sábado, 14 de agosto de 2021

 


AS CORES DO SWING
           (Livro de Augusto Pellegrini0

BANDLEADERS E DISCOGRAFIA


THE WOLVERINES ORCHESTRA (1923-1931) (*) 

Lider – BIX BEIDERBECKE

Nome completo – Leon Bismarck Beiderbecke

Nascimento – Davenport-Iowa-EUA

Falecimento – Nova York-New York-EUA

Instrumento – trompete e piano

(*) Diferentes grupos mantiveram a orquestra sob este nome até 1975

 

 

Comentário – Para a maioria dos historiadores de jazz, a banda The Wolverines Orchestra nasceu em 1923 sob o comando de Bix Beiderbecke e foi encerrada em 1931, depois que ele morreu (embora por ocasião da sua morte ele não mais participasse do grupo). Oficialmente, no entanto, a orquestra se manteve na ativa como uma espécie de marca registrada por muito mais tempo, primeiro sob o comando do trombonista Al Grande (de 1931 até e sua morte em 1946), e depois continuou sob o comando de diferentes líderes, contando com diversas formações até 1975. Também de acordo com esses historiadores, The Wolverines começaram sua carreira no Stockton Club, situado na Route 4, a oito milhas de Hamilton, Ohio, e permaneceram no mesmo lugar até que o grupo, então liderado pelo pianista Dudley Mecum, se visse de repente sem o seu cornetista. O clarinetista Jimmy Hartwell havia conhecido um trompetista excelente de nome alemão, vindo de Chicago, e o apresentou para Mecum. O trompetista “alemão”, que não era outro senão Bix Beiderbecke, logo fez amizade com Hartwell, com o saxofonista George Johnson e com o baterista Vic Moore e assim se integrou à banda. Com o passar do tempo, após a saída de Dudley Mecum e de Eddie Condon, Bix passou a liderar o grupo. Em seguida vieram se juntar à banda o pianista Don Voynow, o trombonista Al Grande (depois substituído por George Brunis), o banjoísta Bob Gilette e o contrabaixista Min Leibrook, sendo esta a formação mais conhecida e mais bem-sucedida dos Wolverines. A Wolverines Orchestra se fixou primeiro em Chicago, depois em Nova York, e realizou várias gravações em poucos anos. Ao término de uma temporada em 1924, quando tudo parecia correr às mil maravilhas, Bix abandonou a banda e se juntou a Jean Goldkette, com quem ficou pouco tempo. Os Wolverines seguiram o seu caminho com Jimmy McPartland assumindo o trompete, e se apresentaram oficialmente até 1931. Depois de deixar os Wolverines, Bix foi apresentado ao maestro Paul Whiteman pelo saxofonista Frank Trumbauer, e Whiteman o contratou para incrementar o som do jazz na sua orquestra. Mas Beiderbecke era alcoólatra, e ficou pouco tempo com Whiteman, pondo por terra a grande oportunidade que lhe fôra dada para ser o músico mais influente de uma das mais conceituadas orquestras dos Estados Unidos. Bix ainda trabalhou como freelancer e fez algumas gravações com o pianista Hoagy Carmichael e com os irmãos Dorsey. Ele morreu em conseqüência de uma pneumonia quando se preparava para estrear na Casa Loma Orchestra, na época comandada por Jean Goldkette. A carreira de Bix durou não mais do que dez anos, mas nesse período ele chegou a ser comparado a Louis Armstrong pela sua fantástica imaginação improvisadora e pela sua interpretação única e diferenciada.

 

Algumas gravações 

Big Boy (Milton Ager-Jack Yellen)

Copenhagen (Charlie Davis-Walter Melrose)

Dardanella (Felix Bernard-Fred Fisher-Johnny Black) (*)

Fidgety Feet (Nick LaRocca)

Lazy Daddy (Nick LaRocca-Larry Shields-Henry Ragas)

Love Nest (Otto Harbach-Walter Hirsch) (*)

Oh Baby (Walter Donaldson-Buddy DeSylva)

Prince Of Wails (Elmer Schoebel)

Riverboat Shuffle (Hoagland “Hoagy” Carmichael)

Royal Garden Blues (Clarence Williams-Spencer Williams)

Sensation (Eddie Edwards)

The Jazz Me Blues (Tom Delaney)

Tia Juana (Larry Conley-Gene Rodemich)

Tiger Rag (Nick LaRocca-Eddie Edwards-Henry Ragas-Tony Sbarbaro-Larry Shields)

When Sugar Walks Down The Street (Gus Austin-Jimmy McHugh-Irving Mills)

 

(*) Bix Beiderbecke com a orquestra de Paul Whiteman    

 

 

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

 


PÁGINAS ESCOLHIDAS

COISAS (1988)
(Augusto Pellegrini)

SUBVERSIVOS

Ana Luíza havia se levantado e agora passeava pelo quarto de lá pra cá vestindo a minha camisa, carregando travesseiros, livros e uma pasta preta repleta de recortes, de vez em quando olhando para mim, ligeiramente contrariada ao ter que explicar quem era Pedro.


             Pedro, um amigo – de acordo com a narrativa – era o esqueleto que conheci no hospital e me feria os ombros com seus dedos pontiagudos, os mesmos que colocava sobre os ombros de Ana Luíza – devia ter um fraco por ombros, assim como eu por umbigos. A barba mal feita da intelectualidade se espalhava pela sua cara e o passaporte para o México já estava como todos os vistos e carimbos – um salvo-conduto para além-fronteiras.


             Lenin também fez isso, mas nunca foi para o México e, se foi, nunca disse a ninguém.

 (Problemas de um casal de jovens nos anos 1960 às voltas com um sujeito em vias de fugir do país)


 

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

 


AS CORES DO SWING
           (Livro de Augusto Pellegrini)

BANDLEADERS E DISCOGRAFIA


THE MEL LEWIS-THAD JONES ORCHESTRA (1965-1978)

 

Lider – MEL LEWIS (1929-1990)

Nome completo – Melvin Sokoloff

Local de nascimento – Buffalo-New York-EUA

Local de falecimento – NovaYork-New York-EUA

Instrumento – bateria

 

Líder – THAD JONES (1923-1986)

Nome completo – Thaddeus Joseph Jones

Local de nascimento – Pontiac-Michigan-EUA

Local de falecimento – Copenhague-Dinamarca

Instrumento – trompete, corneta e fluegelhorn

 

Comentário – Mel Lewis era filho de imigrantes russos e começou a tocar bateria profissionalmente quando ainda era adolescente. A partir de 1948, ele se apresentou com diversas orquestras de renome, como as conduzidas por Boyd Raeburn, Alvino Ray, Ray Anthony e Tex Beneke. Dono de um drive perfeito, embora relutante no solo, ele se juntou a Stan Kenton em 1954 onde ficou até 1957, quando se tornou baterista de estúdio de gravação, trabalhando com as bandas de Terry Gibbs e Gerald Wilson. Em 1960 Lewis foi para Nova York trabalhar com a Gerry Mulligan’s Concert Jazz Band e em 1961 excursionou pela Europa. Em 1962, ele se apresentou na extinta União Soviética com a orquestra de Benny Goodman, e continuou trabalhando como freelancer até que em 1965 veio a conhecer o trompetista Thad Jones, formando com ele a The Mel Lewis-Thad Jones Orchestra, especializada em tocar um tipo de jazz que variava do swing para o bebop e o hard-bop. O outro líder da orquestra, Thad Jones, começou a tocar trompete profissionalmente aos dezesseis anos, vindo a participar de grupos de músicos-soldados do exército americano durante a Segunda Guerra Mundial, de 1943 a 1946. Thad Jones pertencia a uma família musical: seu irmão mais velho é o pianista Hank Jones, e o mais novo o baterista Elvin Jones, ambos notáveis jazzistas. Thad não ficou atrás, pois impressionava pela qualidade do seu sopro e pela sutileza das suas composições e arranjos. Em 1954, Jones trabalhou com Count Basie exercendo as funções de músico, compositor e arranjador, e permaneceu na orquestra até 1963, após o que realizou alguns trabalhos como freelancer e liderou um quinteto ao lado do saxofonista Pepper Adams. Em 1965, Thad conheceu Mel Lewis, montando com ele a famosa The Mel Lewis-Thad Jones Orchestra. A orquestra assinou um contrato de longa duração para apresentações no famoso Village Vanguard de Nova York tocando todas as segundas-feiras desde 1965 até 1978, quando a sociedade se desfez com a surpreendente saída de Thad Jones (Jones se mudou para a Dinamarca, abandonando o grupo sem jamais explicar a razão). Jones continuou vivendo e trabalhando na Dinamarca até a sua morte aos sessenta e três anos. Mel Lewis continuou com o trabalho da orquestra no Village Vanguard, que ele rebatizou como The Mel Lewis Jazz Orchestra, até que veio a falecer antes de completar sessenta e um anos.        

 

Algumas gravações 

A Child Is Born (Thad Jones)

Big Dipper (Thad Jones)

Central Park North (Thad Jones)

Cherry Juice (Thad Jones)

Come Sunday (Duke Ellington)

Consummation (Thad Jones)

Dedication (Thad Jones)

Don’t Ever Leave Me (Thad Jones)

Don’t Get Sassy (Thad Jones)

Love Walked In (George Gershwin-Ira Gershwin)

Lover Man (Roger “Ram” Ramirez-Jimmy Sherman-Jimmy Davis)

Once Around (Thad Jones)

Polka Dots And Moonbeams (Johnny Burke-Jimmy Van Heusen)

Quietude (Thad Jones)

Thank You (Jerry Dodgion)

The Groove Merchant (Thad Jones-Jerome Richardson)

Tiptoe (Thad Jones)

Willow Weep For Me (Ann Ronell)

 

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

 


RETALHOS E REBOTALHOS

(Augusto Pellegrini)

 

Chove granizo na minha sala de visitas.

Janela aberta, verão a pleno, tapete de juta. As pedrinhas saltam como pulgas de cristal e se desfazem magicamente, deixando sua marca molhada sobre as tranças do tapete.

Não é noite ainda, embora ela se aproxime lenta e silenciosamente como uma lagartixa.

O tilintar da chuva sobre o telhado e sobre o vidro superior da janela e sobre as coisas todas – plantas, banco de madeira e lata de lixo – parece uma sinfonia. Tento captar algum som que me lembre o jazz e o máximo que consigo é ouvir o rufar maluco de Buddy Rich nos pratos e no chimbal.

E eu tentando dormitar nesta cama que sequer é cama, uma dessas poltronas monta-desmonta comprada à prestação em alguma loja do ramo, como dizem a propaganda e os entendidos.

Sinto uma mão invisível se aproximar do meu pescoço tão devagar como se fosse regulada por um parafuso milimétrico, demorada, mas inexorável, sabendo estarem meus olhos semicerrados e minhas mãos, braços e pernas atados aos lençóis pelas cordas do sono.

Alguém já sentiu isso? Essa horrível letargia, a gente parece que está acordado, mas está semi-dormindo, a gente tem vontade de gritar e se levantar, mas “a coisa” não deixa.

Esta mão me aterroriza, não por causa da sua cor verde-clorofila, nem pelas escamas furta-cor, mas pelo anel de um pálido redondo que eu sei tratar-se de um botão a ser acionado fazendo esta coisa medonha saltar como uma rã e transformar minha garganta em fios dilacerados.

Não é nada agradável este calor e este frio, este sono agitado nem esta mão sem corpo.

Então acordo como se estivesse saindo de um vórtice, a chuva ainda caindo, Buddy Rich em êxtase e os dedos verdes se desfazendo no ar, a garganta felizmente em ordem.

Senão, como eu faria pra soprar meu saxofone nesta noite-madrugada?    

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domingo, 8 de agosto de 2021

 


AS CORES DO SWING
           (Livro de Augusto Pellegrini)

BANDLEADERS E DISCOGRAFIAS


TEDDY WILSON (1912-1986) 

Nome completo – Theodore Shaw Wilson

Nascimento – Austin-Texas-EUA

Falecimento – New Britain-Connecticut-EUA

Instrumento – piano

 

Comentário – Teddy Wilson é um dos nomes fortes do jazz, sendo considerado um dos maiores pianistas de jazz da primeira metade do século vinte e um dos mais influentes do seu tempo. Seu estilo swingado contém na essência as estruturas do harlem stride – uma forma de execução pianíatica alegre, saltitante e “cheia de dedos” originária do ragtime. Sua execução vibrante acabou por fazê-lo mais popular do que os dois mestres da época – Art Tatum e Earl Hines – pelo menos para o público apreciador do swing. Wilson ganhou experiência tocando no grupo de Lawrence “Speed” Webb em 1929 e aparecendo em algumas gravações de Louis Armstrong em 1933. Finalmente, “descoberto” por John Hammond, Wilson foi levado no início de 1935 para a orquestra de Benny Carter – a Chocolate Dandies – para depois migrar para o pequeno conjunto do clarinetista Benny Goodman, onde se tornou universalmente conhecido tocando ao lado de Goodman, do baterista Gene Krupa e do vibrafonista Lionel Hampton e ajudando o swing de pequenos grupos a se igualar ao swing das grandes orquestras. A leveza e a brejeirice do seu toque casaram muito bem com as firulas de Hampton e com o som irresistível de Goodman. O grupo se manteve junto de 1935 até 1939, sendo que na época Teddy Wilson também liderou alguns pequenos conjuntos. Seu estilo elegante e sua competência lhe renderam gravações antológicas com diversos intérpretes importantes, como Lester Young, Lena Horne e Ella Fitzgerald. A história de Teddy Wilson como bandleader é às vezes ofuscada pelo seu sucesso como sideman tocando com estes artistas de renome, mas o fato é que ele também alcançou grande fama dirigindo a sua própria orquestra de 1939 até 1944, quando tocou no Cafe Society, sendo responsável por alguns trabalhos e gravações magistrais, principalmente ao lado da cantora Billie Holiday. De 1945 a 1952 Teddy Wilson ensinou música na afamada Julliard School, e a partir daí entremeou apresentações com pequenos grupos e gravações de estúdio. Wilson se manteve musicalmente ativo desde meados dos anos 1930 até a véspera da sua morte, em meados dos anos 1980.

 

Algumas gravações 

After You’ve Gone (Henry Creamer-Turner Layton)

All My Life (Sam H.Stept-Sidney D.Mitchell)

Cheek To Cheek (Irving Berlin)

Don’t Blame Me (Jimmy McHugh-Dorothy Fields)

Easy To Love (Cole Porter)

Fine And Dandy (Paul James-Kay Swift)

How High The Moon (Nancy Hamilton-Morgan Lewis)

I Can’t Believe That You’re In Love With Me (Jimmy Mc Hugh-Clarence Gaskill)

I Got Rhythm (George Gershwin-Ira Gershwin)

I Wished On The Moon (Ralph Grainger-Dorothy Parker)

Liza (All The Clouds’ll Run Away) (George Gershwin-Ira Gershwin-Gus Kahn)

Pennies From Heaven (Johnny Burke-Arthur Johnston)

Say It In A Kiss (Johnny Mercer-Harry Warren)

Somebody Loves Me (George Gershwin-Buddy DeSylva-Ballard MacDonald)

Sugar (That Sugar Baby O’ Mine) (Maceo Pinkard-Sidney Mitchell-Edna Alexander)

Sweet Lorraine (Carter Burwell-Mitchell Parish)

The Sheik Of Araby (Harry Beasley Smith-Ted Snyder-Francis Wheeler)

There’s A Lull In My Life (Harry Revel)

These Foolish Things (Holt Marvell-Jack Strachey-Harry Link)

 


NOVOCABULÁRIO INGLÊS

(Copyright FluentU) 

(ver tradução após o texto)

BAMBOOZLE 

According to Merriam-Webster, this word was first used around 300 years ago. That’s really old! Any idea what it means? Hint: it has nothing to do with “bamboo”. To BAMBOOZLE someone means to trick or confuse them, generally for taking advantage of something.


             “I went to buy a TV that was on sale but ended up BAMBOOZLED into buying a more expensive unit!”

           “The waiter tried to BAMBOOZLE me into giving him extra money by saying the tip had not been included in the check.”

 

            “The criminal hoped his disguise would BAMBOOZLE the police at the airport.”

 

            

            TRADUÇÃO

 

TAPEAR, LUDIBRIAR

De acordo com o dicionário Merriam-Webster, a palavra inglesa “bamboozle” é muito velha – começou a ser usada há cerca de 300 anos! – e não tem nada a ver com “bamboo” (bambu). “Bamboozle” significa tapear, enganar ou confundir alguém, geralmente com a finalidade de obter alguma vantagem.  

            “Eu fui comprar uma televisão que estava em oferta e acabei sendo convencido a comprar uma muito mais cara!”

“O garçom tentou me tapear fazendo com que eu lhe desse mais dinheiro, dizendo que a gorjeta não estava incluída na conta.”

“O criminoso achou que seu disfarce iria enganar a polícia lá no aeroporto.”