sexta-feira, 13 de setembro de 2019






BUSCANDO ESTRELAS 

(Augusto Pellegrini)

Saí por aí
Buscando estrelas
Tentando vê-las
Não foi possível porque
As estrelas mais lindas
Estão no olhar de você

Andei sem pensar
Pra algum caminho
Fugi sozinho
Na noite escura saí à procura
De um beijo perdido
Há muito tempo atrás

No frio da noite eu me perdi
E percebi não me encontrar

Andei, procurei
Em cada instante
Em cada pranto
Em cada noite após noite
E na noite caminho
E no céu mais estrelas não há

E não tem mais solução
Não gosto mais de mim
A noite toda sofri
A noite toda ruim
Na noite escura nem vi
O meu caminho não tem mais flores
Não tem amores pra mim

Eu sofri
Em cada instante
Em cada encanto
Em cada noite após noite vazia
E até melodia em meu canto não há


quinta-feira, 12 de setembro de 2019






NOVOCABULÁRIO INGLÊS
(Copyright MacMillan)

(ver tradução após o texto)

CYBERSLACKING

We no longer have just a quick chat or phone call to a friend at work. Now the internet gives us a whole new opportunity to avoid work. Hidden in cyberspace, it looks as if we are busily typing as we shop, e-mail friends, read the news, check the scores, or book a holiday – but watch out, you too could be caught CYBERSLACKING.

            “The survey… states that IT decision-makers … believe that employees are spending an average of 5.9 hours per week surfing the internet for non work-related  reasons. This time spent CYBERSLACKING , multiplied by the average U.S. salary… accounts for the multibillion dollar crisis facing American businesses.” (Technology News Daily, The Telegraph, 19th July 2005)
  

TRADUÇÃO

NEGLIGÊNCIA CIBERNÉTICA
A gente não se limita mais a aquela conversinha ou aquele telefonema rápido a um amigo quando estamos em horário de trabalho. Agora, a internet nos propicia uma forma inteiramente nova de matar o tempo. Ocultas no espaço cibernético, as pessoas ficam digitando diligentemente enquanto fazem compras, enviam e-mails, leem as notícias, conferem o resultado do futebol ou fazem reservas apara os feriados – mas tomem cuidado porque você pode ser flagrado na sua negligência.     

 “A pesquisa... revela que os formadores de opinião da Tecnologia da Informação... acreditam que os empregados estão gastando uma média de 5,9 horas por semana surfando na internet por razões não relacionadas com o serviço. Este tempo gasto negligentemente multiplicado pelo salário médio dos Estados Unidos... é responsável pela crise de vários bilhões de dólares que está sendo enfrentada pelos empresários americanos.” (Publicado no The Telegraph - Technology News Daily, em 19 de julho de 2005)

terça-feira, 10 de setembro de 2019






SINOPSE DO PROGRAMA EXTA JAZZ DE 22/09/2017
RÁDIO UNIVERSIDADE FM - 106,9 Mhz
São Luís-MA

FRANK SINATRA

Para comemorar os cinquenta anos de idade do cantor e ator Frank Sinatra, a emissora de televisão NBC produziu e levou ao ar em 24 de novembro de 1965 um programa especial com a duração de uma hora que foi transmitido totalmente a cores com o sugestivo nome "A Man and His Music". O programa acabou rendendo um álbum duplo com o mesmo nome e posteriormente foi reapresentado em outras edições. Não há muito que se adicionar quando se fala de Frank Sinatra, sua qualidade, sua voz, seu carisma e a marca que ele deixou impressa na música americana e mundial, então vamos nos fixar neste evento em especial. Para que se possa medir a importância do programa da NBC e do disco, é bom que se registre que dois dos mega-sucessos do cantor - "Fly Me To The Moon" e "I'll Never Smile Again" - foram compostos em função do evento. Frank Sinatra passeia magistralmente entre o swingado e o sentimental, e nas suas diversas faixas as músicas foram enriquecidas pelas participações dos maestros e arranjadores Count Basie, Sonny Burke, Billy May, Nelson Riddle, Gordon Jenkins  e Don Costa.

Sexta Jazz, nesta sexta, oito da noite, produção e apresentação de Augusto Pellegrini
                                                                                                                                    


segunda-feira, 9 de setembro de 2019





A GULA  
(Excerto II)


A mansão está em festa.
À beira da piscina, senhores grisalhos e bem-humorados conversam ações da bolsa, viagens a negócios, cruzeiros de férias, projetos políticos, financiamentos e outras questiúnculas do gênero.
Devidamente protegidas do sol, senhoras um tanto gastas e usadas, apesar dos tratamentos de beleza, clínicas de rejuvenescimento e salões de estética expõem suas celulites ao doce compasso das confidências e das inconfidências e planejam o próximo chá de caridade onde poderão desfilar um novo guarda-roupa e colocar à mostra as joias caras que moram escondidas no cofre.
Ao sol, rapagões bronzeados, cabelos da moda e minúsculas sungas, põem em evidência todos os seus volumes, enquanto as gatésimas gatas desfilam suas protuberâncias superiores e inferiores se dourando como tenros galetos. A música de elevador se insinua suavemente pelos quatro cantos da casa através de alto-falantes estrategicamente instalados por entre arbustos e postes de iluminação e provoca a desconfiança a respeito do bom gosto musical dos proprietários.
Os doutores arriscam um olhar ousado para as filhas dos outros doutores, sob a censura constante das esposas de todos os doutores, à luz do semblante entre o intrigado e o deixa-pra-lá dos filhos e dos amigos dos doutores, das filhas dos doutores e dos próprios doutores.
Após a piscina e os aperitivos e com a chegada do senador, será servido o almoço com os mais finos acepipes e os melhores vinhos importados, representando o milagre da multiplicação da fartura: para os vinte e tantos privilegiados que participam do animado ágape há secos e molhados o suficiente para alimentar pelo menos cem famintos.
Mas os adultos enressacados e a trivial “jeunesse dorée” colocam apenas míseras porções nos pratos porque à noite teremos uma recepção oferecida ao ministro senegalês que nos visita.
Lá fora, alguns meninos miseráveis fazem algazarra e passam de porta em porta pedindo um pouco de comida.
“Hoje não tem! Vão andando e não encham o saco!” – brada o vigilante cumprindo com o seu dever. E arremata, num tom mais baixo “... ninguém aguenta tanto mendigo pedindo coisa por aí!...”   
    

sábado, 7 de setembro de 2019






CHEERS TO LIFE!
(Augusto Pellegrini)

Wine is fine
This drink of mine
Beer is dear
So gilt and clear
Scotch is much
The velvet touch
Brandy is trendy
Warm and dandy
Gin may be cult
And rum is for adult
So, I choose the booze
Depending on the use

Getting drunk is good to rejoice
But it always requires some choice
A drinking companion asks for rapport
But when you’re done you need some support
And if you start early and go through the night
You’re surely ending in a in sorry plight
Drink liquor with humor!!!

CHEERS!!!


UM BRINDE À VIDA!
(tradução)

Vinho é ótimo
Minha bebida preferida
Cerveja é muito bem vinda
Dourada e límpida
Uísque é o máximo
Com seu toque aveludado
Conhaque está sempre na moda
Quente e elegante
Gim pode ser sofisticado
E rum é para os de mais idade
Eu escolho a bebida
De acordo com a necessidade

Beber é muito bom para se alegrar
Mas sempre requer uma boa escolha
Um companheiro de copo exige um bom diálogo
E quando você passa da conta precisa de alguma ajuda
Se você começa a beber cedo e segue pela noite adentro
Você vai com certeza acabar fora do centro
Beba sempre com humor!!! 

Saúde!!!

CHEERS!!!

dezembro2013







MAL MAIOR 
1979
(Música de Augusto Pellegrini)

Você gosta de mim
Esqueça
Eu não sou tanto assim
Esqueça
Ouça o conselho de quem sabe
Aonde esta vida vai levar
Antes que um mal maior aconteça

Pense que o mundo tem milhões
De coisas boas pra lhe dar
E que em cada segundo
Tudo pode melhorar
Não deixe o coração
Falar mais alto que a razão
Antes que a solidão aconteça

Pense que a vida tem razões
Que a própria vida vai negar
No fundo são mistérios
Que ninguém sabe explicar
Não deixe o coração
Ficar doente de paixão
Ou que a desolação aconteça


1979

quinta-feira, 5 de setembro de 2019






NOVOCABULÁRIO INGLÊS
(Copyright MacMillan)

(ver tradução após o texto)

SPOILER

It’s a disappointing feeling you’re enjoying the suspense of a murder mystery and then suddenly the person sitting next to you tells you who “did it” – they read a SPOILER last week on the internet. Prematurely discovering what is going to happen has spoilt your enjoyment of the film, so that there seems little point in watching it now.

            “While “The Italian Secretary” is an enjoyable if slightly stretched piece of literary ventriloquism, at his heart lies – SPOILER alert – a presence that remains unexplained the ghost of the Italian secretary himself, David Rizzio.” (The Telegraph, 19th August 2005)
  

TRADUÇÃO

DESMANCHA PRAZER
É realmente frustrante quando você está curtindo um filme de suspense onde ocorre um assassinato e de repente alguém lhe conta quem é o assassino – o DESMANCHA PRAZER diz que leu um resumo na internet na semana passada. A descoberta prematura de o que vai acontecer estragou o seu prazer em assistir o filme, então de pouco adianta continuar vendo.   

 “Mesmo sendo “O secretário italiano” um agradável exercício de ventriloquismo literário, fica evidente – fique alerta para o DESMANCHA PRAZER – que a presença inexplicável e fantasmagórica do tal secretário italiano David Rizzio não tem uma explicação plausível na história.” (Apresentado no CNET News em 21 de fevereiro de 2005)

terça-feira, 3 de setembro de 2019






SINOPSE DO PROGRAMA SEXTA JAZZ DE 21/07/2017
Rádio Universidade FM - 106,9 Mhz
São Luís-MA

BÜLOW / BESIAKOV QUARTET

Christina von Bülow é uma bem-sucedida jazzista dinamarquesa que toca com desenvoltura o saxofone a flauta e tem grandes serviços prestados ao jazz europeu. Ben Besiakov, também dinamarquês, é um pianista e tecladista de larga história dentro do jazz. Christina e Ben se juntaram para, na companhia do baixista Anders Christensen e do baterista Frands Rifbjerg formarem o Bülow/Besiakov Quartet, um grupo que explora músicas de diversas correntes dentro de uma sonoridade de vanguarda que se aprofunda nas raízes do pós-bop mas mantém ao longo das execuções um caráter contemplativo com muita riqueza harmônica. Neste álbum eles incluem standards da música americana, como "The Way You Look Tonight" e "The Best Things in Life Are Free" e da música brasileira, como "Inútil Paisagem" e "A Primeira Vez", misturando composições próprias com composições de Jerome Kern, Dorothy Fields, Tom Jobim, Armando Marçal e Alcebíades Barcellos.  

Sexta Jazz, nesta sexta, oito da noite, produção e apresentação de Augusto Pellegrini

sábado, 31 de agosto de 2019






A LUXÚRIA  
(Excerto II)


O velório até que estava animado.
No canto da sala dois amigos e um tio do falecido relembravam historietas de outros velórios, aqueles onde não faltava o café forte e a cachaça batizada, com as piadas de humor negro fazendo a alegria da festa.
No sofá de ramagens vermelhas já um tanto gasto pelo uso de tantos assentos, manchado no braço direito e engordurado no esquerdo, o velho patriarca, tio-avô do morto, sorria suas rugas bem-comportadas e admirava as curvas das sobrinhas-netas que por lá saracoteavam – “... mas que beleza de ancas... – o tio-avô um eterno fauno.
A viúva, cabelos em desalinho, ainda meio confusa, pranteava o defunto sem saber o que iria acontecer dali pra frente com cinco filhos pra criar e a incerteza do futuro.
Tudo transcorria normalmente, mas alguma coisa estava por acontecer, a interrogação balançando no ar qual uma espada de Dâmocles, a sensação do escândalo, o escândalo...

-0-0-0-

Elvira, trinta e dois anos, ex-rainha dos funcionários da empresa, dois filhos inquietos como dois sanhaços.
Encarnação, trinta e quatro, ex-filha de Maria, dois filhos inquietos como dois pintassilgos.
Doralice, trinta e oito, o vestido justo demais para uma ocasião tão fúnebre, um filho só, mas irrequieto como um periquito em dia de festa.
Gracinha, dezenove, estudante, sem filhos, veio direto da escola, os olhos vermelhos e a expressão de criança, ainda sem acreditar no que via.
Todas vieram prantear o marido, companheiro, amante ou namorado ora esticado no caixão, todas reclamando seus direitos sobre o finado e seus bens.
O velho patriarca, de olhar jocoso, relembrava seus bons tempos afundado no sofá de ramagens, enquanto os amigos e o tio do falecido anotavam mentalmente cada detalhe para servir de anedota em futuros velórios.
“... eu não acredito, eu não acredito...” balbuciava a viúva enquanto as outras meio-viúvas se entreolhavam com olhar de incredulidade e os seus filhos, alheios à barafunda que se formou diante do caixão, brincavam juntos do lado de fora, pulando como macaquinhos.
Parada na soleira da porta estava Angélica ao lado dos seus dois pirralhos, hesitando entre o entrar e o não entrar para também reivindicar seus privilégios.
Deitado de costas, como bem convém a um morto no caixão, Josué a tudo assistia imóvel e silencioso. Há quem jura ter percebido no rosto outrora brejeiro um sorriso de satisfação.  

quinta-feira, 29 de agosto de 2019






POEMA PAQUISTANÊS
(Baseado num poema paquistanês que foi declamado por Hammad Irfan Ghouri no idioma original em 02/02/2018 – e depois traduzido por Augusto Pellegrini)

Olhei a minha musa lá no alto da janela
Nem mesmo a bela lua parecia ser tão bela
Pintei minha paixão com as cores da aquarela
E parti pro meu destino sem deixar de pensar nela

Tempos depois voltei, seu semblante ainda gravado
Procurei pela janela e só vi um acortinado
Ouvi então uma voz triste em um tom desafinado
Que chorava – “agora é tarde, não devias ter voltado!”