quinta-feira, 22 de agosto de 2019







THE GRAMMAR BIBLE

ENGLISH IN DROPS
      Copyright Michael Strumpf & Auriel Douglas)

                                   (ver tradução abaixo)


THE COPIOUS DRINKER AND HER PILE  
Question: “Is this ad correct?” asked an astute beer drinker. “It reads, ‘She is sitting among a pile of beer cans.’”
Answer: Structurally, “among a pile” is correct, but logically it doesn’t make sense. You can not sit “among a pile”, which is defined as a single heap. You can sit “on” a pile or “next to” a pile or “between two piles” but not “among” one. The sentence needs to be reworded:
She is sitting among many beer cans.
She is sitting on a pile of beer cans.
She is sitting in the midst of many beer cans.

Any of these will work. Why was she there anyway? Doesn’t she have better things to do with her time? And who drank all that beer? The possibilities boggle the mind.  


TRADUÇÃO

A GRANDE BEBEDORA E A CERVEJA EMPILHADA


Pergunta: “Isto está correto?” perguntou um bebedor de cerveja esperto. “Está escrito ‘Ela está sentada entre uma pilha de cervejas’”.  

Resposta: A sentença “sentada entre uma pilha de cervejas” não faz sentido dentro da lógica. Você não pode se sentar “entre uma pilha”, pois “uma pilha” define uma única unidade. Você pode se sentar “numa pilha”, ou “perto de uma pilha” ou “entre duas pilhas”, mas não “entre uma pilha”. A sentença necessita ser refeita:

Ela está sentada entre muitas latas de cerveja.

Ela está sentada numa pilha de latas de cervejas.

Ela está sentada no meio de muitas latas de cerveja.

Nota: “Among” e “between” são traduzidas indistintamente como “entre” na língua portuguesa. Usa-se “among” quando você se refere a estar entre mais de duas coisas e “between” quando vocè se refere a estar entre apenas duas coisas:

She distributed the candies among the twelve children (Ela distribuiu os doces entre as doze crianças).

She distributed the candies between the two children (Ela distribuiu os doces entre as duas crianças).


segunda-feira, 19 de agosto de 2019







SINOPSE DO PROGRAMA SEXTA JAZZ DE 21/04/2017
RÁDIO UNIVERSIDADE FM - 106,9 Mhz
São Luís-MA

MIKE NOCK TRIO
  
Michael Anthony "Mike" Nock é um pianista neozelandês que alcançou grande sucesso na Austrália, Nova Zelândia e Europa com o seu jazz cheio de estilo. Quando eu digo cheio de estilo, eu convido o ouvinte do Sexta Jazz para conferir. É muito interessante constatar que tanto o seu ritmo quando a sua melodia têm uma indelével afinidade com a música brasileira dos grandes mestres do piano reportando ao final do século 20 - de Antonio Carlos Jobim a Antonio Adolfo, de Wagner Tiso a Gilson Peranzetta, de Edu Lobo a Cesar Camargo Mariano. Mike Nock vem acompanhado pelos irmãos Ben Waples no contrabaixo acústico e James Waples na bateria, interpretando músicas da sua autoria e outras praticamente desconhecidas do público brasileiro de autores como Gigi Gryce, Bill Reid e Russ Freeman. O concerto foi gravado ao vivo em outubro de 2008 no Sound Lounge Sydney, na Austrália. 

Sexta Jazz, nesta sexta, oito da noite, produção e apresentação de Augusto Pellegrini







NOVOCABULÁRIO INGLÊS
(Copyright MacMillan)

(ver tradução após o texto)

SHEEPLE

The power of 21st century media tricks many of us into following the most fashionable ideas of the moment. If you’re one of those people who tends to follow popular trends and bases their opinions on what everyone else is saying, then count yourself among the SHEEPLE. A blend of the words “sheep” and “people”, SHEEPLE describes people who are easily persuaded and tend to follow what others do.

            “Unfortunately, voters succumbed to the bullying tactics of our elected officials… These increased taxes will harm the economy and hurt families. Hopefully, voters will remember in the future that it’s ‘We the people’ not ‘We the SHEEPLE’.” (Macon Telegraph, 22nd June 2005)
  

TRADUÇÃO

CARNEIROS AMESTRADOS
A força da mídia do século 21 ilude muitas pessoas para que elas sigam as ideias da moda. Se você é um desses que costuma seguir tendências populares e baseia a sua opinião naquilo que os outros estão dizendo você faz parte dos CARNEIROS AMESTRADOS. “SHEEPLE” é uma mistura das palavras “sheep” (carneiro) e “people (gente) e descreve as pessoas que são convencidas com facilidade a fazer aquilo que os outros querem.

 “Infelizmente, os eleitores sucumbiram às táticas de intimidação dos candidatos eleitos... O constante aumento de impostos vai levar a economia a pique e prejudicar muitas famílias. Esperamos que os eleitores se lembrem no futuro que o correto é “nós, o povo” e não “nós os CARNEIROS AMESTRADOS”.   (Publicado no Macon Telegraph em 22 de junho de 2005)



sexta-feira, 16 de agosto de 2019





Letra de Augusto Pellegrini sobre composição musical de Renato Winkler, anos 1960

A BUSCA 

Ah, esta eterna procura
Do que não se perdeu
A gente onde é que está?
Ah, esta sempre vontade
De ser e de saber
Tudo o que é e tem seu valor
É busca da gente em si mesma
É busca no tempo e no espaço
É busca do amor que não veio
Com a esperança de um dia encontrar

Ah, a procura daquela
Nova dimensão
A dimensão da paz
De tudo o que se quis um dia
De tudo o que se fez um dia
Pra ter aquela Maria
Pra ter aquela Maria

quinta-feira, 15 de agosto de 2019






A IRA  
(Excerto)


Tudo andava às mil maravilhas naquela cidadezinha no sul da França, Saint Jean des Canards. Monsieur Patou caminhando placidamente pela rua arborizada, as flores florindo na primavera, o sol resplandecente furando as copas das árvores, os passarinhos gorjeando em francês e alguns Jacques, Jean-Pierres e Charlottes se cumprimentando e se sorrindo.
O vendedor de sorvetes oferece à criança um copinho com “crème des pommes” enquanto ao fundo a jovem Geneviève tem um “frisson” ao cruzar seu olhar com o de Laurent, um vizinho tímido e agradável que falava com os olhos tudo aquilo que os lábios não ousavam pronunciar, como dizia o poeta.
Monsieur Patou consulta o seu relógio, aqueles de bolso, a  corrente fazendo um arco por cima da virilha, é quase hora do almoço, vamos provar os quitutes preparados por Madeleine, sua mulher há mais de trinta anos, exímia cozinheira, já antevendo o assado de vitela com batatas coradas, regadas ao bom vinho “du Rhône”.
Madeleine termina de ajeitar a mesa, o avental impecavelmente engomado servindo de adorno ao vestido caseiro, trazendo no rosto a expressão de um artista a contemplar a sua mais recente obra prima, a mesa posta e uma terrina de sopa ocupando o centro.
Monsieur Patou entra pela porta da sala, dirige-se à mesa, beija afetuosamente Madeleine na testa e pergunta – “o que minha patinha fez para o almoço de hoje?” – ao que Madeleine responde – “sopa de quiabo” – “sopa de quiabo?!” – exclama Patou estupefato – “mas Joujou” (Joujou é Madeleine, na intimidade), “você sabe que eu odeio sopa de quiabo!” – “mas sopa de quiabo é tão bom!...” – e segue por aí afora a discussão sobre as qualidades nutritivas do quiabo, até que Patou se deu por vencido e sentou-se à mesa sem disfarçar um resmungo – “sopa de quiabo com vinho ‘du Rhone’, bah!”
Mas a primavera estava linda, Patou amava Joujou e ainda mais com essa linguiça cortada aos pedaços, e a batata, e o tempero de Joujou... sem contar que ele já havia lido num velho almanaque que quiabo era um poderoso afrodisíaco!...
Os dois sentados à mesa, a toalha xadrez já um pouco machucada pelo uso, a terrina fumegando, os pratos decorados e o relógio da sala batendo meio-dia, o sol penetrando pelas frestas da janela e as nuvens negras do desacordo se desvanecendo no ar.
Patou e Madeleine Joujou formavam um casal feliz, como feliz se sentia toda a humanidade concentrada na pequena Saint Jean des Canards naquele dia maravilhoso. 
Monsieur Patou dá a primeira colherada, dá a segunda colherada, limpa o canto da boca com o guardanapo branco que tem preso ao pescoço e, de repente, arregala os olhos.
“Uma mosca! Uma mosca na minha sopa!”
O pequeno díptero, já morto e com as pernas arreganhadas flutuava de costas ao lado de um pedaço de tomate e de uma rodela de quiabo, preso à sua viscosidade como se esta fosse uma teia de aranha gelatinosa.
Patou se levanta num solavanco, arranca o guardanapo do pescoço e ainda gritando – “uma mosca! uma mosca!” – entorna o prato com sopa, mosca e demais pertences por cima da mesa, borrifando o líquido quente e pegajoso sobre o avental bem cuidado de Joujou, que exclama “Mon Dieu!” e, ato contínuo, destempera a cabeça de Patou com a garrafa do puro “Rhône” safra 1982, uma das melhores dos últimos vinte anos, de acordo com os enólogos.
Está aberto o diálogo franco, franco em todos os sentidos.
Os passarinhos já estão se bicando por conta de um verme encontrado no meio do gramado, uma cumulus-nimbus tolda o brilho do sol, Jean-Pierre esbarra em Jacques e ambos trocam insultos, Charlotte ouve algumas palavras mal-intencionadas, pensa que é com ela e acerta a cabeça do sorveteiro com um portentoso golpe de guarda-chuva. Ao ver a cena, a criança morde a língua e chora, toda lambuzada de sorvete, e Geneviève planta um tapa na cara do jovem Laurent que enfim desencabulara e fizera propostas um tanto arrojadas para a sua condição de donzela. Laurent vira uma fera e agride a mocinha na maior baixaria.
Todo mundo se ofende e se desrespeita, pedras são atiradas a esmo, chega a polícia, bombas de gás, chega o reforço do exército, e por fim explode a bomba atômica.

-0-0-0-

Tirando uma ou outra incorreção semântica, estas cenas foram extraídas do filme “Les sept péchés capitaux” – episódio “La colère” – mostrando uma ira à francesa, já bem familiarizada com as devastações que a guerra pode trazer.
Como nós aqui desde os idos da Guerra do Paraguai não somos brindados com o inimigo à porta de casa, nossa ira normalmente explode por questões de somenos importância ou pelo menos sem a mesma gravidade, e as nossas asas do rancor se estendem apenas até onde alcança a nossa rotina do dia-a-dia.
Ira em francês é mais “chic”.    



terça-feira, 13 de agosto de 2019







CARTA DE AGRADECIMENTO
(Augusto Pellegrini)

Primeiramente eu queria
Te agradecer pelo dia
Que ontem passamos juntos
Embora ao lado de amigos
Consegui ficar contigo
Pra lembrar nossos assuntos

Depois de um tempo afastados
Tivemos enfim o cuidado
De trocar velhas lembranças
Dos nossos anos dourados
Eu, cabelo despenteado
E tu cabelo de tranças

Tanta alegria e tristeza
Colocamos sobre a mesa
Como fosse um manjar fino
Relembramos tanta coisa
Até onde a mente ousa
Sem cometer desatino

Disfarçamos nossos erros
Ressaltando erros alheios
Como uma autodefesa
Faz-de-conta faz um conto
Celebramos nosso encontro
Com muito vinho e cerveja

Como se fosse um espelho
Nós dois, um pouco mais velhos
Nos sentamos face a face
Dois personagens na cena
Tivemos a tarde inteira
Pra caprichar no disfarce

Espero vê-la outra vez
Daqui a um ano, ou um mês
Pra arrematar a conversa
Esquece aquele pedido
Que nunca foi concedido
Hoje eu não tenho mais pressa

Minha cara confidente
Eu fiquei muito contente
De com você conversar
Qualquer coisa, manda um plá
Pra gente se reencontrar
Dia desses, de repente


Agosto, 2019







SINOPSE DO PROGRAMA SEXTA JAZZ DE 25/08/2017
RÁDIO UNIVERSIDADE FM - 106,9 Mhz
São Luís - MA

ELDAR DJANGIROV TRIO

Eldar Djangirov é um jovem pianista nascido na ex-União Soviética e naturalizado americano. Eldar toca um jazz contemporâneo com muito vigor, impondo uma forma bastante pessoal com uma forte influência do estilo "piano para concerto e orquestra". Assim, ele mostra traços da sua origem, apesar de ter-se aclimatado ainda criança ao jazz de Kansas City, para onde sua família emigrou em 1997 quando ele tinha 10 anos. Sua interpretação tem muita sutileza, e preenche todos os espaços ao estilo de Art Tatum, Oscar Peterson ou Herbie Hancock, e sua harmonia varia da expansividade de McCoy Tyner ao lirismo de Bill Evans, pianistas que ele estudou quando adolescente e de quem adquiriu muito da sua performance. Neste programa, Eldar interpreta composições próprias e também melodias de George Gershwin e Irving Berlin e a popular "Morning Bell" do grupo de rock alternativo inglês Radiohead.

Sexta Jazz, nesta sexta, oito da noite, produção e apresentação de Augusto Pellegrini
                                                                                                                                    










NOVOCABULÁRIO INGLÊS
(Copyright MacMillan)

(ver tradução após o texto)

PHISH

Look out for a PHISH in your e-mail. No, this is not a picture of a trout or a salmon, but a message asking you to click on a link to a web page and confirm personal information. This PHISH is bait – if you get hooked by it, you could be conned into giving personal details and therefore allow criminals access to your bank or credit card account.
 “1% of users had been the target of a sophisticated PHISHING scam where fraudsters send fake bank e-mails – for instance claiming a customer is overdrawn – to computer users. The e-mails use hyperlinks drawing victims to fake websites, where they reveal personal details, allowing others access to their accounts”. (The Guardian, 3rd May 2005)
  

TRADUÇÃO

PHISH (*)
Fique alerta para a existência de PHISH no seu e-mail. A gente não está se referindo a um “fish” (truta ou salmão), mas a uma mensagem que pede para você clicar num link de uma web page e confirmar alguns dados pessoais. Este PHISH é uma isca – se você for fisgado por ela você acabará fornecendo detalhes da sua vida pessoal e consequentemente permitir que criminosos tenham acesso à sua conta do banco ou do cartão de crédito.

 “1% dos usuários têm sido alvo de uma sofisticada operação de varredura por PHISHING, onde fraudadores enviam falsos e-mails de bancos para os clientes – por exemplo – informando que a sua conta está negativa. Os e-mails utilizam hiperlinks atraindo as suas vítimas para um falso website onde elas fornecem dados pessoais que permitem a terceiros acessar as suas contas. (Publicado em The Guardian em 3 de maio de 2005)

(*) PHISH é o termo que designa as tentativas de obtenção de informação pessoal através da obtenção da identidade da vítima por parte de criminosos que agem na área de conteúdos de informática.

sexta-feira, 9 de agosto de 2019






THE GRAMMAR BIBLE

ENGLISH IN DROPS
      Copyright Michael Strumpf & Auriel Douglas)

(ver tradução abaixo)


HAVE YOU EVER THOUGHT ABOUT THAT?
(A test to determine whether a word is a noun)  
Question: “Is there a litmus to determine whether a word is a noun?”
Answer: While there is no surefire way to determine whether a word is a noun in every situation, some people find it helpful to apply the following technique in puzzling it out. This procedure works for all nouns except names of specific people, places, or things, also known as “proper nouns”.
There are three words in the English language called “articles”: a, an and the. If in doubt about whether a word is a noun, just place an article before it. If the combination makes sense on its own, the word is a noun. Test some words:
joy > the joy (“joy” is a noun)   
pride > the pride (“pride” is a noun)
angel > the angel (“angel is a noun)
house > the house (“house” is a noun)

Conversely, the test differentiates other parts of speech from nouns.


happy > the happy (doesn’t fit, and something is missing for “happy” is an adjective)

swim > the swim (doesn’t fit, something is fishy, for “swim is a verb)

strongly > the strongly (doesn’t fit, something is wrong, for “strongly” is an adverb)



TRADUÇÃO

VOCÊ JÁ HAVIA PENSADO NISSO?
(Teste para determinar se uma palavra é um substantivo)


Pergunta: “Existe um indicador que determine se uma palavra é um substantivo”?  

Resposta: Mesmo não existindo uma forma absolutamente segura de se determinar se uma palavra é um substantivo em todas as situações, algumas pessoas acham que ajuda muito aplicar a seguinte técnica para resolver o problema. Este procedimento funciona para todos os nomes com exceção dos nomes específicos de pessoas, lugares e coisas, também conhecidos como “nomes próprios”.

Na língua inglesa existem três palavras, the, a, e an, (o-a, um-uma) que são chamadas de “artigos”. Quando em dúvida se uma determinada palavra é um substantivo, coloque um artigo antes dela. Se a combinação fizer sentido como um todo, a palavra é um substantivo. Faça o teste com algumas palavras.

alegria > a alegria (“alegria” é um substantivo)

orgulho > o orgulho (“orgulho” é um substantivo)

anjo > o anjo (“anjo” é um substantivo)

casa > a casa (“casa” é um substantivo)


Por outro lado, o teste vai mostrar como o sistema funciona com outras classes gramaticais.

feliz > o feliz (não combina e algo está faltando, pois “feliz” é um adjetivo)

nadar > o nadar (não combina e soa estranho, pois “nadar” é um verbo)

fortemente > o fortemente (não combina, algo está errado, pois “fortemente” é um advérbio)

quinta-feira, 8 de agosto de 2019






RETALHOS E REBOTALHOS
(Excerto - II)

Quanto tempo estamos nesta caminhada? – dez minutos, dez horas, dez anos – o tempo é relativo e a única coisa que se manifesta é o tique-taque pulsante da minha artéria principal, os batimentos se sucedendo como aqueles que antecipam a explosão de uma bomba-relógio.
Ela segue lá na frente, desviando dos obstáculos como eu dos morcegos, até chegarmos a uma praça arborizada, com uma banca de revistas toda pintada de cinza, bancos de cimento vazios, alamedas tortuosas que cruzam aqui e ali em meio a plantas baixas e algumas florezinhas orvalhadas pelo início da madrugada.
Na frente da praça, um cenário digno dos piores pesadelos, um cemitério de muro baixo, totalmente gradeado com as grades pintadas naquele cinza prateado e o enorme portão de ferro todo trabalhado se abrindo lentamente num ranger de gonzos enquanto ela, a minha musa, gesticula para mim num último adeus e entra lentamente em meio aos ciprestes e às pedras tumulares.
O portão se fecha com outro rangido e ouve-se o ruído de uma corrente se enroscando nas grades, para mim a última pá de cal pra coroar a noite sinistra. Depois, o silêncio absoluto, restando apenas eu, meu cabelo eriçado e embranquecido pelo sereno, enquanto o coração tenta voltar ao compasso normal sem o risco de sair pela boca.   

-0-0-0-

Hannah é uma garota muito meiga, um pouco tímida e tem uma alta sensibilidade artística. Gosta de pintar suaves aquarelas, de ler os clássicos franceses e de ouvir jazz.
Descobrira há pouco tempo um lugar chamado Crème de la Crème que, a despeito da vulgaridade mundana apresentava um talentoso saxofonista que tocava o que ela gostava, do jeito que ela gostava.
Hanna não tinha certeza, mas achava que ele tocava somente para ela, pois era para ela que ele olhava, e a cada pressão dos dedos naquelas chavetas douradas produzia nela um arrepio profundo, como se as suas mãos lhe estivessem proporcionando uma massagem tonificante.
Esta noite, quando ela saiu do bar, ele abandonou o palco para segui-la, embora nunca chegasse perto dela e Hannah, na sua discrição e timidez teve apenas a coragem de lhe dar um furtivo adeus.
Na próxima semana Hannah irá falar com ele, explicar porque tudo é tão difícil e porque se sente intimidada, vulnerável e pequena.
Hannah vai explicar que não é fácil ser a filha do zelador do cemitério e ter que morar naquela solidão, no meio das almas.