sábado, 25 de abril de 2015







 

A HISTÓRIA SE REPETE



A história se repete. Eis uma verdade absoluta que rege todos os campos da humanidade. E isto acontece em circunstâncias de acertos e erros, virtudes e defeitos, qualidades e desvios, pois o que conta é a personalidade dos protagonistas.
Em 1973 a seleção brasileira fazia uma excursão à Europa como preparação para a Copa da Alemanha que seria disputada um ano depois.
Depois de algumas atuações abaixo da crítica que culminaram com uma derrota para a Suécia em Estocolmo, os jogadores se sentiram injustiçados pelas críticas dos jornalistas e resolveram reagir, negando qualquer conversa com a imprensa.
O ato teve o apoio do treinador Zagallo e foi publicado sob o nome de Manifesto de Glasgow, cidade escocesa onde a seleção se encontrava para enfrentar a Escócia (o Brasil venceu jogando mal graças a um gol contra).
O manifesto acusava a imprensa de deturpar fatos, divulgar notícias falsas e criar um clima negativo, e informava sobre a decisão de não mais conceder entrevistas a qualquer órgão da imprensa escrita, falada e televisada “até que se modifiquem os atuais procedimentos”.
Em represália, alguns órgãos de imprensa ao citarem a escalação do time ou as atividades de treinamento deixaram de mencionar os nomes dos jogadores, limitando-se a dizer “o goleiro do Palmeiras”, “o lateral do Fluminense”, o “atacante do Botafogo”, e daí por diante.
Assim, na briga entre jogadores e a imprensa quem saiu perdendo foi o leitor, o ouvinte e o telespectador.
Isto voltou a acontecer em outras ocasiões não apenas com o futebol brasileiro, mas também no francês e no italiano, sempre com muita repercussão negativa.
Outras situações desagradáveis ocorreram com o capitão Dunga, ao levantar o troféu de campeão na Copa de 1994 proferindo palavrões contra a imprensa, e com o técnico Zagallo durante a Copa América de 1997, quando o Brasil ganhou o título e ele proferiu a sua frase lapidar “vocês vão ter que me engolir!”
Técnicos e jogadores de futebol devem ter em mente três coisas fundamentais, todas tão verdadeiras quanto a assertiva do título deste artigo.
Em primeiro lugar, eles são seres humanos sujeitos a erros e acertos, ou seja, podem ser aplaudidos no caso dos acertos e criticados no caso dos erros.
Em segundo lugar, eles são esportistas, e o esporte pressupõe que você pode vencer, perder ou – como no caso do futebol – empatar.  Um esportista deve lutar para vencer, mas estar preparado para perder, e deve saber que louros não são eternos.
Finalmente, eles são pessoas públicas, e pessoas públicas devem estar preparadas para enfrentar o público nos bons e nos maus momentos.
Assim, é inconcebível que após ser eliminado do Campeonato Paulista para o Palmeiras nos pênaltis, jogadores e membros da comissão técnica do Corinthians se recusassem a falar com a imprensa após o jogo e na reapresentação no dia seguinte. Entre eles o grande filósofo Tite, que costuma ser o pai da verdade quando o time ganha, e o loquaz e falastrão Vágner Love, com o seu caprichado marketing pessoal e sua simpatia cativante, quando lhe convém.
O jogador tinha inclusive agendada uma entrevista no programa “Bem, Amigos” da SporTV, que seria conduzida pelo apresentador Luiz Roberto na segunda-feira após o jogo, mas não deu as caras no estúdio, evidenciando muita falta de respeito para com a emissora e com o telespectador corintiano.
Comenta-se que a atitude dos jogadores foi orientada pelo técnico Tite, aquele mesmo que a imprensa considera um pessoa equilibrada e acima de qualquer suspeita.

 

 

 

 

 (Artigo publicado no caderno SuperEsportes do jornal O Imparcial de 24/04/2015)