segunda-feira, 10 de novembro de 2014





EU ACREDITO !!! 

 (ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 10/11/2014) 

Diz o dito popular que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. A realidade provou, no entanto, que pelo menos no que diz respeito ao futebol, ele pode cair duas vezes e produzir a mesma comoção e o mesmo estrago, dentro de condições iguais de pressão, temperatura e volume. Até pelo mesmo placar.
São coisas que a razão não explica, e que por isso passam a fazer parte das lendas do futebol.
O cronista, jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues torcia pelo Fluminense, portanto não tinha nada a ver com o Flamengo ou com o Atlético Mineiro, clubes que disputavam uma vaga de finalista da Copa do Brasil no meio da semana passada.
No entanto, se vivo fosse, ele talvez estivesse no Mineirão em virtude do seu trabalho como jornalista, e se assim o fosse estaria provavelmente acompanhado pelos seus personagens – Gravatinha, que morrera em 1958, mas nunca deixara de ir aos estádios, sempre trajando terno e gravata borboleta, e também o Ceguinho Torcedor, que ia de bengala ao estádio e discutia se aquele lance duvidoso teria sido pênalti ou não apesar de não enxergar patavina. E o mais performático deles, o Sobrenatural de Almeida.
Sobrenatural de Almeida era um fantasma que, como seu criador, torcia pelo Fluminense, portanto estaria no Mineirão para atormentar o Flamengo, seu maior rival. Ninguém, no entanto, imaginava que sua influência pudesse chegar a tal ponto. 
Dirão os mineiros que quem estava presente não era nenhum fantasma, mas sim um público frenético de carne e osso que mesmo depois de ver o time sofrer o primeiro gol continuou entoando o seu mantra – “eu acredito!!!” – grito que já se provara eficiente quinze dias antes, contra o Corinthians, numa situação exatamente igual, e também como no ano passado, no Estádio Independência, no Horto, quando o Galo faturou de forma heroica a Copa Libertadores.
Lá, o incentivo vinha acompanhado da expressão “caiu no Horto, tá morto”, uma rima pouco eficaz em se tratando do Mineirão, e portanto deixada de lado.
Cada bola era disputada pelos jogadores atleticanos como se fosse a última jogada de suas vidas, fazendo o time virar de um 0 x 1 com 34 minutos de jogo – uma ducha para qualquer time que precisa ganhar por três gols de diferença – para um improvável 4 x 1.
O lado tragicômico do espetáculo ficou por conta de Luiz Penido, locutor da Radio Globo do Rio de Janeiro quando Éverton marcou o gol rubro-negro: “É finalista!!! Flamengaço classificadaço!!!” – berrou ele, e foi além dizendo “...agora, só se o Galo fizer quatro! É ruim, hein? Não vai fazer mesmo!!”, mostrando que o palhaço Chacrinha tinha razão ao mencionar que um programa só acaba quando termina.
A final mineira será inédita como decisão de um título nacional.
A impressão que o desempenho dos dois times causa ao analista é que o Cruzeiro, embora muito próximo de ganhar o bicampeonato brasileiro, se encontra cansado, em dificuldades para manter a mesma equipe dois jogos seguidos e em rota descendente de produção.
O Atlético, ao contrário, parece reunir forças para ficar entre os quatro primeiros do Brasileirão e muito embalado para a decisão da Copa do Brasil, com possibilidades de chegar à Copa Libertadores por um dos dois caminhos.
Na versão doméstica, em 13 disputas pelo Campeonato Mineiro o Cruzeiro venceu 8 e o Atlético 5, mas nesta hora estatísticas não contam.
E, apesar do slogan “eu acredito” ser marca registrada dos atleticanos, nada impede que os cruzeirenses também acreditem num titulo que pode representar não apenas um triunfo memorável contra o tradicional rival, mas também a tríplice coroa, com a conquista do Campeonato Mineiro – já decidido – do Campeonato Brasileiro – que está mais próximo a cada rodada – e da quarta conquista da Copa do Brasil.
Caso a Radio Globo desloque a sua equipe do Rio para Belo Horizonte, aconselha-se que o locutor escalado não seja Luiz Penido, por motivos óbvios.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014






 
AMISTOSOS DE FIM DE ANO 

 (ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 06/11/2014) 

No próximo dia 12 a seleção brasileira vai jogar contra a Turquia em Istambul, e repete a dose em Viena contra a Áustria no dia 18. Com estes jogos o Brasil encerra a temporada de 2014 (que parecia ter sido sepultada em julho), depois de um renascimento vitorioso no segundo semestre, com quatro resultados positivos, pelo menos no que diz respeito aos números.
Até aí, tudo bem.
Porém, nada é mais complicado para clubes que estão em final de temporada e bastante preocupados com as receitas para 2015, do que ver seus jogadores serem convocados e desfalcarem a equipe por cerca de dez dias.
Afinal, muitos destes clubes estão em fase de decisão em diversos níveis – Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Copa Sul-Americana – e os técnicos precisam ter o elenco nas mãos.
Os clubes pediram clemência e foram atendidos, pois para a sua sorte a administração Marin tem mais jogo de cintura do que a autocrática administração Teixeira.
Assim, buscando manter um bom relacionamento com aqueles que fazem o futebol brasileiro, o mandatário da CBF orientou o técnico Dunga a convocar apenas os jogadores que atuam no exterior.
Para os “estrangeiros”, no entanto, a situação não é muito diferente, e eles vão acabar pagando o pato. Embora não crie problemas com o calendário, posto que os clubes folgam nas datas reservadas pela Fifa, isto acaba criando um problema de desgaste, pois boa parte dos times que estão cedendo seus jogadores para os amistosos do Brasil – para não dizer todos os times – também estão empenhados em duas competições domésticas e por isso também jogam duas vezes por semana.
O PSG cederá 4 jogadores (toda a sua defesa – David Luiz, Marquinhos e Tiago Silva mais o meia-atacante Lucas), e o Porto e o Chelsea cederão 3 cada um (respectivamente Alex Sandro, Danilo e Casemiro pelo clube português e Filipe Luís, Oscar e Willian pelo clube inglês). O Shakhtar Donetsk cederá 2 (Luís Adriano e Douglas Costa), e outros 11 clubes de diversas partes da Europa Leste e Oeste cederão outros 11 jogadores.
Estes amistosos têm uma nítida função de caça-níqueis com a finalidade de reforçar o caixa da CBF, que em 2015 vai precisar de recursos para barganhar mais uma vez o poder à troca de privilégios para os presidentes das federações. Têm também a função de cumprir a sua parte no contrato com os patrocinadores oficiais, aqueles que têm sua marca estampada no pano de fundo das entrevistas obrigatórias pós-jogo.
Como Dunga não vai poder contar com alguns jogadores que ele considera imprescindíveis para estabelecer a sua tática de jogo, treinar o conjunto e repetir as jogadas ensaiadas  com Neymar (como Tardelli e os atacantes do Cruzeiro), e como os adversários não fazem parte da primeira linha do futebol mundial, pode-se dizer com certeza que se estes dois jogos não existissem não fariam falta alguma.   
Para completar, entre os jogadores chamados para estes amistosos de final de ano existem alguns que não têm estatura suficiente para que neles se depositem a esperança e o futuro do futebol brasileiro.
Entre os premiados estão os laterais Alex Sandro e Danilo, os meias Rômulo e Casemiro e os atacantes Luís Adriano, Firmino e Douglas Costa, que nunca chegaram a emocionar quando atuaram por aqui, e mesmo na Europa não mostram exibições mais do que razoáveis.
Posso estar enganado, mas quando foram convocados pela primeira vez para defender a seleção brasileira, jogadores como Pelé, Romário e Ronaldo já possuíam uma mística pessoal que indicava que eles eram “os caras”.
De toda a safra atual, incluindo aqueles que atuam no Brasil, o único que ostenta esta aura luminosa é Neymar, mesmo ainda tendo muito que provar.

       

segunda-feira, 3 de novembro de 2014




A LUSINHA ESTÁ NA PIOR  

 (ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 03/11/2014) 

A Série B já teve a sua primeira baixa: a Portuguesa. Três outros clubes vão seguir o mesmo caminho até o dia 29 de novembro, mas o caso da Lusa é o mais emblemático.
Vítima de uma série de circunstâncias que começaram com a sua discutida e discutível queda para a Série B no ano passado, a Lusa caiu com cinco rodadas de antecedência e vai disputar a Série C em 2015.
Com a queda para a Série B em 2014, o clube perdeu receita, o time perdeu jogadores e o grupo perdeu a motivação. Além do mais, brigas e acusações internas, que incluíram a possível omissão do seu departamento jurídico ao ter propositalmente colaborado com o rebaixamento no ano passado, dividiram o clube e enfraqueceram a sua administração.
Sem verba para pagar salários – em alguns casos atrasados em até cinco meses – enfrentando protestos dos jogadores por melhores condições de trabalho e a ira da torcida clamando por resultados, o time foi se esfacelando aos poucos e sua queda para a terceira divisão do futebol brasileiro não chega a se constituir nenhuma surpresa.
Sua recuperação em nível nacional é duvidosa, e faz lembrar a saga do América carioca, atualmente apenas um nome a ser lembrado. Embora seja simpático a uma maioria de torcedores de outros clubes, a Portuguesa não tem uma grande torcida que possa garantir grandes receitas, sejam elas provenientes de arrecadação, de sócios-torcedores ou de patrocinadores fortes.
Numa época de futebol profissional e de alta competitividade, seus dirigentes, mesmo aqueles mais diligentes – com perdão do trocadilho – não terão como se cotizar para colocar a casa em ordem. Seu estádio, antigo e ultrapassado, não terá como competir com as novas arenas do Palmeiras e do Corinthians nem com o Morumbi constantemente renovado para arrecadar com shows e eventos.
E assim, a Lusa vai tristemente descendo a ladeira sem ver uma alternativa viável de se firmar na elite do futebol brasileiro.
A Associação Portuguesa de Desportos sempre tentou ser grande, ou pelo menos brigar de igual para igual com os grandes de São Paulo, mas na sua longa trajetória de 94 anos o máximo que conseguiu foram três Campeonatos Paulistas (1935, 1936 e 1973, ano em que teve que dividir o título com o Santos), dois Torneios Rio-São Paulo (1952 e 1955) no melhor período da sua história, um Campeonato Brasileiro da Série B (2011) e dois Campeonatos Paulistas Serie A2, correspondente à segunda divisão, (em 2007 e 2013), isto é, quase nada se comparado com Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo.
A maior glória da Lusa não aconteceu no Brasil, e sim nos gramados do exterior.
Nos anos de 1951, 1952 e 1954, o time disputou 42 partidas na Alemanha, Bélgica, Colômbia, Equador, Espanha, França, Inglaterra, Peru, Suécia e Turquia, conquistando 33 vitórias, 8 empates e colecionando apenas uma derrota, com 111 gols marcados e 42 sofridos, sendo por isso três vezes agraciada com a “Fita Azul”.
A Fita Azul era uma comenda ou medalha de Honra ao Mérito instituída pela CBD após a Copa do Mundo de 1950 para as equipes brasileiras que conseguissem uma série de vitórias contra equipes estrangeiras, em excursões que durassem algumas semanas.
Terminado o impacto da Copa, a CBD desistiu da ideia, que foi encampada pelo jornal A Gazeta Esportiva, e a Fita Azul teve na época a mesma importância que têm os Mundiais Interclubes de hoje em dia.
Ao torcedor, de luto, só resta voltar ao passado e lembrar com saudade os muitos craques de renome nacional que foram forjados na Lusa ou passaram por ela, como é o caso de Djalma Santos, Brandãozinho, Julinho Botelho, Pinga, Leivinha, Marinho Peres, Enéas, Dener, Ipojucan, Roberto Dinamite e Zé Roberto, seu último ídolo.

  

quinta-feira, 30 de outubro de 2014






A INTERFERÊNCIA DO ESTADO  

(ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 30/10/2014) 

Reza a lenda urbana que uma das razões de o jogo do bicho ser uma atividade organizada e transparente (embora ilícita) é o fato de ele não ser controlado pelo governo.
No jogo do bicho não tem senão: ganhou, levou, sem nenhuma burocracia ou discussão. Lá não existe nenhum exagero nos controles por que passam todas as transações financeiras entre cliente, banqueiro e bicheiro, ou seja, o ganhador, o agente e o pagador do jogo se entendem harmonicamente.
Ninguém questiona os números premiados, nem mesmo nos sorteios que são obtidos à margem da loteria convencional.
Reza também a lenda que o desfile das escolas de samba da Marquês de Sapucaí é uma das poucas coisas que funcionam com eficiência no Brasil, exatamente porque não existe a mão do Estado para burocratizar e ditar as regras do jogo.
É certo que os bicheiros estão presentes tanto num caso (o jogo do bicho) como no outro, embora não abertamente (a Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro), mas o nosso caso aqui não é fazer a apologia da contravenção, e sim analisar os estragos que o Estado faz quando tenta administrar os pequenos prazeres populares.
O Estado, por exemplo, jamais poderia ser dono de botequim.
Ele é pesado, lento, engessado, burocratizado, leva tudo ao pé da letra, permite a envolvimento de muitos intrometidos e via de regra quando tenta resolver um problema, cria dois.
De acordo com o depoimento do Seu Antero Viana, fundador do Boi de Leonardo em 1952 (que consta do livro “Memórias de Velhos – Depoimentos – Volume V”, editado pelo Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho), a ajuda oficial aos grupos de bumba-meu-boi pela MARATUR prejudicou ao invés de ajudar, pois modificou a essência da brincadeira. Os locais de apresentação passaram a ser definidos em função da necessidade de o boi ser visto por uma outra parcela da sociedade que não aqueles que normalmente acompanhavam os brincantes, o que mudou a sua estrutura.
Seu Antero diz que “A MARATUR ajudou a acabar com o auto nas apresentações, e se o boi não tem auto a brincadeira não tem história”.
Não vem ao caso explicar o que venha a ser o auto do boi, mas sim esclarecer o leitor o porquê desta introdução pouco ortodoxa.
Uma grande parte do jornalismo esportivo está se preparando para pedir à presidente recém-reeleita que o Estado interfira no esporte a fim de corrigir alguns dos seus desmandos, como a falta de transparência no manuseio de verbas, a justiça esportiva sob suspeita e o continuísmo nos mandatos de presidentes de clubes e federações (que é, estranhamente, mais ou menos o que acontece com o Estado, mesmo amparado pelas leis!).
A intervenção do governo no esporte deveria se limitar ao controle do patrocínio que as empresas estatais injetam em alguns clubes e algumas federações e a fazer passar no Congresso uma lei que dê aos dirigentes de clubes o mesmo tratamento dado aos dirigentes das empresas civis, isto é, responsabilidade fiscal e rigor no pagamento de impostos.
Ah, dirão alguns, mas se apertarem demais o futebol ele irá à falência, pois mesmo sem o devido aperto os clubes já enfrentam sérios problemas financeiros!
Ah, respondo eu, mas se a coisa apertar eles terão que aprender a administrar melhor os clubes, que são patrimônio do torcedor, e a exercer uma lógica de mercado com referência aos valores pagos a muitos técnicos e jogadores.
Não é uma prática saudável o Estado ditar normas em atividades particulares que deveriam ser administradas pelos seus responsáveis, nem tutelar a sociedade com coisas secundárias como é o caso do futebol.
Com tanto abacaxi pra descascar – citem-se inflação, queda da produtividade, reformas, indústria em baixa, juros altos, saúde pública, segurança, política externa e investimentos – soaria no mínimo estranho o governo se preocupar em dar pitaco no calendário, no horário dos jogos e no salário do Luxemburgo.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014





A CARTILHA DO DUNGA 

 (ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 27/10/2014) 

Ao anunciar a convocação para os amistosos de novembro contra a Turquia e a Áustria, o técnico Dunga aproveitou para passar para a imprensa o novo código de conduta dos jogadores quando a serviço da CBF.
De acordo com o Coordenador Gilmar Rinaldi, não se trata de uma cartilha para disciplinar os atletas, mas de regras de conduta que visam organizar o ambiente dos treinamentos e das concentrações, auxiliando no desenvolvimento das relações entre os jogadores e a Comissão Técnica.
Como “proibição” é uma palavra proibida do novo código de conduta, pode-se dizer que aos jogadores “não é permitido” o uso de bonés, brincos, correntes ou chinelos, objetos que na visão da Comissão Técnica se constituem em uma grave ameaça à disciplina.
Também haverá limitação no uso de aparelhos celulares e outros equipamentos eletrônicos, com a finalidade de manter o jogador focado no motivo principal de ele estar ali.
Outro ingrediente do pacote é a disciplina da hora do almoço, na qual os jogadores só podem se ausentar da mesa depois que o capitão se levantar e declarar que o almoço está encerrado. Mais ou menos como num refeitório de colégio interno nos anos 1960, embora a prática ainda esteja em uso em alguns países asiáticos.
Fica a cargo de o leitor decidir se esta cartilha terá um resultado profilático ou será mais um entrave que militarizará o comportamento dos jogadores, reduzindo a já reduzida alegria que ajuda a descontrair e a melhorar a produção.
Eu, particularmente, acho que uma tabela de deveres é sempre boa na medida em que conscientiza o envolvido, mas é ruim quando gera insatisfação ou resistência no grupo. É preciso que exista uma medida exata entre as regras estabelecidas, a tolerância necessária e o diálogo constante para que os jogadores sintam que estão no caminho certo e que isso é benéfico para o rendimento da equipe.
No entanto, jogador profissional não precisa ser tratado como criança de pré-escola, principalmente os que já passaram por diversas provações até chegarem à seleção. Jogador de seleção é um sujeito rodado que já enfrentou diferentes situações na carreira, e talvez uma conversa séria fosse suficiente, sem necessidade de um código de conduta por escrito.
Se por um lado a disciplina e a organização devem fazer parte de qualquer tipo de empreendimento, pois tendem a equilibrar o comportamento, a padronizar as ações e a ressaltar a hierarquia e a liderança, por outro lado o jogador pode se sentir incomodado no seu lado lúdico, comprometer a criatividade e se transformar em um soldado em campanha ao invés de um atleta disputando um torneio esportivo.
O interessante disso tudo é que Neymar, o jogador que mais revoluciona o visual, os adereços e a informalidade, foi guindado à posição de capitão – posto para o qual não me parece talhado – e caberá a ele ajudar a comissão técnica a fiscalizar os demais jogadores no cumprimento do livro de normas.
Resta saber quem escreverá o manual de conduta da Comissão Técnica no trato com a imprensa, com os adversários e com a arbitragem.
Ao técnico Dunga não falta apenas um livro de etiquetas e boas maneiras em como se comportar em sociedade. Para ele também cairia bem uma cartilha, mas uma cartilha real, dessas que ensinam o bê-á-bá, para que ele pudesse se comunicar com os seus interlocutores de uma forma que não lembrasse o homem das cavernas.
Parece até que ele está tentando ser mais comedido, mas igual ao escorpião que tenta ser bonzinho, seu temperamento é indomável, e bem mais forte do que ele...
Noutra ocasião falaremos dos amistosos e da repercussão da cartilha entre os jogadores.   

quinta-feira, 23 de outubro de 2014





AS CURVAS DA ESTRADA DE SANTOS 

(ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 23/10/2014) 

Infelizmente, volta e meia o cronista tem que voltar ao mesmo assunto e destacar a violência que campeia no futebol.  Desagradável, mas necessário.
A violência grassa dentro dos estádios, do lado de fora dos portões, nas suas cercanias, nas vias de acesso, nas sedes dos clubes e até em pontos distantes e insuspeitos, como na Via Anchieta, estrada que liga São Paulo ao litoral paulista e que foi palco de atropelamento com morte na tarde de domingo.
Atropelamentos em estradas são geralmente provocados por imprudência do pedestre ou negligência do motorista, mas este aqui foi um ato criminoso, pois teria sido uma resposta ao apedrejamento de um ônibus que transportava a Torcida Jovem do Santos. O ônibus foi emboscado por torcedores palmeirenses numa resposta a outra emboscada semelhante feita pelos santistas na partida do primeiro turno. E o motorista atropelador era um torcedor santista que aparentemente escoltava o ônibus.
Assim, como se vê, não existe diferença entre agredidos e agressores, pois todos são delinquentes do mesmo naipe.
Este é o terceiro caso de morte de torcedor registrado este ano (quarto, se contarmos com o torcedor pernambucano que foi atingido por um vaso sanitário na saída do Estádio do Arruda, em Recife), e a Justiça continua agindo a passo de tartaruga.
No início do ano, um santista morreu o ser espancado por são-paulinos numa parada de ônibus. Há menos de três meses foi a vez de um palmeirense ser morto numa batalha travada com corintianos na cidade de Franco da Rocha, município localizado na região metropolitana de São Paulo.
No caso deste fim de semana, além do palmeirense morto, outros dois também foram atropelados, e há um relato de que também houve feridos a bala por disparos feitos por ninguém sabe quem.
Junto com os torcedores palmeirenses foram encontrados rojões, pedaços de pau e facas, o que demonstra que os torcedores se dirigiam ao Estádio do Pacaembu com intenções nada pacíficas.
Apesar das repetidas ocorrências de violência, as torcidas organizadas de todos os clubes continuam a receber o apoio logístico e financeiro dos clubes, por diversos motivos.
Em primeiro lugar, seus membros são eficientes cabos eleitorais que ajudam a eleger presidentes e a nomear dirigentes. Alguns dirigentes de clubes são, eles próprios, ex-integrantes de facções organizadas. Além do mais, os cartolas têm medo deles e das represálias que eles representam, mas ao agir como se nada estivesse acontecendo se tornam cúmplices dos assassinatos cometidos.
As torcidas organizadas também representam público – muito embora não representem lucro, porque via de regra estes torcedores entram de graça – num campeonato tão carente de torcida por causa da banalidade do excesso de jogos e do preço dos ingressos. E da violência, é bom lembrar.
O Brasil ocupa neste momento a triste liderança mundial no ranking de violência no futebol, tendo ultrapassado a Argentina e a Itália neste quesito, e apresenta números estarrecedores: 155 mortes desde 1988, o que significa uma média de 5,7 mortes por ano, um verdadeiro absurdo.
É claro que a escalada da violência não se limita ao futebol e é atualmente uma praga nacional, fazendo parte do cardápio de uma população cada vez mais desrespeitosa com a segurança e com os direitos dos seus semelhantes. As ocorrências se multiplicam nas escolas, no trânsito, nas manifestações e nos grandes aglomerados e têm nos jovens – rebeldes com ou sem causa, não vem ao caso – os seus principais incentivadores.
E assim, entre paus e pedras, a vida humana vai ficando cada vez mais fragilizada e a lei – ora, a lei – continua figurando nas páginas do código penal.

 

segunda-feira, 20 de outubro de 2014







AS REDES DO MINEIRÃO 

(ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 20/10/2014) 

O novo Mineirão tem tudo de novo, adaptado que foi às exigências da Copa do Mundo. Tudo foi pensado nos mínimos detalhes, inclusive aqueles que atendem à rivalidade entre os dois grandes rivais do estado, Atlético e Cruzeiro (aqui convenientemente citados em ordem alfabética para não ferir suscetibilidades).
Assim, as redes das traves são normalmente brancas, mas quando o Cruzeiro manda o jogo elas são azuis.
Como tudo ainda está com cheiro de casa nova, as redes ainda não foram trocadas e são as mesmas utilizadas na Copa, o que quer dizer que em pouco mais de um mês de uso elas já passaram por duas emoções formidáveis.
As mesmas redes que estufaram com os sete gols da Alemanha no acachapante 7x1 anotado contra o Brasil ouviram os gritos alucinados da torcida do Galo na emocionante e improvável virada desta última quarta-feira – 4x1 contra o Corinthians. Na primeira partida o Mineirão ficou perplexo e muita gente chorou, mas na segunda partida o torcedor incendiou o estádio, em mais uma comprovação de que – em ambos os casos – futebol não se ganha na véspera, mesmo com todas as fichas a seu favor.
Assim as redes brancas do Mineirão entram para a história como protagonista de dois jogos inesquecíveis, para o bem ou para o mal.
Que o futebol tem o seu lado inexplicável, disso ninguém duvida. E que esses mistérios muitas vezes transcendem a lógica também ninguém duvida.
Como disse o poeta Shakespeare, “há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia”, e com base neste misticismo são imaginadas as mais diversas formas de superstição, valendo tudo para que o nosso time vença o time deles.
E nesse jogo alegórico qualquer desatenção pode ser fatal.
Existem muitas histórias de coincidências que ilustram o imaginário futebolístico, e que fazem os jogadores ter preferência por algum uniforme, querer começar a partida sempre do mesmo lado do campo, ouvir sempre a mesma música antes de ir para o vestiário e até de vestir a mesma roupa de baixo, fato que atualmente se tornou impraticável devido à quantidade de partidas e de viagens que o time tem que fazer toda semana.
É bem possível que as redes brancas do Mineirão comecem a fazer a hora do espanto de uns e a certeza de superação de outros, a ponto de haver algum questionamento ou alguma exigência para que elas sejam usadas, dependendo do ponto de vista de cada oponente.
A superstição está presente no futebol, e nós podemos citar alguns exemplos como Zagallo, um sujeito vitorioso, seja como atleta seja como treinador, que atribui a sua fantástica carreira aos constantes e mirabolantes exercícios com o número 13.
É também comum a gente ver os goleiros fazer algumas estripulias sob as traves antes do início das partidas. E alguns deles viram as costas para o campo quando um jogador do seu time vai bater um pênalti.
Mas o mais famoso caso de superstição aconteceu no Botafogo de 1948.
Um jogador de nome Macaé achou um vira-lata na rua, adotou-o com o nome de Biriba e o levou para a sede do clube, na Rua General Severiano. Lá, ao ser festejado pelos jogadores, Biriba fez xixi na perna do atacante Braguinha, que desencantou no jogo e ajudou o time a vencer a partida da rodada.
A partir daí o presidente Carlito Rocha, adotou Biriba oficialmente, e o cãozinho passou a fazer parte do banco de reservas, mesmo com a reclamação dos adversários.
Nesse ano, o Glorioso foi campeão, depois de 12 anos de jejum, e Biriba se tornou o mascote do time até 1958, quando morreu.
(Neste 2014, está na hora de o Botafogo arranjar outro mascote...)

 

 

quinta-feira, 16 de outubro de 2014




O OURO DO SOL NASCENTE 

(ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 16/10/2014) 

O Brasil encerrou com méritos a sua aventura asiática que, somada à recente aventura nas terras do Tio Sam, lhe confere quatro vitórias com o placar agregado de 8x0, como se costuma dizer, o que resgata um pouco da nossa autoestima.
Parece que começamos a colocar a casa em ordem ao vencer, pela ordem, a Colômbia, o Equador, a Argentina e o Japão, restando de significativo o triunfo sobre os “hermanos” a quem, como afirma o trêfego Galvão Bueno é sempre bom vencer.
O futebol apresentado pela seleção cresceu nas últimas duas partidas se começarmos a contar a partir do vigésimo minuto do primeiro jogo, quando Tardelli anotou 1x0. Até então a atuação da seleção havia sido tão pífia como nos 180 minutos contra colombianos e equatorianos, dois jogos que vencemos, mas não convencemos.
Há que se notar que na era Dunga os gols estão sendo anotados por atacantes – Neymar fez quatro contra o Japão, Tardelli fez dois contra a Argentina, Neymar fez outro contra a Colômbia e Willian fez o gol dele contra o Equador. De negativo, fica a quase certeza de que o Brasil é só Neymar, autor de cinco dos oito gols anotados e melhor jogador do time nas duas excursões – América e Ásia – como, aliás, era de se esperar. 
Se a vitória contra a Argentina foi comemorada como um feito importante, posto que os nossos vizinhos são atualmente os vice-campeões do mundo e bateram a campeã Alemanha há quarenta dias, a goleada sobre o Japão não passou de um dever de casa cumprido.
Os japoneses são nossos tradicionais fregueses e sempre deram a impressão de que para eles é uma honra nos enfrentar... e perder.
O jogo contra os nipônicos foi mamão com açúcar e serviu para Dunga por os nervos no lugar, transparecer um pouco do polimento que ele não tem e testar seu sistema de jogo.
Contra a Argentina o time bateu muito e jogou no erro do adversário, mas contra o Japão ele aproveitou o modo de jogar aberto dos asiáticos, que cometeu o erro de tentar jogar de igual para igual e caiu de quatro.
Mas o futebol do Brasil ainda está carente de uma melhor organização na armação das jogadas e da excessiva necessidade de contar com o futebol de Neymar, como já foi enfatizado alguns parágrafos atrás.
A metáfora sobre o ouro do sol nascente tem lá a sua lógica, posto que as partidas foram disputadas no outro lado do mundo, lugar onde – dizem os poetas – nasce o sol. Além disso um dos protagonistas dos embates – o Japão – é conhecido como “O País do Sol Nascente”.
A Argentina entra de graça no jogo de palavras porque apesar de não ter nenhuma relação quanto ao nascimento do Astro-Rei, tem a cara do sol estampada na sua bandeira.
E o ouro, que faltou no Campeonato Mundial, está regiamente presente no cachê recebido pela CBF pelos jogos realizados em Pequim e Cingapura, o que justifica a expressão de que a corrida ao ouro (do sol nascente) foi bastante proveitosa.
É claro que a entidade não revela os valores, mas o leitor pode calcular o cachê resultante desses dois jogos com a chancela da seleção brasileira, pois ela ainda desperta total interesse no mundo, mesmo com o fiasco da Copa no Brasil.

 

 

 

terça-feira, 14 de outubro de 2014





BRASIL VENCE DO OUTRO LADO DO MUNDO 

(ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 14/10/2014) 

Três meses após o vexame da Copa do Mundo, a CBF fez a seleção cumprir um amistoso de risco contra a Argentina. Foi um negócio da China, se considerarmos o valor arrecadado pela entidade e o local do embate. E foi um amistoso de risco porque aparentemente prematuro: o Brasil está começando uma nova fase e deveria fazê-lo com muita calma e prudência.
José Maria Marin nunca escondeu o desejo de apagar de vez o trauma dos 7x1 contra a Alemanha, porque considerou o desastre apenas um simples acidente de percurso. Para ele, todas as coisas na Copa foram bem planejadas e feitas com perfeição, e somente uma dose de má sorte cavalar poderia ter eliminado o Brasil da competição da forma como eliminou.
Para acabar com a má impressão deixada pelo ocorrido, ele arregaçou as mangas e substituiu o técnico perdedor num piscar de olhos, sem avaliar criteriosamente o mercado nem levar em conta as razões do fracasso.
Dunga e Gilmar Rinaldi foram colocados nos lugares de Felipão e Parreira e com isso Marin contava com uma reviravolta no panorama. Até agora, deu certo.
Marin continua vivendo num mundo de faz-de-conta onde tudo é cor-de-rosa, e nem passa pela sua cabeça que está na hora de uma reformulação total de ideias, incluindo aí os modernos métodos de gestão utilizados por empresas vencedoras. Como, porém, o futebol vive de resultados, ele vai faturando seus pontos, com três vitórias e nenhum gol sofrido na nova era Dunga.
A partida contra a Argentina tinha vários aspectos para serem levados em conta: em primeiro lugar, tratava-se do nosso maior adversário, contra o qual disputamos 100 partidas, ganhando 40, perdendo 36 e empatando outras 24; além disso, estava em disputa uma taça, que representa o Superclássico das Américas e vai enriquecer a sala de troféus da CBF; finalmente, o Brasil precisava voltar a ser respeitado pelo resto do mundo.
Numa análise fria da partida, podemos dizer que o Brasil jogou com inteligência, aplicando uma tática de time pequeno até fazer o primeiro gol, numa falha da zaga argentina muito bem aproveitada por Diego Tardelli, naquilo que foi o primeiro chute da nossa seleção a gol. Depois, jogou no erro e no nervosismo do adversário, tentando explorar as jogadas individuais de Neymar – duramente marcado – e de Willian, que tinha muito espaço pela direita devido aos avanços do lateral Rojo e às dificuldades de cobertura da zaga central, Demichelis e Fernández, muito lentos e pesados.
O segundo gol veio também através de uma falha defensiva e do oportunismo de Tardelli.
De positivo, vimos a vontade de o time se encontrar, a obediência tática dos jogadores ao pragmatismo do treinador, e a volta de Kaká, que no pouco tempo que jogou deu uma consistência diferente para o meio-campo. De negativo, a impressão de que o torcedor brasileiro vai continuar sofrendo com a falta de qualidade do nosso futebol.
Mais negativa ainda continua sendo a atitude do técnico Dunga, que mais parece um cão raivoso. Falta-lhe a postura exigida ao cargo de técnico de uma seleção que ostenta o nome de um país.
Dunga bateu boca inutilmente com o pessoal do banco argentino, falou palavrões para o quarto árbitro e mostrou um sério descontrole emocional durante toda a partida, continuando até depois do final do jogo.
E o seu time ganhou por 2x0! Imaginem se tivesse perdido?
O público chinês fez o que pode para incentivar as duas seleções. Infelizmente, porém, o gramado do Ninho de Pássaros mais parecia o chão de um galinheiro, criando muitas dificuldades para brasileiros e argentinos dominarem a bola e melhorarem a qualidade do espetáculo.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014







A BOLA E A MÃO 

(ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 09/10/2014) 

Em 1863, representantes das escolas e associações de toda a Inglaterra se reuniram para discutir e entrar em acordo sobre o estabelecimento de regras para um novo jogo que estava tomando conta do país – o futebol.
É claro que nessa época o jogo de bola já tinha séculos de existência, mas não passava de um misto entre entretenimento e violência totalmente desorganizado e sem padrão, donde a necessidade da sua regulamentação.
Desta reunião nasceram as primeiras regras, algumas técnicas, outras disciplinares, que foram oficializadas com a fundação, em 1888, da primeira Liga de Futebol, que organizou o primeiro campeonato.
Em 1898 o número de regras passou a ser dezessete, com ênfase a duas características que diferenciavam o “football” do “rugby”, outro esporte coletivo com bola também praticado por clubes e associações na Inglaterra.
Essas duas regras deixavam bem claro o que seria considerado jogo faltoso na disputa de bola (chutes desferidos nos adversários, agarrões e golpes de mão) e a proibição de um jogador conduzir, ajeitar ou lançar a bola com as mãos, exceto quando de tratar do “goal keeper” ou de um lance de reposição de bola em arremesso lateral.
Ao contrário de outras regras cuja aplicação é objetiva, estas duas são bastante interpretativas, cabendo ao árbitro decidir se o choque entre jogadores ou um toque de mão ou de braço foi intencional ou não.
Esta subjetividade torna a arbitragem bastante vulnerável, principalmente agora, quando uma partida pode ser monitorada por câmeras e outros dispositivos eletrônicos.
A International Board já se reuniu algumas vezes ao longo da história e o máximo que conseguiu fazer foi estabelecer alguns critérios – também subjetivos todos eles – como a intenção do atleta cometer a infração ou não.
Para o jogo violento, considera-se a intensidade e a imprudência como fatores determinantes para a marcação da falta e as consequências dela advindas, como a aplicação de cartão amarelo ou vermelho.
Para o toque de mão na bola, o árbitro deve considerar se o lance foi involuntário ou se o jogador teve a intenção de desviar o rumo da pelota ou de facilitar o seu controle para manter a sua posse.
Em vista disso, a CBF promoveu há poucos dias uma reunião do Conselho de Arbitragem, com a participação de árbitros, assistentes e instrutores de arbitragem e a presença da imprensa especializada, mas mesmo com a importância da pauta nada de novo surgiu sob a luz do sol.
Os jogadores devem se preocupar em manter os braços na posição mais natural possível, evitando ampliar os limites do corpo para barrar a trajetória da bola, e aos árbitros cabe a palavra final se o jogador está procedendo dentro da regra.
É muito complicado para um atleta, na dinâmica do jogo, manter os braços em posição de repouso, a não ser quando ele está parado numa formação de barreira. Sempre que o jogador corre, salta ou cai ele precisa movimentar os braços horizontalmente ou para o alto para manter o equilíbrio, ajudar a impulsão ou proteger o corpo da queda. 
Quem milita no futebol, porém, conhece a malandragem do ofício. Os jogadores sabem quando o adversário obstruiu a jogada com um toque de mão – ou braço – involuntário, e o árbitro rodado deveria saber mais do que eles.
Só que aí entra em cena outro tipo de malandragem: o jogador do time A reclama, gesticula e  dramatiza; o jogador do time B faz cara de paisagem ou também reclama e gesticula protestando inocência. E o senhor árbitro vai levando em conta alguma compensação pelos erros que reconhecidamente já cometeu na partida, qual está sendo o resultado do jogo naquele instante e como está  o ânimo da torcida do time da casa.
Aí, interpreta da maneira como lhe convém e deixa o barco seguir.
É bom lembrar que isto também vale para a marcação de pênaltis.