quarta-feira, 23 de junho de 2021



 PRIMEIRA EDIÇÃO

(Samba-canção de Augusto Pellegrini) 

Amor de primeira edição
Ausência no meu coração
Pois tudo acabou sem sentir
Pequenas tragédias em cena
Notícias de segunda-feira
E o que já estava perdido se foi
Desceu a ladeira
 

Foi bom só enquanto durou
Fogueira que o tempo apagou
Vaidade demais não faz bem
Sigo sem mágoa no peito
Foges do meu pensamento
Pois tudo o que era já foi
Durou um momento

 

(iniciada há anos, terminada em junho 2021)


 


O ORGULHO  

(Augusto Pellegrini)

 

O palco da pantomima foi o escritório de uma poderosa estatal. Os personagens são o diretor geral Doutor Sacramento, a secretária Dona Júlia e eu, mísero office-boy.

Dona Júlia, um exemplo de dedicação, levantara aquele dia pisando com o pé esquerdo e num momento de irreflexão teve uma discordância com o chefe, que era um verdadeiro déspota.

Ele vestiu sua face com o seu olhar mais satânico e disse num tom tonitruante que pode ser ouvido em todo o andar: “Dona Júlia, chame o chefe do pessoal e peça para ele contratar uma nova secretária. E que seja bem rápido!”. Dona Júlia olhou com os olhos arregalados de quem está sendo despejada da casa e tendo que assinar a sua própria sentença. Aos cinquenta e alguns anos ela teria que ir à cata de um novo emprego, além de aturar o sorriso vencedor dos seus inimigos.

Dona Júlia desabou num desmaio que – comentam – teria sido mais histriônico que neurológico, mas eu me precipitei em socorrê-la, num ato de cavalheirismo extremo.   

Doutor Sacramento passou pelo corpo inerte e se dirigiu à sua sala como quem estivesse desviando de um cachorro morto. Bateu a porta com força sem olhar pra trás.

O chefe do pessoal veio e despediu não somente Dona Júlia por insubordinação, como a mim também, por conivência.

 

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Nosso reencontro foi dramático.

Quase quinze anos haviam transcorrido. Continuei meus estudos, e tudo aconteceu numa sequência muito rápida: a graduação, o mestrado, o doutorado no exterior, o cargo de diretor numa grande empresa multinacional e a gestão dos negócios da empresa junto ao governo.

Convocado para uma reunião onde seria decidido o investimento de alguns bilhões de dólares, encontrei-me novamente com a fera, já meio gasta, os olhos opacos e os poucos cabelos já definitivamente brancos, embora apresentando o mesmo ar de empáfia e superioridade, usando na cabeça a mesma coroa de louros – “Ave, Sacramentus!” – embora invisível.

O encontro se deu no elevador todo envidraçado em fumê. Ele me reconheceu e fez um muxoxo de desagrado, e este muxoxo se transformou em espanto quando ele entendeu que caberia a mim a condução dos negócios, interpelando e orientando a todos naquela enorme mesa de jacarandá, tendo ao fundo uma pintura de Gainsborough.

Ao fim da reunião, derrotado em todos os seus argumentos, Sacramento parecia um vaso Ming se fragmentando, um pergaminho se desfazendo, um frade nu.   

Soube que ele morreu um mês depois da reunião, amaldiçoado pelas pragas solitárias de Dona Júlia agravada por uma úlcera perfurada – dizem os especialistas.

Outros dizem que Doutor Sacramento morreu de orgulho ferido.  

 

terça-feira, 22 de junho de 2021

 


AS CORES DO SWING
           (Livro de Augusto Pellegrini)

BANDLEADERS E DISCOGRAFIA


PÉREZ PRADO (1916-1989)  

Nome completo – Dámaso Pérez Prado

Nascimento – Matanzas-Cuba

Falecimento – Cidade do México-México

Instrumento – piano e órgão

 

Comentário – Talvez pela proximidade geográfica com o sul dos Estados Unidos, a música cubana sempre teve alguma afinidade com o jazz, em termos de orquestração e de construção harmônica. O músico cubano é extremamente sensível e habilidoso, e não é à toa que com o passar do tempo muitos deles se engajassem definitivamente no jazz, mesmo sem abdicar das suas raízes. Um dos músicos que elevaram a música da ilha a padrões internacionais foi o bandleader, pianista e compositor Pérez Prado. Pérez Prado estudou piano clássico quando criança, e já adolescente tocava órgão e piano em clubes locais. Durante algum tempo ele foi pianista e arranjador da Sonora Matancera, uma das melhores bandas já formadas no país. Durante a década de 1940, Prado trabalhou em diversos cassinos de Havana, mas apesar de tocar mambo, seu estilo era profundamente influenciado por orquestras de jazz, em especial pelas big bands de swing e pelo som de Stan Kenton. Como isto gerou alguma resistência cultural contra a sua música, ele resolveu se mudar para Porto Rico, e depois para o México. A sua gravação de “Que Rico El Mambo” (que nos Estados Unidos foi batizado por Sonny Burke com o nome de “Mambo Jambo”) abriu a Pérez Prado as portas da América. Foi nos Estados Unidos, entre 1951 e 1958, que Pérez Prado lançou seus outros sucessos mundiais (“Mambo Nº5”, “Mambo Nº8”, “Cherrry Pink And Apple Blossom White” e “Patricia”), alcançando imensa popularidade no país até meados dos anos 1960 mesmo nas comunidades não latinas, sendo lembrado pelo inconfundível  grito “uhhh”, com o qual marcava as pausas da orquestra. Com a chegada do rock and roll, dos Beatles e da emergente pop music o seu sucesso declinou, mas mesmo assim ele se manteve na liderança em toda a América Latina e também no Japão. Pela sua orquestra passaram alguns músicos de primeira linha, como o cantor Beny Moré, o trompetista Pete Candoli, e os percussionistas Armando Perazo, Johnny Pacheco e Mongo Santamaría. Pérez Prado ainda se encontrava em plena atividade quando faleceu em decorrência de um derrame cerebral aos setenta e dois anos, depois de mais de cinquenta anos de carreira músical.

 

Algumas gravações 

Adiós (Enric Madriguera-Eddie Woods)

Cereza Rosa (Cherry Pink And Apple Blossom White) (Louis GugliemiLouiguy”-Jacques Larue)

El  Manisero (The Peanut Vendor) (Moisés Simons)

Frenesi (Alberto Domínguez-Leonard Whitcup)

In A Little Spanish Town (Sam M.Lewis-Joe Young-Mabel Wayne)

Mambo Nº 5 (Pérez Prado)

Mambo Nº 8 (Pérez Prado)

Music Makers (Harry James-Don Raye)

Patricia (Pérez Prado)

Perdido (Ervin Drake-Juan Tizol-Hans J.Lengsfelder)

Que Rico El Mambo (Mambo Jambo) (Pérez Prado)

Silbando Mambo (Pérez Prado)

St James Infirmary (Joe Primrose)

Tequila (Daniel Flores)

The Exotic Suite Of The Americas (Pérez Prado)

The Voodoo Suite (Pérez Prado)

domingo, 20 de junho de 2021

 


AS CORES DO SWING
           (Livro de Augusto Pellegrini)

BANDLEADERS E DISCOGRAFIA


PAUL ASH (1891-1958) 

Nome completo – Paul Robert Ash

Nascimento – Saxônia-Alemanha

Falecimento – Nova York-New York-EUA

Instrumento – piano e violino

 

Comentário – Paul Ash nasceu na Alemanha, mas sua família se mudou para os Estados Unidos quando ele tinha um ano de idade. Assim, ele cresceu dentro dos padrões americanos e baseou sua cultura musical na música americana, apesar da influência europeia dos pais. Paul formou a sua primeira orquestra em 1910, e foi um nome bastante popular como líder de orquestra durante as décadas de 1920 e 1930, sendo bastante conhecido por comandar orquestras que acompanhavam filmes de cinema mudo. Paul trabalhou em Chicago, nos cineteatros McVickers e Oriental – onde lançou a bailarina Ginger Rogers para o mundo da música. Trabalhou também em Nova York, no Paramount, e em San Francisco, no Teatro Granada, ocasião em que teve alguns discos lançados com o nome de Paul Ash e sua Orquestra Granada. Ele chegou a ser apelidado de “O Rajá do Jazz”, numa tentativa de elevar seu nome em contraposição ao outro Paul – o Whiteman – na época conhecido como “O Rei do jazz”. Sua orquestra chegou a abrigar o internacionalmente conhecido gaitista Larry Adler e também muitos dos nomes que iriam se tornar famosos no futuro, como Benny Goodman, Glenn Miller, Red Norvo, e outros menos famosos como Danny Polo, Helen Kane e Martha Raye. Por questões contratuais, apesar da sua orquestra se chamar Paul Ash and His Columbians (por causa da gravadora Columbia Records), alguns dos seus discos gravados em 1926 mostravam os nomes de Denza Dance Band e Raymond Dance Band na etiqueta. Sua biografia não é muito detalhada. Sabe-se, no entanto, que ele morreu em julho de 1958, aos sessenta e sete anos de idade, e que deixou uma obra discográfica de alguma relevância.

 

Algumas gravações 

Ain’t That A Grand And Glorious Feeling? (Milton Ager-Jack Yellen)

Always (Irving Berlin)

Beedle-Um-Bo (Benny Davis-Harry Akst-Paul Ash)

Blinky Moon Bay (Haven Gillespie-George A.Little)

But I Do – You Know I Do (Gus Kahn-Walter Donaldson)

Charmaine (Erno Rapee-Lew Pollack)

Her Beaus Are Only (Alfred Bryan-George Meyer)

Honey Do (Walter Donaldson)

I’m Tellin’ The Birds, Tellin’ The Bees (Lew Brown-Cliff Friend)

Just Another Night (Walter Donaldson)

Just Once Again (Walter Donaldson-Paul Ash)

Kiss Your Little Baby Goodnight (Walter Donaldson-Charley Straight)

Lantern Of Love (Percy Wenrich-Raymond W.Peck)

Shanghai Dream Man (Harry Akst-Benny Davis)

Ten Little Miles From Town (Gus Kahn-Elmer Schoebel)

That’s Why I Love You (Walter Donaldson-Paul Ash)

What Does It Matter? (Irving Berlin)

When I First Met Mary (George A.Little-Larry Shay-Joe Verges)

You’re The One For Me (Walter Donaldson-Paul Ash)

You’re Wonderful (Buddy Fields-Jack Gardner-Paul Ash)

 

 

sábado, 19 de junho de 2021

 


NOVOCABULÁRIO INGLÊS

(Copyright FluentU) 

(ver tradução após o texto)

 

STAN / TO STAN

 

A STAN is a person who idolizes, loves to the point of obsession or is a very devoted and loyal celebrity fan. TO STAN a person means idolize, love obsessively or be a very devoted fan of a celebrity. The slang word comes from the 2000 Eminem song titled “Stan”, which is about an obsessive fan whose love for a celebrity… well, let’s just say that it doesn’t end well. Recently, this word has become much more light and common, and it can now be used in any context or situation where you want to say you love someone or something.    


             “Oh My God! I STAN those clothes, Jenni!”

           “I STAN Kathy. She’s my role model.” 

            “Everyone knows I STAN for Taylor Swift!”

 

                        TRADUÇÃO

 

SER/ESTAR VIDRADO

Em inglês, “STAN” é uma pessoa que idolatra, ama até a obsessão ou é um devotado fã de alguma celebridade.  Como verbo, “TO STAN” significa idolatrar, amar exageradamente sem limites. Esta gíria vem de uma canção do rapper Eminem chamada “Stan” feita em 2000, que fala sobre um fã cuja obsessão por uma celebridade... bem vamos apenas dizer que não termina bem. Recentemente, esta palavra se tornou mais leve e comum e pode ser usada em qualquer contexto ou situação onde você quer dizer que ama alguma coisa ou uma pessoa.   

“Oh, meu Deus! Eu adoro essa roupa, Jenni!”           

            “Eu sou doida pela Kathy. Gostaria de ser como ela.”

“Todo mundo sabe que eu sou vidrado na Taylor Swift!”  

 

sexta-feira, 18 de junho de 2021

 


SINOPSE DO PROGRAMA SEXTA JAZZ DE 01/03/2019 Mhz
RÁDIO UNIVERSIDADE FM - 106,9
São Luís-MA

B.B.KING – MAKIN’ LOVE IS GOOD FOR YOU

Numa rara incursão no mundo do blues, o programa Sexta Jazz tem a satisfação de apresentar um dos seus maiores ícones, reverenciado por uma multidão de fãs espalhada por todo o mundo: o guitarrista, cantor e compositor B.B.King, morto aos 89 anos em 2015. Riley Ben King era o seu nome, mas desde jovem ele abraçou a alcunha de B.B. (Blues Boy) King outorgada pelo seu séquito que definitivamente o coroou "O Rei do Blues".  Entre as centenas de blueseiros de alto nível, B.B.King é provavelmente aquele que transmite mais emoção e sentimento. Considerado ao lado de Eric Clapton e Jimi Hendrix como o maior guitarrista de blues do mundo, B.B.King nos brindou com quase 70 anos de alegria e música de qualidade, muitas das quais da sua própria composição. Deixou gravado 138 compactos e 26 álbuns, incluindo este “Makin’ Love is Good for You”, que apresentamos neste programa em sua homenagem.

Sexta Jazz, nesta sexta, oito da noite, produção e apresentação de Augusto Pellegrini

 

 


AS CORES DO SWING
           (Livro de Augusto Pellegrini)

BANDLEADERS E DISCOGRAFIA


ORIGINAL DIXIELAND JASS BAND (1916-1925) 

LiderNICK LAROCCA (1889-1961)

Nome completo – Dominic James LaRocca  

Nascimento – Nova Orleans-Louisiana-EUA

Falecimento – Nova Orleans-Louisiana-EUA

Instrumento – corneta e trompete

 

Comentário – A Original Dixieland Jass Band, conhecida como ODJB, nasceu em Nova Orleans em 1916 e foi o primeiro grupo de jazz a realizar uma gravação fonográfica, isto em 1917, com a música “Livery Stable Blues”. Após a gravação do disco a grafia do nome da banda mudou de Jass para Jazz Band. Esta gravação representa um fato histórico, pois foi feita com músicos brancos numa época em que os músicos negros de Nova Orleans constituíam uma grande maioria e eram considerados os criadores do jazz stomp. O líder da ODJB, Nick LaRocca era uma pessoa extremamente racista, apesar de ter nascido na Louisiana. Ele foi um dos músicos que impulsionaram o jazz hot em Nova Orleans e um dos responsáveis pela aceitação do estilo em Chicago. LaRocca aprendeu a tocar corneta de uma forma autodidata e possuía um sopro consistente, embora não fosse um grande improvisador. Aos quatorze anos ele tocou com o violinista Henry Young e com o trombonista George Brunies, aos vinte e três já frequentava regularmente a Papa Jack Laine’s Reliance Band e aos vinte e seis foi convidado pelo baterista Johnny Stein para se juntar à sua banda em Chicago. Pouco depois LaRocca trazia de Nova Orleans os seus amigos da ODJB, reeditando a formação com Eddie Edwards (trombone), Larry Shields (clarinete), Henry Ragas (piano) e Tony Sbarbaro (bateria). Assim, a ODJB nasceu em Nova Orleans, foi aplaudida em Chicago e causou sensação em Nova York. A banda tocava o dixieland de forma bastante primitiva, praticamente sem executar solos, exceto quando LaRocca fazia a linha melódica da música.  A ODJB realizou uma série de gravações de sucesso além da “Livery Stable Blues”, como “Original Dixieland One-Step”, “At The Jazz Band Ball”, “Clarinet Marmalade”, “The Jazz Me Blues”, “Fidgety Feet” e “Tiger Rag”, sendo esta a música mais famosa do grupo. Em 1923, o grupo começou a ter problemas de relacionamento (naquela altura, Henry Ragas havia morrido e fora substituído por J.Russell Robinson) e quando em 1925 LaRocca sofreu um colapso nervoso, a banda se desfez. Em 1936 Nick LaRocca tentou reeditar ao ODJB ao lado de Shields, Robinson e Sbarbaro, mas a aventura durou apenas até 1938. Nessa época ele começou a apresentar problemas mentais e então se retirou definitivamente da cena musical. Os problemas se agravaram e perduraram até a sua morte, ocorrida aos setenta e dois anos. Nick LaRocca não apenas fez parte do mundo dos melhores grandes grupos de jazz tradicional, como exerceu uma influência marcante em outros trompetistas, como Bix Beiderbecke, Red Nichols e Phil Napoleon. A ODJB foi reeditada e ainda se apresenta atualmente, agora comandada por Jimmy LaRocca, filho de Nick.

 

Algumas gravações 

At The Jazz Ball Band (Eddie Edwards-Nick LaRocca-Harry Ragas-T.Sbarbaro-L.Shields)

Black And Blue (Fats Waller-Andy Razaf-Harry Brooks)

Bluin’ The Blues (Henry Ragas)

Clarinet Marmalade (Larry Shields-Eddie Edwards-Tony Sbabbaro-Nick LaRocca)

Darktown Strutters’ Ball (Shelton Brooks)

Do You Mean It? (Mort Dixon-Jesse Greer)

Drop A Nickel In The Slot (Fred A.Ahlert-Joe Young)

Float Me Down The River (Armand Hug-Nick LaRocca)

Jazz Me Blues (Tom Delaney)

Livery Stable Blues (Marvin Lee-Raymond E. López-Alcides “Yellow” Nuñez)

Margie (Con Conrad-J.Russell Robinson-Benny Davis)

Mournin’ Blues (Tony Sbarbaro)

Ostrich Walk (Eddie Edwards-Nick LaRocca-Harry Ragas-Tony Sbarbaro-Larry Shields)

Sweet Mama (Fred Rose-Creamer Layton-George A.Little-Peter Frost)

Tiger Rag (Harry DaCosta-Eddie Edwards-NickLaRocca-L.Shields-H.Ragas-T.Sbarbaro)

 

 

 

quarta-feira, 16 de junho de 2021

 


AS CORES DO SWING
           (Livro de Augusto Pellegrini)

BANDLEADERS E DISCOGRAFIA


OLIVER NELSON (1932-1975)

Nome completo – Oliver Edward Nelson

Nascimento – Saint Louis-Missouri-EUA

Falecimento – Los Angeles-California-EUA

Instrumento – sax-tenor, sax-alto e sax-soprano

 

Comentário – Oliver Nelson foi um talentoso saxofonista que teve seu nome como instrumentista eclipsado pelas suas qualidades de compositor, arranjador e condutor de orquestra. Vindo de uma família musical (seu irmão era também saxofonista profissional e sua irmã se destacava como cantora), Nelson começou a aprender piano quando tinha seis anos e se interessou pelo saxofone aos sete. Quando completou quinze anos, ele começou a tocar em territory bands (bandas itinerantes que tocavam em bailes) nas cercanias de Saint Louis, até que se juntou à big band de Louis Jordan em 1950, tocando sax-alto e colaborando com os arranjos. Depois, Nelson fez uma pausa para estudar composição e teoria musical nas Universidades de Washington e Lincoln e se graduou em 1958. Foi então para Nova York trabalhar com Erskine Hawkins e Wild Bill Davis e também como arranjador da orquestra do Teatro Apollo, no Harlem. Em 1959, depois de trabalhar com Louis Bellson, Oliver começou a liderar pequenos combos. Em 1960 e 1961 ele tocou com Quincy Jones e fez uma turnê pela Europa. Gravou seis álbuns dirigindo a orquestra da gravadora Prestige na qual conduziu músicos de vanguarda como Kenny Dorham, Eric Dolphy, Roy Haynes e Jimmy Forrest. Seu trabalho foi internacionalmente reconhecido com a gravação do álbum “The Blues And The Abstract Truth”, contendo as músicas “Stolen Moments”, “Hoe Down”, “Yearnin” e “Teenie’s Blues”. De 1965 a 1975 Nelson realizou excursões pela Alemanha, Suíça e África Ocidental, fez trabalhos para a televisão (“Ironman”, “The Six Million Dollar Man”, “The Bionic Woman”, “Night Gallery”, “Columbo”) e produziu arranjos para os jazzistas Ray Brown, Milt Jackson, Cannonball Adderley, Johnny Hodges, Sonny Rollins e Buddy Rich, e para alguns pop-stars como Diana Ross, James Brown, The Temptations e Nancy Wilson. Também escreveu o arranjo para a trilha composta por Gato Barbieri para o filme “The Last Tango In Paris”. Oliver Nelson viveu de uma forma intensa para morrer prematuramente de um ataque cardíaco aos quarenta e três anos, após uma carreira de quase trinta anos ininterruptos. 

 

Algumas gravações

 

Black, Brown and Beautiful (Oliver Nelson)

Blues For Mr. Broadway (Dave Brubeck)

Duke’s Place (Duke Ellington-Bob Katz-Bob Thiele)

Dumpy Mama (Oliver Nelson)

Echoes Of Harlem (Duke Ellington)

I Remember Bird (Leonard Feather)

Lazy Theme (Oscar Peterson)

Lined With A Groove (Ray Brown)

Message (Oliver Nelson)

Milestones (Miles Davis)

Night Train (Jimmy Forrest-Lewis Simpkins-Oscar Washington)

One For Duke (Oliver Nelson)

Sound Piece For Jazz Orchestra (Oliver Nelson)

Stolen Moments (Oliver Nelson)

Straight, No Chaser (Thelonious Monk)

The Shadow Of Your Smile (Johnny Mandel-Paul Francis Webster)

Yearnin’ (Oliver Nelson)

 

segunda-feira, 14 de junho de 2021

 


AS CORES DO SWING
           (Livro de Augusto Pellegrini)

BANDLEADERS E DISCOGRAFIA


NOBLE SISSLE (1889-1975) 

Nome completo – Noble Lee Sissle

Nascimento – Indianapolis-Indiana-EUA

Falecimento – Tampa-Flórida-EUA

Instrumento – nenhum (vocal)

 

Comentário – Desde criança, Noble Sissle se viu envolvido pela música. Seu pai era pastor e organista de uma igreja metodista e ele começou cantando no coral da congregação para mais tarde participar de um quarteto gospel que excursionou pela região. Assim, apesar de não ter sido um músico ortodoxo, Noble Sissle acabou se notabilizando como cantor, para depois acumular o trabalho como letrista e principalmente como gerente de bandas e bandleader. Sissle se tornou realmente conhecido depois que se uniu ao pianista Eubie Blake para formar um duo cantor-pianista de grande qualidade. Por serem ambos originários do vaudeville e do ragtime, eles criaram espetáculos musicais para teatro que marcaram profundamente a época, como “Shuffle Along” em 1921 e “Chocolate Dandies” em 1924 (o nome “Chocolate Dandies” foi posteriormente utilizado por Benny Carter para batizar a sua orquestra em 1932). Nesta época Sissle também atuou em filmes sonoros, sendo considerado o primeiro artista de jazz a aparecer no cinema. Em 1926 Sissle e Blake decidiram tomar caminhos diferentes, embora voltassem e se apresentar juntos ocasionalmente. Noble Sissle viajou diversas vezes para a Europa, começando em 1915 com a banda do 369º Regimento de Infantaria, depois com Eubie Blake em 1925 e 1926 e finalmente com a sua própria orquestra no período de 1928 a 1931. Numa apresentação na Inglaterra em 1930, ele contou com a real presença do Príncipe de Gales que tocou bateria como artista convidado. Noble Sissle não tocava nenhum instrumento, mas a sua orquestra – denominada Noble Sissle’s Swingsters – chegou a reunir músicos de alto quilate, como Sidney Bechet, Tommy Ladnier, Buster Bailey, e cantores como Lena Horne e Nat “King” Cole. Em 1960 Sissle se tornou o primeiro disc-jóquei negro a trabalhar na Rádio WMGM, e mais tarde, aproveitando-se do sucesso e da reputação que havia adquirido com o tempo, fundou uma empresa de publicidade e foi proprietário de um clube noturno. Dentro do campo da música, Sissle se manteve na ativa desde meados dos anos 1910 até meados dos anos 1950.

 

Algumas gravações 

Baltimore Buzz (Eubie Blake-Noble Sissle)

Bandanna Days (Eubie Blake-Noble Sissle)

Blackstick (Sidney Bechet)

Characteristic Blues (Sidney Bechet-Noble Sissle)

I’m Craving For That Kind Of Love (Eubie Blake-Noble Sissle)

I’m Going Away Just To Wear You Off My Mind (Andrew Lloyd Weber)

I’m Just Wild About Harry (Eubie Blake-Noble Sissle)

Love Will Find A Way (Eubie Blake-Noble Sissle)

Loveless Love (William Christopher Handy)

Mirandy (Eubie Blake-Noble Sissle-James Reese Europe)

Okay-Doke (Sidney Bechet)

Polka Dot Rag (Eubie Blake-Noble Sissle)

Sweet Patootie (Patunia) (Sidney Bechet)

Viper Mad (Sidney Bechet)

Wha’d Ya Do To Me (Milton Ager)

When The Sun Sets Down South (Southern Sunset) (Sidney Bechet-Harry Brooks)

 

domingo, 13 de junho de 2021

 


MINHA DEFESA

(Augusto Pellegrini)

A incerteza do futuro não me assusta
Domei as bruxas que infestavam meu passado
E agora luto contra os dragões do presente

As palavras do inimigo não me insultam
Deixei trancadas as portas dos ouvidos
Mantendo a chave à mão para as palavras boas

Não tenho medo do punhal às costas
Tenho um anjo bom que anda a meu lado e me protege
Mantendo o mal e a dor de mim bem afastados

Nem raios, nem trovões nem fortes tempestades
Feitiço, praga, rogos ou mau olhado  
Mudam o meu caminho, que já foi traçado

Falsos amigos não me fazem falta
Pois tenho os verdadeiros sempre à minha volta
Dando-me apoio e alento pra seguir em frente

Eu levo a vida como se um guerreiro fosse
Cercado de mil bênçãos e soldados
Eu sigo avante, forte, destemido e armado

Vou caminhando, e nunca estou sozinho
Levando de roldão qualquer dificuldade
Que possa eu encontrar ao longo do caminho

Maio, 2019