quarta-feira, 26 de agosto de 2020

 


NOVOCABULÁRIO INGLÊS

(Copyright Grammarly)

 

(ver tradução após o texto) 

DIY

 

We call DIY an activity of decorating, building, and making repairs at home by oneself rather than employing a professional. It also means making your own objects instead of buying them from a store or an artisan. DIY is really about you seeking out the knowledge and developing the skills you need to do something that you would normally pay someone else to do for you. DIY stands for “Do It Yourself”.

 

 

            “My brother is a real DIY enthusiast”. 

            “I’m totally useless at DIY…”           

            “Your features in DIY upholstery told me all I need to know about renovating second-hand furniture”.

 

                                  

 

TRADUÇÃO

 

FAÇA VOCÊ MESMO

“DIY” (pronuncia “diaiuai”) é uma atividade de decoração, construção ou consertos feitos em casa por você mesmo em vez de chamar um profissional para fazer. Também significa você fabricar seus próprios objetos em vez de comprá-los numa loja ou de um artesão. “DIY” também significa desenvolver o talento e conhecimento que você precisa para fazer alguma coisa que você teria que pagar a alguém para fazer por você. “DIY” quer dizer literalmente “Faça Você Mesmo”.

“Meu irmão é apaixonado por DIY”.

“Eu sou uma nulidade em termos de DIY”.

“Seu trabalho em tapeçaria me mostrou tudo o que eu preciso saber para reformar móveis de segunda mão”.

 

 

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

 


AS CORES DO SWING
            (Livro de Augusto Pellegrini)

FINAL DO CAPÍTULO 8 - O LINDY HOP

Norma Miller tinha apenas quatorze anos quando foi descoberta por Herbert White. Como outras adolescentes, ela gostava de dançar, alegre e solta, na calçada em frente ao Alhambra Ballroom, e também como outras adolescentes ela tinha o sonho velado de algum dia poder dançar não na rua, mas dentro do teatro, para ser admirada e aplaudida pelo público.

Certa tarde Herbert White estava saindo do teatro, onde estivera assistindo os ensaios para o show da noite e parou para ver alguns jovens se divertindo ao som da orquestra que continuava tocando e que fluía através da porta entreaberta.

Rapazes e moças se dedicavam à dança com todo fervor, e uma garota alta e elegante executava os seus passos com tamanha desenvoltura que ele se fixou nela com determinação.

A garota era bonita, muito jovem, e possuía um brilho diferente que a destacava dos outros.

Apesar de quase menina, Norma já possuía um corpo e gestos “de mocinha”, apimentando a música com a dose exata de sensualidade, exalando inocência e ao mesmo tempo maturidade nos seus passos milimetricamente corretos.

White se aproximou da garota e puxou conversa, elogiando o seu desempenho artístico e procurando saber se Norma teria algum interesse em se exibir profissionalmente.

A princípio, ela se assustou. Aquele homem que se dizia chamar Mister White tinha o olhar penetrante e uma expressão estranha no rosto austero. Era um homem maduro e, fosse ou não verdade o que ele dizia, soava amedrontador. Aos poucos, porém, ela foi confiando na conversa dele e quando entendeu que ele era o responsável pela dança do teatro se sentiu aliviada e lisonjeada. Finalmente declarou que precisava perguntar para a avó, com quem morava, pois ainda não tinha atingido a maioridade.

Mesmo ficando ligeiramente desapontado com a pouca idade de Norma, White a convidou para ensaiar na semana seguinte do lado de dentro do salão – e convidou também alguns outros participantes do grupo que se esbaldavam na rua, para evitar comentários e mal-entendidos, apostando que dificilmente teria problemas com a lei, pois a fiscalização naquelas bandas era para lá de precária, e a garota parecia definitivamente mais velha do que deveria indicar o seu documento de identidade.

“Nada que a redação de um bom contrato não possa resolver”, pensou ele.

A avó de Norma, uma ex-escrava chamada Dorothy Turner não opôs nenhum obstáculo quanto às pretensões do empresário.

Em primeiro lugar, tratava-se de uma oferta de emprego, sonho de consumo de boa parte dos habitantes do lugar. Depois, ela já tinha ouvido falar de um tal “senhor Whitey” que gerenciava espetáculos de dança, e seu nome não sugeria nada de errado. O “senhor Whitey” parecia ser uma pessoa decente e honesta, ela ponderou – “um verdadeiro cavalheiro”.

Assim, com as bênçãos de Dorothy, Norma ingressou no show business.

Dorothy sempre houvera estimulado a neta a participar de concursos de dança, pois de vez em quando surgia de lá algum dinheiro para fazer frente às despesas da casa mal provida pelo tio Josh, que trabalhava como porteiro de um cabaré de segunda classe e costumava beber o salário junto com as funcionárias de baixa reputação.

Norma começou a se apresentar no grupo de White ao lado de um parceiro que Dorothy não aprovava muito, um tal de “Twistmouth” George, cuja fama de boêmio e de namorador extrapolava os quarteirões do bairro e colocava a segurança da mocinha em risco.

Mas “Twistmouth” George era um grande dançarino e também possuía um pequeno grupo de lindy hop, e não foi por outra razão que ele também chamou a atenção de White, que além de contratar um dançarino de qualidade também eliminaria parte da concorrência.

Além de um grande dançarino, George era também um grande fanfarrão. Ele se considerava o melhor do Harlem e costumava dizer que qualquer garota que porventura se apresentasse ao seu lado fatalmente faria sucesso na dança e que, no mínimo, se quedaria apaixonada pelo seu charme.

Norma Miller já conhecia George. Foi dançando com ele que ela se convencera ter de fato os atributos necessários para ser uma lindy hopper, tanto pelos elogios do próprio parceiro como pelos aplausos recebidos nos diversos concursos dominicais de dança disputados no Apollo Theater.

Quando o senhor White os convidou para fazer parte do seu seleto grupo, “Twistmouth” George exultou, pois achou que não apenas faria com Norma o par perfeito como finalmente conquistaria o seu coração.

No entanto, suas previsões não foram confirmadas. Ao invés dele, Herbert White decretou que Norma fizesse parceria com um sujeito magrinho e irrequieto que havia sido contratado seis semanas atrás, chamado Frankie Manning. Quanto à paixão, Norma – apesar da pouca idade – já sabia discernir entre um fogoso passatempo descartável e um futuro mais apropriado para as suas ambições.

A segunda grande e agradável surpresa de Norma aconteceu logo em 1934, quando Herbert White resolveu levar sua trupe – ela incluída – para uma turnê de algumas semanas pela Europa. O lindy hop ganhava status e iria mostrar a sua arte no Velho Continente, e a nova estrela se destacava, ganhava altura da noite para o dia e se transformava na primeira dama do corpo de baile.

Anos depois, ao escrever a sua autobiografia denominada “Swingin’ At The Savoy – A Memoir Of A Jazz Dancer”, Norma admitiu que, à parte o fascínio de se apresentar em outro continente, as noitadas de dança da turnê européia acabaram se transformando num autêntico desastre devido à baixa qualidade da música executada pelas orquestras europeias contratadas para abrilhantar o show. É claro que dançar no Savoy, no Cotton Club ou mesmo no Teatro Apollo tendo por background o som da orquestra de Fletcher Henderson ou de Chick Webb era completamente diferente de ser acompanhada por um combo inglês composto por quatro ou cinco elementos que possuíam um conceito limitado do verdadeiro swing.

Entre as curiosidades narradas no livro, existe um comentário bastante singular, raramente abordado pelos historiadores de jazz, e que aqui entra como um aposto na narrativa sobre a história do lindy hop: a briga de Chick Webb com Count Basie.

A confusão causou um grande mal-estar entre Herbert White e Chick Webb porque o maestro-baterista acusara todo o grupo de hoppers de estar tramando contra ele em favor de Count Basie. A desavença piorou quando Webb bateu boca publicamente com Basie e se recusou tocar se os dançarinos de White não esvaziassem o salão, o que quase causou uma comoção pública. Em breve, Webb e Basie selariam a paz através da intermediação de White e voltariam a se enfrentar – desta vez musicalmente – numa noite que faz parte da história do Savoy Ballroom, como se verá mais adiante.

O fato é que White era um comerciante nato e tratava o lindy hop como se trata uma mercadoria qualquer. Seu negócio não era gostar de swing, era fazer dinheiro com o swing e, por não ser músico nem ter afinidades empresariais com músicos, ele achava mais fácil gerenciar um grupo de dançarinos do que trabalhar com maestros e arranjadores.

Não foi difícil para ele, portanto, desculpar-se pelo ocorrido, demitir três ou quatro dançarinos possíveis responsáveis pelo boato, restabelecer a paz com Webb, manter uma política de boa vizinhança com Basie e fazer o show continuar.

 

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A parceria Norma Miller-Frankie Manning deu muito que falar, tanto no aspecto musical como no que diz respeito às suas relações pessoais, mas eles sempre juraram ter sido apenas e nada mais do que grandes amigos, e que jamais tiveram qualquer intimidade maior, a despeito dos inevitáveis comentários e mexericos típicos do meio artístico.

De acordo com Norma, eles jamais colocariam em risco uma sociedade tão perfeita em troca de momentos fugazes que o tempo se encarregaria de apagar. Afinal, eles não eram enamorados um pelo outro; os dois eram apaixonados pelo swing, em particular pela dança.

Nos anos 1940 Norma se desligou de White e montou seu próprio grupo de dança, o qual denominou Norma Miller’s Dance Company, mas continuou esporadicamente a se apresentar com Frankie Manning aqui e acolá, sempre que se apresentasse uma situação propícia.

A alegre adolescente das festas de calouros no Teatro Apollo se transformaria sessenta anos depois em uma professora com mestrado de dança popular nas Universidades de Stanford e do Havaí.

A Rainha do Swing, como Norma foi chamada, foi agraciada em 2003 com o prêmio National Endowment of the Arts pela sua importância na criação acrobática no lindy hop. Ela morreu em 2019 pouco antes de completar 100 anos, deixando sua marca na coreografia da dança dos shows musicais nos estúdios de Hollywood e nas emissoras de televisão americanas.

 

 

domingo, 23 de agosto de 2020

 

À PROCURA DO MEU EU

(Augusto Pellegrini)

Saí um dia à procura
Do meu eu mais que perfeito
E retornei contrafeito
Pois depois de tanta lida
Percebi que nesta vida
Não há meu eu que dê jeito

Saí um dia à procura
De um amor verdadeiro
E passei um ano inteiro
Batendo de porta em porta
Pra saber se alguém se importa
Com este meu eu romanceiro

Saí um dia à procura
De algo meu proibido
Como um vício desmedido
Que me levasse à loucura
E percebi que a procura
Tornou meu eu desvalido

Saí um dia à procura
De um tesouro à deriva
Pra tornar mais atrativa
Esta vida de problemas
E vi meu eu num dilema
Entre o fato e a expectativa

Saí um dia à procura
De um destino, embora incerto
Fui em frente, peito aberto
Não passei do desejado
Recuei, amedrontado
Sem ter salvação por perto

Saí um dia à procura
Do meu mundo verdadeiro
E era você, por inteiro
O meu eu que eu procurava
No fim, não passou de um sonho
A imagem que se formava

Saí um dia à procura
Daquela paz almejada
Notei que no fim da estrada
Tinha alguém à minha espera
Entre a surpresa e a quimera
Era o meu eu que lá estava

 

Outubro 2018



AS CORES DO SWING
            (Livro de Augusto Pellegrini)

CAPÍTULO 8 - O LINDY HOP
            (continuação)

Frankie Manning era um adolescente pobre que morava perto do Rio Hudson, numa casa de cômodos que a pequena família dividia com outros inquilinos.

Sua mãe, Judith, não tinha uma profissão definida – ora lavava a roupa de alguns vizinhos mais bem aquinhoados, ora varria a calçada da Rua 125, procurando disfarçar a poeira acumulada que vinha do leito carroçável de terra batida. Durante a estação chuvosa, tentava devolver para o meio-fio precário a lama acumulada em frente às portas, e com isso tudo ganhava alguns trocados dos donos dos estabelecimentos comerciais.

Frankie até gostaria de ajudar, mas o trabalho era pesado demais para o seu corpo franzino. O máximo que ele conseguia fazer era limpar e engraxar as botas e os sapatos enlameados dos comerciantes do bairro. Seu físico raquítico sugeria aos vizinhos desconfiados uma tuberculose embutida, embora os olhos vivos e brilhantes denunciassem muita esperteza e uma intensa alegria de viver. Sua vida não era diferente da vida de milhares de jovens sem muita perspectiva que habitavam os cortiços do Harlem, cercados de dívidas e de problemas, mas também de sonhos e de ilusões.

Era o final dos anos 1920, e Frankie estudava na escola da igreja da comunidade, a Metropolitan Baptist Church. No caminho para a escola, ele passava em frente ao Alhambra Ballroom, um dos famosos salões de música e dança do Harlem, de onde às vezes podia ouvir o som incipiente do swing e ver alguns negros ensaiando passos de dança.

Animado com o que via e ouvia, ele logo estava fazendo o mesmo ao lado dos amigos da vizinhança.

Aos quinze anos, Frankie começou a frequentar festas e bailes nos salões da redondeza, onde costumava exibir seus passos de dança, e era considerado por alguns amigos como arrojado e moderno, e por outros como ridículo e desajeitado.

O swing havia se instalado de vez em Nova York e muita gente ia aos dance-clubs para dançar ao som de pequenas orquestras, dando início a uma febre fantástica que logo chamaria a atenção de alguns empresários e donos dos salões mais conceituados.

Frankie ainda não tinha dezoito anos quando começou a frequentar o Savoy, pagando o ingresso com dinheiro conseguido com o suor da sua própria dança, em exibições de rua ou em outros salões menos concorridos.

No Savoy, o público afluía em grande quantidade para dançar e ouvir as grandes orquestras do momento. Frankie se deslocava para lá para praticar o seu balé particular cheio de piruetas, voltas e contravoltas trajando roupas confortáveis e cheias de estilo que eram costuradas por Judith, e calçando mocassins baratos que deslizavam sem derrapar.

Ele havia participado de um concurso de dança no Lafayette Theater acompanhado dos amigos Frieda Washington, Billy Ricker e Willla Mae (que naquele tempo, solteira, ainda não tinha o sobrenome Ricker). Todos haviam começado a dançar digamos, profissionalmente, na Rua 126, bem perto da Igreja Batista, exatamente no Alhambra Ballroom, onde tocava a orquestra de Vernon Andrade. Depois, estenderam os seus passos para o Renaissance Balroom, na Rua 138, ao som de Claude Hopkins, uma orquestra mais conceituada que ajudou o grupo a refinar os seus passos.

Nenhum dos dois salões, no entanto, se comparava ao Savoy. O Savoy era a verdadeira escola de que eles precisavam para se graduar no “métier”. Era no Savoy que se apresentavam os verdadeiros astros do swing, como Fletcher Henderson, Jimmie Lunceford, Chick Webb e outras orquestras do mesmo calibre.

Nesta época, o lindy hop já se difundira razoavelmente pelo Harlem, e alguns grupos de dançarinos estavam se formando, como os de “Shorty” Snowden e de “Twistmouth” George, mas o grupo criado por Herbert White era o mais profissional e o preferido do público.

Assim, foi uma grande e alegre surpresa para Frankie Manning e seus amigos quando Herbert White “em pessoa” os convidou para ingressar no Whitey’s Lindy Hoppers.  White ficara empolgado com a dança moderna e cheia de estilo que eles haviam apresentado, principalmente no que dizia respeito a Frankie e Frieda – em especial um passo acrobático que mais tarde seria denominado “aerial step” (passo aéreo), tal o seu grau de dificuldade e arrojo.

Frankie não sabia, naquela noite iluminada, que ele estava iniciando uma carreira que faria dele futuramente o embaixador da dança do swing, com milhares de apresentações nos salões e palcos americanos, e de centenas de excursões feitas durante mais de sessenta anos por todo o mundo, acumulando as funções de dançarino e coreógrafo, participando de filmes, programas de televisão e workshops de dança.

Manning morreu de pneumonia em abril de 2009 aos 94 anos, e a data do seu aniversário – 26 de maio – se transformou no “Dia da Celebração do Lindy Hop” e costuma reunir dançarinos e instrutores de todo o mundo em Nova York.

O lindy hop continuaria com certeza a ser uma atração das noites americanas e teria atravessado décadas com ou sem a presença de Frankie Manning. No entanto, é forçoso dizer que a difusão do swing como espetáculo cênico deve muito a ele.


sexta-feira, 21 de agosto de 2020

 



AS CORES DO SWING
            (Livro de Augusto Pellegrini)

CAPÍTULO 8 - O LINDY HOP
            (continuação)

Muitos homens e mulheres se destacaram na dança do lindy hop e construíram as suas vidas através desta dança. Muitos deles formaram seus próprios grupos e se deslocaram pelo país, ensinando como desenvolver o novo passo e abrilhantando salões de baile em todos os recantos com suas exibições.

Quase todos os pioneiros do lindy hop eram autodidatas, pois praticamente aprenderam a dançar nas ruas do Harlem, muitos deles em frente aos salões onde as orquestras se apresentavam ou ensaiavam, de onde o som da música irradiava para as calçadas.

Alguns puritanos torciam o nariz e condenavam a dança porque sentiam um certo ar de lascívia no comportamento dos casais – os homens requebravam de uma forma pouco recomendável para o bom-mocismo da época e as mulheres rodavam suas saias e seus vestidos largos, saltando com as pernas para cima sem estarem trajando roupas de baixo adequadas para permitir tais piruetas.

Com o passar do tempo, elas começaram a usar uma espécie de short, o que não era lá menos indecoroso – não podemos esquecer que estávamos em plena década de 1930 – mas dava pra quebrar o galho com a “censura”.

Muitos destes hoppers amadores acabavam sendo convidados por empresários e donos de clubes para ingressar em grupos de dança profissionais, contratados por salários relativamente baixos, se considerarmos a quantidade de dinheiro que circulava no mundo do show business.

É claro que, muito ou pouco, eles geralmente aceitavam o que lhes era oferecido, levando em conta que quase todos estavam desempregados e que a vida financeira do país ainda não havia conseguido se endireitar, apesar da gestão progressista do presidente Roosevelt.

Com o passar do tempo, porém, os rendimentos dos dançarinos começaram a ser corrigidos em função do seu talento, na medida em que os clientes, os band leaders e a concorrência passaram a exigir mais qualidade coreográfica.

Muitos dançarinos eram legalmente casados e formavam pares estáveis, apresentando-se regularmente em festas, salões e teatros.

Entre os dançarinos mais famosos de lindy hop podemos mencionar os pioneiros “Twistmouth” George Ganaway e Leroy “Stretch” Jones, e também Tiny Bunch & Dorothy “Dot” Johnson, Lawrence “Lolly” Wise & Lílian Arnold, Billy Ricker & Willa Mae Ricker, Maxie Dorf & Mary McCaslin, Frieda Washington, Naomi Waller, Ann Johnson, Sandra Gibson, George Grenidge, Al Minns e Mildred Pollard, além do californiano Ray Randazzle, que dançava e dirigia o grupo Ray Rand Dancers.

Havia também a dançarina Louise “Mama Lu” Parks, líder do grupo The Lindy Hopper Champion’s Champion, que permaneceu participando das noitadas do Savoy Balroom até o seu fechamento em 1958, e o fantástico Leon James, campeão de concursos no Savoy e um dos dançarinos do filme “A Day At The Races”, dos irmãos Marx.

De todos os lindy hoppers, porém, dois dançarinos acabaram fazendo parte da história e se destacaram pela criatividade ímpar, pelo respeito conquistado pelas suas apresentações, pela perfeição dos seus passos e pelo carisma imposto junto à crítica e público: são eles Frankie “Musclehead” Manning e Norma Miller.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

 

CHUVA 

(Rock-balada de Augusto Pellegrini) 1958

 

Chuva
Cai sobre mim
Todas as gotas
Murmuram assim
Eu vim do nada pro nada
Volto do nunca
Vou para o céu
Mas a chuva
Continua a tombar
Lágrima triste
Quem vai enxugar?

 

Talvez o pranto vá secar
Com um beijo
Que o ardente sol lhe mandar

 

Mas a chuva
Cai mais e mais
Lágrima triste
Ou canto de paz?

 

 



AS CORES DO SWING
            (Livro de Augusto Pellegrini)

CAPÍTULO 8 - O LINDY HOP
            (Continuação)


Em 1930, um empresário de nome Herbert White contratou um grupo de dançarinos para abrilhantar as noites no Savoy Ballroom, tanto durante os intervalos entre a apresentação das orquestras, quanto como um background coreográfico para as próprias orquestras. Ele batizou o grupo como Whitey’s Lindy Hoppers, e deu início à “swingmania” que tomou conta do país em termos de dança.

O Whitey’s Lindy Hoppers era composto por homens e mulheres que pareciam ter o diabo no corpo, pois pulavam e se agitavam numa coreografia eletrizante, onde as donzelas eram postas de pernas para o ar, fazendo lembrar um ousado French cancan.

O grupo de White se profissionalizaria no futuro e adquiriria status com exibições na América e no exterior, aparecendo em alguns filmes de Hollywood, como “A Day At The Races”, em 1937, “Hellzapoppin’ ”, em 1941, “Sugar Hill Masquerade”, em 1942 e “Killer Diller”, em 1948. Seu grande legado, no entanto, foi ter participado do impacto que o swing causou em toda a sociedade americana, associando uma música quente a uma dança de salão arrasadora, e transformando o binômio “dança e música” em uma mania nacional.

Logo, outros grupos dançantes seriam criados, e praticamente cada casa noturna do Harlem e do Times Square possuía o seu. A febre se espalhou pelo país, e os jovens começaram – alguns desajeitadamente, outros com muito talento – a imitar os dançarinos profissionais nos seus passos de dança.

No início dos anos 1930, Cab Calloway havia inventado outra dança para o swing, chamada “jitterbug” (literalmente “o bichinho inquieto”), uma coreografia também saltitante, semelhante ao lindy hop, que fazia os dançarinos se mexerem dentro de uma variação de seis compassos.

Assim como o lindy hop, o jitterbug logo caiu no gosto do público, embora fosse um pouco mais complicado de ser executado e talvez menos espontâneo. De qualquer forma, o lindy hop e o jitterbug podem ser considerados uma manifestação única, responsável por todo o swing dançante e do que viria na seqüência, incluindo a dança do rock and roll dos anos 1950, e do twist e dos seus derivados anos depois.

Vinte anos depois – precisamente em 1958 – o lindy hop e o jitterbug, atendendo a uma exigência de marketing, foram fundidos em um só passo e passaram a ser chamados de jitterbug jive. Nessa ocasião, a dança não mais privilegiava apenas o swing, mas já se fazia presente em outros ritmos emergentes e modernos.

Assim como aconteceu com o blues primitivo, que ao se espalhar por todo território americano foi adquirindo nomenclaturas regionais sem perder a estrutura e a essência, o lindy hop, depois de sedimentado, logo receberia os mais variados nomes possíveis, dependendo do local onde os grupos eram formados.

Durante os anos 1930 e boa parte dos anos 1940, a dança, que havia sido batizada como “lindy hop” no Savoy Ballroom, foi denominada pelos seus praticantes como “savoy swing”. Outros nomes pelos quais a dança era conhecida incluem “west coast swing” (na Califórnia), “whip” ou “push” (no Texas), “supreme swing” (no Oklahoma), “cajun swing” (na Louisiana), “carolina shag” (nas Carolinas do Norte e do Sul), “imperial swing” (no Missouri) e “DC hand dancing” (em Washingon D.C.), acabando por se internacionalizar como “jive”.

É lícito dizer que o lindy hop foi o vetor inicial para todo movimento popular de dança que se desenvolveu nos Estados Unidos, derivando durante os noventa anos seguintes (estamos falando de 2020) para o rock and roll, o twist, o hully-gully, o break, o rap, o funk, o hip-hop e todas as danças pop de salão, de palco ou de rua.

Voltando aos anos 1930, podemos dizer então que o swing se firmava não apenas como música, mas também como dança, e que o novo estilo representava “a América em movimento” naquilo que ela podia oferecer de melhor – música e alegria.

A dança – e aqui o movimento não se restringia apenas aos grupos ensaiados, mas também ao público que assistia aos shows – teve uma importância capital na história do swing, e por sua causa o Harlem foi denominado por alguns historiadores como “a pátria do swing”, sendo o Cotton Club e o Savoy Ballroom provavelmente os seus pontos de maior referência.

Nessas casas as orquestras travavam verdadeiras batalhas, entre elas as melhores – Duke Ellington, Cab Calloway, Fletcher Henderson, Jimmie Lunceford, Count Basie, Benny Goodman e Chick Webb – dentro de um maravilhoso espetáculo de som, luz, cores, coreografia e... dança.

No Cotton Club os shows artísticos eram mais organizados e ensaiados, incluindo grupos de patinadores que vez por outra invadiam a pista para demonstrar suas habilidades ao som do swing. No Savoy a coreografia podia até ser razoavelmente previsível com respeito aos dançarinos profissionais, mas o público fazia da alegria desorganizada a sua grande frente de batalha. Os shows eram deslumbrantes, e misturavam uma música quente com uma dança mais quente ainda.

Nascidos da febre do lindy hop, os dançarinos do swing se espalharam por toda Nova York, e depois por todo o país e até pela Europa, constituindo-se numa marca muito forte da nova música americana.

Aqueles que dançavam tentavam imitar os lindy hoppers de diversos grupos – quaisquer que fossem os seus nomes – ou criar novos passos e novas coreografias, resultando numa dança espontânea e incrivelmente diversificada.

Apesar de o swing ser multicultural, o lindy hop, assim como o jazz, teve a sua origem no negro. Não foi a formação cultural dos brancos que propiciou o nascimento do jazz, pois isto aconteceu principalmente em função do blues originado no canto e no lamento do negro. Apesar da freneticidade e do modismo do charleston, inventado pelo branco, foi a origem histórica do blues que permitiu a inventividade da ginga e do jive, criados com naturalidade e sem grandes restrições de ordem social, coisas bem próprias do negro que, paradoxalmente, não era livre (pois costumava sofrer restrições de toda espécie), mas se sentia livre para fazer artisticamente aquilo que bem entendesse.

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

 


NOVOCABULÁRIO INGLÊS

(Copyright Oxford)

 

(ver tradução após o texto)

 

BEARDO

 

A BEARDO is a person with a beard. Simple.

However, as often happens with other words like WEIRDO (an odd or eccentric person), it can have a pejorative (negative and unkind) meaning, especially if you put those two words together: WEIRDO BEARDO.

A WEIRDO BEARDO is a person with a beard who doesn’t have the best hygiene habits and is socially odd and awkward.

 

            “That WEIRDO BEARDO really needs a haircut”.

 

            “Old man at the grocery today was scratching oranges and talking out loud. Total WEIRDO BEARDO!”

 

                          

 

TRADUÇÃO

 

BARBUDO 

Um “BEARDO” é uma pessoa com barba. Simples. No entanto, como frequentemente acontece com outras palavras como “WEIRDO” (uma pessoa estranha e excêntrica), ela pode ter uma conotação pejorativa (negativa e grosseira), especialmente quando você coloca estas duas palavras juntas: WEIRDO BEARDO.

WEIRDO BEARDO é uma pessoa com barba que não preza pelos melhores hábitos de higiene e é socialmente desajustado e desagradável.

“Esse WEIRDO BEARDO está precisando cortar o cabelo”.

“Hoje, um velho na mercearia estava coçando o saco e falando muito alto. Um grande WEIRDO BEARDO!”

 

 

   

 

 

 

E, DE REPENTE...

(Augusto Pellegrini)

E de repente acordo, é madrugada
Ouço das folhas o farfalhar noturno
E o gotejar da chuva na invernada
Me faz sonhar com teu olhar soturno

E de repente penso que ainda é tempo
De recomeço, ainda que tardio
O vento, a chuva, o farfalhar, o frio
Parecem sussurrar, dando-me alento

E de repente em vão tento dormir de novo
Formando a tua imagem no meu pensamento
Faço de conta que neste momento
Estás a meu lado, e então me comovo

Mas de repente acordo entristecido
Pequeno e fraco, porque na verdade
Por mais que anseie tua intimidade
Sei que se trata de um amor perdido

 

Outubro 2018

 

 



AS CORES DO SWING
          (Livro de Augusto Pellegrini)

CAPÍTULO 8 - O LINDY HOP

Pode soar estranho, mas as origens do Harlem, o mais importante bairro negro dos Estados Unidos, não têm nada a ver com a raça negra.

O Harlem foi fundado por holandeses, que em 1658 se estabeleceram no norte de um local que um dia seria Nova York, comandados por um militar de nome Peter Stuyvesant. Em homenagem à cidade de Nieuw Haarlem, que ficava na região costeira da Holanda junto ao Mar do Norte, a nova comunidade se chamou Haarlem, que tempos depois virou Harlem.

Durante algum tempo, aquelas terras foram exploradas pelos holandeses remanescentes da Companhia das Índias Ocidentais que lá exerceram diversas atividades rurais e desenvolveram o lugar até que apareceram os ingleses e os nativos, que juntos puseram todo mundo pra correr, iniciando a lenta reurbanização do local. No final do século dezoito a região estava tremendamente valorizada e servia de habitação para alguns burgueses abastados provenientes da parte de baixo de Manhattan.

A grande invasão negra, de fato, começou apenas na metade final do século dezenove, mas aconteceu de tão forma rápida e eficiente que em menos de trinta anos fez florescer no lugar, de uma maneira inesperada e fascinante, uma forte cultura afro-americana. Este crescimento, principalmente o referente ao período compreendido entre as décadas de 1920 e 1930 ficou conhecido como “Harlem Renaissance”, numa alusão ao Renascimento europeu, que nos séculos quinze e dezesseis elevou as artes – como a pintura, a música e a literatura – a patamares antes nunca vistos.

Durante o período deste Renascimento afro, os negros que habitavam o bairro do Harlem pareciam viver em um território totalmente à parte, imunes aos diversos tipos de preconceito, apesar da política racista da época que imperava em outros rincões dos Estados Unidos. Lá no Harlem o negro se sentia seguro e praticamente inatingível, compartilhando com seus pares um clima de igualdade e fraternidade.

No Harlem havia bares, cabarés e casas de diversão onde praticamente só os negros frequentavam, não porque fosse proibida a entrada de brancos, mas porque os brancos simplesmente não se sentiam à vontade dentro de um ambiente tão especialmente fabricado para os negros, que usavam um linguajar característico e curtiam a sua música e as suas idiossincrasias.

A falta de dinheiro e de oportunidades, e a falta de perspectivas de progresso e de vida eram flagrantes, mas nada disso era empecilho para que os negros do Harlem se divertissem pra valer. Aqueles que tinham habilidades artísticas – cantores, dançarinos, músicos, atores – as exerciam com entusiasmo e maestria.

O Harlem foi a casa de muitos negros importantes em nichos de arte ou humanismo mesmo não tendo qualquer relação com o jazz ou com a música, como o poeta James Langston Hughes, as escritoras Zora Neale Hurston, Jessie Redmon Fauset, Gwendolyn Bennett e Marita Bonner, os escritores James Weldon Johnson, Sterling Allen Brown e Marcus Garvey, o líder trabalhista Philip Randolph, o jornalista Wallace Thurman, e os líderes dos direitos civis Dorothy Height e William Edward Burghardt Du Bois. O bairro era chamado de “Negro Metropolis” – a Metrópole do Negro – pelos intelectuais e noctívagos de todos os tipos que para lá convergiam, entre os quais artistas, intelectuais, pensadores, bêbados e boêmios de todos os padrões.

Quem não tinha o talento do intelecto procurava exercer a sua habilidade de outra forma, e uma das formas mais utilizadas de fazê-lo era dançando. Dançar não custava dinheiro, era estimulante e fazia parte do “nacionalismo” do bairro. Dançar também fez com que os negros explorassem, por muito tempo, o ritmo envolvente e suado do estilo new orleans ou das músicas caribenhas trazidas do sul. Isto até que chegou o swing, que não parecia ser uma música típica da raça, mas era desprendido, arrojado e acrobático e possuía um balanço bem próprio do nome, o que dava condições aos dançarinos de promoverem o exercício da sua criatividade com muita liberdade e prazer.

Os americanos já haviam experimentado diversos tipos de dança, desde as tradicionais valsas e polcas dos salões europeus até o charleston, dança cultivada pela elite branca que surgiu nos salões na década de 1920, solto e atrevido, apreciado pelas classes média e alta, com as mulheres de cabelo curto usando saia também curta e mostrando as pernas sem qualquer pudor. O distante centro-oeste cultivava a square dance, um tipo de quadrilha na qual os casais dançavam ao som de violões, sanfona, rabeca e harmônica de boca, dentro de uma coreografia com passo marcado. Estas danças, porém, pareciam ser excessivamente brancas para os padrões do Harlem.

Lá no Harlem, o beat acentuado do swing e as nuances modernas da música incentivaram o espírito inventivo dos negros. Mesmo com uma razoável “porção branca” embutida, o swing deu grande motivação aos bailarinos, pois os compeliam a movimentar o corpo mais do que o faziam as outras músicas mais ou menos dançantes (ou nada dançantes, como o blues e o spiritual).

Em 1926, quando o Savoy Ballroom se instalou no coração do Harlem, ele trouxe consigo a mania da dança de salão, hábito que se praticava em Chicago e, mais longinquamente, em Los Angeles. Naquele tempo a principal casa noturna do Harlem era a Sans Souci, fundada em 1828, que tocava primordialmente rumba, uma música que havia caído no gosto dos antigos colonizadores e que agora se perpetuava entre os negros, entre os quais se misturavam cubanos, panamenhos e porto-riquenhos.

O efeito Savoy abriu as portas para que o jazz em forma de swing pudesse competir com o traditional jazz e com as músicas afro-cubanas, oferecendo ao praticante uma possibilidade diferente de dançar, fazendo coro ao ritmo e às estruturas musicais modernas. Com isso, a nova casa engoliu o Sans Souci.

A dança que encarnava o swing já estava tomando conta da cidade, mas não havia sido ainda batizada, até que, numa noite de março de 1927, o aviador Charles Lindbergh, que se faria mundialmente famoso dois meses depois ao atravessar o Atlântico voando numa casca de noz, estava presente no Savoy. Um tal de Arnold Buster, frequentador assíduo da casa, fez uma brincadeira maldosa ao declarar que, em homenagem ao aviador, ele iria demonstrar um passo de dança denominado “Lindbergh Hop” (o “pulinho” do Lindbergh) – “hop” em inglês, entre outras coisas significa “o saltitar dos pássaros quando se movimentam no solo” – como se o avião do piloto não fosse levantar vôo, mas simplesmente pular de um lado para outro na pista – do aeroporto, não do salão.

A piada, um tanto desrespeitosa e de mau gosto, pode não ter pegado, pois o avião de Lindbergh decolou de fato, mas a dança, que adquiriu o nome de “Lindy Hop“, acabou se imortalizando e se tornou tão popular que ajudou a concretizar o novo panorama dançante que tomaria conta do país nos próximos vinte anos, prosseguiria através do tempo e ditaria as tendências da moderna dança de salão em todo o mundo.