quarta-feira, 27 de novembro de 2019






SINOPSE DO PROGRAMA SEXTA JAZZ DE 27/04/2018
RÁDIO UNIVERSIDADE FM - 106,9 Mhz
São Luís-MA

HARRY CONNICK JR.

Considerado um dos artistas americanos mais brilhantes dos últimos trinta anos, o cantor, pianista, ator e apresentador de televisão Harry Connick Jr. chegou a ser considerado o sucessor de Frank Sinatra na preferência do público. Um recordista de venda de discos e em turnês pelo mundo, Connick alia um excelente piano-jazz ao estilo mix entre Thelonious Monk e Errol Garner a uma voz feita para cantar standards, o que faz dele o "one-man show" que todos apreciam. A gravação deste álbum foi feita em 1992, e Harry Connick desfila alguns sucessos como "Stardust", "After You've Gone", "Tangerine" e "Caravan" transmitindo muita balada e muito jazz, com a participação especial do pianista Elis Marsalis, do cantor Johnny Adams, do baixista Ray Brown e saxofonista Ned Goold.

Sexta Jazz, nesta sexta, oito da noite, produção e apresentação de Augusto Pellegrini
                                                                                                                                    





domingo, 24 de novembro de 2019



INFINITO

Teu infinito é misterioso como a noite
Mas tua noite infelizmente é bem finita
Em vão eu tento decifrar os teus açoites
Que me machucam e trazem caos na minha vida

Então procuro compreender esse teu lado
Que afirma coisas que de fato não existem
Assim, percebo que estou sendo ludibriado
E enfeitiçado por fantasmas que me assistem   

Eu sinto a mente esvaziar quando te vejo
Como se fosse dissolvida em puro ácido
E me sufoco ensandecido em meu desejo
Prevendo a morte como meu próximo passo

Meu infinito infelizmente não se cruza
Com tua linha paralela e bem distante
Somos dois corpos a vagar, que ninguém ousa
Aproximar, pois se repelem num instante

Teu infinito é misterioso como a morte
E como a morte nosso futuro é insondável
Nosso infinito não tem foto, só recorte
Feito de papel velho, sujo e inusável

Novembro 2019



sexta-feira, 22 de novembro de 2019







NÃO VOU JAMAIS AMAR 

(Samba de Augusto Pellegrini – Marinho – Luís Albuquerque)

Me vejo perdido num canto
A chorar de aflição
Passado, saudade
Lembrança, desilusão
Palavras que têm consistência
Num samba, é verdade
Mas que na realidade
Só fazem magoar um coração

Pedaços da minha vida
Espalhados ao chão
Colhidos e reconfessados
Por meu violão 
Se toda a filosofia
Pudesse assim demonstrar
Toda a verdade contida
Num samba na mesa de um bar
Confesso, então eu diria
Ironia, melhor não falar
Em samba e na poesia
Não vou jamais amar

1976

segunda-feira, 18 de novembro de 2019






SINOPSE DO PROGRAMA SEXTA JAZZ DE 12/01/2018
RÁDIO UNIVERSIDADE FM - 106,9 Mhz
São Luí-MA

1930'S JAZZ BIG BANDS 

Nos primeiros anos do século 20 o jazz sofreu a sua primeira grande ruptura, quando o estilo tradicional de Nova Orleans, influenciado pelas danças de salão europeias que tocavam em Nova York e Chicago deu início ao que se chamaria mais tarde de swing das big bands. Os registros daquela época são bastante precários, mas o Sexta Jazz decidiu resgatar algumas das orquestras que foram o berço do jazz que viria a seguir e apresenta algumas gravações antológicas dos anos 1930. Os ouvintes hão de perdoar a qualidade do som em virtude da tecnologia de gravação daquele tempo feitas em discos de cera sem qualquer mixagem, mas por outro lado irão ouvir peças antológicas que fazem parte da música universal e que poucas vezes foram mostradas em emissoras de rádio, pelo menos neste século. As raridades incluem Benny Goodman, Count Basie, Duke Ellington, Jimmie Lunceford (na foto), Earl Hines, Ben Pollack, Red Norvo, Erskine Hawkins, Teddy Hill, Chick Webb, Fletcher Henderson, Cab Calloway e outros.

Sexta Jazz, nesta sexta, oito da noite, produção e apresentação de Augusto Pellegrini
                                                                                                                                    





domingo, 17 de novembro de 2019






O PORCO
(Excerto)

Radamés estava muito preocupado com o julgamento que seria realizado na terça-feira, pois não via por onde ganhar a causa e começava a ver pelo binóculo as terras que estavam em questão. Pior, não tinha a menor confiança no seu advogado, um tal doutor Calixto Fortes, um sujeito cheio de pose que lhe fora indicado por um amigo.
Percebendo que a nau estava indo a pique, ele perguntou timidamente se havia alguma forma de seduzir o juiz, com alguma conversa ou algum  “presentinho”, ao que o doutor respondeu que o juiz seria um tal Pompílio de Taques, daqueles da velha guarda – in-cor-rup-tí-vel! – e completou dizendo que o juiz levava uma vida muito simples, sem luxos, e que a sua verdadeira paixão – depois das leis, é claro – eram os leitões que ele criava num sítio que possuía no interior.
Radamés aparentemente se resignou. Para ele, a justiça lhe parecia fortuita e cega, com os olhos vendados e a espada na mão, pronta para ceifar cabeças sem qualquer critério pesando os prós e os contras de um julgamento na sua balança de dois pesos e duas medidas.
-0-0-0-
Terça-feira.
Lá estavam todos os implicados no segundo andar do Fórum onde ficava a Sexta Vara: Radamés, cheio de preocupações, doutor Calixto, cheio de anéis, Vivaldo – seu adversário – cheio de certeza e advogado dele cheio de presunção e papéis.
O oficial abriu a porta e convidou todos a entrar.
No alto da sua imponência, o Meretíssimo Pompílio de Taques pigarreou, leu as laudas como de praxe, permitiu as justificativas e apartes sem prestar muita atenção, e foi curto e grosso na sentença.
- Tendo em vista os fundamentos dos autos, condeno o senhor Vivaldo Perequê a devolver as terras questionadas e proclamo seu legítimo dono o senhor Radamés Plutarco. Caberá ao senhor Vivaldo Perequê o pagamento das custas processuais e etcetera etcetera, etcetera...
Com a sentença proferida, as partes se dissolveram escada abaixo, doutor Calixto cofiando a barba rala com brilho nos olhos, o incrédulo Vivaldo Perequê dardejando um olhar de fúria para o seu atônito advogado e Radamés se concentrando em um enorme quadro no hall que mostrava uma cena campestre onde alguns leitõezinhos chafurdavam felizes na lama.
-0-0-0-
Doutor Calixto, envaidecido como um pavão, se dava ares de importância.
- Não disse a você, Radamés, não disse a você para confiar no meu trabalho?
- Só que as coisas nem sempre acontecem naturalmente, doutor. A gente às vezes tem que dar um empurrãozinho por fora...
- Como assim, empurrãozinho, Radamés, como assim?
- Bem doutor, não foi propriamente pelo seu trabalho que a gente ganhou a questão, mas pelo meu presente...
- Presente, Radamés, que presente?
- O porco que dei de presente para o Doutor Pompílio.
- Você deu um porco de presente para o Doutor Pompílio? Não pode ser, Radamés, não posso acreditar que o Doutor Pompílio iria vender a sentença por um porco!
- Nem eu iria acreditar nisso, doutor, depois que o senhor me disse que o homem é incorruptível!
- Mas então... que diabo de história é essa? – exasperou-se o advogado.
- É que eu mandei um porquinho todo cor-de-rosa pro juiz, com um bilhetinho preso a uma fita vermelha amarrada no pescoço do bicho.
- ... e então...?   
- ... e então o bilhetinho pedia com todo o respeito que o juiz aceitasse o porquinho como presente, e era assinado por Vivaldo Perequê...  




sexta-feira, 15 de novembro de 2019







NOVOCABULÁRIO INGLÊS
(Copyright MacMillan)

(ver tradução após o texto)

CHUGGER

The next time you see a smartly dressed person standing with a clipboard in the centre of a shopping mall, think twice before you try to avoid them. This person could be a charity mugger, or CHUGGER. CHUGGERS aren’t interested in where you shop or which toilet roll you use, they just want you to sign up for regular donations to charity.  

            “I was recently ambushed by a charity mugger, or a CHUGGER, in Oxford Street, London. ‘Good morning, sir. Do you like children and would like to help them?’…” (The Guardian, 11th January 2005)
  

TRADUÇÃO

AGENTE DE CARIDADE
A próxima vez que você ver uma pessoa muito bem vestida, parada com uma prancheta na mão no meio de um shopping center, pense duas vezes antes de evitar ser abordado por ela. Esta pessoa pode ser um AGENTE DE CARIDADE. Os AGENTES DE CARIDADE não estão interessados em saber onde você faz as compras ou que marca de papel higiênico você usa, eles querem apenas que você se comprometa a fazer doações regulares para instituições de caridade.

 “Eu fui recentemente atacado por um AGENTE DE CARIDADE na Oxford Street, em Londres. ‘Bom dia, senhor. Você gosta de crianças e gostaria de lhes dar uma ajuda?’...” (publicado no The Guardian em 11 de janeiro de 2005)

quarta-feira, 13 de novembro de 2019






FAÇA DE CONTA 
1978
(Samba de Nelson Gengo e Augusto Pellegrini)

Faça de conta que tudo
Não passou de intriga
E a briga que existiu
Foi sem querer
Vamos rever o passado
E esquecer nossas vidas
Avaliando a situação
Prometendo não mais
Reviver a dor

Eu não chorei pelo que aconteceu
E nem pelo dissabor que me aborreceu 
Vivi sempre sentindo saudade
Fugindo da realidade
Tentando esquecer teus apelos
Senti dentro de mim um aperto
Neste momento te peço
De braços abertos espero pelo teu regresso



segunda-feira, 11 de novembro de 2019







SINOPSE DO PROGRAMA SEXTA JAZZ DE 02/03/2018
RÁDIO UNIVERSIDADE FM - 106,9 Mhz
São Luís-MA

THE NEWPORT JAZZ FESTIVAL

Não se pode precisar exatamente a partir de quando os festivais de jazz - eventos que conseguem reunir em grandes espaços uma grande diversidade de artistas tocando para um público que não caberia num auditório convencional - foram iniciados. A história, no entanto, nos fornece relatos de eventos com este formato que começaram a acontecer durante a década de 1950, tanto nos Estados Unidos, em Newport, quanto na Europa, mais exatamente na Inglaterra, em Hampshire. Com o passar do tempo e com as novas tendências do jazz os festivais foram se modernizando e inclusive agregando outros gêneros musicais. Este programa mostra como era um festival de jazz "das antigas" com apresentações do Newport Jazz Festival de 1968, portanto há exatos 50 anos, onde numa mesma jornada o público teve a oportunidade de ver Louis Armstrong, Ben Webster, Rex Stewart, Willie "The Lion" Smith, Jimmy Rushing e as orquestras de Duke Ellington e Benny Goodman. Aqui, o ouvinte vai ouvir velhos standards como "On The Sunny Side Of The Street", "Cherokee", "Rockin' Chair" e "Black And Tan Fantasy", músicas que se perpetuaram no tempo.         

Sexta Jazz, nesta sexta, oito da noite, produção e apresentação de Augusto Pellegrini
                                                                                                                                    



sexta-feira, 8 de novembro de 2019







A VIOLA DO ZÉ DA ROSINHA
(Excerto)

José Brito de Oliveira, filho de dona Rosinha engomadeira, o mais talentoso entre os oito paridos, era um poeta-cantador de seis a doze cordas.
Zé da Rosinha – como era conhecido – era o vate musical de Catolé do Mato, o tom maior que movia as engrenagens da vida pacífica do lugar, um tangará atrevido, um Guido D’Arezzo dos trópicos, um menestrel de dedeira.
           Até que um dia o si-lá-sol calou, o verso impudico quebrou e o colibri amanheceu com a voz fífia. Roubaram a viola do Zé da Rosinha.
O culpado só podia ser o mal-afamado Agostinho, cuja reputação que ia de trapaceiro a ladrão já ultrapassara os limites da cidade e chegara além fronteiras nas cidades vizinhas, de Cajazinho a Ximangó.
O roubo da viola foi assunto de grande repercussão num lugarejo desacostumado a escândalos desse tipo.
O caso foi, é claro, parar na delegacia, e o delegado-juiz mandou chamar Agostinho para depor diante de todos os envolvidos – vítima, testemunhas e enxeridos – numa verdadeira execração pública.
A lengalenga foi arrastada – “onde estava? a que horas? quem? onde? por que?” – e as respostas de Agostinho já vinham prontas – “ não sei, não me lembro, não conheço, não sei tocar viola, não faço a mínima ideia...”.
Lá pelas tantas, depois de horas de negativas e amolações, o delegado, já extenuado e convencido de que iria continuar dando voltas como um cachorro à cata do próprio rabo, resolveu encerrar a sessão por absoluta falta de provas e declarou, na forma da lei – “considerando o álibi apresentado pelo acusado, a pouca evidência mostrada nos depoimentos e a consequente insuficiência de provas, vejo-me na obrigação de absolver o senhor Agostinho Oristânio Marreca”.
Álibi? Evidência? Absolver?
Na cabeça de Agostinho martelava a frase final do delegado-juiz como um gongo chinês – “vejo-me na obrigação de absolver o senhor Agostinho Oristânio Marreca...”.
Todos olharam para a cara de pasmo do já desacusado, esperando por uma reação – um sorriso, uma zombaria, um gemido de alegria, um estertor de alívio – mas o que ouviram foi uma voz fraca, combalida, balbuciante, tartamudeante.
“Faça isso não, doutor, esse negócio de absolver. Faça isso não que eu “adevolvo” a viola pro Zé da Rosinha...”.
    




quinta-feira, 7 de novembro de 2019







PEÇO A VOCÊ 
1978
(Samba de Augusto Pellegrini)

Peço a você
Que console este meu coração
Já não vivo em paz
Pois novamente fracassei
E pensar noutra desilusão
Eu não posso mais

Meu pranto derramei
Por toda a vida
Tive sonhos dourados de amor
Encontrei flores no meu caminho
No entanto, em cada flor
Morava a solidão
E o canto se transformava
Da flor em espinho
Por isso peço a você
Que me console e me dê seu carinho
Ninguém pode ser feliz sozinho