sexta-feira, 19 de março de 2021

 


AS CORES DO SWING
           (Livro de Augusto Pellegrini)

BANDLEADERS E DISCOGRAFIA


ENRIC MADRIGUERA (1904-1975) 

Nome completo - Enric Madriguera Rodon

Nascimento - Barcelona-Espanha

Falecimento - Danbury-Connecticut-EUA

Instrumento - violino

 

Comentário - Apesar de não utilizar na sua música exatamente a mesma estética do swing –  fato semelhante a outros expoentes da música latina jazzificada, como Xavier Cugat, Pérez Prado e Tito Puentes – o nome de Enric Madriguera é citado neste rol de orquestras por ter uma estreita relação com aquelas que faziam a alegria e diversão dos aficionados pelas grandes orquestras de dança nos Estados Unidos, o que não deixa de ser uma das marcas do swing. Ainda criança, Enric provou ser um prodígio tocando violino, e chegou a tocar em concertos na Espanha e na França antes de estudar música com Leopold Auer no Conservatório de Barcelona. Emigrou para os Estados Unidos e ingressou nas Orquestras Sinfônicas de Boston e de Chicago. Aos vinte e cinco anos foi regente da Filarmônica de Cuba e depois se transferiu para a Rádio NBC, em Nova York, como primeiro violino. Foi somente quando visitou a Colômbia na qualidade de diretor da Columbia Records que Madriguera teve sua atenção voltada para a dance big band, e montou a sua primeira orquestra para tocar no Havana Casino. Ele voltou a Nova York e tocou por oito anos nos hotéis Commodore, Biltmore e Weylin tendo como vocalista a cantora Helen Ward e depois Patricia Gilmore, com quem se casou. A partir de 1940, Enric Madriguera adotou de vez o estilo latino-americano, fazendo diversas gravações para a RCA e para o selo Brunswick, sendo denominado “O Embaixador Musical das Américas”.  Suas composições incluem os títulos de um musical de teatro chamado “The Moor And The Gipsy”, um espetáculo de balé denominado “Follies Of Spain” e algumas músicas que alcançaram sucesso mundial, como “Adiós” e “The Minute Samba” (uma espécie de “Tico-Tico No Fubá” estilizado). Madriguera se manteve em atividade durante cerca de quarenta anos, de 1920 a 1960.

 

Algumas gravações 

Adiós (Enric Madriguera)

Amor, Amor, Amor (Gabriel Ruiz Galindo)

Bim Bam Bum (Noro Morales)

Brazil (Aquarela do Brasil) (Ary Barroso)

Capullito De Aleli (Rafael Hernández Marín)

Carioca (Vincent Youmans, Gus Khan, Edward Eliscu)

El Cumbanchero (Rafael Hernández Marín)

I Love You (Cole Porter)

It’s Within Your Power (Mack Gordon-Harry Revel)

Jungle Rumba (Ernesto Lecuona)

Orchids In The Moonlight (Vincent Youmans)

Perfidia (Alberto Dominguez)

Siboney (Ernesto Lecuona)

The Minute Samba (Enric Madriguera)

There Goes My Heart (Benny Davis-Abner Silver)

True (Walter Samuels-Leonard Whitcup)

Un Poquito De Tu Amor (Julio Gutierrez)

 

 


NOVOCABULÁRIO INGLÊS

(Copyright Cambridge) 

(ver tradução após o texto)

 

SUPER -EARTH 

SUPER-EARTH is a planet outside our solar system that is similar to Earth but larger, and could be habitable by humans. In the last 30 years, scientists have discovered more than 4,000 exoplanets, or planets outside our system. Their latest discovery, however, is a bit of doozy. Earlier this week, a team of researchers announced the discovery of TOI-561b, a rocky exoplanet that’s been deemed a “super-Earth”. It is located about 280 light-years away. (published 14 January, 2021)    

 

            “The way things are going we’ll surely need to have a SUPER-EARTH to live in.”  

 

            “This SUPER-EARTH can be almost double Earth’s radius and up to 10 times massive.”   

 

            “Forget about this SUPER-EARTH that was discovered. To travel there in the fastest rockets will take thousands of years.”

                                 

                                   

 

TRADUÇÃO

 

SUPER-TERRA

SUPER-TERRA é um planeta fora do nosso sistema solar que é similar à Terra, embora maior, e poderia ser habitado por humanos. Durante os últimos 30 anos, cientistas descobriram mais de 4.000 exoplanetas (planetas localizados fora do nosso sistema). Sua última descoberta, no entanto, é um tanto quanto especial. No início desta semana, uma equipe de pesquisadores anunciou a descoberta do TOI-561b, um exoplaneta rochoso que foi considerado uma “super-Terra”. Ele está localizado a cerca de 280 anos-luz do nosso planeta (notícia publicada em 14 de janeiro de 2021).  

“Do jeito que as coisas estão indo, nós com certeza vamos precisar de uma SUPER-TERRA para morar”.

“Esta SUPER-TERRA pode ter quase o dobro do raio da Terra, com uma massa 10 vezes maior”.  

“Esqueça essa SUPER-TERRA que foi descoberta. Para viajar até lá, o mais rápido dos foguetes levaria milhares de anos”.

 

 

 

quarta-feira, 17 de março de 2021

 


AS CORES DO SWING
          (Livro de Augusto Pellegrini)

BANDLEADERS E DISCOGRAFIA


ENOCH LIGHT (1905-1978)

Nome completo – Enoch Henry Light

Nascimento – Canton-Ohio-EUA

Falecimento – Redding-Connecticut-EUA

Instrumento – piano e violino

 

Comentário – Enoch Light foi um bandleader muito popular nas décadas de 1940 e 1950. No entanto, mais do que um chefe de orquestra, ele deve ser celebrado como um grande inovador em termos de fonografia, principalmente pelos seus experimentos na gravação de sons estereofônicos e de registros de música em filmes de 35 milímetros, ao invés da tradicional fita magnética usada na época. Para exercitar as suas idéias, Light precisou fundar a sua própria gravadora (chamada Command) aproveitando-se da tecnologia emergente da alta-fidelidade. A procura deste “som diferente” originou dois álbuns antológicos – “Persuasive Percussion” e “Provocative Percussion” – nos quais, com a sua Light Brigade – nome que ele dava aos seus músicos e que soava como um trocadilho – Light explorava admiravelmente os efeitos sonoros de cada instrumento e os separava em alto-falantes diferentes. Ele também introduziu a ideia colocar uma capa interna nos discos “long-play” (tipo envelope) com informações adicionais que não cabiam na capa externa, como letras de música, biografia do músico ou curiosidades sobre a gravação (prática que se tornou corriqueira dali pra frente). Enoch Light também se popularizou pelas gravações de alguns LPs com músicas que haviam marcado época com as orquestras de swing mais tradicionais, nas quais manteve a mesma sonoridade, os mesmos timbres, os mesmos arranjos e o mesmo clima. Ouvir a orquestra de Enoch Light era como ouvir as orquestras originais. São marcantes e perfeitas as suas leituras de “Trumpet Blues”, “Song Of India”, “Woodchopper’s Ball”, “What Is This Thing Called Love?”, “Let’s Dance”, “Chattanooga Choo Choo” (respectivamente leituras das orquestras de Harry James, Tommy Dorsey, Woody Herman, Artie Shaw, Benny Goodman e Glenn Miller) assim como para outras músicas com o som e os arranjos originais das orquestras de Stan Kenton, Ted Heath, Charlie Barnet, Duke Ellington e Billy May. Mas Enoch Light também gravou músicas com características próprias, dentro de um universo bem diversificado, que inclue arranjos sinfônicos para uma coletânea dos Beatles, músicas de bossa nova e evidentemente o puro swing americano. Em 1965, a gravadora MCA comprou os ativos da Command, mas Enoch Light se manteve em atividade até seu falecimento em 1978.

 

Algumas gravações 

Bond Street (Burt Bacharach)

Cherokee (Ray Noble)

Cherry Pink And Apple Blossom White (Pérez Prado)

Ciribiribin (They’re So In Love) (Harry James-Jack Lawrence-Alberto Pestalozza)

Goodnight, Sweetheart, Goodnight (Ray Noble-Reginald Connelly-Jimmy Campbell)

Hernando’s Hideaway (Jerry Ross-Richard Adler)

Love For Sale (Cole Porter)

Lullaby Of Birdland (George Shearing)

Mad About The Boy (Noël Coward)

Moon River (Henry Mancini-Johnny Mercer)

My Heart Belongs To Daddy (Cole Porter)

‘S Wonderful (George Gershwin-Ira Gershwin)

Speak Low (Kurt Weill-Ogden Nash)

South Rampart Street Parade (Bob Crosby-Ray Bauduc-Bob Haggart)

Temptation (Nacio Herb Brown-Arthur Freed)

Tonight (Leonard Bernstein-Stephen Sondheim)

 

terça-feira, 16 de março de 2021

 


LÁGRIMAS 

(Samba de Augusto Pellegrini) 1975

 

Lágrimas

É o céu que manifesta triste a sua dor

O asfalto brilha ao som da escola que passou

Virou saudade e esquecimento

Carnaval

Se transformou em cinzas mortas pelo chão

Ficou nas derradeiras notas de um refrão

Deixou a tristeza deste meu lamento

 

O negócio é que ela viveu pra sambar

Mas morreu de manhã, quando foi trabalhar

O negócio é que ela viveu pra sambar

Mas morreu de manhã quando foi trabalhar

 

Ilusão

Foi fantasia que vestiu seu coração

Foi a alegria de sambar com devoção

Pra conseguir o grande momento

Tanta dor

Foi preço caro que a vitória nos cobrou

Na quarta-feira, quando o dia despertou

Ela se foi, ficou só desalento

 

O negócio é que ela viveu pra sambar

Mas morreu de manhã, no fim do carnaval

O negócio é que ela viveu pra sambar

Mas morreu de manhã no fim do carnaval

 

 

segunda-feira, 15 de março de 2021

 


AS CORES DO SWING
           (Livro de Augusto Pellegrini) 

BAMDLEADERS E DISCOGRAFIA


Elliot Lawrence (1925-       ) 

Nome completo – Elliott Lawrence Broza

Nascimento – Philadelphia-Pennsylvania-EUA

Instrumento – piano

 

Comentário – Se Elliot Lawrence tivesse nascido dez anos antes, ele teria feito parte do time dos maiores bandleaders da história do swing, pois o seu feeling e o seu faro jazzista em nada deixavam a desejar se comparado aos grandes do início do século. Elliot era possuidor de um talento precoce, e começou seus estudos de piano aos três anos de idade. Aos quatro, dirigiu uma orquestra de crianças em um show de palco, e aos seis escreveu a sua primeira composição, “Falling Down Stairs”. Ainda adolescente, ele venceu diversos concursos estaduais para pianistas, e mais tarde graduou-se em música pela Universidade da Pennsylvania. Elliot Lawrence já era um músico veterano aos vinte anos de idade, quando dirigiu a sua primeira orquestra de jazz dançante, excursionando durante algumas temporadas por todo o país; o problema é que em 1945 as big bands de swing já haviam perdido aquele apelo dos últimos quinze anos e as novas orquestras que surgiam obedeciam a um novo direcionamento estético. Por conta disso, ele acabou se refugiando nas gravadoras, e marcou a sua presença primordialmente como regente de orquestra de estúdio, tendo gravado em pouco tempo para a Columbia, para a Decca, e para outros selos menores, como a Fantasy, a Vik e a Sesac, utilizando-se durante algum tempo dos arranjos inteligentes de Gerry Mulligan. A partir de 1960, ele deixou de trabalhar com o jazz e direcionou a sua arte para o teatro, a televisão e o cinema, para quem produziu arranjos e composições, e atuou também como regente. Dirigiu alguns musicais de sucesso na Broadway, como “How To Succeed In Business Without Really Trying” e “Golden Boy”. Em 1961 e 1962 ele foi premiado com o Tony Awards, prêmio dedicado àqueles que se destacaram com excelência na área de teatro. A maior parte do seu trabalho como jazzista de dance band se perdeu com o tempo, e o que se encontra disponível é um estilo de jazz moderno e sofisticado que alguns críticos denominam, talvez com uma certa ironia,  de “hard-to-find music”. Aos noventa e seis anos, Elliot Lawrence já se aposentou, mas continua dando sua colaboração como diretor musical do Tony Awards Show, após quase sessenta voltados à música.

 

Algumas gravações 

Alone Together (Howard Dietz-Arthur Schwartz)

Alto Lament (Elliot Lawrence)

Apple Core (Gerry Mulligan)

Blues Alley (Al Cohn)

But Not For Me (George Gershwin-Ira Gershwin)

Bweebida Bwobbida (Gerry Mulligan)

Bye-Bye Blackbird (Ray Henderson-Mort Dixon)

Dancing The Shadow Waltz (Elliot Lawrence)

Elevation (Elliot Lawrence-Gerry Mulligan)

Gigolette (Mack David-Carl Sigman)

How Dear My Love? (Elliot Lawrence)

Jazz Lullaby (Al Cohn)

Lovin’ Machine (O.O.Merritt-Dave Lambert-Lois Mann)

Mr. President (Elliot Lawrence-Gerry Mulligan)

My Heart Stood Still (Richard Rodgers-Lorenz Hart)

Near you (Francis Craig-Kermitt Goell)

Reminiscing (Elliot Lawrence)

The Blue Room (Richard Rodgers-Lorenz Hart)

 

sábado, 13 de março de 2021

 


ABRACADABRA... PUFF !!!
(Augusto Pellegrini)

Tinha dinheiro, mas eis que de repente
Minha polpuda carteira fica vaga
Pensando bem, é bem melhor pra gente
Fazer-se de pão-duro diariamente
Do que gastar dinheiro feito água

Mas os amigos, ah vêm os amigos
Que, sabedores da nossa poupança
Nos consideram santo salvador
E se aproximam cheios de esperança
Pedindo ajuda – “amigo, por favor”!

O bolso então aos poucos esvazia
E os juros da poupança vão pro ralo
E na devolução, conforme o caso
Se o empréstimo foi feito a bolso raso
Vêm náuseas naturais, vem pressão alta

Mas felizmente isso não é comigo
Graças aos céus algum provento tenho
O que faz da devolução simples rotina
Mesmo pensando no quanto eu não retenho

De quem me salva eu sou também amigo
E para os meus devoto um forte empenho
Pra nunca ser chamado de sovina
Pra nunca ser cobrado numa esquina

 

 

 

 

 

sexta-feira, 12 de março de 2021

 


AS CORES DO SWING
           (Livro de Augusto Pellegrini)

BANDLEADERS E DISCOGRAFIA


EARL HINES (1903-1983) 

Nome completo – Earl Kenneth Hines

Nascimento – Duquesne-Pennsylvania-EUA

Falecimento – Oakland-California-EUA

Instrumento – piano

 

Comentário – Um dos mais profícuos pianistas do início do século vinte, Earl Hines – conhecido como “Fatha” – exerceu uma influência decisiva sobre outros mestres do teclado, como Teddy Wilson, Jess Stacy, Joe Sullivan, Nat “King” Cole e até o celebrado Art Tatum. Seu pai era músico amador e sua mãe organista de igreja, o que despertou nele um grande interesse em se aprofundar no estudo do piano. Mesmo sendo praticamente um autodidata, Earl foi um pianista muito inventivo. Ainda nos anos 1920, o seu modo particular de utilizar a mão esquerda lhe valeu o qualificativo de “o pianista mais moderno do jazz”. Na juventude, além do piano, Hines também tocou trompete, e com isso desenvolveu amplas e novas formas de explorar o som do jazz. Em 1922 ele ingressou na orquestra de Lois Deppe, fazendo com ele as suas primeiras gravações. Participou depois das orquestras de Sammy Stewart e Erskine Tate. Mudou-se para Chicago em 1924, onde conheceu Louis Armstrong e Zutty Singleton no Sunset Café, nascendo daí uma intensa afinidade musical. Sua ligação com Armstrong e seu conhecimento do trompete fizeram com que aflorasse nele um estilo pianístico especial, o qual foi denominado “piano trumpet style”. As suas gravações com o grupo, denominado Armstrong’s Hot Five, especialmente as músicas “West End Blues”, “St. James Infirmary”, “Sugar Foot Strut” e “Basin Street Blues”, fazem parte da antologia do jazz. Versátil, Earl “Fatha” Hines foi pianista solo e comandou orquestras de dança, grupos de jazz tradicional e, durante os anos 1940, embarcou na onda do bebop, montando uma orquestra da qual faziam parte Charlie Parker, Dizzy Gillespie, e Sarah Vaughan. Nos anos seguintes ele voltou ao dixieland-chicago e fez diversas apresentações com pequenos conjuntos e gravações no velho estilo piano stride. Earl Hines permaneceu musicalmente ativo durante cerca de sessenta anos, desde os anos 1920 até o início dos anos 1980.

 

Algumas gravações 

Blue Nights (Hayes Alvis)

Everybody Loves My Baby (Jack Palmer-Spencer Williams)

Just A-Sittin’ And A-Rockin’ (Duke Ellington-Billy Strayhorn-Lee Gaines)

Maybe I’m To Blame (Earl Hines-Charles Carpenter-Louis Dunlap)

One O’Clock Jump (Count Basie)

One Night In Trinidad (Earl Hines)

Rosetta (Earl Hines-Henri Woode)

Sally, Won’t You Come Back? (Gene Buck-Dave Stamper)

Stompin’ At The Savoy (Benny Goodman-Edgar Sampson-Chick Webb)

Straight Life (Earl Hines-Buggs Roberts)

Sweet Ella May (Herb Alpert-J.Russell Robinson)

Sweet Georgia Brown (Ben Bernie-Maceo Pinkard-Kenneth Casey)

The Honeydripper (Joe Liggins)

These Foolish Things (Harry Link-Jack Strachey-Holt Marvell)

When I Dream Of You (Earl Hines-Charles Carpenter)

Whirl On A Whirl (Earl Hines)

You Can Depend On Me (Earl Hines-Charles Carpenter-Louis Dunlap)

 

 

quinta-feira, 11 de março de 2021

 


NOVOCABULÁRIO INGLÊS

(Copyright Cambridge) 

(ver tradução após o texto)

 

BRAINCORE

 

In neuroscience, “braincore” is a therapy that enables the nervous system to retrain itself to create new and more appropriate brain wave patterns. But here, BRAINCORE is a way of dressing intended to make you look more intelligent. First was “normcore” – the art of dressing in “normal-looking clothing” – that suddenly became a thing in 2014. Then there was “cottagecore” – the trend for outfits inspired by “rural life twee” that reached peak silliness during lockdown. Now? Middle-aged men are all about BRAINCORE – that’s clothes, accessories and merch that show off how intellectual you are.     

 

            “Have you seen Donald lately? He changed his dressing style and now looks a real BRAINCORE.”               

              “There’s a stylish in New York that can help you to be a real BRAINCORE.”   

             “He looks like a BRAINCORE but if you have a ten-minute talk with him, you’ll see how appearances can be deceiving.”

           

                       

                         TRADUÇÃO

 

APARÊNCIA INTELECTUAL

Na Neurociência, “braincore” é uma terapia que permite ao sistema nervoso exercitar a criação de novas e mais apropriadas ondas cerebrais.  Mas aqui, BRAINCORE é uma maneira de se vestir para fazê-lo parecer mais inteligente. Primeiro, nós tivemos a “normcore” – arte de se vestir da forma mais natural possível – que esteve em voga em 2014. Depois veio a “cottagecore” – vestimentas inspiradas vida rural, que alcançou o seu pico durante o “lockdown”. E agora? Agora, homens de meia-idade estão optando pelo BRAINCORE – roupas, acessórios e objetos que mostram o quanto intelectual você é”.  

“Você tem visto o Donald ultimamente? Ele mudou o jeito de se vestir e agora está parecendo um intelectual”.

“Existe um estilista em Nova York que pode te ajudar a se vestir de forma a fazê-lo parecer mais intelectual”.  

“Ele parece um intelectual, mas se você conversar com ele durante dez minutos você verá como as aparências enganam”.

 

 

 

terça-feira, 9 de março de 2021

 


DO OUTRO LADO DO ESPELHO
(Augusto Pellegrini)


          Percorro com os olhos os quatro pontos cardeais que me cercam neste cubículo onde habito há dias, ou anos, ou séculos, pelo que me diz o relógio da minha semiconsciência.

          Estou deprimido, e o mundo que me cerca é este miserável quarto sem luz, de onde tento olhar por uma fresta de janela fechada e vislumbrar um jardim florido e coberto pelo sol, com borboletas coriscando aqui e acolá tendo como fundo um céu de azul sereno retocado por algumas nuvens de algodão.

          O que vejo, no entanto, é um beco imundo sem saída e cheio de detritos, com a face amarga do inverno se avolumando sombria e insetos mortos boiando em poças de água, tornando a paisagem desalentadora como a minha  vida.

          O mundo fede, e o mau cheiro penetra pela fresta da janela como um gás venenoso que me invade as narinas.

          Não encontro ninguém para responder minhas perguntas nem para satisfazer meus questionamentos.

          Grito, e o meu grito se perde no eco do local vazio e fechado, como o lamento de um moribundo dentro de uma masmorra.

          Há um homem no parlatório na sala ao lado, separado de mim por uma parede de vidro tão espessa que não consigo ouvir a sua voz. Tenho a impressão de que o conheço, seu rosto não me é estranho, mas meu torpor me impede de concatenar ideias.

          Ele me olha fixamente nos olhos, e eu percebo que repete tudo o que eu digo, imita meus gestos e, por incrível que pareça, guarda no rosto a mesma expressão desanimada que estampo na cara macilenta de quem não dorme há duas semanas. Pelo menos é isto que me parece, já que a minha noção de tempo está prejudicada pelos meus desvarios.

          Não sei ao certo onde estou nem o que estou fazendo aqui, e a exaustão embota o meu raciocínio.

          Devo estar sonhando, pois de outra forma já teria encontrado uma explicação para esta situação insólita e insustentável – mas dou um murro na porta metálica e a mão dói, mostrando que estou bem acordado.

          Nunca fui uma pessoa brilhante, capaz de grandes descobertas ou conclusões, mas até um animal que age apenas por instinto teria uma noção razoável de onde se encontra. Um rato, uma barata acuada, um inseto, que seja, tem no instinto de sobrevivência o vislumbre de perceber o tamanho do problema em que se meteu.

          Eu, porém, me sinto desgraçadamente inútil e sem rumo.

          Parece que estou numa cela, e o único móvel que preenche este vazio é esta dura cadeira na qual sento e levanto, feita de metal branco e esmaltado, o que me leva a pensar que estou num hospital ou numa sala de interrogatório, sendo psicologicamente atormentado para confessar algum delito que não me lembro de ter cometido.

                                                              -0-0-0-

          Finalmente entendo que o parlatório nada mais é do que um enorme espelho e que meu interlocutor sou eu mesmo.

          Escuto uma voz que soa como se fossem badaladas de um sino no campanário da minha cabeça – “Vamos deixá-lo aí, para que se acalme de vez.     Amanhã podemos transferi-lo para o quarto” – e outra voz, retrucando – “Mas recomende que seja amarrado com as tiras de couro, pois ele pode se tornar novamente perigoso...”.

          Faz se o silêncio, e antes de apagar totalmente a consciência, me vejo estrangulando o vizinho que costumava praticar canto lírico nos domingos de manhã.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


AS CORES DO SWING
           (Livro de Augusto Pellegrini)

BANDLEADERS E DISCOGRAFIA


DON ELLIS (1934-1978) 

Nome completo – Donald Johnson Ellis

Nascimento – Los Angeles-California-EUA

Falecimento – Hollywood-California-EUA

Instrumento – trompete

 

Comentário – Don Ellis cresceu no meio de gospels e spirituals, pois seu pai era pastor luterano e sua mãe tocava órgão na igreja. Bastou, no entanto, ele assistir a um concerto da orquestra de Tommy Dorsey para que se rendesse completamente ao jazz. Depois de estudar música e se graduar em composição pela Universidade de Boston, Ellis decidiu ser trompetista. Seu primeiro trabalho, aos vinte e dois anos, foi na Glenn Miller Orchestra, que na época, nove anos depois da morte de Miller, era dirigida por Ray Mc Kinley. Depois, Ellis serviu no exército americano na Alemanha, onde se juntou à Seventh Army Symphony and Soldiers’ Show Company, e conheceu o pianista Cedar Walton e os saxofonistas Eddie Harris e Don Menza. Quando retornou aos Estados Unidos, Don Ellis excursionou com a orquestra de Charlie Barnet e depois ingressou na banda de Maynard Ferguson antes de participar de gravações junto à orquestra de Charlie Mingus, que executava um jazz post-bop explorando elementos vanguardistas. Foi nestas orquestras que Ellis adquiriu toda a bagagem musical que faria dele um respeitado inovador dentro do campo do jazz de big band, especialmente na música orquestral de vanguarda. Don Ellis se notabilizou como trompetista, baterista e compositor, exercendo grande influência sobre os músicos nas orquestras por onde passou, pelo seu grande conhecimento, por seu caráter imaginativo e por sua incessante busca de novos sons. Com base nesta liderança, ele montou a sua própria orquestra em 1965, produzindo um som vibrante e “cheio de cores”. Sua big band misturava o estilo bop com o free-jazz e também utilizava fragmentos da música clássica e da música indiana. Sua orquestra se notabilizou pelo lineup diferente – ele chegava a utilizar três contrabaixistas e três bateristas na mesma execução musical, variando ele próprio na execução do trompete e da bateria. Infelizmente, Don Ellis não conseguiu seguir em frente com seus experimentos, pois morreu aos quarenta e quatro anos, vitimado por um ataque cardíaco, privando o mundo do jazz de um músico criativo e promissor. Don Ellis se manteve musicalmente ativo desde o final dos anos 1950 até a final dos anos 1970.

 

Algumas gravações 

Beat Me Daddy, Seven To The Bar (Hughie Prince-Don Raye-Eleanore Sheehy)

Chain Reaction (Hank Levy)

Concerto For Trumpet (Don Ellis)

Final Analysis (Don Ellis)

I Remember Clifford (Benny Golson)

Indian Lady (Don Ellis)

Loneliness (Don Ellis)

New Nine (Don Ellis)

Night City (Don Ellis-Kelly McFadden)

Passacaglia And Fugue (Hank Levy)

Pussywiggle Stomp (Don Ellis)

Put It Where You Want It (Joe Sample)

Seven Up (Howlett Smith)

Tears Of Joy (Don Ellis)

The Blues (Don Ellis)

Turkish Bath (Ron Meyers)