de seda em pano de chão.

E agora, Crisolda vai casar com Nicolau,  o maldito do bairro.