segunda-feira, 6 de outubro de 2014







AS INJUSTIÇAS DA JUSTIÇA ESPORTIVA 

(ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 06/10/2014) 

A última rodada do Campeonato Brasileiro de 2013 deveria determinar entre outras coisas quais seriam os clubes rebaixados para a Série B, ou seja, os quatro clubes com menor pontuação. Só que não foi bem assim.
Isto só foi definido depois de algumas reuniões, embora fosse comentado à boca pequena que o veredito já estava definido, pois na noite do domingo o Procurador Geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, Paulo Schmidt, já havia dado seu parecer a respeito.
Assim, a Lusa foi condenada ao rebaixamento antes mesmo de o Tribunal se reunir, fato absolutamente inédito de casuísmo jurídico. O Tribunal se reuniu depois apenas para referendar, por goleada, o resultado.
Ao final dos jogos daquele domingo, o Fluminense estava entre os degolados, mas a intervenção precisa do Procurador trouxe à tona a possível irregularidade cometida pela Portuguesa, que estava fora da zona dos desclassificados. Em consequência, a Lusa acabou perdendo quatro pontos e foi detonada no lugar do tricolor.
Na ciência do Direito, a gente sabe que cada processo é um processo, e mesmo quando aparentemente se tratam de casos semelhantes, as sutilezas dos detalhes podem originar soluções diferentes.
Portanto, não há nada que possa comprovar ou consubstanciar que haja por parte da Justiça alguma distorção premeditada nas decisões tomadas, mas alguns fatos são por demais preocupantes e podem levar o leigo a uma interpretação não muito lisonjeira.
A Portuguesa foi penalizada por colocar em campo o jogador Héverton sem a devida condição de jogo, embora o clube afirme que não havia sido informado pela CBF sobre a ocorrência no devido tempo.
Só que em 2010 o Fluminense incorreu no mesmo erro ao escalar o atacante Tartá, e se a lei fosse aplicada da mesma forma, o tricolor teria perdido o título, e o tricampeonato teria ido pro vinagre.
Ressalte-se que no mesmo ano o Caxias utilizou o jogador Leandro Chaves irregularmente na Série B, alegou desconhecimento da ocorrência e também foi absolvido.
Como Paulo Schmidt exercia o mesmo cargo em 2013 deveria ter sido invocada jurisprudência para que a Lusa fosse absolvida.
Naquela época, com relação ao jogador do Caxias, houve muita discussão para que se chegasse a um consenso, mas o caso de Tartá praticamente não houve discussão.
No caso da Portuguesa, no entanto, nunca se viu tanta presteza na procura de uma solução punitiva, e poucas vezes os auditores ficaram tão rapidamente de acordo a respeito de um assunto.
O STJD é uma instituição que não inspira confiança porque possui critérios de justiça muito disparatados.
Um jogador que atinge o árbitro do jogo intencionalmente – Petros – tem uma pena menor do que outro que ofende o árbitro do jogo com xingamentos – Emerson Sheik.
Um time que usa um jogador irregular – América Mineiro – perde 21 pontos e cai da liderança para a última colocação na mesma semana em que outro time também usa um jogador irregular – o Corinthians – sem que tenha havido qualquer punição.
Agora chegou a vez do Boa Esporte, protagonista do mesmo pecado. Vamos ver o que acontece, se será jogado às feras, como o América, ou levado aos céus, como o Corinthians.
O futebol brasileiro, respeitado em todo o mundo, merece uma administração gerencial e jurídica que vá além daquela encontrada em um torneio colegial interno.
As conveniências da CBF e dos clubes alinhavam situações que vão desde a confecção da tabela até a venda de mando de campo e aos virulentos efeitos suspensivos, que tanto mal causam à lisura do esporte.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014







A SEGURANÇA NOS ESTÁDIOS 

(ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 02/10/2014) 

A questão da segurança do torcedor está longe de ser resolvida.
Não existe uma diretriz central que emane do poder público maior e envolva em discussão todas as forças estaduais e municipais para que se chegue a um consenso sobre o grave problema da violência dentro dos estádios de futebol.
Também não existe um plano articulado, sequer pensado, das autoridades do esporte, que se omitem lindamente sempre que um estopim de violência explode nas arenas, nome bem apropriado para as ações de barbárie que nelas são cometidas.
O leitor poderá dizer que a violência está solta em toda a parte, e que uma política correta de repreensão ou prevenção está fora de cogitação, pelo menos se pensarmos em curto prazo.
Mas tudo depende do ponto de vista de quem quer atacar o problema de frente.
Em primeiro lugar, há que se dizer que apenas uma pequena parcela da população é composta por desordeiros e delinquentes. A maior parte das pessoas felizmente ainda é ordeira e comportada, pelo menos no que diz respeito ao seu comportamento urbano.
Também não deve ser difícil controlar um publico que está confinado em um único lugar, cercado por câmeras, por policiais, e com dificuldade de escapar rapidamente. Ou seja, controlar a violência dentro dos estádios não é definitivamente uma coisa do outro mundo.
Pode-se começar por cadastrar os torcedores quando da compra dos ingressos, e quem for cadastrado bastará apresentar a identidade, uma senha ou um cartão previamente obtido na entrada do estádio.
Assim, os torcedores deixariam de ser anônimos e pensariam duas vezes antes de cometer atos criminosos.
Pode-se, em paralelo, controlar a entrada do torcedor, efetuando uma revista seleta e ordenada, no sentido de reter qualquer objeto que possa se constituir numa arma ou provocar tumulto.
Os clubes devem se responsabilizar pelas suas torcidas organizadas, entidades que nascem dos próprios clubes e são por eles mantidas; assim, qualquer deslize cometido por torcedores organizados devem ser creditados aos clubes, que se obrigam a denunciar os infratores sob a pena de serem corresponsáveis pelos atos criminosos que venham acontecer.
Uma corrente prega que, sendo uma partida de futebol um evento particular, a segurança do evento caberia aos organizadores, no caso às Federações e aos clubes envolvidos.
Esta corrente afirma que a força policial não tem competência para cuidar da ordem geral e do bom comportamento dos torcedores porque os policiais militares são despreparados para lidar com este tipo de situação.
Todos, porém, estão de acordo que a polícia militar deva agir nas áreas fora do estádio, o que se configura em um grande contrassenso, pois os policiais e os torcedores no caso são os mesmos.
O que falta, na verdade, é uma legislação mais ágil que possa fazer com que os delinquentes que promovem brigas e arruaças sejam punidos sem demora, e que a punição seja educativa e pecuniária.
O Ministério Público de alguns estados querem de fato retirar o policiamento de dentro dos estádios. Não cabe aqui a discussão se isto está certo ou errado, mas cabe a curiosidade de saber por que não existe um plano de ação que tenha abrangência nacional e seja patrocinado por todas as forças jurídicas do país – Ministério da Justiça, Secretarias de Segurança Pública, OAB, Ministério Público, e que tais?
Os doutores da lei fariam um grande favor ao esporte se colocassem em prática uma cruzada contra a violência nos estádios, o que a iniciativa particular – quer por descaso, quer por incúria, quer por incompetência ou quer pela falta de recursos para bancar o custo da operação – não consegue.

terça-feira, 30 de setembro de 2014






AS ORIGENS DO MUNDISL INTERCLUBES 

(ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 30/09/2014) 

Na última quinta-feira nós fizemos um comentário geral sobre o Campeonato Mundial de Clubes, a sua evolução desde que ele foi inicialmente jogado em 1960 e qual foi a participação vitoriosa dos clubes brasileiros.
Independentemente da história que acompanha este torneio, Sepp Blatter se manifesta agora para estabelecer uma decisão polêmica: a Fifa irá reconhecer a conquista do Palmeiras na Copa Rio de 1951 como título mundial.
Isto soa como um belo presente de aniversário, no ano em que o alviverde completa o seu centenário, e merece uma explicação.
Até a década de 1950 as disputas entre equipes sul-americanas e europeias praticamente se resumiam a amistosos eventuais ou a excursões que os clubes faziam, enfileirando um punhado de jogos ao longo de um mês ou mais.
A primeira tentativa de se fazer uma competição forte com equipes de diferentes países aconteceu em 1909 com o Troféu Sir Thomas Lipton, mas este torneio contou apenas com equipes europeias.
Animada com o sucesso da Copa do Mundo de 1950, a CBD – Confederação Brasileira de Desportos contou com o apoio da prefeitura do Rio de Janeiro para organizar um torneio do qual participariam alguns clubes convidados, todos campeões ou recentemente vitoriosos nos seus respectivos países.  
Com o aval da Fifa, foi então disputado em 1951, no Rio de Janeiro e em São Paulo, o Torneio Internacional de Clubes Campeões – Copa Rio, com a participação da elite do futebol mundial da época, ou seja, Sporting (Portugal), Austria Viena (Áustria) e Nacional (Uruguai) no grupo do Vasco da Gama, e Juventus (Itália), Estrela Vermelha (Iugoslávia) e Nice (França) no grupo do Palmeiras.
Foi um título suado, pois o Palmeiras, goleado pela Juventus por 4x0 na fase de grupos, ainda conseguiu se classificar em segundo lugar para depois eliminar o poderoso Vasco em pleno Maracanã com uma vitória e um empate (2x1 e 0x0), e foi disputar o título contra a Juventus, vencendo no Pacaembu por 1x0 e segurando um empate de 2x2 no Maracanã.
Dizem os jornais da época que quando os jogadores retornaram, de trem, para São Paulo, cerca de um milhão de torcedores se comprimiam para festejar a recepção do time.
De fato, a imprensa esportiva dos países participantes tratou o torneio como sendo realmente uma disputa pelo título mundial de clubes.
Mas a Fifa é um organismo estranho, cheio de incongruências.
Ao mesmo tempo em que declara o Palmeiras campeão mundial interclubes em 1951, ela aparentemente desconhece todos os títulos conquistados de 1960 até 2004, durante a era da Copa Intercontinental e depois da Copa Toyota – e a rigor o próprio título que está outorgando ao alviverde – ao enfatizar que “mas o primeiro campeão mundial de clubes é o Corinthians”, pelo título conquistado em 2000.
Outra incongruência é não considerar o Fluminense, vencedor da mesma Copa Rio, em 1952, também campeão mundial de clubes.
Em 1952, a Copa Rio voltou a ser disputada, mudando de nome para Copa Rio Internacional, com o grupo do Rio reunindo Fluminense, Peñarol (Uruguai), Grasshoppers (Suiça), Sporting (Portugal), e o grupo de São Paulo trazendo Corinthians, Saarbrucken (Alemanha), Libertad (Paraguai) e Austria Viena (Áustria).
Os organizadores não ficaram satisfeitos com a recusa de a Juventus (Itália) e o Racing (Argentina) de participar do torneio e ficaram mais insatisfeitos ainda quando o Peñarol abandonou a competição nas semifinais após seus jogadores serem agredidos pela torcida na partida de ida contra o Corinthians disputada no Pacaembu.
O Fluminense ganhou o título em duas partidas disputadas no Rio contra o Corinthians – o Pacaembu havia sido vetado por causa dos problemas das semifinais – com uma vitória de 2x0 e um empate em 2x2.   

  





MUNDIAL DE CLUBES   

(ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 25/09/2014) 

O ano de 1960 marcou uma nova era na ordem do futebol mundial. Foi quando foi oficializada a disputa para definir finalmente qual seria o melhor clube do mundo, tomando como parâmetro os campeões da Europa e da América do Sul.
Naquele tempo não fazia qualquer sentido que fizesse parte da festa algum clube representando a Ásia, a África, a Oceania, a América do Norte ou a América Central, cujo futebol era incipiente.
O torneio, que na verdade era apenas uma disputa entre os campeões continentais, se chamava Copa Intercontinental e consistia de dois jogos – ida e volta – que definiam o “campeão do mundo”. O primeiro vencedor foi o Real Madrid, que goleou o Peñarol do Uruguai por 5x1 em Madri depois de um empate sem gols em Montevidéu.
Neste formato, o futebol brasileiro triunfou duas vezes, ambas com o Santos, em 1962 e 1963.
O sistema permaneceu inalterado até 1979, quando problemas financeiros e a relutância dos europeus em jogar na América do Sul, assustados com o comportamento da torcida, fizeram com que a decisão passasse a ser realizada num único jogo, em campo neutro.
O palco escolhido foi o Japão – que mostrava interesse em fazer seu futebol crescer – sob o patrocínio da Toyoya, sempre na cidade de Tóquio (com exceção dos três últimos anos, quando a final foi realizada em Yokohama), e a disputa passou a se chamar Copa Europeia/Sul-Americana Toyota.
Seu primeiro vencedor, em 1980, foi o Nacional de Montevidéu, que bateu o Nothingham Forest, da Inglaterra, por 1x0.
A partir daí foram mais 25 anos, sendo a última edição realizada em 2004 com a vitória do FC Porto por 8x7 nos pênaltis contra o Once Caldas, da Colômbia.
Neste tipo de edição o Brasil foi campeão em 1981 com o Flamengo, em 1983 com o Grêmio e em 1992 e 1993 com o São Paulo.
Ao alvorecer o século 21, Sepp Blatter decidiu chancelar a disputa e transformá-la num torneio da Fifa, com a participação dos  campeões dos outros continentes. Esta democratização tinha um forte componente financeiro, pois a Fifa se cercou de patrocinadores fortes e construiu um torneio altamente lucrativo. O local escolhido para fazer o primeiro teste foi o Brasil. O ano era 2000 e os critérios de escolha e indicação dos clubes participantes foram bastante discutíveis. O Corinthians conquistou a primeira edição ao vencer nos pênaltis um outro clube brasileiro, o Vasco da Gama, por 4x3.
Apesar de ter sido um torneio bissexto e realizado de uma forma experimental, a Fifa o considera válido para efeito de estatísticas, de modo que o Corinthians é de fato o seu primeiro campeão.  
Na prática, porém, o Campeonato Mundial de Clubes começou mesmo em 2005, após um hiato de quatro anos, e teve o São Paulo como campeão ao bater o Liverpool por 1x0.
A partir daí, após nove disputas, os brasileiros conquistaram o torneio outras duas vezes – o Internacional, em 2006, e o Corinthians, em 2012 – somando então 10 títulos em 30 disputas. 
Depois de quatro disputas realizadas no Japão, também em nome da democratização e globalização do futebol, a Fifa decidiu fazer um rodízio dos países que hospedam o Mundial de Clubes, indicando os Emirados Árabes e Marrocos como sede.
Desde que o Campeonato Mundial de Clubes começou a abranger todos os continentes, apenas dois clubes que não fizeram parte dos blocos europeu e sul-americano conseguiram chegar à final – Mazembe, da República Democrática do Congo, e Raja Casablanca, de Marrocos – mas ambos foram derrotados na final, respectivamente para a Internazionale, de Milão, e para o Bayern, de Munique.  

 

 

 

quinta-feira, 18 de setembro de 2014






OS PRIMEIROS MOMENTOS DE DUNGA 

(ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 18/09/2014) 

A seleção brasileira fez palidamente a sua reaparição em dois amistosos que serviram para Dunga avaliar o trabalho que terá pela frente, mas também (e principalmente) para que a CBF pudesse arrecadar os dólares necessários para a sua sobrevivência enquanto a seleção ainda tiver valor no mercado.
Como a caixa preta financeira da entidade não é da minha conta, eu vou direcionar meus comentários para o que aconteceu nos campos dos Estados Unidos.
Depois assistir a dois triunfos raquíticos contra duas seleções que tempos atrás não eram páreo para o poderio do futebol verde-amarelo – estou falando de Colômbia e Equador – sinto-me cada vez mais convencido de que as coisas vão de mal a pior no escrete nacional.
Pra não dizer que eu só vejo nuvens negras, devo admitir que a seleção mostrou um pouco mais de serenidade do que durante a Copa do Mundo de má lembrança, e que os jogadores estão tentando jogar bola ao invés de chorar e dar pancada.
Mas o futebol continua opaco, travado, sem criatividade e dependendo de um brilho ocasional de apenas um jogador – me refiro a Neymar, responsável direto pelas duas primeiras vitórias na segunda era Dunga.
O Brasil fez 1x0 contra a Colômbia em Miami através de um gol solitário do atacante, ao cobrar com maestria uma falta de origem duvidosa. Já em New Jersey, o 1x0 contra o Equador teve a sua participação especial, pois o gol de Willian nasceu de um passe sob medida do craque.
No mais, tivemos o desprazer de constatar que apesar da mudança do técnico e da comissão técnica o time não mostrou nenhuma evolução, e para isso existem algumas razões.
Ocorre que os estilos de Dunga e Felipão são bastante semelhantes; a preocupação em roubar a bola vem em primeiro lugar e muitas vezes é uma preocupação bem sucedida. Mas, de posse da bola, ninguém sabe ao certo o que fazer com ela.
Além disso, os jogadores responsáveis pela criação – os mesmos que não deram certo na Copa – são tecnicamente limitados, com exceção de Oscar, desde que ele volte a atuar como está acostumado e não fique engessado pelas instruções do técnico.
Nosso meio-campo joga um futebol pouco eficiente e pouco vistoso. Fernandinho é apenas violento, Luís Gustavo é apenas combativo e Ramires fica longe dos craques que já ocuparam a sua posição em convocações passadas.
O grande teste vai ficar para a partida contra a Argentina, que vem de desbancar a Alemanha campeã do mundo disputando uma partida irrepreensível.
Talvez Dunga tenha que ser mais ousado, colocando desde o início a dupla cruzeirense Everton Ribeiro e Ricardo Goulart, que estão habituados a jogar mais soltos, e abrindo mão de pelo menos um brucutu.
Todos sabem que a safra atual não é das mais promissoras, que nossos técnicos deixaram de estudar e pararam no tempo e que o nosso futebol atual está no mesmo nível das equipes médias sul-americanas, ou seja, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Bolívia e Venezuela (pelo menos é isto que os resultados das Copas continentais indicam no momento).
Mesmo assim, o resultado mais alarmante do futebol internacional de todos os tempos – o Brasil, um dos favoritos, perdendo em casa uma semifinal por 7x1 e dias depois levando outros 3x0 e ficando fora do pódio – parece ser visto com grande naturalidade pelos homens da CBF e pelo técnico Dunga, que não se abalam nem um pouco ao ver “o melhor futebol do mundo” indo pro ralo. 

 

 

 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014





QUEM VAI PAGAR O PATO

(ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 11/09/2014)

Como todos sabem, em virtude de alguns torcedores terem externado atos de racismo explícito em um jogo disputado há coisa de quinzes dias, o Grêmio foi penalizado com a eliminação da Copa do Brasil, torneio do qual participava.
Em princípio, isto parece ser uma punição muito séria, mas se atentarmos para os detalhes veremos que não é bem assim.
O Grêmio havia perdido aquele jogo para o Santos por 2x0 e teria que disputar a classificação em São Paulo com a difícil missão de vencer por 3x0 ou qualquer placar que revertesse a diferença, ou seja, já estava praticamente desclassificado.
Diante desta situação, o STJD puniu o clube na certeza de que (1) estava prestando um grande serviço ao futebol porque os torcedores iriam pensar duas vezes antes de cometerem atos que poderiam levar à eliminação do seu time e (2) a diretoria do Grêmio não iria fazer muita questão de levar a decisão a uma Justiça superior, pois tal desgaste não seria compensador.
Assim, como devia dizer o ditado antigo, matam-se dois coelhos com duas cajadadas e ninguém paga o pato.
Mas a justiça tem agora uma nova missão amarga – diria eu, duplamente amarga.
Como mencionado no artigo anterior, o Corinthians deverá ser julgado por ter colocado em campo um jogador que não estava autorizado pelo BID. Para quem não sabe, o BID é o Boletim Informativo Diário da CBF, um registro de todos os atletas que assinam contrato com os clubes, dando ao atleta condição de jogo para defender esta equipe a partir de uma determinada data.
Por ter colocado o jogador Petros no time antes de a autorização pelo BID ter sido publicada na internet, o Corinthians incorre na perda de 21 pontos, ou seja, 3 pontos em cada uma das 7 partidas onde o jogador atuou.
Evidentemente, o corpo jurídico do clube começou a se mexer no sentido de evitar a punição, ou pelo menos minimizá-la, e há rumores que a pena talvez não seja cumprida como devia.
Há que se considerar que o América Mineiro, atualmente disputando a Série B e com boas chances de ser promovido para a Série A, incorreu no mesmo pecado, escalando irregularmente o lateral Eduardo sem que o mesmo estivesse autorizado pelo BID.
O Tribunal está com um abacaxi nas mãos para descascar, pois não pode punir o América sem punir o Corinthians, e não pode deixar de punir os dois porque já existe jurisprudência a respeito.
Dado o formato do campeonato, disputado no sistema de pontos corridos, não cabe a eliminação de clubes que transgridem o regulamento, mas sim a perda de pontos.
Os clubes têm no seu quadro dirigentes, supervisores e um departamento jurídico com a responsabilidade de dar suporte técnico a quem trabalha especificamente com o futebol – treinadores, auxiliares técnicos, fisicultores, etc. – para que eles tenham nas mãos um elenco de jogadores para trabalhar. Cabe a esses dirigentes, ou coisa que o valha, se assegurar que determinado atleta tem ou não condição de jogo. 
Um clube que movimenta milhões com jogadores, centro de treinamento, equipes de apoio e categorias de base não pode ser refém de profissionais que não dão a segurança necessária para garantir que determinado atleta tenha ou não condição legal para atuar.
Causa espécie que o futebol, uma máquina de gerar dinheiro e uma das indústrias mais rentáveis do mundo seja administrado por pessoas com tamanha falta de visão, de competência e de responsabilidade.

 

 

quarta-feira, 10 de setembro de 2014





UMA PEDRA NO CAMINHO

(ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 09/09/2014) 

De um tempo pra cá, a Justiça esportiva resolveu pegar pesado na tentativa de moralizar as coisas do futebol.
É claro que de uma forma ou de outra isto sempre aconteceu, mas a partir do affair Portuguesa-Fluminense parece que o rigor com as punições recrudesceu. Depois de mandar a Lusa para a Série B por causa de um jogador escalado sem condições de jogo, chegou a vez do Icasa e do Botafogo da Paraíba serem excluídos das Séries B e C respectivamente por haverem acionado a Justiça comum antes de se esgotarem os recursos na área do esporte.
Por sua vez, o América Mineiro, na Série B, poderá perder 21 pontos por escalação irregular, mas como a legislação brasileira permite, sempre haverá recursos e expedições de liminares, embora estas tentativas tenham se mostrado em vão.
E é importante que assim seja.
O Grêmio acaba de ser eliminado da Copa do Brasil nos tribunais por decisão unânime dos auditores do STJD, um fato inédito no futebol brasileiro, devido às atitudes racistas dos seus torcedores na partida em que o time perdeu para o Santos. Até agora, problemas com torcedores eram punidos por multa, perda de mando de jogo ou jogo com portões fechados, mas o Tribunal resolveu jogar duro para intimidar outros atos semelhantes.
É nesse clima desfavorável que o Corinthians vai enfrentar uma barra pesada por ter colocado em campo o jogador Petros – jovem promissor contratado ao Penapolense depois de um ótimo Campeonato Paulista – antes de o jogador ter sido registrado no BID-Boletim Informativo Diário da CBF.
A lei prevê que o clube infrator perca três pontos por partida disputada com o jogador irregular. Como Petros disputou sete jogos, o alvinegro perderia 21 pontos dos 32 já conquistados, ficaria apenas com 11 e iria para a lanterna do campeonato, quatro pontos atrás do Vitória, atualmente último colocado.
O jogador já estava berlinda, pois havia sido condenado a 180 dias de suspensão por ter supostamente agredido o árbitro Raphael Claus no jogo disputado contra o Santos. Mesmo assim, foi escalado em uma outra oportunidade por conta de um efeito suspensivo, o que poderá aumentar a dor de cabeça do Corinthians.
O clube vive uma fase astral negativa, pois o ex-presidente Andrés Sanchez foi denunciado pela Justiça junto com outros três dirigentes sob a acusação de crime fiscal e desistiu oficialmente de tentar se reeleger (ele deixou a presidência em 2011 e articulava uma possível candidatura para brigar com a dupla Marin-Del Nero para comandar a CBF).
Esta essa situação não é nova.
Desde o início do sistema de pontos corridos, em 2003, o STJD já tirou pontos de sete clubes.
Pela escalação de jogador irregular, a Ponte Preta perdeu 4 pontos (2003), o Paysandu perdeu 8 (também em 2003), o Grêmio Prudente perdeu 3 (2010), o Flamengo perdeu 4 (2013) e a Portuguesa também perdeu 4 (também em 2013).
Por ter vendido ingressos para uma partida que deveria ser jogada com os portões fechados, o Brasiliense perdeu 1 ponto em 2005, e o São Caetano perdeu 24 pontos em 2004 porque o clube foi declarado culpado pela morte do jogador Serginho.
Desses, apenas o Brasiliense, o Grêmio Prudente e a Portuguesa foram rebaixados.
O recente caso de Petros é uma verdadeira pedra no sapato corintiano porque, mesmo que o time consiga fazer um bom segundo turno e se livrar do rebaixamento, a sua possibilidade de lutar pelo título e por uma vaga na Libertadores fica bastante comprometida. 

terça-feira, 9 de setembro de 2014


UMA PEDRA NO CAMINHO

(ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 09/09/2014) 

De um tempo pra cá, a Justiça esportiva resolveu pegar pesado na tentativa de moralizar as coisas do futebol.
É claro que de uma forma ou de outra isto sempre aconteceu, mas a partir do affair Portuguesa-Fluminense parece que o rigor com as punições recrudesceu. Depois de mandar a Lusa para a Série B por causa de um jogador escalado sem condições de jogo, chegou a vez do Icasa e do Botafogo da Paraíba serem excluídos das Séries B e C respectivamente por haverem acionado a Justiça comum antes de se esgotarem os recursos na área do esporte.
Por sua vez, o América Mineiro, na Série B, poderá perder 21 pontos por escalação irregular. Porém, como a legislação brasileira permite, sempre haverá recursos e expedições de liminares, embora estas tentativas tenham se mostrado em vão.
E é importante que assim seja.
O Grêmio acaba de ser eliminado da Copa do Brasil nos tribunais por decisão unânime dos auditores do STJD, um fato inédito no futebol brasileiro, devido às atitudes racistas dos seus torcedores na partida em que o time perdeu para o Santos. Até agora, problemas com torcedores eram punidos por multa, perda de mando de jogo ou jogo com portões fechados, mas o Tribunal resolveu jogar duro para intimidar outros atos semelhantes.
É nesse clima desfavorável que o Corinthians vai enfrentar uma barra pesada por ter colocado em campo o jogador Petros – jovem promissor contratado ao Penapolense depois de um ótimo Campeonato Paulista – antes de o jogador ter sido registrado no BID-Boletim Informativo Diário da CBF.
A lei prevê que o clube infrator perca três pontos por partida disputada com o jogador irregular. Como Petros disputou sete jogos, o alvinegro perderia 21 pontos dos 32 já conquistados, ficaria apenas com 11 e iria para a lanterna do campeonato, quatro pontos atrás do Vitória, atualmente último colocado.
O jogador já estava berlinda, pois havia sido condenado a 180 dias de suspensão por ter supostamente agredido o árbitro Raphael Claus no jogo disputado contra o Santos. Mesmo assim, foi escalado em uma outra oportunidade por conta de um efeito suspensivo, o que poderá aumentar a dor de cabeça do Corinthians.
O clube vive uma fase astral negativa, pois o ex-presidente Andrés Sanchez foi denunciado pela Justiça junto com outros três dirigentes sob a acusação de crime fiscal e desistiu oficialmente de tentar se reeleger (ele deixou a presidência em 2011 e articulava uma possível candidatura para brigar com a dupla Marin-Del Nero para comandar a CBF).
Esta essa situação não é nova.
Desde o início do sistema de pontos corridos, em 2003, o STJD já tirou pontos de sete clubes.
Pela escalação de jogador irregular, a Ponte Preta perdeu 4 pontos (2003), o Paysandu perdeu 8 (também em 2003), o Grêmio Prudente perdeu 3 (2010), o Flamengo perdeu 4 (2013) e a Portuguesa também perdeu 4 (também em 2013).
Por ter vendido ingressos para uma partida que deveria ser jogada com os portões fechados, o Brasiliense perdeu 1 ponto em 2005, e o São Caetano perdeu 24 pontos em 2004 porque o clube foi declarado culpado pela morte do jogador Serginho.
Desses, apenas o Brasiliense, o Grêmio Prudente e a Portuguesa foram rebaixados.
O recente caso de Petros é uma verdadeira pedra no sapato corintiano porque, mesmo que o time consiga fazer um bom segundo turno e se livrar do rebaixamento, a sua possibilidade de lutar pelo título e por uma vaga na Libertadores fica bastante comprometida. 

quinta-feira, 4 de setembro de 2014





O ESTRANHO VOLUNTARIADO ESPORTIVO

(ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 04/09/2014)

Aviso aos interessados: já foram abertas as vagas para voluntários dos XXXI Jogos Olímpicos da Era Moderna, a serem disputados em 2016 no Rio de Janeiro. Não é necessário residir no Rio para participar.
São 70 mil vagas que deverão cobrir várias áreas que vão desde serviços sociais até segurança, conservação e faxina, abrangendo as funções de atendimento público, protocolo e idiomas, serviços de saúde, imprensa e comunicação, apoio operacional, transporte, tecnologia e produção de cerimônia.
O anúncio foi feito na semana passada por Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB – Comitê Olímpico Brasileiro e do Comitê dos Jogos Olímpicos Rio-2016.
Deste total, 45 mil voluntários se destinarão aos Jogos Olímpicos e 25 mil serão deslocados para os Jogos Paraolímpicos, que serão realizados na sequência.
Os inscritos passarão por um processo seletivo, o que parece normal, por conta dos requisitos que um voluntário deste tipo deve ter – conhecimento de idiomas, nível de escolaridade e postura – e passarão depois por um processo de capacitação para que seja avaliado se o candidato pode ser aceito ou não.
Espera-se que cerca de 150 mil pessoas venham preencher o cadastro no site do Comitê Organizador e depois farão fila para enfrentar os selecionadores.
As exigências são semelhantes a quem se candidata a uma vaga de emprego numa multinacional ou para pessoas do nível superior que irão prestar concurso público.
O estranho é que para este voluntariado a quantidade de candidatos excede a expectativa do número de candidatos que se tem para serviços remunerados, e que ao invés de lutar por um salário compensador (como no caso das multinacionais ou dos concursos públicos), eles irão trabalhar de graça.
A Copa do Mundo da Fifa teve mais de 100 mil interessados, e a entidade informa que foram contratados aproximadamente 18 mil voluntários, cerca de 1.500 para cada sede. Ainda de acordo com a Fifa, 7 mil voluntários prestaram serviços na Copa das Confederações, mas o próprio fato de não existir uma relação trabalhista regulada pelo Ministério do Trabalho torna difícil a comprovação dos números.
No entanto, existe alguma contradição nos números fornecidos, pois se fala de 70 mil pessoas para um evento que será realizado em apenas um lugar e que durará 17 dias (mais 12 dias para as Paraolimpíadas), ao passo que para a Copa, que foi realizada em 12 cidades diferentes e durou um mês, a quantidade de voluntários foi quatro vezes menor.
O que deixa o analista confuso, no entanto, não são os números, mas as razões que levam milhares de pessoas a envidarem o maior esforço para trabalharem arduamente sem ganhar um tostão.
Alguns podem ser idealistas, outros podem estar ganhando experiência para investir mais tarde em empregos rendosos, outros ainda podem se sentir encantados por fazer parte de um projeto esportivo tão grandioso. Mas estamos falando de mais de 100 mil pessoas felizes com a possibilidade de trabalhar pra valer absolutamente de graça para um patrão extremamente rico.
O que causa estranheza é que muitos milhões de dólares fazem parte do negócio, envolvendo dinheiro público (cerca de 57%) e privado (43%) – o custo das Olimpíadas já chegou aos 38 bilhões de reais, superando no momento os custos da Copa em mais de 40% – e sabe-se que o lucro para o COI e para o COB é grande e está garantido, embora ninguém revele quanto, assim como o lucro da Fifa e da CBF foram substanciais com relação à Copa do Mundo.
Não pretendo fazer nenhum juízo de valor sobre os motivos que levam os voluntários a trabalhar em troca de um lanche, um boné e uma camiseta, mas é bom lembrar que nem relógio trabalha de graça.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014




VAI SOBRAR PRA MOCINHA

 (ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 01/09/2014)

Foi um jogo Grêmio x Santos para ficar na história. Não pelo futebol apresentado, nem pela expulsão de Felipão e muito menos pelo gol de pebolim (totó, para alguns) de Robinho.
O jogo ficará na história pela insanidade de alguns torcedores e pela ação das autoridades que se espera venha acontecer.
A estupidez de uma garota de 23 anos veio reacender a delicada questão do racismo nos campos de futebol.
Na verdade, trata-se de uma estupidez com várias facetas: uma é inerente à sua própria personalidade ou formação, mostrando que a jovem teve uma péssima educação e não sabe se comportar em sociedade; outra é a alienação de cometer um crime “da moda”, isto é, o racismo vem sendo condenado em todo o mundo e a pessoa que não atenta para este pecado mostra que não está bem informada sobre a pressão da sociedade e as consequências que podem dele advir; finalizando, em virtude do mau comportamento da sociedade, o mundo está sendo severamente vigiado e hoje temos câmeras em todos os locais, lojas, bancos, condomínios, estacionamentos, ruas e... estádios de futebol.
As câmeras instaladas nos estádios são complementadas pelas câmeras das emissoras de TV, multiplicando a possibilidade de alguém ser flagrado cometendo qualquer ato ilícito.
Talvez existam outras imagens gravadas pelas câmeras oficiais, mas nós estamos sendo bombardeados pelas imagens flagradas pela ESPN, que mostram além da garota também cerca de uma dúzia de marmanjos se manifestando em outro local das arquibancadas, provavelmente com gritos imitando macacos, provavelmente usando de manifestações racistas, ou quem sabe se limitando a atacar a honra da progenitora do goleiro santista.  
Alguns poderão chamar este ato de crime, outros de comportamento inadequado, outros ainda de burrice, mas a reação do goleiro Aranha, do Santos F.C. poderá ser o estopim para que estas atitudes com pano de fundo racista comecem finalmente a ser punidas dentro do que preceitua a lei.
Em primeiro lugar existe a diferença entre crime de racismo e de crime de injúrias com conotações racistas, que foi realmente o que aconteceu.
Seria racismo se a senhorita se recusasse a sentar-se ao lado de um negro, assim como é racismo você diferenciar o tratamento de pessoas dependendo da cor da pele, como o que existia na África do Sul, que tinha escolas, lojas, banheiros e restaurantes separados para negros e para brancos.
O que houve foi o crime de injúria, quando existem ofensas para denigrir uma pessoa por ela ser negra (o próprio verbo “denigrir” tem na sua etimologia as partes “de+negro+ir”, o que em si já é um preconceito).
As penalidades entre um e outro crime variam, e aqui caberia um arrazoado jurídico no qual não tenho competência para me imiscuir, mas sei que elas existem, e neste caso devem ser cumpridas para evitar que se repitam ou pelo menos para minimizar a sua incidência.
Cabe aqui uma pitada de curiosidade: quatro torcedores de uma massa de meia dúzia que desancaram o goleiro Aranha eram negros, e custa a crer que negros ofendam negros por meio de racismo, o que deixa claro que muito xingamento que acontece nos estádios pode surgir na hora da emoção e que o seu significado deve ser de certa forma minimizado.
Cresce então a responsabilidade da torcedora que foi pega com a boca na botija, pois em nenhum momento ela parecia estar tomada por violenta emoção; ao contrário, ela não exibiu nenhum gesto brusco e no intervalo entre uma xingação e outra, parece ter raciocinado, tomado fôlego e decidido desferir mais um petardo.
Com a palavra, os advogados, e com a última palavra a justiça.