sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

 


DOS USOS E (MAUS) COSTUMES

(Augusto Pellegrini) 

Fazendo uma exegese dos costumes
Vou começar falando de comida
Necessidade principal do homem
E de qualquer ser que nesta terra habita
Que todo dia tem que saciar a fome
Para manter sua condição de vida 

Qualquer ser vivo sente fome, e come
Isto é fundamental para a subsistência
Assim, os animais, os insetos e o homem
Conseguem conservar sua energia
Com todo o combustível que consomem
Para consolidar sua sobrevivência 

Mas tudo é feito sem muito critério
Alguns comem demais, outros de menos
Há os que colocam lenha demais na fornalha
Ficando obesos, pesados e lentos
E os que não têm o pão, só as migalhas
Rosto sem vida, triste e macilento 

Outra necessidade é a do agasalho
Que nos protege dos olhares e do tempo
Já foi-se o tempo em que mulher e homem
Usavam pele de animais como paramento
Depois veio a vergonha – diz a lenda
E começaram a cobrir as partes pudendas 

Por um estranho desvio de conduta
Estamos atualmente em retrocesso
E as partes que eram pudicamente veladas
Agora são mostradas a céu aberto
Por homens e mulheres que por certo
Gostam de estar pelados e peladas 

Outro fator que determina a história
É a convivência dos povos, ou a falta dela
Pois desde os tempos em que se tem registro

Homens se batem, combatem e se matam

Uns aos outros, por qualquer motivo

Transformando o mundo todo num lugar sinistro 

Não existe um ano só, no calendário
Em que o mundo não registre alguma guerra
Uma revolução ou algum distúrbio sério
O que leva os homens a se digladiarem
Fazendo de um jardim um cemitério
E molhando de sangue e lágrimas a terra 

Fazer do uso bom um mau costume
Tornou-se do homem especialidade
Pois ele sempre busca um adversário
Na luta por poder ou materialidades
Ou outras condições que lhe provocam inveja
E o fazem ser de um crime mandante ou sicário

 

Dezembro 2020

 

 





 


AS CORES DO SWING
          (Livro de Augusto Pellegrini)

CAPÍTULO 22 - RESUMO DA DISCOGRAFIA


COUNT BASIE (1904-1984) 

Nome completo – William James Basie

Nascimento – Red Bank-New Jersey-EUA

Falecimento – Hollywood-Flórida-EUA

Instrumento – piano

 

Comentário – Count Basie pode não ter sido um compositor do tamanho de Duke Ellington ou um virtuose como Benny Goodman, mas conseguiu superar a ambos em termos de popularidade orquestral. Basie começou tocando piano e órgão em teatros e grupos de vaudeville em 1920. Sob a influência de Fats Waller, um grande estilista da época, ele formou sua primeira banda, utilizando parte dos músicos da orquestra do lendário Benny Moten após a morte de Moten em 1935. Apesar de ser um excelente pianista, Basie preferia não aparecer em solos complicados, conduzindo a orquestra num estilo “low profile”, e dando destaque para solistas como Lester Young, Herschell Evans, Harry Edison e outros. Por conta disso, ele acabou sedimentando um estilo econômico, mas de grande significado artístico, pois sintetizava em poucas notas o espírito da música e algumas passagens importantes. Basie se tornou um dos bandleaders mais populares do país a partir de 1940, com as músicas “One O’Clock Jump” e “Jumpin’ At The Woodside”, que foram gravadas pelas principais orquestras de então. Seu estilo musical era fortemente baseado no blues, ao qual adicionou um balanço insuperável e muita leveza. O acaso fez com que a sua genialidade fosse descoberta pelo produtor e caça-talentos John Hammond através das ondas do rádio. Foi Hammond que levou Count Basie aos píncaros da fama. Anos mais tarde, mesmo durante um período de declínio da música orquestral, Basie voltou à crista da onda através do convite do também produtor Norman Granz, antigo criador da orquestra Jazz At The Philharmonic – JATP, para que ajudasse a dinamizar a gravadora Pablo Records. O apelido “Count” (Conde) foi dado por um animador de auditório, a fim de compará-lo a outros nomes consagrados do jazz que ostentavam títulos nobiliárquicos ou de poder – Benny Goodman, “the King Of Swing” (o Rei do Swing), Duke Ellington, “the Duke” (o Duque), Lester Young, “the Pres” (o Presidente) e Bessie Smith “Empress of the Blues” (a Imperatriz do Blues). Count Basie manteve-se musicalmente ativo dos anos 1920 aos anos 1980.

 

Alguns dos principais músicos que participaram da orquestra – Benny Morton (trombone), Buck Clayton (trompete), Buddy Tate (sax-tenor), Chu Berry (sax-tenor), Dicky Wells (trombone), Don Byas (sax-tenor), Eddie Durham (trombone), Freddie Green (guitarra), Harry “Sweets” Edison (trompete), Herschell Evans (sax-tenor), Illinois Jacquet (sax-tenor), Jack Washington (sax-alto), Jo Jones (bateria), Lester Young (sax-tenor), Ralph Burns (piano), Sonny Payne (bateria), Tab Smith (sax-alto), Thad Jones (trompete), Vic Dickenson (trombone), Walter Page (contrabaixo).

 

Resumo da discografia (gravações no período de 1930 a 1952)

 

Baby Won’t You Please Come Home (Clarence Williams-Charles Warfield)

Basie Boogie (Count Basie-Milton Ebbins)

Basie Land (Billy Byers)

Bill Basie Won’t You Please Come Home (Count Basie-Jones-Davis)

Chicago (Fred Fisher)

Every Day I Have The Blues (Memphis Slim)

Honeysuckle Rose (Fats Waller-Andy Razaf)

I May Be Wrong (Count Basie-Jimmy Rushing)

If I Could Be You (One Hour Tonight) (James P.Johnson-Henry Creamer)

I’m Shouting Again (Neal Hefti)

I’m Walking (Fats Domino-Dave Bartholomew)

Instant Blues (Billy Byers)

Jumpin’ At The Woodside (Count Basie-Jon Hendricks)

Lester Leaps In (Lester Young)

Lil’ Darling (Neal Hefti)

Lil’ Ol’ Groovemaker (Quincy Jones)

Mean To Me (RoyTurk-Fred Ahlert)

Miss Thing (Count Basie-Skip Martin)

Moten Swing (Bennie Moten-Buster Moten)

Oh Lady Be Good (George Gershwin-Ira Gershwin)

Oh Lonesome Me (Andy Gibson)

On The Sunny Side Of The Street (Jimmy McHugh-Dorothy Fields)

One O’Clock Jump (Count Basie)

Perdido (Juan Tizol-Erwin Drake-Jan Lengsfelder)

Rock-A-Bye Basie (Count Basie-Lester Young-Shad Collins)

Roseland Shuffle (Count Basie)

Shorty George (Count Basie-Andy Gibson)

Swing, Brother, Swing (Walter Bishop-Clarence Williams-Lewis Raymond)

Swingin’ The Blues (Count Basie-Eddie Durham)

Texas Shuffle (Herschell Evans-Edgar Battle)

Them There Eyes (William Tracey-Doris Tauber-Maceo Pinkard)

They Can’t Take That Away From Me (George Gershwin-Ira Gershwin)

Together Again (Neal Hefti)

Told You So (Bill Holman)

Topsy (Eddie Durham-Edgar Battle)

 

 

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

 


AS CORES DO SWING
            (Livro de Augusto Pellegrini)

CAPÍTULO 22 = RESUMO DA DISCOGRAFIA


CHICK WEBB (1905-1939) (*) 

Nome completo – William Henry Webb

Nascimento – Baltimore-Maryland-EUA

Falecimento – Baltimore-Maryland-EUA

Instrumento – bateria

(*) Alguns biógrafos dão como data de nascimento 1909 

Comentário – A história de Chick Webb é uma história de vida. Negro, pobre e deficiente, ele tinha tudo para ser mais um molambo naqueles anos em que tudo se configurava difícil para muitos desprotegidos da sorte. Webb, no entanto, derrotou as dificuldades e se tornou um músico que se tornou um paradigma no seu instrumento. Apesar de fisicamente debilitado, devido a uma tuberculose óssea contraída na infância que impediu o seu crescimento e deformou a sua espinha, Chick Webb começou a tocar bateria aos onze anos de idade. A data de nascimento de Webb é contestada, podendo ser reduzida em quatro anos – o que daria mais autenticidade à sua lendária precocidade. Sua vida sofreu uma guinada positiva quando ele se mudou ainda criança para Nova York e teve aulas com o baterista de jazz Tommy Benford, que lhe ensinou os segredos do instrumento. Tão logo foi possível, Webb formou sua própria banda e cresceu profissionalmente, a ponto de em 1931 ser o condutor da orquestra titular do afamado Savoy Ballroom. A bateria usada por Chick Webb era adaptada em virtude do seu tamanho, mas a complexidade e a energia que emanava do seu beat iriam influenciar mais tarde bateristas do naipe de Buddy Rich e Louis Bellson. Talvez em virtude do seu estado físico, Chick Webb alternava momentos de euforia com instantes de profunda irritabilidade. A sua orquestra, no entanto, era considerada uma das melhores de Nova York, abrilhantada por músicos de ponta, como Louis Jordan, o cubano Mario Bauzá e extemporaneamente o próprio Louis Armstrong, e também por uma cantora, descoberta por ele, que viria se transformar numa lenda histórica da música norte-americana – Ella Fitzgerald. Chick Webb se manteve musicalmente ativo desde meados dos anos 1920 até pouco antes da sua morte, que ocorreu precocemente, aos trinta e quatro anos, ou trinta, dependendo de qual teria sido a sua data real de nascimento.

 

Alguns dos principais músicos que participaram da orquestra – Chauncey Haughton (clarinete e sax-alto), Bobby Stark (trompete), Edgar Sampson (sax-alto), Elmer James (contrabaixo e tuba), George Matthews (trombone), Joe Steele (piano), John Trueheart (banjo e guitarra), Louis Jordan (sax-alto), Mario Bauzá (trompete), Nat Story (trombone), Taft Jordan (trompete), Teddy McRae (clarinete e sax-tenor), Tommy Fulford (piano), Wayman Carver (flauta e sax-tenor).

 

Resumo da discografia (gravações no período de 1927 a 1937)

 

A-Tisket, A-Tasket (Ella Fitzgerald-Van Alexander)

Are You Here To Stay? (Edgar Sampson-Kenneth Harrison)

Azure (Duke Ellington-Irving Mills)

Blue Lou (Irving Mills-Edgar Sampson)

Clap Hands! Here Comes Charlie (Ballard MacDonald-Joseph Meyer-Billy Rose)

Don’t Be That Way (Benny Goodman-Edgar Sampson-Mitchell Parish)

Facts And Figures (Edgar Sampson)

Gee, But You’re Swell (Charles Tobias)

Go Harlem (James P.Johnson-Andy Razaf)

Halleluyah (Vincent Youmans-Leo Robin-Clifford Grey)

Harlem Congo (Harry White)

I Ain’t Nobody (Roger Graham)

I Got A Guy (Marion Sunshine)

I Got Rhythm (George Gershwin-Ira Gershwin)

If Dreams Come True (Benny Goodman-Edgar Sampson-Mitchell Parish)

In A Little Spanish Town (Sam M.Lewis-Joe Young-Mabel Wayne)

In The Groove At The Groove (Chick Webb)

It’s Swell Of You (Mack Gordon-Harry Revel)

Let’s Get Together (Chick Webb)

Liza (All The Clouds’ll Roll Away) (George Gershwin-Ira Gershwin-Gus Kahn)

Love And Kisses (James P.Johnson-Arthur Schwartz-Richard Whiting)

Love Marches On (Charles Tobias)

Moonlight And Magnolias (Dizzy Gillespie)

Rock It For Me (Kay Werner-Sue Werner)

Spinnin’ The Webb (Ella Fitzgerald-Chick Webb)

Squeeze Me (Fats Waller-Clarence Williams)

Strictly Jive (Chick Webb)

Sweet Sue, Just You (Will J.Harris-Victor Young)

Tain’t What You Do (It’s The Way That You Do It) (Sy Oliver)

There’s Frost On The Moon (Fred E.Ahlert-Victor Young)

That Naughty Waltz (Edwin Stanley-Sol P.Levy)

That’s My Home (Otis Rene-Ben Ellison)

Undecided (Charlie Shavers-Sydney Robin)

Wacky Dust (Oscar Levant-Stanley Adams)

Who Ya Hunchin’? (Ella Fitzgerald-Chick Webb)

 

 

 


A BUSCA 

(Música de Renato Winkler – Letra de Augusto Pellegrini)

 

Ah, esta eterna procura

Do que não se perdeu

A gente onde é que está?

Ah, esta sempre vontade

De ser e de saber

Tudo o que é e tem seu valor


É busca da gente em si mesma

É busca no tempo e no espaço

É busca do amor que não veio

Com a esperança de um dia encontrar

 

Ah, a procura daquela

Nova dimensão

A dimensão da paz

De tudo o que se quis um dia

De tudo o que se fez um dia

Pra ter aquela Maria

Pra ter aquela Maria

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

 


Casa Loma Orchestra (formada em 1927 e encerrada em 1963) 

Principal líder – Glen Gray (1906-1963)
            Nome completo – Glen Gray Knoblaugh
            Nascimento – Metamora-Illinois-EUA
            Falecimento – Plymouth-Massachusetts-EUA
            Instrumento - saxofone 

Comentário – Casa Loma, que significa “Casa na Colina” no dialeto nativo da região, era um castelo com características medievais localizado em Toronto, Canadá, de propriedade de um milionário falido, que foi transformado em um hotel turístico e mais tarde em uma casa noturna, antes de finalmente se transformar em um museu, isso em 1937. Uma das suas atrações nos meados dos anos 1920 era a Orquestra Orange Blossoms, original de Detroit, que em 1927 passou a ser gerenciada por Jean Goldkette, um misto de músico e empresário. Numa jogada de marketing, a Orange Blossoms teve seu nome trocado em 1929 para Casa Loma Orchestra, procurando tocar o jazz que estava então em voga no nordeste dos Estados Unidos. As constantes turnês pelos Estados Unidos ajudaram a orquestra a assimilar o formato do swing, embora ainda incipiente. O grupo funcionava como uma cooperativa, e por conta disso trocava constantemente de comando, o que não tirava o brilho das apresentações, mas não lhe conferia uma identidade definitiva e criava problemas de disciplina e organização. Esta identidade aconteceu apenas quando o saxofonista Glen Gray tomou finalmente a frente do grupo em 1935, o que infelizmente para ele coincidiu com o súbito estrelato da orquestra de Benny Goodman, com a qual sua música tinha muita semelhança. Isto acabou ofuscando um pouco o brilho da Casa Loma como orquestra de swing. Glen Gray era um músico experiente que se interessava por jazz desde os seus treze anos, quando havia formado uma banda chamada Spike’s Jazz Band. Quando a Casa Loma foi formada, Gray ingressou na orquestra como saxofonista e como colaborador de Jean Goldkette; com o passar do tempo e após sucessivas e desastrosas mudanças na direção, Gray acabou assumindo o comando, conduzindo o grupo até 1950 quando se aposentou por motivos de saúde. A Casa Loma se manteve em atividade desde a sua formação, em 1927, até o início dos anos 1960.

 

Alguns dos principais músicos que participaram da orquestra – Art Ralston (saxofones), Billy Raunch (trombone), Bobby Hackett (trompete), Bobby Lee Jones (trompete), Clarence Hutchenrider (clarinete), Frankie Carle (piano), Fritz Hummel (trombone), Grady Watts (trompete), Herb Ellis (guitarra), Jack Blanchette (guitarra), Joe Hall (piano), Kenny Sargent (saxofones), Pat Davis (saxofones), Pee Wee Hunt (trombone), Red Nichols (trompete), Salvador Camarata (trompete), Sonny Dunham (trompete), Stanley Dennis (contrabaixo), Tony Briglia (bateria).

 

Resumo da discografia (gravações no período de 1935 a 1940)

 

After You’ve Gone (Henry Creamer-Turner Layton)

Always (Irving Berlin)

Ballin’ The Jack (Chris Smith)

Black And Blue (Fats Waller-Andy Razaf-Harry Brooks)

Blue Again (Jimmy McHugh-Dorothy Fields)

Casa Loma Stomp (Gene Gifford)

Castle Of Dreams (Harry Tierney-Joseph McCarthy)

Chinatown, My Chinatown (William Jerome-Jean Schwartz)

Copenhagen (Frank Melrose-Charles Davis)

For Sentimental Reasons (Abner Silver)

Honeysuckle Rose (Fats Waller-Andy Razaf)

I Don’t Care Who Knows (Jimmy McHugh-Harold Adamson)

I’m Gonna Sit Right Down And Write Myself A Letter (Fred E.Ahlert-Joe Young)

In The Mood (Andy Razaf-Joe Garland)

Let Yourself Go (Irving Berlin)

Limehouse Blues (Philip Braham-Douglas Furber)

Linger Awhile (Vincent Rose-Harry Owens)

Moonglow (Irving Mills-Eddie DeLange-Will Hudson)

My Blue Heaven (Walter Donaldson-George Whiting)

Ol’ Man River (Jerome Kern-Oscar Hammerstein II)

Pagan Love Song (Nacio Herb Brown-Arthur Freed)

Polka Dots And Moonbeams (Johnny Burke-Jimmy Van Heusen)

Prelude In C Sharp Minor (Sergei Rachmaninov)

Royal Garden Blues (Clarence Williams-Spencer Williams)

Should I? (Nacio Herb Brown-Arthur Freed)

Spellbound (Stanley Adams)

Stardust (Hoagland “Hoagy” Carmichael-Mitchell Parish)

Sunrise Serenade (Frankie Carle)

The Blue Room (Richard Rodgers-Lorenz Hart)

The Man I Love (George Gershwin-Ira Gershwin)

Trouble In Paradise (Milton Ager-Ned Wever-Jean Schwartz)

Tuxedo Junction (Erskine Hawkins-Julian Dash-Buddy Feyne-William Johnson)

Weep No More My Baby (Johnny Green-Edward Heyman)

White Jazz (Gene Gifford)

Wolverine Blues (Jelly Roll Morton-Benjamin Spikes-John Spikes)

 

 

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

 


Cab Calloway (1907-1994)
            Nome completo – Cabell Calloway III
            Nascimento – Rochester-New York-EUA
            Falecimento – Hockesin-Delaware-EUA
            Instrumento – nenhum (cantor e dançarino) 

Comentário – Mais do que um famoso band leader, Cab Calloway era um grande showman e um cantor talentoso. Ele possuía uma formação cultural acima da média, tendo estudado Direito na cidade de Baltimore, até desistir da área acadêmica e investir na dança e no canto. Um dos precursores da técnica do scat-singing – que consiste em cantar imitando instrumentos musicais (geralmente omitindo a letra da música ou criando sons guturais exóticos) – ele promovia o espetáculo, ofuscando o brilho da própria orquestra com a sua forte presença de palco. Cab Calloway também inovou a apresentação das orquestras da sua época, através da utilização de um guarda-roupa extravagante e da comunicação fácil com o público. Artista de personalidade forte, mesmo sem ser um musicista, ele foi um dos personagens mais marcantes em toda a história do Cotton Club, onde se apresentou durante muitos anos cantando e dançando com muita maestria e humor. Durante trinta anos Calloway liderou uma orquestra que reunia músicos de alta qualidade, aos quais pagava os salários mais altos do show business. Com o declínio da Era do Swing, Calloway encerrou as atividades da sua orquestra em 1948, embora mantivesse na ativa um pequeno grupo chamado The Cab Jivers, e continuasse aparecendo em shows, em programas de televisão e no cinema. Seu maior sucesso, a música “Minnie The Moocher”, continuou sendo mostrada pela televisão para que o público saudosista pudesse aplaudir Calloway e relembrar as grandes performances da sua orquestra no Harlem. Em 1950 Calloway interpretou o personagem Sporting Life na versão da época de “Porgy And Bess”, ópera de autoria de George Gershwin. Cab Calloway esteve musicalmente ativo desde os anos 1920 até os anos 1980. 

Alguns dos principais músicos que partitiparam da orquestra – Al Hendrickson (guitarra), Al Morgan (contrabaixo), Allan Reuss (guitarra), Barney Kessell (guitarra), Ben Webster (sax-tenor), Benny Payne (piano), Chauncey Haughton (sax-alto), Chu Berry (sax-tenor), Cozy Cole (bateria), Dizzy Gillespie (trompete), Doc Cheatham (trompete), Eddie Barefield (clarinete), George Wettling (bateria), Henry “Red” Allen (trompete), Hilton Jefferson (sax-alto), Jonah Jones (trompete), Leroy Maxey (bateria), Mario Bauzá (trompete), Milt Hinton (contrabaixo), Morris White (guitarra), Quentin Jackson (trombone), Shad Collins (trompete), Tyree Green (trombone). 

Resumo da discografia (gravações no período de 1930 a 1947) 

A Chicken Ain’t Nothing But A Bird (Emmet Wallace)

Baby Won’t You Please Come Home (Clarence Williams-Charles Warfield)

Corrina, Corrina (Bo Chatmon-Mitchell Parish-J.Mayo Williams)

Diga Diga Doo (Jimmy McHugh-Dorothy Fields)

Everybody Eats When They Come To My House (Jeannie Burns)

Fifteen Minutes Intermission (Buddy Cannon-Sunny Skylar)

Foo A Little Bally-Hoo (Cab Calloway-Jack Palmer-Buster Harding)

Harlem Camp Meeting (Cab Calloway-Harry White)

Harlem Hospitality (Harold Arlen-Jimmy Van Heusen)

Hey How – Hey How (Elton Hill-Cab Calloway)

Hi De Ho Man (Cab Calloway-Jack Palmer-Buster Harding)

Honey Dripper (Joe Liggins)

Hoy Hoy (Mona Conrad)

I Want To Rock (Larry Clinton-Buster Harding)

I Ain’t Got Nobody (Roger Graham-Spencer Williams-Dave Peyton)

I’ve Got The World On A String (Harold Arlen-Ted Koehler)

Jitterbug (Cab Calloway-Edwin Swayzee)

Jonah Joins The Cab (Cab Calloway)

Jumping Jive (Frank Froeba-Cab Calloway-Jack Palmer)

Keep That Hi-De-Hi In Your Soul (Cab Calloway-Irving Mills-Morris White)

Kickin’ The Gong Around (Harold Arlen-Ted Koehler)

King Porter Stomp (Jelly Roll Morton)

Minnie The Moocher (Clarence Gaskill-Cab Calloway-Irving Mills)

My Gal Mezzanine (Leon René-Otis René-Ben Ellison)

Nagasaki (Harry Warren-Mort Dixon)

Oh Grandpa (Cab Calloway)

Russian Lullaby (Irving Berlin)

St. James Infirmary (Joe Primrose)

St. Louis Blues (William Christopher Handy)

The Calloway Boogie (Cab Calloway)

The Hi-De-Ho Miracle Man (Cab Calloway-Battle Thomas)

The Man From Harlem (Will Hudson)

The Scat Song (Cab Calloway-Mitchell Parish-Frank Perkins)

Two Blocks Down, Turn The Left (Freddie James-Dick Rogers)

When You’re Smiling (Mark Fisher-Joe Goodwin-Larry Shay)