sábado, 7 de setembro de 2019






MAL MAIOR 
1979
(Música de Augusto Pellegrini)

Você gosta de mim
Esqueça
Eu não sou tanto assim
Esqueça
Ouça o conselho de quem sabe
Aonde esta vida vai levar
Antes que um mal maior aconteça

Pense que o mundo tem milhões
De coisas boas pra lhe dar
E que em cada segundo
Tudo pode melhorar
Não deixe o coração
Falar mais alto que a razão
Antes que a solidão aconteça

Pense que a vida tem razões
Que a própria vida vai negar
No fundo são mistérios
Que ninguém sabe explicar
Não deixe o coração
Ficar doente de paixão
Ou que a desolação aconteça


1979

quinta-feira, 5 de setembro de 2019






NOVOCABULÁRIO INGLÊS
(Copyright MacMillan)

(ver tradução após o texto)

SPOILER

It’s a disappointing feeling you’re enjoying the suspense of a murder mystery and then suddenly the person sitting next to you tells you who “did it” – they read a SPOILER last week on the internet. Prematurely discovering what is going to happen has spoilt your enjoyment of the film, so that there seems little point in watching it now.

            “While “The Italian Secretary” is an enjoyable if slightly stretched piece of literary ventriloquism, at his heart lies – SPOILER alert – a presence that remains unexplained the ghost of the Italian secretary himself, David Rizzio.” (The Telegraph, 19th August 2005)
  

TRADUÇÃO

DESMANCHA PRAZER
É realmente frustrante quando você está curtindo um filme de suspense onde ocorre um assassinato e de repente alguém lhe conta quem é o assassino – o DESMANCHA PRAZER diz que leu um resumo na internet na semana passada. A descoberta prematura de o que vai acontecer estragou o seu prazer em assistir o filme, então de pouco adianta continuar vendo.   

 “Mesmo sendo “O secretário italiano” um agradável exercício de ventriloquismo literário, fica evidente – fique alerta para o DESMANCHA PRAZER – que a presença inexplicável e fantasmagórica do tal secretário italiano David Rizzio não tem uma explicação plausível na história.” (Apresentado no CNET News em 21 de fevereiro de 2005)

terça-feira, 3 de setembro de 2019






SINOPSE DO PROGRAMA SEXTA JAZZ DE 21/07/2017
Rádio Universidade FM - 106,9 Mhz
São Luís-MA

BÜLOW / BESIAKOV QUARTET

Christina von Bülow é uma bem-sucedida jazzista dinamarquesa que toca com desenvoltura o saxofone a flauta e tem grandes serviços prestados ao jazz europeu. Ben Besiakov, também dinamarquês, é um pianista e tecladista de larga história dentro do jazz. Christina e Ben se juntaram para, na companhia do baixista Anders Christensen e do baterista Frands Rifbjerg formarem o Bülow/Besiakov Quartet, um grupo que explora músicas de diversas correntes dentro de uma sonoridade de vanguarda que se aprofunda nas raízes do pós-bop mas mantém ao longo das execuções um caráter contemplativo com muita riqueza harmônica. Neste álbum eles incluem standards da música americana, como "The Way You Look Tonight" e "The Best Things in Life Are Free" e da música brasileira, como "Inútil Paisagem" e "A Primeira Vez", misturando composições próprias com composições de Jerome Kern, Dorothy Fields, Tom Jobim, Armando Marçal e Alcebíades Barcellos.  

Sexta Jazz, nesta sexta, oito da noite, produção e apresentação de Augusto Pellegrini

sábado, 31 de agosto de 2019






A LUXÚRIA  
(Excerto II)


O velório até que estava animado.
No canto da sala dois amigos e um tio do falecido relembravam historietas de outros velórios, aqueles onde não faltava o café forte e a cachaça batizada, com as piadas de humor negro fazendo a alegria da festa.
No sofá de ramagens vermelhas já um tanto gasto pelo uso de tantos assentos, manchado no braço direito e engordurado no esquerdo, o velho patriarca, tio-avô do morto, sorria suas rugas bem-comportadas e admirava as curvas das sobrinhas-netas que por lá saracoteavam – “... mas que beleza de ancas... – o tio-avô um eterno fauno.
A viúva, cabelos em desalinho, ainda meio confusa, pranteava o defunto sem saber o que iria acontecer dali pra frente com cinco filhos pra criar e a incerteza do futuro.
Tudo transcorria normalmente, mas alguma coisa estava por acontecer, a interrogação balançando no ar qual uma espada de Dâmocles, a sensação do escândalo, o escândalo...

-0-0-0-

Elvira, trinta e dois anos, ex-rainha dos funcionários da empresa, dois filhos inquietos como dois sanhaços.
Encarnação, trinta e quatro, ex-filha de Maria, dois filhos inquietos como dois pintassilgos.
Doralice, trinta e oito, o vestido justo demais para uma ocasião tão fúnebre, um filho só, mas irrequieto como um periquito em dia de festa.
Gracinha, dezenove, estudante, sem filhos, veio direto da escola, os olhos vermelhos e a expressão de criança, ainda sem acreditar no que via.
Todas vieram prantear o marido, companheiro, amante ou namorado ora esticado no caixão, todas reclamando seus direitos sobre o finado e seus bens.
O velho patriarca, de olhar jocoso, relembrava seus bons tempos afundado no sofá de ramagens, enquanto os amigos e o tio do falecido anotavam mentalmente cada detalhe para servir de anedota em futuros velórios.
“... eu não acredito, eu não acredito...” balbuciava a viúva enquanto as outras meio-viúvas se entreolhavam com olhar de incredulidade e os seus filhos, alheios à barafunda que se formou diante do caixão, brincavam juntos do lado de fora, pulando como macaquinhos.
Parada na soleira da porta estava Angélica ao lado dos seus dois pirralhos, hesitando entre o entrar e o não entrar para também reivindicar seus privilégios.
Deitado de costas, como bem convém a um morto no caixão, Josué a tudo assistia imóvel e silencioso. Há quem jura ter percebido no rosto outrora brejeiro um sorriso de satisfação.  

quinta-feira, 29 de agosto de 2019






POEMA PAQUISTANÊS
(Baseado num poema paquistanês que foi declamado por Hammad Irfan Ghouri no idioma original em 02/02/2018 – e depois traduzido por Augusto Pellegrini)

Olhei a minha musa lá no alto da janela
Nem mesmo a bela lua parecia ser tão bela
Pintei minha paixão com as cores da aquarela
E parti pro meu destino sem deixar de pensar nela

Tempos depois voltei, seu semblante ainda gravado
Procurei pela janela e só vi um acortinado
Ouvi então uma voz triste em um tom desafinado
Que chorava – “agora é tarde, não devias ter voltado!”
           

quarta-feira, 28 de agosto de 2019






ESPECIAL PARA ESTUDIOSOS DE INGLÊS

PALAVRAS HOMÓFONAS


As palavras escritas com LETRAS MAIÚSCULAS têm um som parecido, mas com significado diferente. A tradução das sentenças fica geralmente fora do contexto e serve apenas para identificar as palavras em questão.

01.                        A house helper is a MAID, but it sounds like MADE. (A ajudante da casa é uma CRIADA, mas soa como FABRICADA).

02.                        A couple can also be called a PAIR, but it sounds like PEAR. (Um casal pode também ser chamado de um PAR, mas soa como PERA).

03.                        If you are correct you are RIGHT, but it definitely sounds like WRITE. (Se você estiver correto você está CERTO, embora possa soar como ESCREVER).

04.                        Although it sounds like WEEK, a person who is not strong is WEAK. (Embora soe como SEMANA, uma pessoa que não é forte é FRACA).

05.                        The flesh you eat is called MEAT, but please, don’t eat the people you MEET. (A carne que a gente come é chamada de CARNE, mas por favor não coma as pessoas que você ENCONTRAR).

06.                        The square root of 64 is EIGHT, but don’t try to spell it as ATE. (a raiz quadrada de 64 é OITO, mas não soletre como COMEU).

07.                        There’s a large animal called BEAR; without its fur it would be BARE. (Existe um animal de grande porte chamado URSO; sem a sua pelagem ele fica NU).

08.                        My daughter’s brother is my SON, although a lot of people spell it SUN.(O irmão da minha filha é meu FILHO, embora muita gente soletre como SOL).

09.                        A witness guaranteed he has SEEN the SCENE. Uma testemunha garantiu ter VISTO a CENA).

10.                        You can only listen if you HEAR, you can only stay if you’re already HERE. (Você pode escutar apenas se OUVIR, e só poderá ficar se já estiver AQUI).

segunda-feira, 26 de agosto de 2019






NOVOCABULÁRIO INGLÊS
(Copyright MacMillan)

(ver tradução após o texto)

SPIM

First there was “spam”, unwanted e-mail, and no sooner had we worked out a way of dealing with it, then along came SPIM. SPIM is similar to “spam”, but instead of working through e-mail inboxes, it attacks users through instant messaging (IM) services, making advertisements and unwanted messages automatically appear when you are connected to the internet.

            “A U.S. teenager has become the first person to be arrested on suspicion of sending unsolicited instant messages – or SPIM… Experts have warned in recent years that SPIM would be the next area of development for those looking to further exploit access to users’ desktops and bombard them with unwanted messages.” (CNET News, 21st February 2005)
  

TRADUÇÃO

SPIM
Antes existia o “spam”, e-mail indesejado, e tão logo a gente aprendeu a lidar com ele apareceu o SPIM. SPIM é similar ao “spam”, mas em vez de funcionar através de e-mail recebidos na caixa de entrada, ele ataca o usuário através um serviço de mensagens instantâneas (IM), onde propaganda e mensagens indesejadas aparecem automaticamente quando você se conecta com a internet.   

 “Um adolescente americano se tornou a primeira pessoa a ser presa por suspeita de enviar mensagens instantâneas não solicitadas – ou SPIM... Especialistas vêm alertando nos últimos anos que o SPIM seria o próximo passo desenvolvido por aqueles que desejam interferir nos computadores dos usuários e bombardeá-los com mensagens indesejadas.” (Apresentado no CNET News em 21 de fevereiro de 2005)

sábado, 24 de agosto de 2019






À MODA DA CASA 
(Marchinha composta por Augusto Pellegrini em 1968)

Silenciosamente eu saio à rua
A manhã flutua
E o nevoeiro da noite passada passou
Silenciosamente cuido de mim
Num botequim
Cerveja preta gelada
E um misto quente na chapa
Indiferente
À moda e à marca da casa

Silenciosamente no barulho
Milhões de embrulhos
Pacotes muitos, laços cor de rosa nas mãos
Silenciosamente sons musicais
Sons guturais
São discos tocando alto
E gente ganhando a nota
Indiferentes
À moda da casa

O grande sucesso do momento
É de ciúme, de queixume
Ou puro ardume de amor
Com azedume eu saio à rua
Com coragem
Não é fácil enfrentar monstro-motor
À moda da casa eu vejo o caso
Com descaso
Por acaso eu sou alguém?
Não sei
Então eu sigo à moda da casa
Esqueço o caso num silêncio
Até que eu faço muito bem

Perigosamente o povo vive
Mais uma crise, mais uma virgem
Pétala de rosa no chão
Naturalmente sempre os dramas existem
E as damas insistem
A convidar na calçada
Ao menos lá na avenida
Indiferentes
Às coisas da vida





O ORGULHO  
(Excerto)


O palco da pantomima foi o escritório de uma poderosa estatal. Os personagens são o diretor geral Doutor Sacramento, a secretária Dona Júlia e eu, mísero office-boy.
Dona Júlia, um exemplo de dedicação, levantara aquele dia pisando com o pé esquerdo e num momento de irreflexão teve uma discordância com o chefe, que era um verdadeiro déspota.
Ele vestiu sua face com o seu olhar mais satânico e disse num tom tonitruante que pode ser ouvido em todo o andar: “Dona Júlia, chame o chefe do pessoal e peça para ele contratar uma nova secretária. E que seja bem rápido!”. Dona Júlia olhou com os olhos arregalados de quem está sendo despejada da casa e tendo que assinar a sua própria sentença. Aos cinquenta e alguns anos ela teria que ir à cata de um novo emprego, além de aturar o sorriso vencedor dos seus inimigos.
Dona Júlia desabou num desmaio que – comentam – teria sido mais histriônico que neurológico, mas eu me precipitei em socorrê-la, num ato de cavalheirismo extremo.   
Doutor Sacramento passou pelo corpo inerte e se dirigiu à sua sala como quem estivesse desviando de um cachorro morto. Bateu a porta com força sem olhar pra trás.
O chefe do pessoal veio e despediu não somente Dona Júlia por insubordinação, como a mim também, por conivência.

-0-0-0-

Nosso reencontro foi dramático.
Quase quinze anos haviam transcorrido. Continuei meus estudos, e tudo aconteceu numa sequência muito rápida: a graduação, o mestrado, o doutorado no exterior, o cargo de diretor numa grande empresa multinacional e a gestão dos negócios da empresa junto ao governo.
Convocado para uma reunião onde seria decidido o investimento de alguns bilhões de dólares, encontrei-me novamente com a fera, já meio gasta, os olhos opacos e os poucos cabelos já definitivamente brancos, embora apresentando o mesmo ar de empáfia e superioridade, usando na cabeça a mesma coroa de louros – “Ave, Sacramentus!” – embora invisível.
O encontro se deu no elevador todo envidraçado em fumê. Ele me reconheceu e fez um muxoxo de desagrado, e este muxoxo se transformou em espanto quando ele entendeu que caberia a mim a condução dos negócios, interpelando e orientando a todos naquela enorme mesa de jacarandá, tendo ao fundo uma pintura de Gainsborough.
Ao fim da reunião, derrotado em todos os seus argumentos, Sacramento parecia um vaso Ming se fragmentando, um pergaminho se desfazendo, um frade nu.   
Soube que ele morreu um mês depois da reunião, amaldiçoado pelas pragas solitárias de Dona Júlia agravada por uma úlcera perfurada – dizem os especialistas.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019






ABRACADABRA... PUFF !!!

Tinha dinheiro, mas eis que de repente
Minha polpuda carteira fica vaga
Pensando bem, é bem melhor pra gente
Se fazer de pão-duro diariamente
E não gastar dinheiro feito água

Mas os amigos, ah vêm os amigos
Que, sabedores da nossa poupança
Nos consideram santo salvador
E se aproximam cheios de esperança
Pedindo ajuda – “amigo, por favor”!

O bolso então aos poucos esvazia
E os juros da poupança vão pro ralo
E na devolução, conforme o caso
Se o empréstimo foi feito a bolso raso
Vêm náuseas naturais, vem pressão alta

Mas felizmente isso não é comigo
Graças aos céus algum provento tenho
O que faz da devolução simples rotina
Mesmo pensando no quanto eu não retenho

De quem me salva eu sou também amigo
E para os meus devoto um forte empenho
Pra nunca ser chamado de sovina
Pra nunca ser cobrado numa esquina