sábado, 15 de maio de 2021

 


AS CORES DO SWING
           (Livro de Augusto Pellegrini)

BANDLEADERS E DISCOGRAFIA


LIONEL HAMPTON (1908-2002) 

Nome completo – Lionel Leo Hampton

Nascimento – Louisville-Kentucky-EUA

Falecimento – Nova York-New York-EUA

Instrumento – vibrafone, bateria, piano e vocal

 

Comentário – Lionel Hampton é um dos jazzistas mais alegres e espetaculares de que se tem conhecimento. Dono de uma vitalidade contagiante, ele passou toda a sua vida instigando e influenciando músicos de diversos estilos, apesar de ele próprio jamais ter abandonado o swing. Hampton começou tocando bateria na década de 1920 na Chigago Defender Newsboys’ Band, quando “descobriu” o xilofone. Mas foi como baterista que ele tocou na Paul Howard’s Quality Serenaders, onde gravou seu primeiro disco em 1929, transferindo-se mais tarde para a orquestra de Les Hite, já como xilofonista, onde conheceu Louis Armstrong. Atendendo a um pedido de Armstrong, ele trocou o xilofone pelo vibrafone, o que melhorou a sonoridade do instrumento e deu mais qualidade aos seus solos. Sua primeira gravação ao vibrafone foi em 1930, acompanhando o próprio Armstrong na música “Memories Of You”. A partir de então, Hampton gostou tanto do instrumento que resolveu adotá-lo, abandonando quase que completamente a bateria. Em 1936, Hampton foi convidado por Benny Goodman a ingressar no seu grupo para tocar ao lado de Gene Krupa e Teddy Wilson, formando um dos maiores pequenos conjuntos de jazz da história, no qual veio a alcançar grande notoriedade. Em 1940, Lionel Hampton montou a sua própria orquestra e se tornou bandleader, dando início a outra carreira de sucesso. Uma das características que faziam da sua orquestra uma banda ímpar era o exibicionismo e a alegria de Hampton, que costumava cantarolar a música em voz alta ao mesmo tempo em que improvisava no instrumento. A sua orquestra executava um swing vibrante e muito movimentado, e cresceu em todos os conceitos a partir de 1950. O som empolgante que Hampton conseguia extrair da sua orquestra influenciou músicos da importância de Charles Mingus e Quincy Jones.  Ele também trabalhou como ator em alguns filmes e compôs a trilha sonora para as películas “Memphis Belle” em 1990 e “Malcolm X” em 1992. Durante as décadas seguintes Hampton continuou com o seu trabalho, cada vez com maior entusiasmo, mantendo-se musicalmente ativo até 2000, quando se aposentou com mais de noventa anos, após mais de setenta de atividade, vindo a falecer dois anos depois.

 

Algumas gravações 

Air Mail Special (Charlie Christian-Benny Goodman-Jimmy Mundy)

Dinah (Sam M.Lewis-Joe Young-Harry Akst)

Don’t Be That Way (Benny Goodman-Edgar Sampson-Mitchell Parish)

Flying Home (Benny Goodman-Lionel Hampton-Sidney Robin)

Hamp’s Boogie Woogie (Milt Buckner-Lionel Hampton)

Hey! Ba-Ba-Re-Bop (Lionel Hampton-Curley Hamner)

How High The Moon (Nancy Hamilton-Morgan Lewis)

I Got Rhythm (George Gershwin)

Jivin’ The Vibes (Lionel Hampton)

Midnight Sun (Lionel Hampton-Sonny Burke-Johnny Mercer)

On The Sunny Side Of The Street (Jimmy McHugh-Dorothy Fields)

Ring Dem Bells (Irving Mills-Duke Ellington)

Stardust (Hoagland “Hoagy” Carmichael-Mitchell Parish)

The Jumpin’ Jive (Cab Calloway-Frank Froeba-Jack Palmer)

There Will Never Be Another You (Mack Gordon-Harry Warren)

When Lights Are Low (Benny Carter-Clarence Williams)

 

 

sexta-feira, 14 de maio de 2021

 


O TRIÂNGULO

(Augusto Pellegrini)

 

O marido vasculha os arredores
À cata de uma conclusiva pista
Que possa comprovar os seus temores
Que em cena esteja entrando um novo artista 

A mulher se esconde atrás dos seus humores
Com medo de uma eventual entrevista
Diz se sentir ofendida em seus pudores
Sem jamais admitir outra conquista 

E o outro também tem seus dissabores
E toma as precauções que são previstas
E, buscando evitar tantos horrores
A porta da saída logo avista

Maio 2021

quarta-feira, 12 de maio de 2021

 


AS CORES DO SWING
           (Livro de Augusto Pellegrini)

BANDLEADERS E DISCOGRAFIA


Les Hite (1903-1962)

 

Nome completo – Les Hite

Nascimento – Du Quoin-Illinois-EUA)

Falecimento – Santa Monica-Califórnia-EUA

Instrumento – sax-alto, piano, xilofone e vocal

 

Comentário – Les Hite foi um bandleader bastante apreciado em Los Angeles, mas estranhamente nunca se tornou famoso além da California, talvez por raramente ter saído da cidade para se apresentar em outros lugares. Não se tem notícia de que ele tenha feito grandes turnês, com exceção da excursão que fez para Nova York em 1937, ao lado do bluesman T-Bone Walker e de uma curta passagem por Portland e Chicago em 1938 e 1940. Durante as décadas de 1930 e 1940, Hite liderou algumas importantes orquestras de Los Angeles, mas seu trabalho foi muito pouco documentado (durante praticamente duas décadas atuando como bandleader, Hite gravou apenas quatorze músicas – entre 1940 e 1942 – além de algumas memoráveis sessões registradas ao vivo acompanhando Louis Armstrong, mas estas gravações não foram preservadas). Depois de estudar na Universidade de Illinois e de tocar saxofone em uma banda composta por membros da sua família, Hite trabalhou com Detroit Shannon e excursionou com a companhia de shows de Helen Dewey. O grupo de Dewey se desfez quando estava em Los Angeles, mas Hite resolveu permanecer na cidade, onde trabalhou com a Spikes Brothers’ Orchestra, com Mutt Carey, com Curtis Mosby e com a Paul Howard’s Quality Serenaders, entre outros. Em 1930, Les Hite assumiu a banda de Paul Howard, a qual denominou Sebastian’s Cotton Club Orchestra, começando aí a sua carreira de bandleader e de cantor de sketches. A sua orquestra, agora rebatizada como Les Hite Orchestra, tocou durante muitos anos em Los Angeles. Apesar de jamais ter alcançado o mesmo sucesso de outras big bands, a orquestra de Hite era bastante competente, e chegou a acompanhar, além de Louis Armstrong, também Fats Waller quando eles estiveram em turnês solo na cidade. Alguns músicos importantes participaram da orquestra de Hite, entre eles Lionel Hampton, Marshall Royal, Lawrence Brown, Britt Woodman e Joe Wilder. Em 1942 Hite fez gravações isoladas com T-Bone Walker e Dizzy Gillespie – respectivamente “T-Bone Blues” e a conhecidíssima “Jersey Bounce” – além de dois registros em filmes de curta metragem com as músicas “Pudgy Boy” e “That Ol’ Ghost Train”. Em 1945, Hite começou a perder o interesse pela música e passou a gerenciar uma casa de apostas. Ele continuou cuidando dos seus negócios, até que veio a falecer aos cinquenta e nove anos, dos quais pouco mais de vinte ele dedicou à música profissional.

 

Gravações registradas

 

Board Meeting (Avery Brooks-Benny Goodman-Lionel Hampton)

Chant Of Mustard Green (autor não catalogado)

I Remember You (Victor Schertzinger-Johnny Mercer)

It Must Have Been A Dream (T-Bone Walker)

Idaho (Jesse Stone)

Jersey Bounce (Buddy Feyne-Bobby Platter)

No-One Is To Blame (autor não catalogado)

One Dozen Roses (Jurgens Donovan-Lewis Washburn)

T-Bone Blues (Les Hite)

Pudgy Boy (autor não catalogado)

That Ol’ Ghost Train (autor não catalogado)

That’s The Lick (Les Hite)

The World Is Waiting For The Sunrise (Ernest Seitz-Gene Lockhart)

Waiting For You (Les Hite)

Young Stuff (autor não catalogado)

 

 

terça-feira, 11 de maio de 2021

 


I REMEMBER KAFKA  

(Augusto Pellegrini)

 

Estou mudando de residência.

A reentrância do tubo de esgoto onde eu mantinha o meu aprazível logradouro passou a não mais satisfazer as minhas necessidades depois que começaram a usar um detergente à base de amoníaco que me revolta as vísceras e me atormenta e me afugenta e me atordoa a cada banho tomado.

Somos, na verdade, criaturas indefesas à mercê dos homens que insistem e nos desbaratar à sua maneira – uma delas é degradando a natureza com seus agentes químicos e desengordurantes ou atacando desde as paredes do sumidouro aqui em baixo até a camada de ozônio lá em cima, abrindo um buraco para que o sol algum dia cozinhe a água do mar, derreta cidades inteiras e asse bilhões de humanos e vertebrados.

Só nós, seres indefesos, é que iremos sobreviver a mais outra catástrofe nos embrenhando pelas fendas e pelas cavernas, como temos feito nos últimos milênios.

Mas mesmo assim estou mudando de residência.

Achei um armário confortável, de madeira, onde guardam cereais e farinha, e não descobri nenhum vestígio de veneno – nós aprendemos que devemos sempre desconfiar de certas guloseimas que nos parecem saudáveis, mas escondem bioletrina, butóxico de piperonita, octibiciclohepteno-dicarboximido ou até coisas piores.

Aqui no meu novo cantinho eu me sinto confortável, e posso filosofar em relativa segurança.

A natureza que nos fez odiadas e repelidas é a mesma que exalta a beleza das joaninhas e das borboletas. Ela também nos fez pacíficas e inofensivas, pois não atacamos, não mordemos, não mutilamos nem devastamos o ecossistema e talvez por isso sejamos perseguidas como bichos danados.

Na busca constante pela verdade, numa troca de experiências com a vida e com outras criaturas, nós aprendemos no entanto que a discriminação da qual somos objeto não atinge somente a nós, mas a milhões de outros que como nós são caçados e esmigalhados numa devastação constante, como se fosse possível exterminar toda uma espécie de invertebrados.  

-0-0-0-

Mas esses homens são mesmo uns tolos.

Basta a gente resolver usar as asas que a natureza nos deu, revoluteando no terraço ou na sala de jantar numa agradável noite de verão, para provocar uma sarabanda geral. Um grito de alerta aqui, um grito de nojo ali, mãos protegendo rosto e cabelo, e eu me divirto vendo belas mulheres desesperadas e homens maduros e sisudos correndo desbaratadamente para fugir do confronto ou procurando instrumentos de ataque e defesa – vassouras, espanadores e jornais enrolados.

Tão grandes e tão poderosos, tão cultos e tão soberbos, tão importantes e tão valentes, tão idiotas...  

 

segunda-feira, 10 de maio de 2021

 


AS CORES DO SWING
           (Livro de Augusto Pellegrini)

BANDLEADERS E DISCOGRAFIA


Les Elgart & Larry Elgart 

Nome completo – Lester Elliott Elgart (1917-1995)

Nascimento – New Haven-Connecticut-EUA

Falecimento – Dallas-Texas-EUA

Instrumento – trompete

Nome completo – Lawrence Joseph Elgart (1922-2017)

Nascimento – New London-Connecticut-EUA

Falecimento – Sarasota-Flórida-EUA

Instrumento – sax-alto

 

Comentário – Ao lado do seu irmão – o saxofonista Larry Elgart – Les Elgart conduziu uma das melhores orquestras de swing dos anos 1950.  Eles foram alguns dos responsáveis por manterem o swing vivo numa década onde despontava o rock and roll e onde a música dançante de salão enfrentava um certo declínio. Antes de possuir a sua própria banda, Les Elgart tocou trompete nas orquestras de Raymond Scott, Charlie Spivak e Harry James ao mesmo tempo em que se apresentava em pequenos grupos ao lado do seu irmão, o saxofonista Larry. Larry Elgart, por sua vez, tocou com Charlie Spivak, Woody Herman, Red Norvo e Tommy Dorsey, entre outros. Finalmente em 1945, os irmãos Elgart formaram a sua própria big band de swing, contratando Nelson Riddle, Ralph Flanagan e Bill Finegan para a execução dos arranjos. Um pequeno desentendimento fez com que um ano depois, em 1946, cada um dos irmãos tomasse o seu próprio caminho. Mas eles voltaram a se reunir em 1952. A orquestra alcançou o seu maior sucesso durante esta década, apresentando um som bastante característico, com arranjos feitos por Charles Albertine para os dois instrumentos e os demais metais. O primeiro álbum gravado na Columbia chamado “Sophisticated Swing” marcou o novo estilo de swing com “the Elgart touch” (“o toque de Elgart”), um estilo limpo, vibrante e inconfundível, uma espécie de shuffle, que seria a marca registrada da Les & Larry Elgart Orchestra a partir de então. Eles voltariam a se separar no final da década de 1950 para se juntarem mais uma vez em 1963, sempre mantendo o velho estilo. Apesar de ser o mais carismático dos irmãos, Les se aposentou em 1967 e foi residir no Texas, enquanto Larry seguiu adiante dentro de um novo estilo que misturava resquícios de swing com uma música dançante de forte apelo comercial. Após afastar-se da música, Les Elgart voltou a tocar esporadicamente, mas o período em que ele se manteve realmente ativo como homem de orquestra vai efetivamente desde o início dos anos 1940 até o final dos anos 1960. Quanto a Larry, ele ainda se manteve em atividade com ocasionais turnês internacionais, mesmo depois dos 90 anos de idade, vindo a falecer aos 95.

 

Algumas gravações 

Anything Goes (Cole Porter)

Bandsatnd Boogie (Charles Albertine-Larry Elgart-Bob Horn)

Chicago (Fred Fisher)

Don’t Get Around Much Anymore (Duke Ellington-Bob Russell)

Gimme A Little Kiss (Will Ya Huh?) (Roy Turk-Maceo Pinkard)

I’ve Got A Crush On You (George Gershwin-Ira Gershwin)

Just In Time (Betty Comden-Adolph Green-Jule Styne)

Love Is Just Around The Corner (Leo Robin-Lewis Gensler)

My Heart Belongs To Daddy (Cole Porter)

Skyliner (Charlie Barnet)

So Rare (Jerry Herst-Jack Sharpe)

Song Of India (Nikolai Andreyevich Rimsky-Korsakov)

Sophisticated Swing (Will Hudson-Mitchell Parish)

Strike Up The Band (George Gershwin-Ira Gershwin)

That Old Black Magic (Harold Arlen-Johnny Mercer)

What’s New? (Bob Haggart-Johnny Burke)

Zing! Went The Strings Of My Heart (James F.Hanley)

 

domingo, 9 de maio de 2021



NOVOCABULÁRIO INGLÊS

(Copyright FluentU) 

(ver tradução após o texto)

 

LACKADAISICAL 

How about if you want to describe that someone is lazy and has no enthusiasm or determination? LACKADAISICAL would be the perfect word in this situation. It’s been in use since the 1700’s, although where it came from is not clear.


             “My sister has no job and is doing nothing to find one. She is so LACKADAISICAL!”

           “I hope the medicine is not causing you to be sleepy and LACKADAISICAL…”

 

            “Mary is so LACKADAISICAL she will not get out of bed most mornings.”

 

 

            

            TRADUÇÃO

 

INDOLENTE

Se você quiser indicar em inglês que uma pessoa é preguiçosa e não tem qualquer entusiasmo ou determinação, a palavra correta seria LACKADAISICAL, que significa indolente, apático, sem vida. Esta palavra é usada desde os anos 1700, e não está claro como ela surgiu nem de onde ela veio.    

            “Minha irmã está sem emprego e não faz nada para encontrar um. Ela é muito ‘devagar’...”.


“Espero que esse remédio não esteja deixando você lerdo ou sonolento...”.


“Mary é tão preguiçosa que não consegue sair da cama na maioria das manhãs.”