quinta-feira, 7 de janeiro de 2016








EU E A MÚSICA - RIO ANTIGO
(a visita do estranho poeta)
(Revisado – anteriormente publicado em 24/12/2014)

Quero um bate-papo na esquina
Eu quero o Rio antigo com crianças na calçada
Brincando sem perigo
Sem metrô e sem frescão

O ontem no amanhã...”
(“Rio Antigo” – Nonato Buzar e Chico Anysio)

De repente o poeta surgiu do nada.
Não me conhecia, foi-me apresentado – “este é Augusto Pellegrini, faz um programa de jazz aqui na rádio” – e parece que não prestou muita atenção.
Aliás, a rigor ele dava a impressão de que nunca prestava atenção em nada, pois seus sentidos estavam mais ligados no irreal, no surreal, no abstrato, de onde lapidava as suas frases, seus pensamentos e os seus acordes.
Sua filosofia de vida.
O poeta estava triste, havia morrido seu irmão, me contaram, e ele deixara o habitat que escolhera, a cidade do Rio de Janeiro, para cumprir com seus deveres fúnebres em São Luís e, depois de fazê-lo, resolveu procurar os amigos.
Como era dia, foi a uma emissora de rádio e depois às ruas do Centro velho; fosse à noite, talvez os procurasse pelos bares das quebradas.
O poeta não era só poeta.
Cantor, compositor e produtor musical, nascido em 1932 no interior do Maranhão na pequena Itapecuru-Mirim (naquele tempo, muito pequena), Raimundo Nonato Buzar foi brilhar no Rio, para onde viajou aos 21 anos num verdadeiro mergulho no meio do desconhecido.
Na verdade, sua intenção era estudar Engenharia, mas a magia envolvente da Cidade Maravilhosa falou mais alto e ele acabou contagiado pela música, que se transformou no seu projeto de vida. 
Fez seu debut nas noites cariocas cantando e tocando as suas composições nos bares da moda – Bottle’s e Little Club – e logo teve o seu talento reconhecido por dezenas de artistas e frequentadores da noite, e também por proprietários de casas noturnas, diretores de gravadores e produtores artísticos. E pelo público, que lotava as casas onde ele se apresentava.
Nonato Buzar compôs um total de 162 canções, tanto solo como ao lado de parceiros como Paulo Sérgio Valle, Ronaldo Bôscoli, Carlos Imperial, Chico Anysio, Chico Feitosa, Torquato Neto, Nelson Motta, Paulinho Tapajós, Roberto Menescal, Durval Ferreira, Rosinha de Valença, Orlandivo, Tibério Gaspar, João Nogueira, Nosly, Gerude ou Rogeryo du Maranhão. 
Em nível nacional, teve suas músicas gravadas por Maysa, Alcione, Elis Regina, Elizeth Cardoso, João Nogueira, Nana Caymmi, Cauby Peixoto, Jair Rodrigues, MPB4, Wilson Simonal, Silvio César, Erasmo Carlos, Rosinha de Valença, Luiz Gonzaga, Ivan Lins, Milton Nascimento, Nelson Gonçalves e Ithamara Koorax (cuja gravação de “Vesti Azul” feita em 2012 num álbum chamado “Got To Be Real” foi “top ten” na Europa por ocasião do lançamento).
Nonato Buzar também atacou de produtor, sendo responsável na RCA Victor por discos de Jair Rodrigues, Wilson Simonal, a Turma da Pilantragem, Regininha e Jimmy Cliff e também por um álbum que registrou o Festival Internacional da Canção, um concurso de músicas criado por Augusto Marzagão para a TV Globo entre os anos 1966 e 1972.
Além de ter chegado às paradas europeias com “Vesti Azul”, Nonato compôs um punhado de temas de abertura que se popularizaram em novelas de televisão – “Verão Vermelho”, “Irmãos Coragem” (com Paulinho Tapajós), “O Homem Que Deve Morrer” (com Torquato Neto), além de outras músicas para as novelas “O Cafona”, “Minha Doce Namorada” e “Anjo Mau”.
Compôs temas para outros programas de tevê – “Chico City”, “Brasil Pandeiro”, “Saudade Não Tem Idade” e para filmes diversos – “O Donzelo” e “Aventuras De Um Detetive Português”.
O poeta, simples como um detalhe da natureza, não era pouca coisa não, mas não vivia sobre seus louros. 
Sujeito estranho, mas simpático, quando chegava ao Maranhão, seu feudo, desdenhava completamente a aura do sucesso obtido lá fora, e curtia os bares do Mercado Central e as barracas da Ponta D’Areia com a mesma disposição que curtia os bares e a praia de Copacabana, cultivando amigos e novos amigos com o mesmo desprendimento e a mesma afeição.
Depois de cinco minutos de conversa nos corredores da emissora, ele me confidenciou que devido ao seu luto familiar não se sentia animado para cair na farra quando chegassem as tentações da noite, pois sabia que se encontrasse a turma da boemia nos bares da vida, a coisa iria inexoravelmente descambar para tal.
Pediu, então, meu endereço e prometeu me fazer uma visita, para espairecer um pouco, posto que tinha passagem marcada de volta para o Rio na manhã seguinte.
Passei o endereço e as referências – “aquela rua do supermercado, na esquina do posto de gasolina, depois de um muro amarelo cheio de pichações” – e ele anotando tudo mentalmente, sem maiores problemas, numa cidade que conhecia muito bem.
Veio a noite, eu estou com a televisão ligada falando para as paredes enquanto leio um delicioso romance de Campos de Carvalho – “A Lua Vem Da Ásia” – quando ouço palmas no portão.
Da porta da sala vislumbro a silhueta do meu novo amigo-poeta, faço-lhe a devida vênia e carrego com ele para a sala de jantar, onde meu filho e seu amigo confabulam sobre uma nova composição para a banda em que tocam. Pop-rock.
Nonato Buzar é universalista.
Para ele não existem jovens nem velhos, e as suas músicas que mesclam irreverência, força e ternura tanto podem ser apreciadas e tocadas tanto por um grupo de menestréis setecentistas como por uma banda de rock inconformista.
Ele pede uma dose de uísque e um violão.
Tudo à mão, é atendido com reverência e tem a seu dispor uma plateia composta por três pessoas. Bebe a primeira dose como um retirante sedento e a segunda com um pouco menos de sofreguidão. Só então se lembra do gelo.
O uísque é de boa procedência – Chivas Regal 12 anos – e ainda não havia sido inaugurado.
Entre um gole e outro, com pouca conversa, sucedem-se as canções, debaixo de um silêncio respeitoso e sob o olhar de quem flerta com o inesperado.

“...Eu estou no céu ou estou no carrossel
De pé pro ar, sou barquinho de papel
À beira-mar, sou criança outra vez...

(“Dez Pras SeisNonato Buzar e Paulo Sérgio Valle)

“...Dizendo que eu devia vestir azul
Que azul é cor do céu e seu olhar também
Então o seu pedido me incentivou...

(“Vesti AzulNonato Buzar)

“...Nada pra fazer, apenas ver
Que a paixão chegou por causa de
você
Quando se descobre ser capaz de amar assim...
 
(“Coração Na VozNonato Buzar, Nosly e Gerude)

“...Num dia igual a qualquer um
Eu despertei dentro de mim
Se fez manhã no meu viver
Se fez igual a terra e o céu...

(“Assim Na Terra Como No CéuNonato Buzar, Paulinho Tapajós e Roberto Menescal)

...Manhã despontando lá fora
Manhã, já é sol, já é hora
E os campos se abrindo em flor
Que é preciso coragem
Que a vida é viagem
Destino do amor...

(“Irmãos CoragemNonato Buzar e Paulinho Tapajós)

 “...Camisa verde-claro, calça Saint Tropez
Combinando com o carango, todo mundo vê
Ninguém sabe o duro que dei
Pra ter fon-fon trabalhei, trabalhei...

(“O CarangoNonato Buzar e Carlos Imperial)

“...Vem pra roda, me dê a mão
Traz o seu olhar
Vou girando na roda
Vou cantando à sua espera
Quem me dera um dia ter seus olhos
Cor da primavera...

(“Menininha Do PortãoNonato Buzar e Paulinho Tapajós)

“...Agora que você conhece Charlie Brown
Foi convidado a conhecer nossa nação
Achei legal e resolvi também tornar universal
E exportar mon ami João..
.”
(“Mon Ami João” – Nonato Buzar e Durval Ferreira)

“...Um pregão de garrafeiro
Zizinho no gramado, eu quero um samba sincopado
Taioba, bagageiro, e o desafinado
Que o Jobim sacou...”
(“Rio AntigoNonato Buzar e Chico Anysio)

No silêncio da noite, entre goles e canções, apenas meia dúzia de palavras pronunciadas, embora o mestre falasse para si mesmo, os ouvintes não ousando quebrar o encanto da audição.
As palavras vinham com a música.
Fim de uísque, início de madrugada, o poeta se levanta, o semblante aliviado, mas cansado, e me agradece com um abraço e um cálido “boa noite”.
E vai de encontro ao alvorecer, seu parceiro de vida.

-0-

Nonato Buzar morreu em fevereiro de 2014 com 81 anos no Rio de Janeiro, cidade que ele escolheu para viver.  Deixou muitas saudades e um livro de crônicas que eu não li – “Planeta Neus”.
E também um vazio, na cadeira bem ao lado do meu computador, junto à mesa que ainda recende ao uísque generosamente derrubado naquela noite de festa, in memoriam.

 

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015







THE MUSIC AND I – THIS SO-CALLED ROCK AND ROLL
Rock is great and I like it!
When rock music first came, it had not yet this name. It was called instead “race music” by the radio stations and by the record companies because the music had a strong black appeal and was not quite absorbed by the white medium class.
The name “rock and roll” was coined by a Cleveland disc-jockey named Alan Freed, with the purpose of creating some R&B especially targeted to the white youth.
Its origin dates back to the late 1940s and early 1950s with deep roots brought from the black music – blues, R&B, gospel and folk music – but also from the Midwest white country music. However, its recognition and its internationalization took place only in the second half of the 1950s.
Rock and roll was known as “rock-a-billy”, and the word appears from a slang used by the young people at the time – “rock” – that meant “to swing, to sway”, among other things (in order to differentiate from the word “swing” used by their parents’ generation that had the same meaning) and “hillbilly” based on the country music component.
Therefore, rock, rock and roll and rock-a-billy are the same kind of music and similarly to what happened to jazz, had mutations over time. In almost sixty years of age, rock assumed more than thirty different styles like classic,  acid, progressive, symphonic, melodic, surf music, punk, hard, heavy metal, trash, death metal and indie rock.
Ironically, although the label “race music” refers to blacks, the whites were the singers and musicians that inaugurated the style for good.
Among them, we can mention Carl Perkins – “Blue Suede Shoes” (Carl Perkins), “Boppin’ The Blues” (Carl Perkins-Curley Griffin) and “Your True Love” (Carl Perkins); Elvis Presley – “That’s All Right” (Arthur Crudup), “Don’t Be Cruel” (Otis Blackwell-Elvis Presley) and “Hound Dog” (Jerry Leiber-Mike Stoller); Jerry Lee Lewis – “Whole Lotta Shakin’ Goin’ On” (Dave ‘Curlee’ Williams-Sunny David), “High School Confidential” (Jerry Lee Lewis-Ron Hargrave) and “Great Balls Of Fire” (Otis Blackwell-Jack Hammer); and Gene Vincent – “Be-Bop-A-Lula” (Gene Vincent-Tex Davis), “Maybelline” (Chuck Berry) and “Bluejean Bop”(Gene Vincent).
Other precursors that started to pave the road were Conway Twitty – “Lonely Blue Boy” (Conway Twitty), “Linda On My Mind” (Conway Twitty) and “It’s Only Make Believe” (Jack Nance-Conway Twitty); Ricky Nelson – “Hello Mary Lou” (Gene Pitney), “Travelin’ Man” (Jerry Fuller) and “Believe What You Say” (Dorsey Burnette-Johnny Burnette); Ronnie Hawkins – “Thirty Days(Chuck Berry), “My Gal Is Red Hot” (Ronnie Hawkins) and “Mary Lou” (Ronnie Hawkins); The Everly Brothers – “Wake Up Little Suzie” (Felice Bryant-Boudleaux Bryant), “Bye-Bye Love” (Felice Bryant-Boudleaux Bryant) and “Claudette” (Roy Orbison); Roy Orbison, maybe the more modern for the time – “Oh Pretty Woman” (Roy Orbison-Bill Dees), “Crying” (Roy Orbison-Joe Melson) and “Only The Lonely” (Roy Orbison-Joe Melson); Johnny Cash, a folk attitude inside the rock – “Sixteen Tons” (Merle Travis), “Let Him Roll” (Guy Clark) and “Going By The Book” (Johnny Cash); Eddie Cochran, killed at age 22 in a car accident in England – “C’mon Everybody” (Eddie Cochran-Jerry Capeheart), “Pretty Girl” (Eddie Cochran-Jerry Capeheart) and “Jeannie, Jeannie, Jeannie” (George Motola); and Buddy Holly, who also died very young in a plane crash in Clear Lake, Iowa – “That’ll Be The Day (Jerry Allison-Norman Petty- Buddy Holly), “It’s So Easy” (Buddy Holly-Norman Petty) and “Peggy Sue” (Jerry Allison-Norman Petty-Buddy Holly).
Later, in the ‘60s, other groups showed up, like The Monkees – “I’m A Believer” (Neil Diamond), “Steppin’ Stone” (Robert Luke Harshman-Tommy Boyce) and “Look Out – Here Comes Tomorrow” (Neil Diamond); The Doors, a wonderful band that would go much further if it were not for the death of Jim Morrison – “Light My Fire” (Jim Morrison-John Densmore-Ray Manzarek-Robby Krieger), “Peace Frog” (Jim Morrison-John Densmore-Ray Manzarek-Robby Krieger) and “L.A.Woman” (Jim Morrison-John Densmore-Ray Manzarek-Robby Krieger); and The Beach Boys, whose main hit was “Surfin U.S.A.” (actually this song is the same “Sweet Little Sixteen” by Chuck Berry, with different lyrics written by Brian Wilson). Other Beach Boys’ hits were “I Get Around” (Mike Love-Brian Wilson) and “Wouldn’t It Be Nice” (Brian Wilson), released in a clip where they mimicked The Beatles’ mannerisms in the movies.
The black singers that have recorded rock music at that time were not those many – basically only  Chuck Berry – “Johnny B.Goode” (Chuck Berry), “Sweet Little Sixteen” (Chuck Berry) and “Rock & Roll Music” (Chuck Berry) and Little Richard – “Long Tall Sally” (Richard Penniman-Enotris Johnson-Robert Blackwell), “Good Golly Miss Molly” (Robert Blackwell-John Marascalco) e “Lucille” (Albert Collins). They played  rock and roll with less influence of the western country music, but with an increased influence of R&B and black music, thus presenting some difference between their musical message and the rock-a-billy of the white singers.
When the rock and roll music began it was very intense and came to replace the dance hall music where the big bands and the swing songs had started to lose ground. Gradually, rock stopped being called “race music” and became more attractive to the white medium class and to the record companies.
In 1955 rock invaded the British Isles bringing out some pioneering groups such as the first Lennon-McCartney band, The – The Quarrymen – “I’ll Follow The Sun” (John Lennon-Paul McCartney), “One After 909” (John Lennon-Paul McCartney) and “Maggie Mae” (a traditional Liverpool song) – all of these songs were recorded many years later by The Beatles; Cliff Richard & The Drifters (later called The Shadows) – “Twenty Flight Rock” (Ned Fairchild-Eddie Cochran), “Living Doll” (Lionel Bart) and “Move It” (Cliff Richard).
As time went on and with the growth of the American pop music which spread out and fled the rock tradition, mainly during the ‘70s – Michael Jackson, Madonna, Billy Joel, Stevie Wonder, Paul Simon, James Brown, The Carpenters, The Guess Who, Carole King, Chicago, America, Bruce Springsteen, Prince,  Diana Ross – the rock and roll and the modern blues lose their ground in the United States but gained more strength in Europe and Australia, and this is confirmed by the amazingly success of The Beatles, The Rolling Stones, The Yardbirds, The Animals, The Who, Deep Purple, Eric Clapton, Jeff Beck, John Mayall & Bluebreakers, Led Zeppelin, Pink Floyd, and many others.
It’s obvious that Brazil would not get out of that influence. So, as the “new rock and roll” faded away in the ‘80s, the so-called Brazilian Rock emerged with its social and intellectual profile.  
The movement broke out in Brasilia, but soon had the complicity of musicians from around the country, like Paralamas do Sucesso, Engenheiros do Hawaii, Legião Urbana, Titãs, Barão Vermelho, Biquini Cavadão, Ultraje a Rigor, Ira!, Capital Inicial, Camisa de Vênus and so many others.
With a history that spans generations, rock earned his place in the 20th century and shows that will be perpetuated in the 21st century, whether using the acoustic base that marks its origin or favoring electronic instruments, technology or the modern esoteric sounds. Its secret lies not only in the sound, but mainly in the spirit of the music.
Due to this and that, rock is great and I like it. Whoever has traveled this journey will never stop being a rocker.



sexta-feira, 25 de dezembro de 2015









EU E A MÚSICA – ESSE TAL DE ROCK AND ROLL
Parte III – O rock é bom e eu gosto
Quando surgiu, o rock and roll ainda não tinha nome e era chamado de race music (música racial) pelas emissoras de rádio e pelas gravadoras americanas porque o material tinha um forte apelo da música negra e quase não era consumido pela classe média branca jovem. O nome foi cunhado por Alan Freed, um disc-jóquei de Cleveland, numa tentativa de criar  um rhythm & blues dirigido especialmente para a juventude branca.  
A sua origem remonta ao final dos anos 1940 e início dos anos 1950, com raízes realmente trazidas da música negra – na forma de blues, do rhythm & blues, da música gospel e da folk music – mas também da country music nascida no centro oeste, de origem branca.  O batismo e a internacionalização do rock and roll, porém, aconteceram somente na segunda metade dos anos 1950.
O rock and roll era genericamente chamado de rock-a-billy, menção a uma gíria usada pelos jovens da época – rock – que significava “balançar”, entre outras coisas, para diferenciar do swing (que também significava também “balançar”, mas era usado pela geração dos seus pais), e “hillbilly” (caipira), uma alusão ao componente country da nova música.
Assim, rock, rock and roll e rock-a-billy são denominações da mesma música que, a exemplo do jazz, foi sofrendo mutações ao longo do tempo e assumindo mais de trinta formas diferentes nos seus quase sessenta anos de existência, entre as quais os estilos classic,  acid, progressive, symphonic, melodic, surf music, punk, hard, heavy metal, trash, death metal e indie rock.
Ironicamente, apesar de o rótulo “race music” remeter aos negros, foram músicos e cantores brancos que inauguraram o estilo pra valer.
Entre estes músicos, pode-se citar Carl Perkins – “Blue Suede Shoes” (Carl Perkins), “Boppin’ The Blues” (Carl Perkins e Curley Griffin) e “Your True Love” (Carl Perkins); Elvis Presley – “That’s All Right” (Arthur Crudup), “Don’t Be Cruel” (Otis Blackwell e Elvis Presley) e “Hound Dog” (Jerry Leiber e Mike Stoller); Jerry Lee Lewis – “Whole Lotta Shakin’ Goin’ On” (Dave ‘Curlee’ Williams e Sunny David), “High School Confidential” (Jerry Lee Lewis e Ron Hargrave) e “Great Balls Of Fire” (Otis Blackwell e Jack Hammer); e Gene Vincent – “Be-Bop-A-Lula” (Gene Vincent e Tex Davis), “Maybelline” (Chuck Berry) e “Bluejean Bop”(Gene Vincent).
Outros pioneiros que participaram do início da pavimentação da Era do Rock (ou do “roquinho”, ou do rock-balada, como queiram) foram Conway Twitty – “Lonely Blue Boy” (Conway Twitty), “Linda On My Mind” (Conway Twitty) e “It’s Only Make Believe” (Jack Nance e Conway Twitty); Ricky Nelson – “Hello Mary Lou” (Gene Pitney), “Travelin’ Man” (Jerry Fuller) e “Believe What You Say” (Dorsey Burnette e Johnny Burnette); Ronnie Hawkins – “Thirty Days(Chuck Berry), “My Gal Is Red Hot” (Ronnie Hawkins) e “Mary Lou” (Ronnie Hawkins); The Everly Brothers – “Wake Up Little Suzie” (Felice Bryant e Boudleaux Bryant), “Bye-Bye Love” (Felice Bryant e Boudleaux Bryant) e “Claudette” (Roy Orbison); Roy Orbison, talvez o mais moderno para a época – “Oh Pretty Woman” (Roy Orbison e Bill Dees), “Crying” (Roy Orbison e Joe Melson) e “Only The Lonely” (Roy Orbison e Joe Melson); Johnny Cash, uma atitude folk dentro do rock – “Sixteen Tons” (Merle Travis), “Let Him Roll” (Guy Clark) e “Going By The Book” (Johnny Cash); Eddie Cochran, morto aos 22 anos num acidente de trânsito na Inglaterra – “C’mon Everybody” (Eddie Cochran e Jerry Capeheart), “Pretty Girl” (Eddie Cochran e Jerry Capeheart) e “Jeannie, Jeannie, Jeannie” (George Motola); e Buddy Holly, também morto precocemente  em um acidente aéreo em Clear Lake, no Iowa – “That’ll Be The Day (Jerry Allison, Norman Petty e Buddy Holly), “It’s So Easy” (Buddy Holly e Norman Petty) e “Peggy Sue” (Jerry Allison, Norman Petty e Buddy Holly).
Um pouco mais tarde, durante os anos 1960,  surgiram The Monkees – “I’m A Believer” (Neil Diamond), “Steppin’ Stone” (Robert Luke Harshman e Tommy Boyce) e “Look Out – Here Comes Tomorrow” (Neil Diamond); The Doors, uma banda cheia de estilo que teria ido mais além se não fosse a morte de Jim Morrison – “Light My Fire” (Jim Morrison, John Densmore, Ray Manzarek e Robby Krieger), “Peace Frog” (Jim Morrison, John Densmore, Ray Manzarek e Robby Krieger) e “L.A.Woman” (Jim Morrison, John Densmore, Ray Manzarek e Robby Krieger); e The Beach Boys, cujo principal sucesso foi a música “Surfin U.S.A.”
(que na verdade era “Sweet Little Sixteen”, de Chuck Berry, com uma letra diferente feita por Brian Wilson). Outros sucessos dos Beach Boys foram “I Get Around” (Mike Love e Brian Wilson) e “Wouldn’t It Be Nice” (Brian Wilson), lançada com um clipe onde os participantes da banda imitavam os trejeitos dos Beatles no cinema.
Os negros que gravavam discos não eram muitos – quase que só Chuck Berry – “Johnny B.Goode” (Chuck Berry), “Sweet Little Sixteen” (Chuck Berry) e “Rock & Roll Music” (Chuck Berry) e Little Richard – “Long Tall Sally” (Richard Penniman, Enotris Johnson e Robert Blackwell), “Good Golly Miss Molly” (Robert Blackwell e John Marascalco) e “Lucille” (Albert Collins), que cantavam o rock and roll com menos influência do western country, mas com muita influência do rhythm & blues e do soul, o que acabava produzindo alguma diferença entre a sonoridade da sua música e a do rock-a-billy dos brancos.
Quando surgiu, o rock and roll era uma música intensa e vinha substituir a dança nos salões onde o swing das grandes orquestras começava a perder espaço, e deixou de ser “música racial” ao cair no gosto da classe média branca americana e se tornar comercialmente palatável para os donos das gravadoras.
Em 1955 o rock invadiu as Ilhas Britânicas, fazendo aparecer alguns grupos pioneiros, como a primeira banda de John Lennon e Paul McCartney – The Quarrymen – “I’ll Follow The Sun” (John Lennon e Paul McCartney), “One After 909” (John Lennon e Paul McCartney) e “Maggie Mae” (música tradicional de Liverpool) – todas as três foram gravadas muitos anos depois pelos Beatles; Cliff Richard e os Drifters (depois chamados de Shadows) – “Twenty Flight Rock” (Ned Fairchild e Eddie Cochran), “Living Doll” (Lionel Bart) e “Move It” (Cliff Richard).
Com o passar do tempo e o crescimento da música pop, que fugia das tradições do rock, principalmente durante a década de 1970 – com Michael Jackson, Madonna, Billy Joel, Stevie Wonder, Paul Simon, James Brown, Carpenters, The Guess Who, Carole King, Chicago, America, Bruce Springsteen, Prince, Diana Ross – o rock and roll e o blues moderno perderam espaço nos Estados Unidos, e ganharam força nas Ilhas Britânicas, em outros países da Europa e também na Austrália, como bem atestam as mega-carreiras dos Beatles, Rolling Stones, Yardbirds, Animals, The Who, Deep Purple, Eric Clapton, Jeff Beck, John Mayall & Bluebreakers, Led Zeppelin, Pink Floyd, e muitos outros.
Evidentemente o Brasil não iria ficar fora dessa influência e, passado o tempo do “roquinho”, trouxe à tona nos anos 1980 um rock cheio de conteúdo, com um perfil contestador, num movimento denominado “Rock Nacional”.
O movimento eclodiu em Brasília, mas logo teve a cumplicidade de jovens músicos de todo o país, com o aparecimento de Paralamas do Sucesso, Engenheiros do Hawaii, Legião Urbana, Titãs, Barão Vermelho, Biquini Cavadão, Ultraje a Rigor, Ira!, Capital Inicial, Camisa de Vênus e muitas outras.
Com uma história que já atravessa gerações o rock conquistou o seu lugar na música do século 20 e mostra que veio pra se perpetuar no século 21, quer utilizando a base acústica que marca a sua origem, quer privilegiando instrumentos eletrônicos, a tecnologia ou os sons esotéricos, pois o seu segredo não reside apenas na sonoridade, mas principalmente no espírito da música.      
Por essas e outras é que o rock é bom e eu gosto. Quem vivenciou esta trajetória nunca vai deixar de ser roqueiro.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015


 
 
 
 
EU E A MÚSICA – ESSE TAL DE ROCK AND ROLL
Parte II– A música que tomou conta do mundo


Esse tal de rock and roll sempre exerceu sobre mim o mais profundo fascínio, talvez pelo seu parentesco com o jazz – ambos vieram das raízes do blues – ou talvez porque o seu surgimento tenha se dado durante a minha adolescência, pois as coisas que acontecem nessa época marcam intensamente a vida da gente.
Com o final da Segunda Guerra Mundial em 1945 o mundo começou a viver uma nova ordem econômica e social, e isto afetou sobremaneira o comportamento da juventude e a indústria da música. 
A América, como os europeus chamavam os Estados Unidos, detinha uma liderança política e cultural iniciada com a invasão do jazz ainda no início do século 20 e consolidada com o fim da guerra. No início da década de 1950, a América começou a exportar outro tipo de música, mais ao gosto da nova geração.
Nesta nova música, as grandes orquestras foram substituídas por pequenos conjuntos, e os metais, embora presentes em grande escala no rhythm & blues, foram trocados por violões, guitarras e guitarras-baixo.
O piano, que impunha uma marcação importada do boogie-woogie, também se fazia presente em algumas formações, principalmente quando o líder e cantor era o próprio pianista, mas com rigorosas exceções estas formações também não abdicavam da guitarra, que tinha um papel preponderante nos solos e praticamente ditava o espírito da música.
Assim, além da guitarra, naquele tempo ainda sem os pedais, o rock trazia na sua origem também o som do piano, da bateria, do contrabaixo acústico e até do sax-tenor – line-up utilizado pela banda Bill Haley and The Comets (nome que o líder e vocalista William John Clifton Haley colocou no seu grupo, fazendo menção ao cometa de Halley, que havia assustado o mundo em 1910 e iria passar novamente em 1986, desta vez sem alarde).
Os grandes sucessos de Bill Haley foram “Rock Around The Clock” (Max C.Freedman e James E.Myers), “See You Later Alligator” (Robert C.Guidry) e “Shake, Rattle and Roll” (Big Joe Turner), músicas que podiam ser ouvidas em disco e em programas de radio, e vistas nos primeiros anos de televisão no Brasil e nos filmes de cinema especialmente feitos para promover o estilo.
Este “pré-rock and roll” teve outros expoentes, como a banda de rhythm & blues de Louis Jordan chamada Timpany Five, com a sua conhecida gravação de “Caldonia” (B.B.King e Lowell Fulsom), além de “Saturday Night Fish Fry” (Louis Jordan) e “Let The Good Times Roll” (Fleecie Moore e Sam Theard); ou Fats Domino, mais voltado para o blues – “The Fat Man” (Fats Domino e Dave Bartholomew), “Ain’t That A Shame” (Fats Domino e Dave Bartholomew) e “Blueberry Hill” (Vincent Rose, Larry Stock e Al Lewis); Bo Diddley, antes de cair de cabeça no blues – “Hey, Bo Diddley” (Bo Diddley), “Before You Accuse Me” (Bo Diddley) e “I’m A Man” (Bo Diddley); ou ainda Ray Charles, cantando e tocando uma pegada mais forte de soul – “What’d I Say” (Ray Charles), “I’ve Got A Woman” (Ray Charles e Renald Richard) e “Hallelujah I Love Her So” (Ray Charles); e até Ike Turner and His Kings Of Rhythm – “Splish Splash” (Bobby Darin e Jean Murray), que seria um futuro sucesso brasileiro na versão de Roberto Carlos.
Junto com o rock nasceram o rock-balada e um tipo de música que recebeu no Brasil o nome carinhoso de “roquinho”, outra marca registrada da metade do século 20 e que foi devidamente explorada pelo movimento “Jovem Guarda”, criado pela agência de publicidade Magaldi, Maia & Prosperi para a TV Record em 1965 e estrelado por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa, que faziam o show das tardes de domingo recebendo outros astros do movimento – Antonio Marcos, Deny & Dino, Ed Wilson, Eduardo & Silvinha Araujo, Evinha, Jerry Adriani, Leno & Lilian, Martinha, Paulo Sérgio, Ronnie Von, Sérgio Murilo, Vanusa, Waldirene, Wanderley Cardoso e os conjuntos Os Golden Boys, Os Incríveis, Os Vips, Renato e seus Blue Caps, The Fevers – até o início de 1970.
O rock-balada e o “roquinho” não tinham o mesmo compromisso com a forma, com o drive e – por que não dizer? – com a seriedade do verdadeiro rock and roll e sua missão era tornar a juventude mais feliz nos bailes e festinhas caseiras.
No cardápio internacional, cantores como Paul Anka – “You Are My Destiny” (Paul Anka), “Puppy Love” (Paul Anka) e “Diana” (Paul Anka), e Neil Sedaka – “Another Sleepless Night” (Neil Sedaka), “Oh Carol” (Neil Sedaka e Howard Greenfield) e “I Go Ape” (Neil Sedaka e Howard Greenfield), que misturavam as duas coisas.
Pode-se afirmar com uma certa precisão que o rock-balada começou com o grupo The Ink Spots – uma espécie de antecessores dos The Platters – com a música “If I Didn’t Care” (Jack Lawrence) gravada em 1939.
Depois, eles gravaram “We’ll Meet Again” (Ross Parker e Hugh Charles), e “Always” (Irving Berlin), dentro do mesmo estilo.
Mais tarde surgiram, além do próprio grupo The Platters – “The Great Pretender” (Buck Ram), “Only You” (Buck Ram) e “My Prayer” (Georges Boulanger e Jimmy Kennedy), também o cantor Pat Boone – “Bernardine” (Johnny Mercer), “Don’t Forbid Me” (Charles Singleton) e “Love Letters In The Sand” (Charles Kenny, Nick Kenny e John Frederick Coots), e a revelação Brenda Lee – “I’m Sorry” (Dub Allbritten e Ronnie Self), “Sweet Nothin’s” (Ronnie Self) e “That’s All You Gotta Do” (Jerry Reed).
A música tocada por estes grupos e cantores, apesar de não ser propriamente rock and roll, foi uma das preferências musicais da juventude daqueles anos e tinha uma estrutura construída entre a balada tradicional e o rhythm & blues, servindo inclusive como base para alguns arranjos utilizados por Elvis Presley nas suas primeiras gravações.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015


 
 
 
 
 
A NAU À DERIVA 

Os vascaínos que me perdoem, mas não é possível encerrar o ano sem comentar o destaque negativo do Gigante da Colina, que cai para a Série B pela terceira vez nos últimos sete anos.
É mais do que uma sina, é uma provação!
Independentemente de necessitar de uma quase improvável combinação de resultados na última rodada, o Vasco sequer fez a sua parte, pois não passou de um empate sem gols com o Coritiba.
Também em 2008 e 2013 o time não venceu na rodada final – perdeu por 2x0 para o Vitória e por 5x1 para o Atlético Paranaense, marcando assim os seus rebaixamentos de forma melancólica.
A torcida e os analistas procuram as causas deste desempenho desastroso, e a primeira coisa que vem à mente é a briga política das diferentes alas, pois forças antagônicas vão cavando um fosso cada vez mais profundo que vai solapando os alicerces do clube.
O fato é que o time disputou um primeiro turno tão ridículo que a sua queda já era preconizada no início do returno. Então, mesmo contando com uma série de bons resultados nas últimas partidas, com a direção segura do técnico Jorginho e com o sangue novo do jogador Nenê, já era muito tarde para consagrar o milagre, pois as equipes do bloco de trás também ganhavam seus pontos no suor e na raça.
O cabo de guerra tem de um lado o ex-presidente Roberto Dinamite, que comandou o clube de 2008 a 2014, e o atual presidente Eurico Miranda, que comandava o clube “sub-judice” quando Dinamite assumiu, e retornou ao vencer as eleições no ano passado. Ambos têm a sua parcela de culpa.
Cabe então à diretoria e aos conselheiros corrigir a conduta dos adversários políticos, pregando uma trégua que permita aos jogadores atuar com mais tranquilidade e voltar no ano que vem para fazer um papel decente na Série A.
Afinal, o Vasco é um clube com muita história.
O Vasco da Gama foi fundado em 1898 por um grupo de remadores (daí o nome Clube de Regatas), e recebeu o nome do navegador português porque naquele ano eram celebrados 400 anos da descoberta do caminho marítimo para as Índias.
Nos seus 117 anos de existência, o clube não conquistou nenhum título intercontinental de relevância (apenas dois torneios internacionais em 1953 e 1957), mas ganhou o Campeonato Sul-Americano de Clubes Campeões (um espécie de precursor da Copa Libertadores) em 1948, a própria Libertadores em 1998 e a Copa Mercosul em 2000.
Adicionem-se a esses títulos quatro Campeonatos Brasileiros (1974, 1989, 1997 e 2000), três Torneios Rio-São Paulo (1958, 1966 e 1999), uma Copa dos Campeões Estaduais Rio-São Paulo (1937), uma Copa do Brasil (2011) e um Torneio João Havelange (1993). Como prêmio de consolação, o clube foi campeão da Série B em 2009.
No âmbito estadual, foram 23 títulos cariocas, conquistados entre 1923 e 2015, contra 33 do Flamengo, 31 do Fluminense, 20 do Botafogo, 7 do América, 2 do Bangu, 2 do São Cristóvão e um do Paysandu em 118 campeonatos disputados.
O melhor grupo de jogadores jamais formado pelo Vasco da Gama aconteceu na década de 1940 e início dos anos 1950, quando se constituiu na base da seleção brasileira vice-campeã mundial de 1950.
O time era chamado de “O Expresso da Vitória” e teve entre os seus craques, além dos convocados Barbosa, Augusto, Ely do Amparo, Danilo Alvim, Alfredo, Friaça, Maneca, Admir de Menezes, Jair Rosa Pinto e Chico, também Heleno de Freitas, Tesourinha, Lelé, Jorge, Ipojucan, Sabará e Djalma.
Ao longo da sua trajetória o clube conheceu outros craques, como Fausto dos Santos, Pinga, Orlando Peçanha, Almir Pernambuquinho, Mauro Galvão, Roberto Dinamite, Juninho Pernambucano, Edmundo e Romário, entre outros.
É hora de o comandante tirar a nau do mar proceloso em que se meteu e recolocá-la em águas mais tranquilas.
Sua torcida merece.
-0-

Gol de Placa se despede em 2015 desejando a todos um Feliz Natal e um 2016 melhor. Estaremos de volta no dia 15 de janeiro próximo.  

 

    


(artigo publicado no caderno Super Esportes do jornal O Imparcial de 11/12/2015)

 

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015







EU E A MÚSICA - ESSE TAL DE ROCK AND ROLL

Parte I - Um abraço no Gilberto Mineiro

Durante um curto período São Luís movimentou uma casa de espetáculos chamada Equator, que era na verdade um imenso picadeiro com arquibancadas de cimento, mais parecendo um ginásio esportivo. A casa era rústica, tinha problemas de acústica, não oferecia conforto nem um bom serviço de bar e não teve, portanto, vida longa.
Em pouco tempo o prédio foi demolido e o espaço acabou se transformando num grande estacionamento aberto, no que se revelou muito mais adequado, pois assim permanece até hoje.
Quando surgiu o Equator veio com ele a esperança da abertura de um espaço que pudesse congregar as tribos de garotos roqueiros que sobreviviam esparsos pela cidade, pois naquele tempo era difícil encontrar um palco para mandar um rock ou um blues de responsabilidade.  
Os proprietários de bares e casas noturnas tinham um grande preconceito contra o rock, que eles consideravam uma “música de alto volume que não atraía o público consumidor, interpretada por músicos que assustavam as pessoas com aquele som ameaçador”.
Para a tristeza do rock, o Equator deixou de ser uma esperança para os roqueiros e acabou se transformando, no seu curto período de existência, em uma casa de reggae, o ritmo jamaicano que na época havia tomado conta da cidade com suas radiolas e seus dreadlocks, fazendo com que muitos apreciadores criassem o hábito oticamente pouco saudável de se colocarem ao lado das potentes caixas de som e com que muitos casais voltassem a dançar agarradinhos, longe da febre das disco houses.
O rock caminhava com dificuldade, embora conseguisse ser exibido em alguns lugares com o pequeno sucesso que a sua pouca aceitação na cidade permitia, como as ruas do Projeto Reviver, o Bagdá Café, o Créole Bar, o Restaurante Peixe na Telha – e que boa memória ainda tenho da sua proprietária, nossa saudosa amiga Neirimar! – apostando no talento de meninos como Adriano Correa, Aldreder, Alexander Carvalho, Elvis, Glad Azevedo, Paulo Pellegrini e outros. 
Estávamos no início dos anos 1990.
Era sábado, e neste dia, graças às artimanhas do diligente produtor, estava sendo realizado no Equator não uma festa de reggae, como seria de se supor, mas um festival de rock como a gente sonhava, com diversas bandas locais se apresentando, algumas mais ativas e experientes e outras ainda com o rótulo de garage bands, contando com a presença de um público jovem bastante participativo.
As garage bands eram formadas por jovens adolescentes que se reuniam nas suas casas depois das aulas e não tinham um grande conhecimento musical teórico nem qualquer ambição profissional, embora alguns deles tivessem seguido carreira, mesmo se paralela a alguma outra atividade acadêmica.
Menos participativos do que o público jovem, alguns homens e mulheres maduros que assistiam ao festival davam a impressão de que lá estavam apenas por conta dos seus pimpolhos que soltavam provavelmente seus primeiros gorjeios em público, mostrando aos presentes aquela guitarra e aquele baixo recém-adquiridos, sem as marcas ou os riscos causados pelo uso. 
Aparentemente os meninos se divertiam mais enquanto acertavam o som das guitarras e falavam “um-dois-sssommmm” ao microfone do que quando se punham realmente a tocar.
As apresentações haviam começado às quatro da tarde misturando alguns trabalhos autorais esforçados com alguns covers bem ensaiados, e a expectativa era a de que mais gente chegasse durante o transcorrer dos shows, sendo previsto o seu gran finale apenas lá para as dez da noite.
O Equator Rock Festival foi mais um evento produzido por Gilberto Mineiro, radialista e produtor musical com uma vida dedicada ao rock, que tinha a seu encargo um programa semanal de radio que mantém até hoje, embora com outro nome e em outra emissora. Mais tarde ele passaria também a trabalhar com música alternativa, drum & bass, som do mangue, acid jazz, world music, nova MPB e outras coisas do gênero.
Gilberto Mineiro é o que se pode chamar de uma cabeça pensante, inteligente e provocador seja na música ou fora dela, embora geralmente procure canalizar as suas discussões para o campo da qualidade musical, sendo implacável com aquilo que ele considera de baixo nível. Com ele, sempre temos a garantia se uma boa conversa.
Como apreciador do velho e bom rock and roll eu também lá estava, totalmente envolvido por aquele recital de guitarra, baixo e bateria no meio de jovens cabeludos, a maioria trajando preto, alguns portando correntes e outros adereços punk, outros dançando as suas gingas e cabeçadas, mas tudo dentro de muita alegria e – pasmem! – muita paz e ordem, ao contrário do que certamente temiam os pais e acompanhantes, e os donos de bar mal avisados.
Aquilo foi o início de uma nova era.
Hoje em dia, o rock saiu da toca e se apresenta em diversos bares, pubs, restaurantes e casas noturnas, praias e praças, puro ou na forma de blues, e ao contrário de que temiam os proprietários dos locais, a distorção das guitarras e o frenesi da bateria seguem atraindo público de todos os matizes.
Graças à teimosia de bandas pioneiras como Daphne, Alcmena e Paul Time, e mais tarde Página 57, The Mads, Pandha S.A. e tantas outras, e graças ao trabalho de produção e divulgação de Gilberto, o rock passou a ser participante da cena musical da cidade.
Enquanto eu acompanhava o entusiasmado balanço de uma das bandas do Equator Rock Festival, um jovem de não mais do que quatorze anos me observava, curioso.
Trajando roupas sem qualquer espalhafato e sem nenhuma parafernália que denunciasse sua apreciação pelo que estava acontecendo no local, ele tomou coragem e fez a pergunta que o estava intrigando, dada a minha idade avançada para aquelas estripulias: “Mas, tio, você gosta mesmo disso?!...”
Eu respondi com toda a sinceridade histórica que o momento merecia: “Meu filho, quando ‘isso’ começou a acontecer, eu tinha mais ou menos a sua idade. E nunca mais parei de ouvir e de gostar...”

 

domingo, 6 de dezembro de 2015


 
 
 
 
 
 
O BARULHO DOS MOTORES 

Terminou mais uma temporada do Campeonato Mundial de Fórmula Um, deixando o aficionado brasileiro tão desanimado quanto um torcedor de futebol do Mamoré-MG – para ficarmos longe das polêmicas.
Faz tempo que os nossos pilotos não “correspondem” e por consequência o número de aparelhos de televisão desligados caiu tanto a ponto de a TV Globo cogitar se vale a pena continuar transmitindo pelo canal aberto.
Está difícil convencer o torcedor a vibrar com Felipe Massa ou a ficar empurrando o frágil carro de Felipe Nasr com a força do pensamento. Massa está cada dia mais chato e antiético, transferindo para os outros os problemas criados pelas suas próprias deficiências. Nasr ainda pode crescer.
Somente aqueles que gostam realmente do esporte – como eu – se aventuram a assistir às corridas madrugadoras da China, do Japão ou da Austrália e se emocionam com pegas de pilotos ingleses e alemães, na falta de brasileiros competitivos.
Mas de 1988 a 1994 todo brasileiro tinha por hábito não despregar os olhos da televisão aos domingos para acompanhar as corridas, muitas vezes sacrificando a praia, o almoço na casa dos parentes e o próprio futebol, naquele tempo em que o futebol andava relativamente em baixa, como hoje.
Eram tempos de Ayrton Senna.
A Fórmula Um é muito antiga, vem de 1950 e já produziu muitos ícones, como Juan Manuel Fangio, Jack Brabham, Graham Hill, Jim Clark e Jack Stewart, num período romântico que se estendeu durante cerca de vinte anos, quando a tecnologia começou a auxiliar os pilotos a conduzir os seus veículos.
No Brasil, a marca Fórmula Um começou a se evidenciar nos anos 1970, e teve como prêmio a conquista de um bicampeonato (1972 e 1974) pelo piloto Émerson Fittipaldi, naquela época em que as transmissões deste tipo de evento ainda engatinhavam, com poucas câmeras, informação limitada e poucos televisores a cor.
A TV Globo contava com uma equipe de esportes da qual participavam Julio Delamare, Luciano do Valle, Ciro José e o jovem Reginaldo Leme, e a sua primeira transmissão se deu em 1972. O primeiro título de Émerson Fittipaldi, porém, foi narrado pelo seu pai, o ex-piloto e radialista Wilson Fittipaldi, chamado de “O Barão”.
Nelson Piquet inaugurou uma nova década com o título da temporada de 1981, completado por um tricampeonato em 1983 e 1987, e foi então que o torcedor brasileiro começou realmente a tomar gosto pela coisa.
Galvão Bueno foi contratado pela Globo em 1981 para ser o “segundo” de Luciano do Valle, e assumiu a titularidade em 1982 com a ida de Luciano para a Record.
A Fórmula Um é a competição de automobilismo mais antiga que existe e consequentemente a que continua tendo mais charme, o que provoca uma larga audiência em todo o mundo.
Pode-se dizer que apesar da atual entressafra, o Brasil se encontra bem representado na história da categoria. Começou com Émerson que conquistou dois títulos numa época em que dirigir um daqueles bólidos era estar sentado em um tanque de gasolina a uma velocidade de mais de 100 km/h. Seguiu em frente com três conquistas de Piquet numa época onde os engenheiros contavam menos do que hoje, o piloto dirigia no braço e sujava a mão de graxa para preparar o motor junto com os mecânicos.
Aí apareceu Ayrton Senna, para se transformar no maior ídolo das manhãs de domingo, com três títulos (em 1988, 1990 e 1991) conquistados com muito arrojo e determinação, a ponto de ainda ser, até hoje, considerado o melhor piloto de Fórmula Um de todos os tempos, inclusive por alguns pilotos vencedores, como Michael Schumacher (o único heptacampeão), Sebastian Vettel (tetracampeão) e Lewis Hamilton (tricampeão e atual detentor).
Todo ano são feitas modificações no regulamento das corridas – como pontuação, pneus, pit-stop – e na tecnologia dos carros visando aumentar a competitividade e equilibrar as forças entre os diversos pilotos participantes, mas não se pode dizer que os membros da FIA estão conseguindo grandes progressos, e com isso aumentar o interesse pelas corridas.
Mesmo assim, os patrocinadores e parceiros continuam investindo muito dinheiro na categoria, que lota autódromos em todo mundo com um público cada vez mais participativo.
O brasileiro é mais modesto. Apenas sonha com um piloto que possa lhe devolver as alegrias que Senna – e por que não Émerson e Piquet? – lhe proporcionou nos últimos anos do século passado.   

                                                                                              

 (Artigo publicado no caderno SuperEsportes do jornal O Imparcial de 04/12/2015)

 

 

sábado, 28 de novembro de 2015


 
 
 
 
 
O TÍTULO ANTECIPADO 

É sem dúvida estranho fazer comentários sobre o encerramento de um torneio quando faltam ainda duas rodadas para ele chegar ao fim.
Só que o Campeonato Brasileiro acabou antes de acabar. Aliás, já tinha acabado há algumas semanas, dada a diferença de produção de um time – o Corinthians – comparada com os demais. Há várias rodadas, enquanto o time mosqueteiro acumulava pontos mantendo uma distância segura sobre seus perseguidores, encabeçados pelo vacilante Atlético Mineiro, os outros iam tropeçando, se enrolando e se mostrando incapazes de começar uma perseguição que resultasse em algo.
Houve disparidade em tudo – na pontuação, no desempenho em campo, no aproveitamento da vantagem sobre adversários mais fracos e na manutenção da lógica de quem jogava como favorito.
Todos os outros 19 concorrentes, com maior ou menor diferença, disputaram um campeonato à parte, ganhando, empatando e perdendo entre si, muitas vezes entregando os pontos mesmo jogando em casa, apesar de algumas vezes obter resultados heroicos quando a vaca já parecia estar no brejo.
A conquista do Corinthians foi tão cristalina que mesmo depois de toda a grita dos adversários contra cinco ou seis pontos conseguidos graças a erros de arbitragem (isto aconteceu no final do primeiro turno) ninguém mais conseguiu atribuir ao apito a desabalada carreira percorrida em todo o segundo turno da competição.  
Invicto há dez jogos – foi derrotado apenas uma vez neste turno, 1x2 para o Internacional – o time vem jogando sem tomar conhecimento dos adversários.
É interessante notar que o elenco das equipes brasileiras que estão disputando a Série A mostra um certo equilíbrio na qualidade individual dos jogadores, isto é, os atletas do Corinthians não têm uma superioridade tão marcante sobre os demais  para justificar tanta diferença dos resultados obtidos. Por outro lado, a qualidade de conjunto mostrada do segundo ao último colocado é quase a mesma, resultando em jogos equilibrados entre agremiações que ocupam esses patamares antípodas.
Aqui e ali, o time corintiano sofreu com alterações que na época pareciam difíceis de contornar, como a saída de Paolo Guerrero e de Emerson e a contusão de jovens promessas que trocaram o campo de jogo pelo departamento médico bem na hora em que começavam a se transformar em soluções interessantes para a equipe. 
Mas a equipe não sentiu, e os outros times foram ficando pelo caminho.
Os clubes cariocas passaram a temporada batendo cabeça e nunca se encontraram na competição, a ponto de nenhum deles chegar nem perto de lutar por uma vaga na Copa Libertadores. Os clubes mineiros jamais mostraram poder de recuperação para brigar pra valer no topo da tabela, e os paulistas frustraram dirigentes e torcedores.
O Palmeiras foi o time que mais se preparou e mais contratou, inclusive no que diz respeito a técnico e diretor de futebol, mas está mostrando um nível técnico inferior até se comparado com aqueles que passaram o campeonato inteiro dentro da zona de rebaixamento.
O Santos mostrou um brilho de fogos de réveillon, pois não durou mais do que um pequeno instante. Quando parecia que o torcedor iria se reencontrar do com o futebol moleque que notabilizou Pelé, Coutinho, Juari, Robinho e Neymar, o time afundou na mediocridade, perdendo pontos incríveis para times equipes notadamente inferiores.
O São Paulo se desestruturou completamente no aspecto financeiro e ainda passa por uma crise sem precedentes da sua administração. Vendeu quem não devia vender, contratou quem não devia contratar e tem que dar graças aos céus por estar (ainda) ocupando a quarta posição.
Já o Corinthians, depois e um primeiro semestre vacilante, quando perdeu o Campeonato Paulista e foi eliminado da Copa do Brasil, aprimorou o seu futebol jogando com inteligência e obedecendo às orientações táticas sempre com precisão.
Quer me parecer que o grande segredo do time é um gerenciamento consistente, muito treinamento e obediência tática, e um técnico – Tite – que aproveitou o tempo em que ficou desempregado para reciclar conhecimento e aprender a trabalhar o emocional de um grupo de jogadores.
Uma prova de que título também se ganha no vestiário. 

 

    

 

(artigo publicado no caderno Super Esportes do jornal O Imparcial de 27/11/2015)

 

 

sábado, 21 de novembro de 2015


 
 
 
 
MARCAS DO QUE SE FOI
 
Sempre que fazem alguma cobertura ou reportagem in loco, jornalistas e comentaristas esportivos não perdem a oportunidade de ressaltar a falta de manutenção a que foi relegada a maioria dos estádios construídos ou remodelados em função da Copa do Mundo.
É como se alguém comprasse móveis caríssimos e requintados para decorar a sua sala de estar e os deixasse expostos ao ar livre, sujeitos a sol, chuva e trovoadas. Abandonados sem qualquer cuidado, tanto móveis de fina estampa como estádios de concreto acabam tendo o mesmo destino. 
Todos lamentam o estado de abandono desses estádios. Aparentemente o eufemismo conhecido como “legado da Copa” terminou quando o repasse do dinheiro acabou.
Depois de pouco mais de um ano da realização da Copa do Mundo, a sociedade brasileira vê com muita decepção os restos da festa de gala que foi montada com os requintes de uma cidade cenográfica, isto é, bonita, mas frágil e irreal. É mais ou menos o que acontece também com outras atividades no país, proporcionando desde pequenos problemas caricatos até tragédias anunciadas como as que estamos vivendo, dada a direção na contramão de pilotos desastrados (alguns) ou mal-intencionados (infelizmente, muitos).
O que sobrou da Copa faz lembrar restos de carros alegóricos e adereços abandonados ao relento depois de terminado o carnaval.
Em nome da moralidade, espocam atualmente processos contra empreiteiras, que aliaram superfaturamento a obras de baixo custo, e contra aqueles que fizeram a distribuição do butim entre políticos, administradores públicos e dirigentes esportivos, o que prova que não se tratava apenas de suspeita ou mesmo de maledicência contra a Copa, como muitos afirmavam, mas da existência de uma rapinagem geral e irrestrita, como se supunha. Uma verdadeira farra com o dinheiro público, embora a CBF, os governantes e muitos interessados jurassem de pés juntos que não se tratava de dinheiro do contribuinte e que os clubes porventura beneficiados estavam apenas tendo um financiamento a ser reembolsado.
Os clubes que embarcaram nessa aventura estão encalacrados, pois com a atual situação da nossa economia eles terão dificuldades enormes para pagar a conta, a não ser que sejam beneficiados com alguma anistia, ou que passem o resto da existência refinanciado e reparcelando o valor da dívida. O Corinthians, por exemplo, tem um débito de 1,15 bilhão de reais que deverá ser pago ao BNDES em parcelas de 5 milhões de reais por mês, com o valor reajustado após 2016.
A vergonhosa participação da CBF no caso fica evidente com a prisão do seu presidente exatamente por atentar contra a lisura na realização do torneio por várias formas conhecidas – cumplicidade com alguns bandidos da Fifa e negociata com direitos de transmissão – e com certeza por muitas irregularidades que ainda virão a público.
A Copa 2014 foi capitaneada pelo agora ex-secretário geral da Fifa Jéròme Valcke, atualmente investigado por irregularidades e recebimento de propina referente à realização do torneio e há denuncias contra o atual presidente da CBF Marco Polo Del Nero pelo mesmo motivo.  
Alguns exemplos são tão marcantes que saltam aos olhos, como a construção da Arena Corinthians pela Construtora Odebrecht (a mais enrolada no Lava-Jato) erigida com as bênçãos do BNDES e com a participação dos governos federal, estadual e municipal, que avalizaram a loucura, além do Estádio Nacional de Brasília (o Mané Garrincha) que sofreu uma intervenção milionária para abrigar apenas sete jogos e depois se aposentar, e ainda do Maracanã, que era uma das marcas registradas do Rio de Janeiro, foi totalmente desfigurado, e perdeu o seu charme, sendo atualmente negligenciado até pelos grandes clubes cariocas por causa de uma administração equivocada por parte de terceiros.
Com exceção da Arena Corinthians, que ainda mantém a boa aparência, quer seja porque foi mais bem construída, quer seja porque receba uma manutenção mais consistente, o dinheiro gasto pela organização para obedecer ao “padrão Fifa” não encontra eco na qualidade da obra. 
O Novo Maracanã e o Mané Garrincha, apesar de mostrarem à primeira vista um aspecto razoável e sem grandes falhas, apresentam terríveis problemas de deterioração interna, com a alvenaria rachando, lajotas se soltando e vazamento de água em muitos pontos.
É o “padrão Fifa” em liquidação.
 
 
 (Artigo publicado no caderno SuperEsportes do jornal O Imparcial de 20/11/2015)