terça-feira, 21 de junho de 2022

 


DOS USOS E (MAUS) COSTUMES

(Augusto Pellegrini) 

Fazendo uma exegese dos costumes
Vou começar falando de comida
Necessidade principal do homem
E de qualquer ser que nesta terra habita
Que todo dia tem que saciar a fome
Para manter sua condição de vida 

Qualquer ser vivo sente fome, e come
Isto é fundamental para a subsistência
Assim, os animais, os insetos e o homem
Conseguem conservar sua energia
Com todo o combustível que consomem
Para consolidar sua sobrevivência

Mas tudo é feito sem muito critério
Alguns comem demais, outros de menos
Há os que colocam lenha demais na fornalha
Ficando obesos, pesados e lentos
E os que não têm o pão, só as migalhas
Rosto sem vida, triste e macilento 

Outra necessidade é a do agasalho
Que nos protege dos olhares e do tempo
Já foi-se o tempo em que mulher e homem
Usavam pele de animais como paramento
Depois veio a vergonha – diz a lenda
E começaram a cobrir as partes pudendas 

Por um estranho desvio de conduta
Estamos atualmente em retrocesso
E as partes que eram pudicamente veladas
Agora são mostradas a céu aberto
Por homens e mulheres que por certo
Gostam de estar pelados e peladas 

Outro fator que determina a história
É a convivência dos povos, ou a falta dela
Pois desde os tempos em que se tem registro

Homens se batem, combatem e se matam

Uns aos outros, por qualquer motivo

Transformando o mundo todo num lugar sinistro 

Não existe um ano só, no calendário
Em que o mundo não registre alguma guerra
Uma revolução ou algum distúrbio sério
O que leva os homens a se digladiarem
Fazendo de um jardim um cemitério
E molhando de sangue e lágrimas a terra 

Fazer do uso bom um mau costume
Tornou-se do homem especialidade
Pois ele sempre busca um adversário
Na luta por poder ou materialidades
Ou outras condições que lhe provocam inveja
E o fazem ser de um crime mandante ou sicário 

Dezembro 2020

 

 

domingo, 19 de junho de 2022

 


SINOPSE DO PROGRAMA SEXTA JAZZ DE 21/06/2019
RÁDIO UNIVERSIDADE FM - 106,9 Mhz
São Luís-MA

PIANO JAZZ
OSCAR PETERSON-JOE SAMPLE-DAVE BRUBECK-THELONIOUS MONK

Desde os primórdios, o piano foi um instrumento muito importante para a formatação da linguagem do jazz, tanto nos solos como participante de grupos. Entre os pianistas se encontra uma elite de jazzistas que, independentemente da posição que ocupam dentro do grupo - seja um trio, um pequeno conjunto ou uma orquestra - assumem um protagonismo ímpar, não raro ditando as principais características e o sentimento da música. O número de pianistas – e, por extensão, de tecladistas – talentosos é incontável, com a tendência de ser ampliado a cada dia. Na impossibilidade de apresentarmos um número de pianistas que possa realmente representar a categoria, como seria o nosso desejo, nós limitamos a participação no programa desta sexta a apenas quatro das suas maiores expressões – Oscar Peterson, Joe Sample, Dave Brubeck e Thelonious Monk (estes últimos dividindo o palco numa deliciosa interpretação da famosa "C Jam Blues", de Ellington, por sinal também pianista).   

Sexta Jazz, nesta sexta, oito da noite, produção e apresentação de Augusto Pellegrini

 

 


AI, MEU SÁBADO

1974

(Samba de Augusto Pellegrini)

 

Ai, meu sábado

Que mal que você me fez

Para eu lhe tratar desta maneira

Como sendo brincadeira

Estar em casa outra vez

O fato de eu estar passando mal

Desde o fim do carnaval

Tem razões muito sérias

Que férias, miséria

Vou curtir minha ressaca

Até o fim da primavera

Que dura espera

Que férias, miséria

Frequentar samba de roda

Um batuque, ai quem me dera

 

No entanto

Fico em casa, amargurado

Cuidando do meu fígado estragado

 

Que férias, miséria

Vou curtir minha ressaca

Até o fim da primavera

Que dura espera

 

 


PÁGINAS ESCOLHIDAS

Do livro À NOITE, TODOS OS GATOS (1998)
(Augusto Pellegrini)

A NOITE DA MARIOLA

O céu toma a cor do azulado da madrugada antes de se tingir com o âmbar do nascer do sol. O mar repousa lá ao longe na sua maré baixa deixando à vista um banco de areia com formato de praia tão vasto quanto um deserto.

A velha Mariola com sua cara de bruxa recolhe as garrafas vazias e os pratos com os restos de peixe e camarão, agora que o garçom que nos servia, com seu jeito enferrujado e sua cara de vela já se apagou, enquanto a linda Raíssa, que felizmente não saiu à mãe, acena o adeus com as mãos, o vento colando o vestido fino por sobre o corpo, denunciando um belo par de pernas e uma escultura de ventre e ancas que positivamente não lembram sereia alguma.

Sento num banco da orla e olho com desprazer para Gilberto, meu amigo de farra, aboletado no banco ao lado enrolado feito um pacote, qual um gato procurado se proteger da brisa úmida da madrugada. Os pés descalços se encolhem sobre o cimento frio como os pés de um macaco.

Foi uma noitada – soluço! – e tanto. Deveras.

(Resultado de muita cerveja tomada no Bar da Mariola) 

quinta-feira, 16 de junho de 2022

 


CURIOSIDADES ESPORTIVAS

CAMPEÕES DO MUNDO       

2002 - Campeão: BRASIL
            Vice-campeão: ALEMANHA

Pela primeira e – até agora – única vez, a Copa do Mundo foi disputada simultaneamente em dois países, Japão e Coreia do Sul. Pela primeira vez também a Copa não foi realizada nem na Europa e nem na América, mas na Ásia. Com uma campanha numericamente irretocável, embora a competição apresentasse um nível apenas sofrível como um todo, o Brasil se sagrou campeão invicto, com sete vitórias (2x1 na Turquia, 4x0 na China, 5x2 na Costa Rica, 2x0 na Bélgica, 2x1 na Inglaterra, 1x0 na Turquia e 2x0 na final contra a Alemanha), tendo marcado 18 gols e sofrido apenas quatro. A disputa pelo terceiro lugar reuniu duas seleções improváveis (Coreia do Sul e Turquia, com os turcos vencendo por 3x2). O Brasil foi campeão pela quinta vez com Marcos; Cafu (capitão), Lucio, Edmilson, Roque Junior e Roberto Carlos; Gilberto Silva e Kléberson; Ronaldinho (Juninho Paulista), Ronaldo (Denilson) e Rivaldo, e os gols contra a Alemanha de Oliver Kahn e Miroslav Klose foram anotados por Ronaldo, ambos no segundo tempo.  

 

terça-feira, 14 de junho de 2022

 


DE POMBOS, CÃES E PECADORES

(Augusto Pellegrini)

Os pombos que passeiam pela praça da Matriz
São tratados com carinho e levam uma vida feliz
Dona Eugênia, cuidadora da igreja e seus afins
Todo dia os alimenta com quirera e amendoim
Mas quando pressentem coisas que lhe parecem o contrário
Ou se sentem incomodados, voam para o campanário
Lá, eles ficam seguros vendo a praça pelo alto
Olhando o feio e o bonito, o prevenido e o incauto

O cão, que também vagueia em busca do que comer
Fica prestando atenção nas pessoas e no vai-e-vem
Sempre resta alguma coisa que sobrou de um alimento
Que sacia a sua fome e ajuda no seu sustento
Mas, percebendo a chegada de alguém de má catadura
Sem qualquer perda de tempo vai pro outro lado da rua
Colocando-se ao resguardo de fatos indesejáveis
E permanecendo alerta para outras necessidades

O homem vem para a praça e caminha para a igreja
Onde buscará conforto e uma bênção benfazeja
Vai expiar seus pecados por meio de contrição
E elevar o pensamento enquanto ouve o sermão
Mas, percebendo ao seu lado alguém que lhe inspira medo
Muda depressa de ideia e vai pra casa mais cedo
Hoje em dia, nem na igreja pode-se sentir seguro
Por isso, o homem se evade para o outro lado do muro

Como os pombos e os cães vadios precisam de proteção
Também o pio e o pecador vão em busca do perdão
Todos querem o alimento, físico ou espiritual
Para ultrapassar barreiras neste mundo desigual
Todos precisam de Eugênias, que de ajudar  nunca esquece
Cada qual busca um abrigo como melhor lhe apetece
Eu procuro meu refúgio na mais quente companhia
De alguém que me possa dar paz, segurança e alegria

Dezembro 2018

 

 

 

domingo, 12 de junho de 2022

 


TENHO DORMIDO TÃO TARDE

1974

(Samba de Augusto Pellegrini)

 

Tenho dormido tão tarde

Que dou boa noite

Quando é de manhã

E o samba é o maior responsável

Pela vida instável

Que eu tenho levado

A insônia de mim toma conta

Quando eu chego em casa

E me estendo no leito

E tanta cerveja tomada

Na noite esticada

Dá ardor no meu peito

 

Tenho dormido tão tarde

Que a dor que me invade

E os olhos cansados

São a maior testemunha

Desta vida dura

Que eu tenho levado

O espelho me disse outro dia

Tanta boemia

Vai te prejudicar

Colírio nos olhos vermelhos

E um bom travesseiro

Só pode ajudar (devagar)

 

Atiro essa inconsequência lá fora

Arranjo depressa um casaco

E vou-me embora

Atiro essa inconsequência lá fora

Arranjo depressa um casaco

E vou-me embora

 

sábado, 11 de junho de 2022

 


SINOPSE DO PROGRAMA SEXTA JAZZ DE 19/07/2019
RÁDIO UNIVERSIDADE FM 106,0 MHz
São Luís-Ma

A HOT NIGHT IN PARIS - PHIL COLLINS BIG BAND

Apesar de toda uma história voltada para o rock como baterista e vocalista da banda Genesis desde os anos 1970, Phil Collins nunca escondeu sua paixão pelas big bands. Collins cultivou o desejo de montar uma big band desde que em 1966 teve a oportunidade de ouvir a banda do baterista Buddy Rich, e esse desejo se materializou num único álbum, pelo menos até o momento. Phil Collins tomou a decisão quando excursionava pela Europa com uma orquestra conduzida por Quincy Jones. Tendo colaborado com diversos artistas de diferentes estilos, ele finalmente resolveu em 1999 realizar o seu antigo projeto de vida e ingressar no estilo jazz-band. A big band montada por Collins toca um repertório contando com algumas das suas músicas que foram sucesso na Genesis e adaptadas para o jazz, como "That's All", "Invisible Touch" e "Los Endos". O sonho de Phil Collins se transformou em realidade e é um verdadeiro presente para os admiradores do jazz de big bands.    

Sexta Jazz, nesta sexta, oito da noite, produção e apresentação de Augusto Pellegrini

 

 


      PÁGINAS ESCOLHIDAS

Do livro À NOITE, TODOS OS GATOS (1998)
(Augusto Pellegrini)

SOLILÓQUIO

O que mais me incomoda em morrer é a primeira noite depois do enterro, é ter que dormir cercado de mortos que eu não conheço, sem uma companheira que me cutuque as costas para eu parar de roncar. Na verdade, me incomoda também não mais roncar.

Agora, apesar da vizinhança silenciosa e insípida, o que eu vou gostar de fato é a esperada escuridão e a ansiada tranquilidade dentro do silêncio; nada de portas batendo nem de gonzos gemendo, nada de cachorros latindo nem o prolongado pio da coruja para atrapalhar o meu sono profundo aqui nesta caixa almofadada de primeira categoria qual leito acetinado de um grande hotel cinco estrelas, fruto da contribuição dos amigos, dada a exiguidade de fundos dos meus bolsos sem fundo por ocasião do passamento, que no máximo dariam para eu me acomodar em um caixote de bacalhau fosse a escolha feita a moto próprio.

Me aborrece também ter que ficar calado à vista de tanta insanidade, agora parece que vejo melhor os falsos sorrisos e as intenções dúbias, se eu estivesse do lado de fora, ao lado deles, talvez estivesse também falando mal de mim com um sorriso de escárnio estampado na face hipócrita.
Pensando bem, ser enterrado assim tem mais graça do que ser simplesmente cremado como um pão que foi esquecido dentro do forno e depois ter as cinzas atiradas num rio como restos de um churrasco de verão.

Enterrado assim a gente tem mais dignidade e pode finalmente usar aquele terno grosso de lã, apesar de todo o calor, tendo como plateia a turba que nos cerca qual uma alcateia faminta para ter a certeza de que realmente fomos desta para melhor – ou para pior – e que nunca mais voltará a nos ver  (embora esteja escrito que nos veremos novamente muito antes do que pensam os ímpios e céticos senhores).       


(Reflexões de um defunto no dia do seu embarque para a eternidade) 




 

 

sexta-feira, 10 de junho de 2022

 


NOVOCABULÁRIO INGLÊS

(Copyright FluentU)

Commonly mispronounced words in the English language 

(ver tradução após o texto) 

WEDNESDAY  

 

How it is mistakenly pronounced: “WED-nez-day”

How it is actually pronounced: “WENZ-day”   

 Why on earth is Wednesday spelled like that? Apparently, it’s due to the word’s German origins. “Wednesday” was pronounced more like “Wodan’s Day” in old German, a tribute to the Anglo-Saxon god Wodan.

 

          

            TRADUÇÃO 

Palavras muito comuns de serem pronunciadas erradamente na língua inglesa 

WEDNESDAY (QUARTA-FEIRA)


           Pronúncia incorreta na língua inglesa
: “UED-nes-dei”.

Pronúncia correta na língua inglesa: UENS-dei”. 

Por que cargas d’água “Wednesday” é escrito dessa forma? Tudo indica que é por causa da origem germânica da palavra. A pronúncia é mais parecida com a de “Wodan’s Day” (Dia de Wodan) – no alemão antigo – uma homenagem a Wodan, um deus anglo-saxão.