segunda-feira, 29 de julho de 2019







NOVOCABULÁRIO INGLÊS
(Copyright MacMillan)

(ver tradução após o texto)

MISWANT

If you’ve always wanted a new car but have never been able to afford one, if there is a whole list of things you’d buy “if only you had the money”, then stop MISWANTING and consider whether these things would really make you permanently happy. Psychologists claim that as humans we are programmed to MISWANT: we mistakenly believe that getting a particular thing is the route for future happiness.     
 “If you are wondering how anyone could ever MISWANT something, consider how wanting is intrinsically tied to predicting. To want something is to predict that when we get it, we will feel good… Here lies the problem of MISWANTING… MISWANTING refers to the fact that people sometimes make mistakes about how much they will like something in the future” (Psychological Science Agenda, Vol 18, No 4, April 2004)
  

TRADUÇÃO

DESEJO ILUSÓRIO
Se há tempos você deseja um carro novo, mas nunca teve condições financeiras para comprar, ou se existe uma lista de coisas que você compraria “se tivesse dinheiro”, pare de se iludir e considere se a obtenção de todas essas coisas iria fazê-lo realmente feliz. Os psicólogos afirmam que, como seres humanos, nós estamos programados para ter este tipo de desejo: erradamente acreditamos que a obtenção de um objeto em particular signifique o caminho da felicidade.       

 “Se você está se perguntando como alguém pode ter um desejo ilusório por possuir alguma coisa, leve em consideração que “querer” está intrinsecamente ligado a “prever”. Desejar alguma coisa é prever que quando nós a obtivermos nós iremos nos sentir melhor... Aqui reside o problema do DESEJO ILUSÓRIO... Este desejo diz respeito ao fato de que as pessoas às vezes se enganam sobre até que ponto eles realmente desejariam possuir tal coisa”. (Agenda de Ciência e Psicologia, Volume 18, Nº 4, abril de 2004)

sexta-feira, 26 de julho de 2019






O POLÍTICO
(Excerto)

Ali estava o velho político. Morto, e além do mais, convicto.
O peito, que antes estufava de elogios e medalhas
Agora estufa de vermes, e de moscas na mortalha
As mãos que faziam o ambiente tenso
Agora estão imóveis, segurando um terço
Antes, da multidão o delírio. Agora resta um silêncio vazio

Desde quando menino sonhava. O poder queria, a todo custo
Com ou sem honestidade, a liderança pedia; achava justo
Conseguiu-a com dinheiro – pai ricaço, industrial, berço de ouro
Seu prestígio cimentava luz e glória, tal e qual o pressuposto

Quem nasceu sem sociedade e sem recursos, não interessava
Sociedade era pra ele a fina casta da porção sofisticada
Na juventude não teve amigo ou companheiro que fosse pobre
A virtude nunca conta. A vida com mais dinheiro se faz mais nobre

Sem exames rigorosos ingressou na faculdade de advogados
De janota prepotente a jurista consagrado foi transportado
Em pleno baile de gala, luzes e cristais brilhando, traje a rigor
Recebeu os parabéns e os elogios gentis do próprio governador

A indústria do pai crescera, encontrara um meio de sonegar
E hoje era parte integrante da segurança nacional
Que o povo pedisse água, passasse fome, e ele com isso?
O pai lhe mostrara a arte de ver de frente só o bonito

De bacharel à gloriosa e emocionante corrida eleitoral
Pois... onde a reconhecida capacidade de advogar?
E foi eleito, fez lei e discurso em homenagem ao morto pai
Que lhe dera como herança toda a bagagem de industrial

Fez mais mal que a peste negra, que a peste branca, que a peste
Tanto mal, que a própria peste não achou um meio de ser-lhe fértil
Fez gatunagens, suborno, negócios inconfessáveis, mas ninguém soube
Foi inimigo da pátria: seu território, suas águas, vendeu a lote

Mas na vida tudo acaba, e o nosso livro chega enfim à última página
Ali estava o velho político. Morto, e além do mais, convicto


           1988
 

quinta-feira, 25 de julho de 2019







POUCOS TRECHOS COM CLAUDETE
(Excerto - II)

Coloca o bispo na quarta casa do cavalo do rei.
“É da minha filha que eu estou falando, sabe?” – ele gostava de falar por interrogativas – “você não deve usá-la como se usa um pente, se quebrar joga fora e pronto!”
Imaginei Claudete um pente. Um pente que toca a Polonaise ao piano e faz carícias nos meus cabelos pretos.
A verdade é uma só, imutável e irretorquível: meu interesse por Claudete não vai além das carícias quentes nas escadas frias. Até um pouco aquém, creio eu.  
“É como se Deus não estivesse vendo!”. Patético: não sei se finge ou sofre; logo ele desata a chorar. Claudete se aproxima.
“Aceita um vinho do Porto?” – irrompe ela, como sempre fora de hora, e serve uma dose minúscula num cálice imperial mesmo sem ter tido qualquer aquiescência.
Ele joga furiosamente, como se estivesse apostando a própria vida. Cita Napoleão e suas táticas de guerra. Eu não deixo para menos:
“O conhaque é excelente!”
“Estou falando do general, não do conhaque, não me interrompa. Eu dizia que até ele teve o seu Waterloo, a gente luta tanto para morrer, sumir e não ser lembrado, a não ser como alvo de chacotas – e chacotas com os mortos têm outro sabor!”
“Sabor de defunto!” – disse eu, enquanto movia o cavalo para uma casa estratégica, abrindo todo o flanco para o ataque da dama. “Pronto! Agora o senhor não pode mais mover a torre!” – o rei se escondia detrás dela como alguém se escondendo dos seus atos.
A partida está ganha. Alheia a tudo, Claudete toca a La Revolutionnaire ou qualquer coisa do tipo, esmagador, triunfante, constrangedor, enquanto o pai tomba vencido sem nenhuma torre para se esconder atrás, meu xadrez e os seus problemas.
Um peão rola pelo tapete e para ao lado do meu pé.

segunda-feira, 22 de julho de 2019






NOVOCABULÁRIO INGLÊS
(Copyright MacMillan)

(ver tradução após o texto)

HEALTHSPAN

As you reach for another beer or cigarette, think of your HEALTHSPAN. For those of us who live in the Western world, “lifespan” is significantly longer than HEALTHSPAN – the period of our lives when we are free from serious illness. Our life expectancy might have increased, but what we need to think about is staying healthy as we grow older.    
 “Now, in the dawn of the 21st century, the Buck Institute is making advances in the biology of aging that will extend our HEALTHSPAN – the healthy years of life. The Institute is building a future where growing old no longer will mean growing ill” (Buck Institute for Aging Research Newsletter – Autumn 2004)
  

TRADUÇÃO
TEMPO DE VIDA SAUDÁVEL
Quando você bebe mais uma cerveja ou acende um outro cigarro, pense no seu TEMPO DE VIDA SAUDÁVEL. Para aqueles que como nós vivem no mundo ocidental, o “tempo de vida cronológico” é bem maior do que o TEMPO DE VIDA SAUDÁVEL – período das nossas vidas em que estamos livres de doenças mais sérias. A nossa expectativa de vida pode ser aumentada, mas precisamos ter em mente que devemos continuar saudáveis na medida em que envelhecemos.      

 “Agora, no alvorecer do século 21, o Instituto Buck está fazendo progresso na biologia do envelhecimento a fim de aumentar o nosso TEMPO DE VIDA SAUDÁVEL. O Instituto está construindo um futuro onde envelhecer não signifique necessariamente envelhecer doente”. (publicado no Boletim Informativo do Instituto Buck de Pesquisa sobre Envelhecimento, Califórnia – EUA, em novembro de 2004)





Letra construída por Augusto Pellegrini sobre melodia de Renato Winkler

TRISTE DESPEDIDA 

Faz desta canção o meu lamento
Que é meu modo de chorar
E das minhas queixas faz lembrança
Que é a maneira de ficar
Faz desta saudade um barracão
Faz de mim a solidão
Vive dentro dela, ausente
Fica no teu tempo e no teu mundo, assim
Mas sai de mim, do meu viver e ser
Leva nesta triste despedida
Meu adeus e esta calma manhã 
Mesmo que a expressão finja sorrir
Nesta hora de partir
Nos teus olhos vejo mágoa
Fica no teu tempo, e eu no meu mundo, assim
Que dói em mim, mas o que eu vou fazer?

sábado, 20 de julho de 2019






SERÁ QUE ALGUMA COISA ACONTECEU POR CAUSA DE ADRIANA?
(excerto)

Depois de breves quinze dias, Adriana partiu sem esses adeuses de cortar o coração.
O ônibus estava quase vazio e o rubro do sol matinal já surgia anunciando um outro dia abafado, irisando os para-brisas dos taxis estacionados à espera de passageiros, com o barulho do motor ligado obrigando todos a falar mais alto.
Despedidas, frases feitas, até algum dia, quem sabe?
O ônibus já se perdia na primeira curva, e Fredo começou a sentir um inexplicável alívio. Voltou para o apartamento meio compungido, afinal Dona Odete fora viajar e pediu para ele ficar tomando conta do imóvel até ela voltar, e ele aproveitou para transformar o santuário da velha senhora em um antro de farras.
O problema maior era aquele busto do índio de bronze com todos os colares do sincretismo religioso montando guarda sobre a cristaleira espelhada, que a tudo observava atentamente. O apartamento era demasiadamente pequeno para os dois, Fredo considerava.
Ele iria voltar para lá, colocaria tudo em ordem – a lâmpada nova na cozinha, o índio em posição de sentido, sempre alerta para combater as más influências, apertaria o botão de descarga, e começaria a frequentar o lugar apenas uma ou duas vezes por semana, deixando de programar suas orgias até a volta da velha senhora.
Ao chegar, foi abordado pelo porteiro – “telegrama para o senhor, ‘seu’ Fredo” – sempre amável e educado.
Tomou o elevador sem vontade de abrir o telegrama. Devia ser de Dona Odete dizendo em que lugar se encontrava no momento e que talvez fosse demorar mais um ano para voltar. Sai do elevador, percorre o corredor silencioso observado por todas as portas, gira a chave na fechadura e entra. O sol passa pela janela da cozinha e mesmo filtrado pela cortina mostra a sala em desordem.
Senta-se na velha poltrona e finalmente abre o telegrama. Lê vagarosamente, uma vez, duas vezes, a cada vez sentindo os cabelos se eriçarem na nuca.
“Dona Odete faleceu meia-noite pt corpo seguindo para São Paulo pt”.
Telegrama expedido do Rio de Janeiro.
Naquele instante, no seu carro funerário, Dona Odete devia estar cruzando na estrada com Adriana, no seu ônibus. Ambas dormindo.
Dona Odete partiu sem esses adeuses de cortar o coração.   


quinta-feira, 18 de julho de 2019






THE GRAMMAR BIBLE

ENGLISH IN DROPS
      Copyright Michael Strumpf & Auriel Douglas)

(ver tradução abaixo)


IN-WITHIN  
Question: “What’s the difference between “in an hour” and “within an hour?” asked an attorney.
Answer: An event that will take place “in an hour” will occur at the end of sixty minutes. An event that will take place “within an hour” may occur any time between the present and sixty minutes from the present. The difference is crucial, especially if you are to meet someone at a specific place and time.   


TRADUÇÃO

EM UMA HORA – DENTRO DE UMA HORA

Pergunta: “Qual é a diferença entre dizer “em uma hora” e “dentro de uma hora”?, perguntou um advogado.  

Resposta: Um evento que irá acontecer “em uma hora” vai ocorrer daqui a sessenta minutos. Um evento que irá acontecer “dentro de uma hora” pode ocorrer a qualquer instante entre o presente momento até dentro de sessenta minutos. A diferença é crucial, especialmente se você tiver que se encontrar com alguém num lugar e numa hora específica.



quarta-feira, 17 de julho de 2019






Letra de Augusto Pellegrini sobre uma canção musicada por Renato Winkler

HELÔ 

Estou sozinho, Helô
Lápis na mão
Meus companheiros são
Papéis inúteis pelo chão

Paredes brancas
Quadros sem cor
Meus versos sem valor
Refletem só vazio, Helô

Velhas poltronas
Livros abertos
Cadeiras duras
Relógios lentos
Lâmpada acesa
Cinzeiro cheio
Mesa empoeirada
Porta se abrindo...

Noite outonada, Helô
Chuva sem graça, Helô
Estrada molhada, amor
Cansado o passo, Helô


1970

segunda-feira, 15 de julho de 2019







O JANTAR
(excerto - II)

Este será sem dúvida o último jantar.
Tudo na vida tem o seu último dia, até os Papas morrem, embora não todos de uma vez, pela evidência da unicidade – ninguém jamais contaria Papas saltando cercas para poder dormir. É certo que surgem outros, mas Papa ou carneiros, nunca serão os mesmos, nem seria justo que fossem, o correto é uma vida de Papa e uma reencarnação de carneiro para fazer jus à lei das compensações.
Nem a mulata requebrante que traz e leva os pratos e as terrinas consegue mais disfarçar, pois as cadeiras parecem rebolar de um jeito falsificado, sem autenticidade na sua filosofia. Ou fingimos todos ou somos mesmo todos meros marionetes, o que talvez seja mais correto.
Amanhã, Esmeralda vai a um concerto – melhor que fosse a um conserto, a máquina já um pouco desarranjada, resfolegando como aquele carro naquele dia naquela praia, as dobradiças chiando, e eu estarei longe daqui, numa outra praia, com o sol lá no alto marcando outro meio-dia, no respingo das ondas, com o mar subindo e descendo, arfante como os seios da sereia.
Este será o último jantar, a última noite da temporada.
Já vejo Esmeralda à distância, a cabeceira da mesa entrando na linha do ponto de fuga e Esmeralda fugindo ao longo dela.
Este será o nosso último jantar, a última cruzada de talheres sobre o prato.  
  

domingo, 14 de julho de 2019






NOVOCABULÁRIO INGLÊS
(Copyright MacMillan)

(ver tradução após o texto)

HAND-ME-UP

Maybe as a child you had to wear clothes that were handed down from your older brother or sister. And now, as an adult, the humiliation continues, because many of your possessions are HAND-ME-UPS. Your mobile phone belongs to your son – he’s replaced it with the latest model; and you’re wearing a dress of your daughter’s – it was lest year’s fashion.    
 “It was a HAND-ME-UP from my son, Jim, who turned into a conservative guy and wouldn’t wear it anymore” (Standard Net, Utah, 19th June, 2005)
  

TRADUÇÃO
DE SEGUNDA MÃO
Quando criança, você teve que vestir algumas roupas que haviam sido usadas pelo seu irmão ou irmã. Agora, como adulto, a humilhação continua porque muitas coisas que você possui são também DE SEGUNDA MÃO. Seu celular pertence ao seu filho – ele o substituiu por um novo de última geração; e você está usando o vestido da sua filha – porque ele saiu de moda.     

 “Eu ganhei esta roupa DE SEGUNDA MÃO do meu filho, que se tornou um sujeito conservador e jamais iria vesti-la novamente”. (postado no Standard Net, Utah, em 19 de junho de 2005)