sábado, 28 de agosto de 2021

 


     PÁGINAS ESCOLHIDAS

COISAS (1988)
(Augusto Pellegrini)

SERÁ QUE ALGUMA COISA ACONTECEU POR CAUSA DE ADRIANA?

Na porta do guarda-roupa está o nada absoluto, nada de vultos ou de sombras luminosas, apenas o negro brilho opaco.
Ele apaga novamente a luz, e um silêncio paralisante ecoa pelo quarto.
No vazio da escuridão, ele percebe a porta do quarto se escancarando num repente e sente que alguma coisa entra por ela, não vagarosamente como o fazem todos os fantasmas mal-intencionados, mas num abrupto crescendo, como um assassino que se decidisse subitamente, a faca na mão e a expressão transtornada.
A coisa para ao pé da cama com o olhar ameaçador – mesmo sem olhar, mesmo sem mostrar os olhos, mesmo sem mostrar se tinha olhos.
Uma lufada fria passa pela porta aberta e uma mão viscosa acaricia seu rosto numa carícia tumular, as cobertas fazendo as vezes de uma mortalha.

(Coisas inexplicáveis que acontecem dentro de um quarto mal-assombrado)


 

 


EU E A MÚSICA

Capítulo 1 – PARADA DE SUCESSOS!
Parte 3

Eu e a minha turma ingeríamos altas doses de boa música – e um outro tanto de gim-tônica – no recôndito do nosso garage club, batizado com o sugestivo nome de Bop Street, nome de uma música gravada pelo grupo de rock “Gene Vincent & His Blue Caps”. Ou então nos revezávamos nas casas de outros amigos para conhecer as novidades que faziam o nosso gênero musical, para o bem dos nossos ouvidos e espírito.
Mas, de volta àquela hora de almoço que iria mudar a história do mundo, as músicas apresentadas no programa eram anunciadas na ordem inversa, começando pelo décimo até chegar ao primeiro lugar, com Hélio de Alencar gritando bem ao seu estilo: “Em décimo lugarrr – Chega de Saudade, João Gilberto, uma novidade em primeira mão!!!”.
João Gilberto? Quem seria? Que diabo de música seria essa?
A resposta veio em seguida, e a partir daí a música brasileira nunca mais foi a mesma: a flauta mágica de Nicolino Copia, o Copinha, começa a introdução que me deixa estático em frente ao portão. Não é samba, não é choro, não é samba-choro. O violão acompanha com uma batida nunca antes utilizada, com uma divisão estranha adornada por acordes dissonantes, funcionando como um suave acolchoado para acomodar as notas da flauta.
De repente surge a voz, intimista como Chet Baker, preguiçosa como um solo de Lester Young, clara, nítida e articulada como Sinatra, e emitida como um sopro, como a voz de Julie London, sem o menor esforço.
Pronto, acabei de ser apresentado a João Gilberto, que descobriria mais tarde tratar-se de um gênio, não devido à minha avaliação, mas a um conceito universal que regula o bom gosto musical.
Nas próximas décadas ele iria tomar conta do mundo e seria considerado uma unanimidade nos Estados Unidos, na Europa e no Japão, pelo seu modo de interpretar e de tocar violão. Músicos de jazz e da música standard se curvariam à sua maneira não convencional e absolutamente discreta de mostrar a sua arte.
No Brasil, surpreendentemente, existe um divisor de águas entre aqueles que o idolatram – pela sua genialidade – e aqueles que o desprezam – quer por não entenderem seu modo de interpretar quer por estranharem sua maneira de interagir com o público.
Almocei às pressas o feijão da minha mãe com todos os acompanhamentos, saí de casa, apanhei o trolleybus e fui ao chamado centro da cidade – Rua Barão de Itapetininga – em direção à loja Breno Rossi para adquirir no ato o disco “Chega De Saudade” (Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes), com João Gilberto, sua voz e violão em 78 rotações, selo Odeon, arranjos e direção musical de Antônio Carlos Jobim (como no caso de Copinha, vim saber deste detalhe muito depois), o que colaborou com a magistralidade da gravação; no lado B, “Bim Bom” (João Gilberto). O LP com essas músicas seria lançado apenas no ano seguinte – 1959 – incluindo outras preciosidades, como “Desafinado” (Antônio Carlos Jobim e Newton Mendonça), “Lobo Bobo” (Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli), “Ho-Bá-Lá-Lá” (João Gilberto) e “Brigas, Nunca Mais” (Antônio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes).
Esta é a história que, mutatis-mutanti, teve o efeito da chegada do Anjo da Anunciação para os ditos milhões de pessoas que incluem a mim, a minha turma da Bop Street, a turma carioca do Sinatra-Farney e do Dick Haymes-Lucio Alves Fã Clubes, Roberto Menescal, os amigos do jazz, o pessoal de Ipanema e outros bem-aventurados que sentiam estarem sendo abertas naquele momento as portas do Reino do Céu.

 

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

 


NOVOCABULÁRIO INGLÊS

(Copyright FluentU)

(ver tradução após o texto)

 

FLUMMOX 

When you read this word, does it jump out and make you a little confused? If so, you were right to be confused and puzzled! That’s exactly what FLUMMOX means.   


             “Whenever you see an unusual English word, you’re likely to be FUMMOXED for a bit until you check your dictionary and find out that its meaning is quite simple.”

             “The complicated rules are likely to FLUMMOX new players.”

 

             “This complex lesson in economics may FLUMMOX several of the beginning students.”

 

             

            TRADUÇÃO

 

DESCONCERTAR, CONFUNDIR, ENCUCAR

Quando você se depara com a palavra FLUMMOX isso não o faz ficar confuso ou encucado? Se isso acontece, você está tendo o sentimento correto, pois este é o verdadeiro significado da palavra.

            “Sempre que você lê uma palavra estranha você fica um pouco perdido até olhar no dicionário e perceber que seu significado é bastante corriqueiro.”

“As regras complicadas deverão confundir os novos jogadores.”

“Esta complicada lição de Economia vai ser um problema para muitos dos alunos iniciantes.”

 

 

 

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

 


DESCANSO  

(Bossa de Augusto Pellegrini)

 

Descanso

É gostoso de ver

As nuvens brincando

E figuras formando

Bem alto, no alto do céu

Não penso

Quero fugir da vida

Como o dia perdido

No qual eu fugi de ti

 

Morreu o sol

Escurece depressa

Igual ao momento

Em que escureceu

No dia sem luz que eu vivi

Desperto

Meu descanso não era

Era sonho, quimera

Eu não fujo, eu não posso fugir

 


 

EU E A MÚSICA

Capítulo 1 – PARADA DE SUCESSOS!
Parte 2

Era 1958, talvez agosto, talvez setembro. Meio-dia.
O sol brilhava, o céu estava colorido de um azul radiante, o Brasil ainda estava eufórico com a conquista da Copa do Mundo na Suécia em junho e tudo parecia cor-de-rosa.
Eu estava no pequeno jardim da minha aconchegante casa no bairro da Aclimação, em São Paulo, que era cercado por um gradil baixo de madeira no estilo Hollywood, com o portãozinho acolhedor para as visitas bem intencionadas; algumas florezinhas bem distribuídas salpicavam o verde de amarelo, rosa e violeta, enquanto lá na cozinha, nas mãos da cozinheira minha mãe, o feijão exalava seu perfume generoso.
O aparelho de rádio – uma portentosa peça do móvel conjugado rádio-e-vitrola dotada de um moderníssimo olho mágico verde-esmeraldino – estava ligado, como sempre acontecia nessa hora, no programa “Parada de Sucessos”, transmitido pela Rádio Nacional de São Paulo, que apresentava as músicas mais tocadas e os discos mais vendidos da semana, na voz vibrante de Hélio de Alencar.
O bordão, anunciado ao som de “Saint Louis Blues” (William C.Handy) tocado pela orquestra de Glenn Miller era – “Paraaada de Sucessosss! – um desfile das músicas que o povo consagraaa! – Patrocínio Lojas Assumpção, uma loja em cada bairro para melhor servir você!” – e servia de cenário para 10 caprichados hits da época, entre eles “Balada Triste” (Dalton Vogeler e Esdras Silva) com Agostinho dos Santos, “Escultura” (Adelino Moreira e Nelson Gonçalves) com Nelson Gonçalves,  Interesseira” (Bidu Reis e Murilo Latini) com Anisio Silva, “Meu Mundo Caiu” (Maysa) com Maysa, as internacionais “Cachito” (Consuelo Velásquez) com Nat ‘King’ Cole, “You Are My Destiny” (Paul Anka) com Paul Anka, e as versões “Love Me Forever” (Beverly Guthrie e Gary Lynes) com Lana Bittencourt, “Patrícia” (Pérez Prado) com Emilinha Borba e “Diana” (Paul Anka) com Carlos Gonzaga.
Uma selva bastante diversificada, como se vê, reunindo no mesmo pacote sambas-canções, baladas, boleros e a pop music da época.
Esta diversificação de certa forma incomodava uma parcela de jovens que, como eu, se interessavam pelo jazz ou por um tipo de música que contivesse uma mensagem que fosse ao mesmo tempo poética e harmonicamente diferenciada – Sylvia Telles, Os Cariocas, Dick Farney, Lucio Alves, Johnny Alf, Chet Baker, Barney Kessell, April Stevens, Julie London, The Hi-Lo’s – fugindo das estruturas comuns, das paixões desesperadas, dos dós de peito ou das rimas pouco sutis.
A gente sabia, no entanto, que estas músicas não vendiam o suficiente para estar numa parada de sucessos e cada qual se contentava em curti-las no seu ambiente particular.

SEGUE 

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

 


O SONHO 
           (Augusto Pellegrini)
 

O sol declinava no fim da tarde, e fazia entrar uma réstia de luz oblíqua pela janela ornada por cortinas semicerradas dentro do estúdio sóbrio, mas elegante.

A parede era revestida por uma espessa tapeçaria semelhante às usadas nos castelos medievais, cuja tonalidade variava do dourado para o castanho, contendo desenhos filigranados em azul, e a decoração era completada por um cortinado de um rubro sanguíneo.

No chão, sobre o assoalho encerado, havia uma esteira de linóleo brilhante que conduzia até a porta de entrada, com as cores em mosaico combinando com o ambiente.

O estúdio era chique, porém discreto. O espaço não era muito arejado, dentro dos padrões das salas de visita dos anos 1940, um ambiente escuro sem ser fúnebre, e se impunha pela presença de um majestoso piano negro de cauda, que tomava inteiramente conta da paisagem. Ao lado do piano, bem à mão do pianista, havia uma mesa de centro de madeira trabalhada, com algumas xícaras contendo um frio resto de café, além de uma taça com um pouco de água, um cinzeiro repleto de tocos de cigarro e alguns cigarros virgens espalhados ao lado de três ou quatro folhas de partituras.

Na parede nua, ao lado da porta, um majestoso quadro se impunha, mostrando o retrato de uma dama imponente, embora sorridente.

Dwight Spencer, jornalista de algum renome na cidade, estava sentado numa cadeira de espaldar alto diante da mesa de centro, tendo à mão um bloco de anotações, e praticava o seu ofício conversando com o pianista, cuja figura se agigantava na sala, não só pelo seu tamanho avantajado, mas principalmente pelo seu porte nobre e altivo.

O som grave e pausado da sua voz era por vezes acompanhado por acordes ou trinados aleatórios, que pareciam estar compondo mais uma das suas mil melodias.

O repórter falou:

O que é preciso para se compor uma música?” – de repente a pergunta lhe pareceu um pouco idiota, mas já havia sido proferida. O que Dwight queria saber, na verdade, era se seria necessário que o compositor se munisse de algum espírito ou de alguma emoção especial antes de começar a desenhar as notas e as figuras musicais sobre a partitura, tendo como referência apenas a sua criatividade.

A resposta óbvia seria “inspiração, uma ideia na cabeça, disposição momentânea” ou até mesmo “obrigação contratual”, mas ela veio diferente e desconcertante.

Sonhar...” – respondeu o maestro.

Sonhar?!” – e o jornalista levou alguns segundos para assimilar a resposta do maestro, assim como a maioria das pessoas levavam algum tempo para entender a sua harmonia, oblíqua como o sol da tarde.

“Eu sabia que não seria fácil entrevistar Duke Ellington!...” – pensou o repórter.

Ellington parecia totalmente envolvido no som do seu piano, e talvez nem estivesse prestando atenção nas perguntas.

De fato, ele não encarava o repórter; ao invés disso, fitava o teclado e ia além, com o olhar às vezes penetrando a caixa de madeira e se perdendo por entre os marteletes de feltro e se fixando no semblante emoldurado na parede. Obedecendo ao seu olhar, os dedos tocam as teclas, num acorde que faz os martelos vibrarem contra as cordas e criarem um som etéreo, o que provocou um estranho arrepio no jornalista.

Mas Ellington estava atento à conversa de Dwight.

Yes, sir!, sonhar me traz idéias!” – confirmou Ellington, e enquanto falava, seus dedos corriam céleres sobre o teclado, num arpejo poderoso.

Nada disto existe, tudo isto é sonho... Vê?” – e ele lança um olhar inquisitivo para Dwight Spencer – “Isto não é música, isto não é um piano, isto é... sonho!...”

Spencer sorriu, mas não fez nenhuma anotação.

Eu sonho o tempo todo, quando toco e quando componho. É a única maneira possível de se fazer música” – encerrou Ellington, enigmaticamente.

Este era Duke Ellington, mais do que simplesmente um músico, um intelectual da música. Dwight entendeu o recado, percebeu qual seria o rumo da entrevista e decidiu apostar num trabalho inusitado, preocupado não em conhecer a história, mas em desvendar a alma do maestro.

 


SINOPSE DO PROGRAMA SEXTA JAZZ DE 08/03/2019
RÁDIO UNIVERSIDADE 106,9 Mhz
São Luís-MA

DUKE ELLINGTON’S GREATEST HITS

O pianista, compositor e líder de orquestra Duke Ellington é um dos personagens mais influentes de que se tem conhecimento na história do jazz. Ellington marcou a música do século vinte na América e no mundo depois de quase 60 anos de atividade. Seu legado consiste de diversas formas de jazz, quer interpretado por grandes orquestras quer por pequenos conjuntos, abrindo um imenso leque que vai desde a música das big bands até o swing dançante, do free jazz à música sinfônica e das suítes à música sacra, sempre tendo como base o mais autêntico blues, cuja raiz está presente em todas as suas composições e execuções. O programa desta sexta-feira apresenta um compêndio da sua obra resumido a quatorze músicas, quase todas gravadas durante a década de 1940. Entre elas, “Take the A Train”, “Sophisticated Lady”, “Caravan”, “It Don’t Mean a Thing”, “Mood Indigo”, “Perdido”, “In a Sentimental Mood” e “Prelude to a Kiss”. 

Sexta Jazz, nesta sexta, oito da noite, produção e apresentação de Augusto Pellegrini

 

terça-feira, 24 de agosto de 2021

 A partir de hoje, vou reeditar capítulos de "EU E A MÚSICA", livro que foi escrito a conta-gotas a partir de 2014 e retrata meu envolvimento com a música e com músicos, narrando fatos verídicos dos quais participei. Como os episódios são relativamente longos, eles serão divididos em partes a fim de possibilitar ao leitor uma leitura tranquila sem se preocupar com os "textões" por vezes indesejáveis. Obrigado pela leitura!

Augusto Pellegrini



 EU E A MÚSICA

Capítulo 1 – PARADA DE SUCESSOS!
Parte1

Estranhamente, para um livro que se propõe comentar aventuras musicais, falar sobre futebol parece francamente uma excrescência, embora vozes saudáveis costumem muitas vezes relacionar as duas coisas e eu próprio ter como atividade cultural tanto uma coisa – música – como a outra – futebol – nas minhas digressões literárias.
Assim, num certo dia de 1953, um rapaz de pernas tortas, a quem chamavam de Garrincha – possivelmente pelo seu hábito de, desde criança, caçar passarinhos do mesmo nome – entrou no gramado de treino do campo do Botafogo, lá na Rua General Severiano.
Garrincha foi escalado para jogar na ponta-direita, num espaço de campo defendido por um lateral de nome Nilton Santos, que desde 1948 reinava absoluto no Botafogo e pintava na seleção brasileira, e que viria a ser chamado enfaticamente de “A Enciclopédia”, pois sabia tudo de futebol.
Garrincha não se importou nem um pouco com a fama do seu adversário e começou nesta mesma tarde a sua campanha mundial de desmoralização dos marcadores que a partir de então, até meados dos anos 1960, teriam a infelicidade de enfrentá-lo.
Dizem aqueles que viram o famoso Nilton Santos tomar um grande baile sem música daquele novato desengonçado, que ao término do treino o lateral foi o primeiro a recomendar a sua contratação ao então presidente Ibsen de Rossi.
Considerando que este duelo aconteceu num treino sem maiores pretensões, num dia de semana sem qualquer significado especial e cercado de nenhuma expectativa, a quantidade de gente que garante ter estado presente é assustadora, pois de longe suplantaria a lotação do estádio, que era de vinte mil pessoas.
Este prólogo vem a calhar quando se fala do nascimento da bossa nova.
Aqui não se trata de vinte mil, mas de vinte milhões de brasileiros que de uma maneira ou de outra contam como vivenciaram o evento e como as suas vidas mudaram a partir de então.
Parece que todos passaram por uma experiência semelhante à que eu passei ao serem apresentados à novidade que estremeceria as bases da cultura musical brasileira e modificaria o seu futuro de forma definitiva.
Meu relato é semelhante a milhares de relatos correlatos e a sensação de que algo de muito importante estava acontecendo com a música brasileira é compartilhada com estes milhares de felizardos.

SEGUE

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

 


RESSURREIÇÃO

(Augusto Pellegrini)

Voltei, depois de tanto tempo estando ausente
Fui dado como morto, desaparecido
Eu tinha bons motivos para ter fugido
Sem um aviso prévio pra qualquer parente

Deixei chorosos mãe, irmã e demais confrades
Mas tive que fazê-lo, foi mesmo preciso
Deixar meu bem, meus bens, meu lar, foi dolorido
Parti em silêncio e só, num triste fim de tarde

E quando eu fui meus caros se desesperaram
Mas a ala dos contrários em muito se alegrou
A sanha irada dos malditos desencadeou
Tal foi a virulência que eles demonstraram

Mas eu voltei e surpreendi meus inimigos
Aqueles que me agrediram à socapa
E agora têm que dar a suja cara a tapa
Engolindo a seco seu infame regozijo

Pra quem que me festejava como morto
Minha ressurreição foi um duro golpe
Corja de malfeitores, gente torpe
Figuras amorais, ratos de esgoto

Pros meus amigos que agora estão em festa
Abraços, vinho, muita comemoração
Com a fantasia que encontraram no porão
Dançam e cantam a vida que me resta

Dezembro 2019






 

Boa noite, amigos do jazz. Termina, com esta postagem, a edição do livro “As Cores do Swing” nas páginas do Facebook e do blog “augustopellegrini.blogspot.com”, que foi iniciada no dia 20 de junho de 2020 e teve a publicação de exatas 194 postagens.  Foram 21 Capítulos mais um apêndice final mostrando 111 minibiografias de bandleaders que fizeram a história do swing, cada qual incluindo uma discografia que mostra as gravações mais significativas de cada um.  

O livro está no momento sendo publicado semanalmente no Facetubes (https://www.facetubes.com.br/noticia) administrado pelo amigo e jornalista Mhario Lincoln, que oferece uma prazerosa informação cultural para os leitores das mais diversas correntes.

A nossa missão de publicar o livro “As Cores do Swing” através destas mídias sociais está encerrada com sucesso, num misto de alegria (pela publicação) e tristeza (pelo fim da publicação). Agradeço as curtidas e os comentários e espero ter contribuído para o conhecimento e a curiosidade daqueles que se interessam pela matéria.

 

Augusto Pellegrini

 


AS CORES DO SWING
           (Livro de Augusto Pellegrini)

BANDLEADERS E DISCOGRAFIA 

 

XAVIER CUGAT (1900-1990) 

Nome completo – Francisco de Asis Javier Cugat Mingall de Bru y Deulofeo

Local de nascimento – Girona-Espanha

Local de falecimento – Barcelona-Espanha

Instrumento – violino

 

Comentário – Apesar de ser espanhol de nascimento, Xavier Cugat, como se tornou conhecido, cresceu e se tornou músico residindo em Havana-Cuba. Lá, tocou violino na orquestra do Teatro Nacional quando tinha doze anos. Mudou-se para os Estados Unidos aos quinze anos, ingressando em uma orquestra que tocava regularmente no Cocoanut Groove, em Los Angeles, e depois trabalhou como acompanhante de uma cantora de ópera. Em 1918 Cugat se juntou a uma orquestra de tango chamada The Gigolos, ao mesmo tempo em que exercia a função de cartunista – arte que desempenhava muito bem – para o jornal Los Angeles Times. Cugat continuava tocando no Cocoanut Groove quando em 1920 resolveu tentar o sucesso em Nova York, onde formou o seu primeiro grupo, ao qual denominou The Latin American Band, dando início a uma carreira de bandleader que iria durar mais de cinquenta anos, dentro da qual ficou internacionalmente conhecido e através da qual tornou populares alguns ritmos latinos tratados com um tempero jazzístico orquestral – o tango, o cha-cha-cha, o mambo, a conga e a rumba. Cugat foi responsável por diversos sucessos internacionais que faziam ferver os salões de dança e os teatros, como “El Manisero” (“The Peanut Vendor”) (1930), “Perfidia” (1940) e “Babalu” (1944). A orquestra de Cugat teve em suas fileiras alguns dos mais importantes músicos latinos, como Desi Arnaz, Miguelito Valdés, Tito Rodriguez e a cantora peruana Yma Sumac, além da loira americana bombshell Abbe Lane, sua terceira esposa. O sucesso de Cugat foi enorme e ele apareceu em uma dezena de filmes, entre os quais podem ser citados “Holiday In Mexico”, “On An Island With You” e “Weekend At The Waldorf”. Xavier Cugat se apresentou com sua orquestra por dezesseis anos seguidos no Waldorf Astoria Hotel, em Nova York. Em 1970, aos setenta anos de idade, ele se aposentou e voltou para o seu país natal, indo morar em Barcelona, onde viveu confortavelmente por mais vinte anos. Após a aposentadoria de Cugat, a sua orquestra foi dirigida pelo músico Tito Puente, e mais tarde pela bailarina, musicista e cantora Ada Cavallo.

 

Algumas gravações 

Adiós (Eddie Woods-Enric Madriguera)

Begin The Beguine (Cole Porter)

Besame Mucho (Consuelo Velásquez)

Bim-Bam-Bum (Noro Morales-Johnnie Camacho)

Cugat’s Nugats (Xavier Cugat-Rafael Angulo)

Brazil (Ary Barroso)

Green Eyes (Eddie Rivera-Nilo Menendez-Adolfo Utrera-Eddie Woods)

Isle Of Capri (Jimmy Kennedy-Will Grosz)

La Golondrina (Narciso Serradel)

La Violetera (José Padilla)

Malagueña (Ernesto Lecuona)

Mambo Nº 5 (Pérez Prado)

My Shawl (Xavier Cugat-Stanley Adams)

Night Must Fall (Xavier Cugat)

On An Island With You (Edward Heyman-Nacio Herb Brown)

Pa-Ran-Pan-Pan (Sergio de Karlo)

Para Vigo Me Voy (Ernesto Lecuona)

Siboney (Ernesto Lecuona)

Sway (Quien Será) (Luis Demetrio-Pablo Beltrán Ruiz)

The Breeze And I (Ernesto Lecuona-Al Stillman) 

The Peanut Vendor (El Manisero) (Moises Simons)