sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015






FUTEBOL E SAMBA  

 (ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 20/02/2015) 

Terminou o carnaval e todos vamos pouco a pouco voltando à nossa rotina de vida, mesmo que preguiçosamente, pois a volta às atividades exige um pouco de pré-temporada e, em termos de folia, ainda existe algum rescaldo neste fim de semana.
O brasileiro é conhecido por duas paixões quase indissociáveis: o futebol e o samba. No meu caso, tenho em cada uma delas uma história pra contar.
Minha paixão pelo futebol jamais foi integralmente correspondida, pois apesar de escrever sobre futebol e de, modestamente, entender um pouco do riscado, nunca consegui estabelecer um diálogo mais íntimo com a bola, e minhas aventuras com a pelota correndo no gramado se resumem às peladas de rua da infância.
Talvez, a exemplo de alguns experts que jamais conseguiram jogar minimamente, eu pudesse ter sido um bom técnico, pois tenho a chamada visão de jogo, percebo as deficiências de um determinado jogador ou de uma formação inadequada e já “briguei” muitas vezes com treinadores e jogadores nas suas entrevistas quando eles expressam uma leitura errada do jogo em que se envolveram.
Escrevo sobre esporte – mais apropriadamente sobre futebol – há mais de vinte anos, e antes disso já havia participado ativamente do dia-a-dia do métier na qualidade de presidente da infelizmente extinta Sociedade Esportiva Tupan, conhecendo além dos problemas de campo de jogo também os segredos de bastidores e a política desenvolvida nas agremiações e na federação.
Não é, portanto, com surpresa que vejo o futebol brasileiro soçobrar nos dias de hoje, mas isso é um assunto que fica para outro dia.
Estranhamente, em termos de “bola no pé”, tenho mais intimidade com o samba do que com o futebol, pois durante sete anos fui participante de uma escola de samba do grupo especial de São Paulo – a G.R.E.S. Pérola Negra – na qual fazia parte da ala dos compositores e da direção de harmonia.
E fui além, tendo um samba-enredo premiado e apresentado na avenida em 1979, o que corresponde à conquista de um título particular dentro dos títulos alcançados pela escola.
Por isso, creio ter autoridade para comentar o que considero um descalabro, que é qualquer relação mais séria do futebol profissional com as escolas de samba.
O Rio de Janeiro, com certeza o melhor, mais bonito e mais empolgante carnaval de rua do país, sabe muito bem separar as coisas. Nos estádios, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco fazem a alegria dos seus torcedores. Na Marquês de Sapucaí, Beija Flor, Imperatriz, Mangueira, Mocidade, Salgueiro e Portela, dão empolgação às suas comunidades.
Mas em São Paulo as escolas tradicionais – Camisa Verde, Mocidade Alegre, Nenê de Vila Matilde, Rosas de Ouro, Vai Vai – começaram a dividir espaço com as torcidas organizadas, que invadem uma praia que não é a delas, comprometendo a lisura dos resultados, pois as paixões clubistas dos jurados vão além de uma interpretação racional, e ajudam a promover baderna no momento da apuração.
As escolas de samba Gaviões da Fiel, Mancha Verde e Dragões da Real nada mais são do que agremiações que congregam os associados das torcidas organizadas de Corinthians, Palmeiras e São Paulo – incluindo os delinquentes – que entram no desfile carnavalesco apenas para fazer aquilo que eles mais sabem – arruaça, desrespeito e confronto. Inclusive nas arquibancadas do sambódromo.
Há que separar o joio do trigo, para o bem dos foliões e dos torcedores.

sábado, 14 de fevereiro de 2015





                                                     A HISTÓRIA SE REPETE 

 (ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 13/02/2015) 

Mostrando um futebol pouco convincente, a seleção do Brasil encerrou a sua participação no Campeonato Sul-Americano Sub-20 disputado no Uruguai amargando um modesto quarto lugar.
A despedida teve um toque de melancolia com uma derrota contundente para a Colômbia por 3x0.
Menos mal que, terminando entre os quatro primeiros, o Brasil pelo menos conquistou o direito de disputar o Mundial da categoria a ser jogado em maio e junho deste ano na Nova Zelândia, representando a América do Sul juntamente com a Argentina (campeã do Sul-Americano), o Uruguai e a Colômbia.
Era o mínimo que se esperava, pois seria absolutamente cruel e vexatório se o Brasil não ficasse entre os quatro primeiros colocados em um torneio de seis participantes.
Se as coisas não forem consertadas, porém, corremos o risco de passarmos por um vexame maior no Mundial.
A seleção brasileira Sub-20 tem entre os seus integrantes alguns jogadores que já atuam como titulares dos seus respectivos clubes – entre eles os zagueiros Marlon (Fluminense) e Nathan (Palmeiras), os laterais Auro (São Paulo), João Pedro (Palmeiras) e Caju (Santos), o meio-campista Boschilia (São Paulo) e os atacantes Gabriel (Santos), Kennedy (Fluminense), Thales (Vasco), Yuri (Botafogo) e Malcom (Corinthians), além do ex-Internacional Otávio, atualmente defendendo o FC Porto, e Lucas Evangelista, ex-São Paulo, que joga na Udinese, da Itália.
Parece então que material não falta, pois o time possui bons valores individuais.
A seleção, no entanto, carece de uma estruturação tática mais moderna, isto é, padece dos mesmos males da seleção principal que perdeu o Mundial de 2014.
Infelizmente, estes males não se restringem apenas ao futebol praticado em campo e se não forem corrigidos representarão mais uma decepção daqui a três meses.
Os jovens são promissores, mas aparentemente não tiveram a orientação necessária, evidenciando despreparo em campo e causando cenas de grande constrangimento fora dele.
Depois de uma circulada noturna pelo bar do hotel onde estavam hospedados, três atletas arrumaram uma grande confusão com outros hóspedes e funcionários do hotel.
O rebuliço adentrou a madrugada, comprometendo a concentração do time que iria enfrentar a Argentina algumas horas mais tarde, quando o Brasil perdeu por 2x0 e deu um adeus antecipado às pretensões ao título.
A CBF não se manifestou imediatamente nem sobre o incidente nem sobre as providências que seriam tomadas, mas acaba de demitir o técnico Alexandre Gallo, que não conseguiu se impor nem dar padrão de jogo à equipe.
Gallo fez parte da equipe coordenada por Parreira em 2014 e apesar de não ter tido nenhuma influência prática sobre o resultado patético da seleção principal na Copa, ele está contaminado por aquela filosofia perdedora, que teve na falta de liderança de grupo a principal razão para má produção dos jogadores.
Nossos atletas ficam ricos e famosos muito jovens e com pouca maturidade, e padecem de um deslumbramento que deveria ser controlado pelos dirigentes, principalmente quando a equipe está representando o nosso futebol e a nossa história em uma competição de porte.
Sem uma correção de rumo logo iremos mostrar os mesmos problemas das seleções africanas, que primam pela indisciplina e pela falta de coordenação. 

 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015





A SAGA DO MARACANà

(ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 06/02/2015) 

Quando nasceu, o Estádio Municipal do Maracanã foi batizado como Estádio Jornalista Mário Filho, naqueles tempos em que arena era apenas “um espaço coberto de areia, no centro dos anfiteatros onde combatiam os gladiadores”, conforme dizem os dicionários.
Os puxa-sacos da época queriam denominá-lo Estádio General Ângelo Mendes de Morais, nome do prefeito do Rio de Janeiro, mas prevaleceu a vontade popular, posto que Mário Filho – irmão do dramaturgo Nelson Rodrigues – foi o verdadeiro mentor da obra, a princípio muito contestada.
A inauguração aconteceu no dia 16 de junho de 1950, numa partida entre as seleções do Rio e de São Paulo, vencida pelos paulistas por 3x1. O jogo correspondeu a um teste final do gramado e vestiários, pois a Copa do Mundo seria iniciada oito dias depois com o estádio ainda em obras, tendo o Brasil goleado o México por 4x0.
O jovem Maracanã foi palco de uma tragédia exatamente um mês depois de inaugurado, com o Uruguai calando 200 mil torcedores que comemoravam o título antecipadamente depois da estrondosa goleada sobre a Espanha – 6x0 – três dias antes.
Mas o saldo positivo de alegrias acabou superando as tristezas da Copa.
Por mais de sessenta anos o estádio foi palco dos clássicos cariocas e foi o teatro que abrigou a decisão de mais de uma centena de títulos diversos. Serviu de passarela para que Zizinho, Didi, Nilton Santos, Garrincha, Gerson, Zico, Roberto Dinamite e Romário encantassem o público com o seu grande futebol.
O estádio viveu também outros momentos de alegria, com diversas finais do Campeonato Brasileiro e com a final do primeiro Mundial de Clubes da Fifa e da Copa das Confederações de 2013, e foi a casa do Santos F.C. na conquista do bicampeonato Intercontinental de Clubes 1962-1963, além de testemunhar o milésimo gol de Pelé. Foi o local da abertura e do encerramento do Pan-2007 e presenteou a seleção brasileira feminina com a medalha de ouro.
Com tudo isso, o Maracanã pode e deve ser considerado um patrimônio nacional e, literalmente, a casa do povo, pois abrigava desde o mais humilde torcedor – aquele que não tinha dinheiro para ingressos caros e assistia aos jogos em pé, no cimentão da geral – até os mais sofisticados que se aboletavam nas arquibancadas e nas cadeiras.
Esse pessoal tinha nome: a classe proletária era chamada de “geraldinos” e os mais burgueses conhecidos como “arquibaldos”. Nunca se viu tanta democracia, sem qualquer resquício de luta de classes, pois a galera se preocupava apenas em incentivar os seus craques e os seu clubes.
Botafoguenses, rubro-negros, tricolores e vascaínos, no meio das bandeiras e faixas, dos torcedores fantasiados, dos foguetes, do pó de arroz e do papel picado, faziam a festa do domingo depois da praia.
Mas veio a Copa do Mundo de 2014 e o sonho acabou.
A arquitetura que guardava a marca dos anos 1950 foi desfigurada. A geral foi destruída em nome do padrão Fifa. O comportamento do torcedor foi regulamentado. E os preços foram para a estratosfera, para satisfazer os lucros de um Consórcio que, ao invés da Prefeitura do Rio, passou a administrar o estádio.
Os clubes perderam dinheiro e motivação e a qualidade do futebol carioca sofreu um baque.
Os atuais administradores possivelmente detestam futebol, pois estão impondo as maiores dificuldades para que os clubes usem o estádio. Assim, é de se esperar que o outrora Gigante do Maracanã venha algum dia se chamar Maracanã Music Hall ou quem sabe Maracanã Follies, para abrigar um público bem diferente daqueles saudosos arquibaldos e geraldinos.  

 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015







IDIOTAS NO COMANDO  

 (ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 03/02/2015) 

Existe um preceito jornalístico que limita o tempo de pergunta e a objetividade da resposta nos programas de entrevistas, tudo pautado na boa educação e no respeito que ambos – entrevistador e entrevistado – devem ter entre si e com o espectador. Esta regra vale para qualquer que seja o assunto em questão, seja ele de natureza científica, política, econômica ou educacional, seja ele sobre o nosso brejeiro futebol.
Interrupções no discurso são indesejáveis, como é indesejável impedir que a outra parte desenvolva o seu raciocínio quando tenta fazer com que a conversa fique mais clara para o público espectador.
Ao longo do tempo, porém, nos acostumamos a ver nas entrevistas esportivas muitos dirigentes e técnicos desequilibrados dando declarações arrogantes e muitas vezes ofensivas e não admitindo qualquer tipo de diálogo. São os “donos da verdade”.
Já nos habituamos a ver e ouvir as fanfarronices do chefão Eurico Miranda e a ironia do professor Vanderlei Luxemburgo, a insolência de Dunga, a má educação de Andrés Sanchez e soberba de Ricardo Teixeira. Também já estamos cansados das respostas mal-humoradas de Muricy Ramalho e Émerson Leão.
A maioria das entrevistas, no entanto, termina de uma maneira tranquila, com pedidos de desculpas explícitos ou embutidos.
Não foi o que aconteceu na semana passada, quando tivemos a oportunidade de assistir ao suprassumo da estupidez em que se transformou a entrevista de Mario Gobbi, atual presidente do Corinthians – que está de saída, para a felicidade do torcedor corintiano – no programa Bate Bola da hora do almoço na ESPN Brasil.
Ao invés de responder aos comentaristas com clareza e objetividade, o presidente esbravejou durante meia-hora sem dar espaço aos interlocutores, tendo o cuidado de afirmar que os jornalistas não estavam preparados para lhe fazer perguntas e se colocou num pedestal que, ao invés de traduzir conhecimento, demonstrou apenas falta de educação e ignorância.
Tudo começou quando o comentarista pediu que ele desse a sua versão para o fato de a torcida organizada do clube ter contratado o rapaz que lançou o sinalizador na Bolívia, causando a morte do menino Kevin Espada.
Mario Gobbi se enfureceu e disse não haver provas de que ele teria lançado o artefato e que “a prisão dos dez integrantes da Gaviões da Fiel em Oruro tinha sido um crime muito mais grave do que a morte do jovem boliviano”!
E então deitou falação sobre os procedimentos da lei boliviana, numa clara ingerência na soberania jurídica de um outro país, ao mesmo tempo em que dizia para os comentaristas boquiabertos que eles deveriam aprender sobre leis antes de interpelá-lo.
O show de grosseria e desvairamento terminou com a chamada dos comerciais.
Este é o perfil de muitos dirigentes do futebol brasileiro, que são despreparados para exercer a liturgia do cargo. O seu destempero muitas vezes açoda a desarmonia e estimula a violência.
A lista dos idiotas que estão no comando não é pequena, e neste exato instante ela tem entre os seus principais representantes o atual presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, que em pouquíssimo tempo só colecionou desafetos pela forma grosseira como conduz as discussões tanto interna quanto externamente, mas que diferentemente do presidente corintiano ainda está no início do mandato.
Já Mario Gobbi, que vai entregar o cargo neste mês de fevereiro, é o tipo de dirigente que nada acrescentou ao Corinthians nem ao futebol, e com certeza não vai deixar saudades.

 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015






MINISTRADAS E MINISTRICES 

(ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 29/01/2015) 

Inexperiente não apenas na liturgia ministerial como também na administração do assunto que lhe foi dado para ministeriar, George Hilton, o recém-empossado Ministro do Esporte já começou a meter os pés pelas mãos.
Não que tivesse posto em prática alguma política danosa ao esporte ou que tivesse se envolvido em algum desvio de conduta pouco recomendável, o que infelizmente vem sendo a tônica de muitos políticos aqui no Brasil.
Talvez, porém, pelo seu inequívoco envolvimento com o ministério religioso, o senhor (ou talvez devemo-lo chamar de pastor) Hilton se esqueceu de separar as atribuições do seu cargo atual (Ministro do Esporte) com o seu cargo de ofício (ministro de Deus) e declarou que a sua primeira ação no Ministério seria implantar procedimentos religiosos entre os jogadores, “para afastá-los das drogas”, disse ele.
Trata-se de duas coisas muito importantes que ajudam na formação dos jovens – religiosidade e prevenção contra o uso de drogas – mas que parecem estar sendo formuladas no momento e no fórum errados. E do modo errado.
O esporte brasileiro, em particular o futebol, nossa maior paixão, vive um momento de desencontro. Há um descompasso técnico, emocional e financeiro que começa a criar um abismo entre o Brasil e outros países que praticam este esporte, alguns se fortalecendo, como os europeus, outros se reforçando, como os asiáticos, outros se repaginando como os norte-americanos.
Além disso, vemos se aproximarem os Jogos Olímpicos de 2016 sem que possamos confiar na estrutura dos locais e dos equipamentos necessários e sem que possamos confiar nos atletas que representarão o Brasil, quer por causa dos problemas de preparação e treinamento, quer por falta de uma verba que dê suporte estrutural às modalidades, algumas das quais no meio de uma intensa crise de credibilidade, como o vôlei, a canoagem e o taekwondo, ou de funcionabilidade, como o futebol feminino, o atletismo, a natação e a ginástica.
Por fim, existe o problema de que o Brasil, como um país laico, não pode obrigar que os clubes ministrem compulsoriamente aos seus atletas qualquer tipo de religião, seja ela evangélica (como no caso do Ministro), católica ou provinda de raízes africanas, não apenas porque isto desviaria do atleta o seu foco principal – que é estar preparado para competir – como também porque criaria uma separação indesejável em grupos de atletas com diferentes crenças ou práticas religiosas.
O esporte deve ser tratado como esporte, e quaisquer desvios que possam afetar o desempenho do atleta e comprometer o seu rendimento devem ser tratados com reserva, inclusive aqueles relativos a uso de droga.
São conhecidos alguns casos de consumo de drogas no esporte (ou de uso de dopping, mais comum, mas igualmente condenável), mas felizmente esses casos são ínfimos se considerarmos a quantidade de atletas e profissionais que têm o esporte como meio de vida.  
Existem naturalmente, sem necessidade da interferência ministerial, muitos atletas evangélicos que se intitulam Atletas de Cristo, que a seu modo procuram transmitir aos companheiros algum tipo de formação religiosa, e os clubes – com exceção de alguns técnicos que são totalmente contrários à ideia – não se importam que isso aconteça. 
Alertado por alguém, George Hilton mudou o discurso e disse que a sua preocupação inicial será a formação de jovens atletas, o futebol feminino e a Olimpíada de 2016, omitindo qualquer menção a questões religiosas.
Mesmo assim, Hilton não deixou de preencher os principais cargos do seu Ministério com políticos do PRB, todos pastores da Igreja Universal do Reino de Deus, que obviamente farão do seu trabalho uma cruzada religiosa dentro do esporte.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015





O FUTEBOL DO AMANHà

 (ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 22/01/2015) 

O Campeonato Sul-Americano de Futebol Sub-20 é um tradicional torneio que existe desde 1954 e é organizado pela Conmebol – Confederação Sul-Americana de Futebol que, como o próprio nome indica, reúne jogadores jovens dos países da América do Sul.
Até agora foram realizadas 26 disputas, sem muito respeito à periodicidade (apenas a partir de 1995 é que ele é jogado a cada dois anos). Mesmo assim, mantém uma boa média, pois o torneio tem sido disputado a cada 2,3 anos.
O Brasil vem reinando com folga no alto do pódio, pois conquistou 12 títulos, contra 7 do Uruguai, 4 da Argentina, 2 da Colômbia e 1 do Paraguai.
Por estranho que possa parecer, nenhuma das edições do torneio foi realizada no Brasil, isto é, o Brasil é o único dos 10 países que compõem a Conmebol que jamais sediou o torneio.
Um dos motivos desta ausência é que os dirigentes brasileiros de uma forma geral ignoram torneios amadores, assim como não dão muito valor ao Torneio Pré-Olímpico e aos próprios jogos de futebol das Olímpíadas, provavelmente porque eles têm uma importância financeira menor.
Assim, nunca houve por parte da CBF (e do próprio governo) o mesmo empenho mostrado com respeito à realização da Copa do Mundo ou aos Jogos Olímpicos como um todo, onde se misturam interesses políticos, turísticos, particulares, e até esportivos. 
Além do mais, ao contrário do que acontece em países como Espanha, Alemanha, Itália e Argentina, nunca houve no Brasil uma atenção maior para as categorias de base e chega a ser realmente fantástica a qualidade individual dos nossos jovens que, jogados à própria sorte, sem acompanhamento escolar, médico, físico, técnico e psicológico, ainda conseguem se sobressair no mercado profissional, alguns até com louvor.
A primeira edição do Campeonato Sul-Americano Sub-20 foi realizada na Venezuela, para jogadores com a idade limite de até 19 anos, e durante sete edições teve um valor puramente simbólico. A partir de 1977, porém, o torneio passou a classificar as melhores seleções para o Campeonato Mundial Sub-20 da Fifa, e aí aumentou o seu pedigree.
A partir de 1988, no torneio que foi disputado na Argentina, o limite de idade foi elevado para 20 anos e isso se mantém até hoje.
As seleções são divididas em dois grupos de cinco, classificando-se as três melhores de cada grupo para a disputa de um hexagonal por pontos corridos, sem a tradicional partida final em disputa pelo título ou pelo terceiro lugar.
O Brasil vai caminhando em direção à classificação, com duas vitórias contra Chile e Venezuela e uma derrota contra os uruguaios, donos da casa.
Mas a seleção brasileira precisa melhorar seu rendimento no torneio hexagonal se estiver pretendendo alguma coisa.
Nota-se no time dos meninos as mesmas falhas estruturais encontradas na seleção principal, o que confirma a necessidade de uma chacoalhada geral nos nossos conceitos se quisermos chegar a algum lugar no futuro.
Na derrota para o Uruguai tomamos o que se chama de “nó tático” simplesmente porque os uruguaios mostraram um futebol de toques rápidos, organizado e taticamente disciplinado.
O que não é novidade.
Os amistosos que as equipes brasileiras estão fazendo neste início de temporada mostram exatamente isso. Adversários nem sempre tecnicamente brilhantes dão uma aula de administração e postura dentro de campo, contrastando com o futebol sem objetividade que estamos mostrando.
Temos muito trabalho pela frente e precisamos ter a humildade necessária para encarar os fatos.    

terça-feira, 20 de janeiro de 2015






ALEMANHA 3 x 1 BRASIL 

(ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 20/01/2015) 

Dias atrás, as redes sociais postaram uma piada que podia não ser engraçada, mas não deixava de ser alarmante. Alguém reproduzia palavras, frases e nomes que estavam entre os mais ouvidos e pronunciados no Brasil em 2014, estando entre elas termos como protesto, crescimento zero, inflação, corrupção, Petrobrás, institutos de pesquisa, eleições e... gol da Alemanha!
Pode parecer brincadeira, mas cada uma destas palavras encerra um drama, uma angústia, um alerta ou um questionamento.
Como a nossa praia é o esporte, vou deixar de lado tudo o que se refere à política, economia ou comportamento e me fixar somente na dolorosa constatação de uma goleada impiedosa, embora nem tanto inesperada, que se abateu sobre o nosso orgulho nacional.
Em abril de 2013, o ex-lateral alemão Paul Breitner, campeão mundial em 1974 e atual comentarista de TV, esteve no Brasil e foi entrevistado no programa Bola da Vez na ESPN. Na ocasião, o antigo craque da seleção, do Bayern Munich e do Real Madrid declarou que “os brasileiros precisam aceitar que estão jogando um futebol do passado”. Ele disse que nós precisávamos “seguir o exemplo da Alemanha que, após perder a final para o Brasil na Copa de 2002, resolveu mudar, planejar”, e que a Alemanha era a favorita para ganhar a Copa de 2014.
Muita gente não gostou das declarações do alemão, que foi chamado de presunçoso e ultrapassado.
Afinal, o que é que esses “cinturas duras” que sempre privilegiaram o preparo físico em detrimento da malícia, da ginga e da individualidade, marcas registradas do futebol brasileiro – que não seria pentacampeão por acaso – tinham para nos ensinar?
Não sei, nem vou entrar em detalhes, mas a história acabou dando razão a Breitner.
Na concepção tupiniquim, o favorito para a Copa de 2014 era o Brasil, não apenas por jogar em casa, ajudado pelo calor dos trópicos e pelo calor ainda maior do uma torcida espalhada de norte a sul, numa onda verde-amarela que iria apequenar e varrer todos os seus adversários, mas também porque aqui se jogava “o melhor futebol do mundo”.
A vitória grandiosa por 3x0 na Copa das Confederações de 2013 sobre a Espanha, então campeã do mundo, era mais do que uma constatação de que o bicho viria mesmo pra pegar.
Mas o futebol envolvente, altamente técnico e ao mesmo tempo competitivo desenvolvido pelos germânicos acabou mostrando naquele momento a que eles vieram, e os resultados não custaram a aparecer.
Os responsáveis pelo nosso futebol continuam achando que tudo não passou de mera falta de sorte, mas a gente continua assistindo no momento um futebol brasileiro tecnicamente menor se comparado com o que é apresentado em outros países.
O ano foi iniciado com mais uma vitória alemã.
Representado por Corinthians e Fluminense na Florida Cup, o Brasil perdeu três jogos contra um para os alemães representados pelo Bayern Leverkusen e Colonia FC, respectivamente terceiro e décimo-primeiro colocados da Bundesliga 2014-2015 (o Colônia conquistou o título da Florida Cup por ter conseguido o maior numero de pontos nas partidas disputadas).  
É bem verdade que os times brasileiros estão iniciando a temporada ainda desentrosados e testando novos jogadores, mas é também verdade que os alemães, embora em meio de temporada, saíram de uma temperatura negativa para enfrentar o calor da Flórida e dosaram o seu esforço distribuído entre o estádio de futebol americano de Jacksonville e as delícias turísticas que vão desde a praia de Atlantic Beach até o irrecusável chope do Beer and Margueritas.
E mesmo assim ganharam por 3x1.

  

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015








O SALVADOR DA PÁTRIA 

 (ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 15/01/2015) 

Vejo nos comentários esportivos que alguns clubes brasileiros estão se preparando para a temporada apostando em um estilo diferente de reforço.
Normalmente quando se fala em reforço o torcedor logo pensa em um lateral que possa cobrir as deficiências do Joãozinho, que marca bem, mas apoia mal, ou do Zezinho, que apoia bem, mas não sabe marcar. Ou do Pedrão, aquele zagueiro central pé furado que não sabe se posicionar, marca a bola e esquece o adversário, e ainda acha que é o Franz Beckenbauer.
O time carece também daquele maestro para enfiar as bolas corretas para o ataque, pois o armador Felisberto não consegue acertar um passe de cinco metros. E precisa ainda de um centroavante para o lugar de Bernardão, trombador que se atrapalha com a bola na hora de finalizar.
Mas tudo isso, na verdade, demanda muito dinheiro e nem sempre traz os resultados esperados.
Além do mais, os jogadores “sonho de consumo” são caros -  e às vezes eles preferem ficar aguardando na moita sem facilitar a sua transferência porque têm fichas para gastar e não irão tomar nenhuma atitude precipitada. Enquanto isso, os clubes tentam aproveitar algum negócio de ocasião ou jogadores em fim de contrato.
Mesmo assim, os clubes sempre encontram dificuldades porque o mercado está inflacionado e a faixa salarial está muito além da lógica de uma economia em recessão.
É aí que entra o reforço inesperado.
Esse reforço não chegará a vestir a camisa para entrar em campo e tentar marcar os gols salvadores da pátria. Ele ficará boa parte do tempo em um escritório com ar condicionado pesquisando, estudando, preparando relatórios, negociando patrocínio e dando retaguarda ao presidente.
Ele vai atuar na posição de “diretor de futebol”.
O Palmeiras acaba de contratar Alexandre Mattos, ex-diretor bem sucedido do Cruzeiro, para ocupar o cargo de diretor executivo, e Alexandre Mattos acaba de marcar o seu primeiro gol, deixando Corinthians e São Paulo falando sozinho e levando o atacante-revelação Dudu para o Parque Antártica, digo, para o Allianz Parque.
A contratação deste dirigente faz a torcida se lembrar com euforia do período áureo do clube entre 1993 e 2000, a chamada Era Parmalat, quando o alviverde conquistou onze títulos, numa média de quase dois títulos por ano.
É claro que aquele momento foi diferente, pois junto com o dirigente José Carlos Brunoro, egresso do voleibol, vieram muitos e muitos dólares da Parmalat, o que possibilitou a formação de um elenco inesquecível com Marcos, Velloso, Cafu, Arce, Antonio Carlos, Roque Junior, Junior Baiano, Roberto Carlos, Junior, Cesar Sampaio, Rivaldo, Djalminha, Zinho, Edilson, Edmundo, Evair, Muller e Paulo Nunes.
Ninguém sabe a mágica que fez o Alexandre Mattos, como de resto ninguém sabe como funcionam as transações milionárias do futebol, isto é, quem determina, quem avaliza e quem paga.
O que se sabe é que este é o tipo de reforço que está sendo garimpado pelos presidentes dos clubes para lhes dar a sustentação necessária para que mantenham a máquina funcionando com sucesso.
Os clubes que carecem deste combustível estão em palpos de aranha, como o Botafogo, que precisa se contentar com contratações de segunda linha, ou o Santos, que tem que se desfazer de seus melhores jogadores para fazer frente ao pagamento do salário dos demais.      

 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015







HÁ SINCERIDADE NISSO? 

(ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 12/01/2015) 

Em 1952, estreava no Teatro Recreio, centro do Rio de Janeiro, um novo espetáculo musical que levava o nome de “Há Sinceridade Nisso?”.
O Brasil, cuja sede de governo era o Rio de Janeiro, era governado na época pelo presidente Getúlio Vargas – que iria se suicidar dois anos depois – e o clamor popular mostrava uma certa insatisfação, do que se aproveitava a oposição política com o auxilio de alguns jornais e comunidades artísticas para exercer suas críticas mordazes e nem sempre sutis.
“Há Sinceridade Nisso?”, produzido por Roberto Ruiz, era um espetáculo burlesco do gênero teatro de revista, e como tal mostrava uma colcha de retalhos incluindo mulheres sedutoras vestindo maiôs e biquinis reluzentes e reduzidos, ricos cenários, um corpo de bailarinas executando coreografias ao som de grandes orquestras, cantores e cantores da moda e sketches teatrais que não mediam palavras para dizer o que os autores do texto pensavam.
Com o tempo, o teatro de revista propôs uma abertura mais ampla para o público e abriu espaço para um tipo de cinema conhecido como “chanchada”, cujo humor escrachado era mais contido.
“Há Sinceridade Nisso?” era uma sátira em torno das promessas, dos pronunciamentos e das atitudes dos políticos e da sociedade da época, e retratava o comportamento brincalhão e descompromissado do carioca.
Mesmo sem significar exatamente a mesma coisa, cabe nos tempos modernos essa mesma indagação quando deparamos com as manobras nos clubes e nas federações para perpetuar este ou aquele no poder.
Suspeita-se que não haja sinceridade alguma nos gestos dos dirigentes esportivos quando eles dizem que estão preocupados em melhorar a imagem e a qualidade do esporte no país.
Candidato único ao cargo de presidente da Confederação Brasileira de Futebol – CBF, Marco Polo Del Nero foi eleito por 44 dos 47 votantes e começa seu mandato em abril deste ano. O atual presidente, José Maria Marin será o seu primeiro vice-presidente por ser o vice mais velho. A eleição foi garantida após a aprovação das contas da entidade (o que nem chegou a acontecer, nem para dar um pouco mais de seriedade ao processo de transmissão de cargo).
Esta pressa no processo tem a ver com prazos a serem cumpridos de acordo com os regimentos internos, que inclusive estabelecem um tempo para que Del Nero faça a transmissão do cargo que ocupa como presidente da Federação Paulista de Futebol.
Como Del Nero assumirá a presidência da CBF, a partir de abril o atual vice da FPF – Reinaldo Carneiro de Barros – assume em São Paulo, e tudo fica em casa.
A disputa pela CBF previa lances mais emocionantes com a chegada de uma chapa de oposição a Del Nero-Marin formada pelo ex-presidente corintiano Andrés Sanchez e pelo presidente da Federação Gaúcha Francisco Noveletto, mas a coisa não evoluiu pela dificuldade de articulação dos dois, que não reúnem muitos simpatizantes dentro do círculo fechado dos presidentes de clubes e federações.
Na sua sabedoria burlesca, o teatro de revistas, uma espécie de Pasquim ou de Charlie Hebdo das artes cênicas, está fazendo falta nos dias atuais. Foi substituído impropriamente por alguns programas humorísticos de televisão, pois o seu caráter de diversão para um público adulto e fechado lhe permitia dizer as coisas mais às claras, à guisa de crítica satírica.
Talvez essas manobras dos nossos cartolas e as suas atitudes nem sempre transparentes justificassem a apresentação de um outro musical – “Tem Gato Na Tuba” – encenado pela Companhia Walter Pinto em 1948.    

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015






O MINISTRO DO ESPORTE 

(ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 08/01/2015) 

Muitos comentários negativos sobre a escolha do novo Ministro dos Esportes estão na ordem do dia.
A ONG “Atletas pelo Brasil”, uma influente organização de atletas e ex-atletas, atualmente presidida pela ex-jogadora Ana Moser, e que congrega esportistas de renome, como Raí, Cafu, Dunga, Lars Grael, Bernardinho, Oscar Schmidt, Rogério Ceni, Flavio Canto, Fernando Meligeni, Hortência, Paula, Gustavo Borges, Kaká, Paulo André e Rubens Barrichello, entre outros, não ficou atrás.
Esta organização manifestou oficialmente o seu descontentamento pela escolha de George Hilton para a pasta de Ministro do Esporte neste segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. 
Em nota oficial, a entidade reclamou da falta de critério para a indicação de Hilton exigindo “mais respeito e cuidado com o esporte no Brasil”.
Eles lembram que 2016 será um ano olímpico e que a falta de profissionalismo de uma pessoa na área governamental para lidar com o problema poderá ser um sério entrave para o correto funcionamento de uma competição tão importante como essa, num momento em que pululam denuncias de malversação de verbas e que as empresas responsáveis pelo andamento das obras – já atrasadas – estão respondendo a processos judiciais.
A nota exalta que “infelizmente, há anos, o Ministério do Esporte é usado na barganha política” e que a familiaridade do ocupante do cargo com qualquer tipo de modalidade ou de gerenciamento esportivo é absolutamente nula.
Desde 1937, o esporte nacional era administrado pelo Ministério da Educação (MEC), e apenas em 1995, na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso ele ganhou um Ministério exclusivo, chamado Ministério Extraordinário do Esporte, embora os assuntos técnicos e administrativos fossem ainda controlados pelo MEC através da Secretaria de Desportos a ele vinculada.
No mesmo ano, porém, foi criado o Instituto Nacional de Desenvolvimento do Desporto (INDESP), que se desvinculou do MEC e se subordinou ao novo Ministério.
Em 1998 o nome foi mudado para Ministério do Esporte e Turismo, que manteve o INDESP funcionando sob sua subordinação.
Com o presidente Lula, o Turismo ganhou um Ministério próprio e o órgão passou a ter o nome de Ministério do Esporte.
A rigor, apenas entre 1995 e 1998 o Ministério teve alguém alinhado com o esporte no seu comando – Edson Arantes “Pelé” do Nascimento, que dispensa qualquer biografia.
Na gestão FHC o Ministério mudou três vezes de titular, começando por Rafael Greca em 1999-2000 (economista, engenheiro, escritor, urbanista, poeta, editor, historiador e político), passando por Carlos Carmo Melles em 2000-2002 (agrônomo, empresário rural e político) e finalizando com Caio Cibella de Carvalho em 2002-2003 (turismólogo e político).
Com Lula e Dilma, os ministros foram Agnelo Queiroz em 2003-2006 (médico e político), Orlando Silva em 2006-2011 (só político) e Aldo Rebelo em 2011-2015 (jornalista e político).
É pouco provável que, com a evidente exceção feita a Pelé, esses senhores ministros tenham tido algum interesse em qualquer modalidade esportiva, tenham lido colunas de esporte nos jornais por prazer, tenham acompanhado o noticiário esportivo como lazer, ou mesmo chutado uma bola na juventude, e o senhor George Hilton (teólogo, radialista, apresentador de programas evangélicos na TV e político) não foge à regra.
Isto é um retrato do que acontece com a grande maioria dos titulares dos outros Ministérios, pois o interesse maior do governo costuma ser o seu conforto político ao invés do conhecimento técnico da pasta ministerial.