sexta-feira, 11 de outubro de 2019





CORES

Depois de passados muitos anos
Quando uma mulher fizer a revisão da sua vida
Ela pode dizer com certeza
Que foi amada em diferentes matizes
Cabendo a ela identificar quem foram os pintores
Que deixaram as marcas coloridas na sua pele

Ela foi amada em azul-claro e em cor-de-rosa
Em ouro, prata, lilás, turquesa
Mas também em um rubro vivo
Que ficou mais rubro e mais vivo com o passar do tempo
Cabendo também a ela identificar quem foi esse pintor especial
Que tingiu não só a sua pele, mas também todo o seu sangue

Mesmo que com os anos apareçam amores alaranjados
Levemente avermelhados ou até brancos como a pureza do lírio
Nada jamais suplantará aquele rubro vivo
Que pode não ter marcado de rubro a sua vida
Mas que, com certeza, marcou a vida do pintor


quinta-feira, 10 de outubro de 2019







VIDA DE ARTISTA  
(Excerto)


Tomei as devidas providências e também as devidas precauções – afinal nunca se sabe ao certo em que terreno se está pisando.
A ficha de emprego incluía data e local do nascimento, filiação e escolaridade, e perguntava se eu já havia tido alguma passagem pela policia ou alguma doença contagiosa.
Faltava o atestado de residência para provar que eu residia e o atestado de vida para provar que eu vivia – o bafo com hálito matutino e o beliscão no antebraço não tinham valor legal, mesmo se providenciado com todas as firmas reconhecidas, selos, estampilhas, carimbos e vistos colocados debaixo do nariz do escrevente do cartório e seus cartapácios empoeirados.
Depois de quatro dias de espera sem muita angústia, curtindo a paz do limbo dos pós-graduados, veio enfim o chamado da empresa, e lá fui eu fazer a entrevista com o Chefe de Pessoal, senhor Takashima, com o Gerente de Recursos Humanos João Tamarindo e finalmente com Mister Pettiford da matriz, que me examinou como se examina um cãozinho num canil, e decretou que eu fosse comprado.
O primeiro passo foi fazer um teste psicológico para provar que eu não era louco. Devidamente comprovado que eu não fazia o tipo terrorista nem tinha tendências homicidas, recebi então o crachá e a assinatura na carteira de trabalho, um livreto sobre a empresa com informações alentadoras e um folheto falando sobre um projeto também alentador no qual seria enterrado um milhão de dólares para que fosse desenterrado um rico minério, a fim de que todo mundo ganhasse bem e ficasse bem contente, do Takashima ao Tamarindo e do Pettiford ao governador.... e eu.
Como bom cidadão, concordei com todas es exigências sem muito questionamento, fiz os exames clínicos de praxe preenchendo os devidos frascos, barbeei, tomei banho, arrumei a mala e tranquei no cofre do passado um punhado de livros e discos, barzinhos, Irenes, Adelaides e Elisabetas.
Mas não joguei a chave fora porque, no futuro, quem sabe?...   


terça-feira, 8 de outubro de 2019








SINOPSE DO PROGRAMA SEXTA JAZZ DE 23/06/2017
RÁDIO UNIVERSIDADE FM - 106,9 Mhz
São Luís-MA 

SATYA - SEVEN BLUE SEAS   

Satya é uma palavra em sânscrito que pode ser traduzida como "verdade" ou "o que é correto", e por isso é largamente utilizada na Índia em movimentos que envolvam paz, meio-ambiente e justiça social. Satya é também o nome de uma cantora e compositora indiana que no seu primeiro álbum conseguiu juntar três idiomas que fizeram parte da civilização de Bombaim, sua cidade natal - o indiano, o inglês e o português, fazendo uso do "scat-singing" em contraposição com uma base de saxofones, flauta e piano elétrico. Na sua primeira visita ao Brasil, Satya se encantou com a música brasileira, a qual adaptou à forma e à atmosfera da música do seu país, possibilitando arranjos incríveis que variam do etéreo ao rítmico, do balanço ocidental à harmonização oriental, com a parceria do produtor, compositor e guitarrista americano Scott Anderson. Assim, as cidades do Rio, Nova York e Bombaim navegam neste disco através dos mares azuis - "Seven Blue Seas" que as separam. No repertório músicas de autoria de Satya, Scott Anderson, Lo Borges, e a incrível "Ponteio", de Edu Lobo.

Sexta Jazz, nesta sexta, oito da noite, produção e apresentação de Augusto Pellegrini
                                                                                                   

segunda-feira, 7 de outubro de 2019





SOZINHO PELA MADRUGADA 
1959/1978

(Música de Augusto Pellegrini)

Fiz compromisso com você
Você não veio, então fiquei
Sozinho, pela madrugada
Não procuro amigo
Só procuro paz
Partiu, não me disse nada
Não deixou resposta não
Isso não se faz

Eu tenho um pressentimento que me fala
Mais alto que o desalento que em mim cala
Nunca mais encontrarei quem me consola
E dos sonhos que sonhei eu vivo agora

Sozinho, pela madrugada
Não procuro amigo
Só procuro paz
É muito fácil compreender
Mas é difícil resistir
Sozinho, pela madrugada
Vou ficando triste
Vou ficando só