sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

 


SINOPSE DO PROGRAMA SEXTA JAZZ DE 13/03/2020
RÁDIO UNIVERSIDADE FM - 106,9 Mhz
São Luís-MA

HAROLD LÓPEZ-NUSSA - UN DIA QUALQUIERA

Cuba sempre nos presenteou com grandes músicos, tanto na arte caribenha quanto no melhor do jazz. Seguindo a linhagem de alguns grandes mestres nascidos na ilha, como Mario Bauzá, Chucho Valdez, Paquito D’Rivera, Mongo Santamaria, Gonzalo Rubacalba e outros,  quem se apresenta hoje no Sexta Jazz é o pianista Harold López-Nussa com seu trio, num repertório que inclui composições próprias com algumas de outros compositores renomados. Os López-Nussa - pais e irmãos de Harold - formam uma tradicional família de músicos, tanto na área popular quanto erudita. Harold costuma fazer excursões pelo mundo afora, mas continua residindo em Havana, onde tem o seu quartel-general. O álbum que está sendo apresentado - "Un Dia Qualquiera" - traz uma riqueza harmônica instigante, fundindo valores caribenhos com o jazz contemporâneo onde se destaca a técnica do pianista.  

Sexta Jazz, nesta sexta, oito da noite, produção e apresentação de Augusto Pellegrini

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

 


O ESTUDO COMO FORMA DE CRESCIMENTO
(Augusto Pellegrini)
 

Este artigo foi escrito para os adolescentes que acham que as coisas caem do céu – e as nossas escolas estão repletas deles – e foi publicado num jornalzinho interno de uma escola de inglês. A finalidade foi despertar nos jovens leitores – embora provavelmente leitores apenas ocasionais – a extrema necessidade de se preparar para o futuro, porque muito em breve eles terão que enfrentar uma batalha entre os mais fortes. Sem a menor intenção de ter escrito outro abominável texto de autoajuda, tenho plena consciência de que este artigo é também dirigido aos adultos irresponsáveis que pensam em enriquecer apenas materialmente – certamente apostando em loterias – se esquecendo que sem um suporte cultural os novos ricos não passam de ricos idiotas. 

 

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Certa vez, há muitos anos, mesmo sem jogar lá essas coisas eu resolvi fazer do xadrez o meu passatempo predileto.

Para tanto, combinei com um amigo para que praticássemos um pouco todo final de dia. Ele era o que se pode chamar de “um bom jogador”.

Então, diariamente, depois das cinco da tarde, as partidas se desenrolavam naturalmente e eu, é claro, perdia todas!

A coisa tomou tal dimensão e as derrotas se tornaram tão rotineiras e contundentes que eu decidi que era chegada a hora de mudar o rumo da minha história sobre o tabuleiro.  

Como Bóris – este era o nome do amigo – teve que viajar, tivemos uma pausa de uns vinte dias, tempo necessário para eu comprar dois ou três livros e começar a estudar, dedicando parte do meu estudo para as aberturas, parte para o desenvolvimento e parte para os finais de partida.

Em pouco tempo, aprendi muito com Ruy Lopez, Alekhine, Capablanca e outros mestres, até que chegou a hora de testar meu novo perfil contra o meu amigo.

Para minha surpresa – e a dele – comecei sistematicamente a ganhar as partidas, algumas até sem muita dificuldade. Após algumas derrotas, Bóris questionou o meu súbito crescimento xadrezista.  

Expliquei o que havia feito e também lhe mostrei os livros. Após as explicações de praxe, ele coçou a cabeça e declarou solenemente que iria também começar a estudar.

Este episódio, apesar de nada especial, me deixou duas lições.

Primeira, por mais que você acha que sabe, sempre existe espaço para saber um pouco mais, ou seja, somos todos ignorantes e as portas do conhecimento são inesgotáveis. “A única coisa que eu sei é que eu nada sei”, disse Aristóteles.

Segunda, quanto mais você aprimora o seu conhecimento, maiores são as possibilidades de você se tornar um vencedor. Isto acontece com o xadrez, isso acontece com qualquer matéria da vida, inclusive no que diz respeito ao aprendizado de uma língua estrangeira.  

Toda forma de estudo é primordialmente uma questão de vontade.

Diferentemente de outro tipo de estudo acadêmico – química, física, biologia – que requer muita leitura, experimentos, alguma memorização e uma boa dose de paciência, estudar idiomas é mais uma questão prazerosa de se manter ligado às coisas que nos cercam.  

Você aprende inglês diariamente assistindo TV, lendo cartazes, apreciando vitrines e fachadas comerciais, ouvindo música, navegando na internet ou tentando entender o manual de instruções daquele novo implemento eletrônico que você acabou de adquirir.

E tem mais: ao se integrar numa sala de aula você se socializa praticando o idioma com o professor e com os seus colegas, descobre curiosidades e particularidades de uma cultura diferente e se diverte ao descortinar coisas novas. Em outras palavras, você se diferencia do comum e se torna uma pessoa com o futuro mais resolvido, ao mesmo tempo se divertindo ao descortinar coisas novas. Você realmente começa a fazer parte do mundo globalizado em que estamos vivendo e fica pronto para aceitar desafios aqui ou em qualquer parte do mundo.

O negócio é não se conformar com os nossos reveses só porque aquele outro alguém está tendo mais sucesso. Temos é que estudar, qualquer que seja a forma e o método, para garantir um lugar na sociedade competitiva em que vivemos.

Foi desta forma que eu equilibrei as forças com o meu amigo Bóris.

 

2003

 

 

   

 



O TEU INFINITO

(Augusto Pellegrini)

 

Misterioso como a noite
O teu infinito
Gostaria de mergulhar
No fundo dos teus olhos

 

Março de 2011

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

 


CANTADOR POPULAR 

(Bossa - música de Renato Winkler e letra de Augusto Pellegrini)

 

Paro a conversa no meio

Nem peço licença

Mas vê que sucesso

Mulher, um pedaço

Meu chope gelado

Até já esquentou

Esta é a maneira discreta

De se enfeitiçar (não é?)

Passa, provoca e não olha

Não vai nem parar (vai não)

Eu me levanto e vou indo

Mas sem confiar (vou lá)

Em que eu possa dizer

Coisas de conquistar

Estou querendo agradar

 

Não há quem passe e não olhe

E não faça trejeitos

Assim eu não posso

Isto não é direito

Pode ser bonita

Mas não tanto assim

Esta é a maneira discreta

De se enfeitiçar (não é?)

Sigo ao seu lado agradando

Sem acreditar (sem não)

Todos amigos e gente

Que estavam no bar (no ar)

Falam coisas de mim

Cantador popular

Estou querendo agradar

Estou querendo agradar

 

domingo, 16 de janeiro de 2022




 INSISTÊNCIA
(Augusto Pellegrini)

Por que você insiste pra que eu feche a porta?
Eu sei que já é tarde, mas se mantém o calor
Pois o sol intenso da tarde nos incendiou
Pode ser noite, mas cálida, e é o que importa
Em contraposição com o seu mau humor

Por que você insiste para que eu feche a boca?
Se eu gosto de falar a sós comigo mesmo
Na falta de um interlocutor que me compreenda
E faça eco à minha conversa vã e louca
Feita de notas musicais, como um solfejo

Por que você insiste para que eu não ouça?
Se tudo o que desejo é ter o ouvido aberto
Para saber o que de mim fala este vento
O gotejar da água que que na poça empoça
E o farfalhar das folhas que estão por perto  

Por que você insiste que eu abandone o vinho?
Se é ele que me faz noturna companhia
Enquanto aguardo em vão por aquele sorriso
E aquele olhar sereno pra aquecer meu ninho
Tornando esta mansão um pouco menos sombria

Por que você insiste que eu não sinta a noite
E a sua companhia amiga e benfazeja?
Se isto parece agora ser tudo o que me resta
Para tentar fugir da dor do seu açoite
Pois neste instante é tudo o que minh’alma almeja

A porta, a boca, o vinho, e esta noite quente
Me fazem companhia, ao lado da sua ausência
Quem sabe a manhã venha e traga novidades
Você sorrindo lindo e desbragadamente
Me olhando com ternura... e sem tanta insistência

Jun 2017
 
 

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

 

                            Foto: Celson Mendes (no violão), Augusto Pellegrini e Antônio Vieira

EU E A MÚSICA  
(Augusto Pellegrini)

A SAGA DO TERCEIRO PISO

Na última década do século 20 – e já se vão trinta anos – o panorama musical de São Luís era muito diferente do atual. A vida noturna se materializava apenas nos fins de semana, geralmente começando na sexta-feira, o que tornava o resto da semana um deserto de ideias e de diversão.
          Eventualmente aconteciam shows durante a semana, mas na maioria das vezes se tratava de uma atração de algum outro lugar – um cantor importado ou um instrumentista da elite – que geralmente se apresentava no Teatro Arthur Azevedo, nos salões dos hotéis ou em jantares “privé” para um público selecionado a dedo.
          Os restaurantes, com exceção a uns poucos lugares, faziam uma grande restrição à chamada música ao vivo interpretada pelos ‘cantores da terra”, e a maioria dos bares ainda preferia o chamado “som mecânico” como múic de fundo, alegando que músicos e cantores poderiam incomodar e afastar os clientes.
          A exceção foi o “reggae”, que se desenvolveu de uma forma mais aberta e profissional, pois seus organizadores construíram locais específicos para as bandas se apresentarem, privilegiando os aficionados com música em altíssimo volume e com a possibilidade de dançar ao som das pedradas ambiente.
          Quando a situação começou a se modificar, e os artistas conseguiram finalmente ampliar seus horizontes em termos de espaço e audiência, a noite de São Luís se iluminou.
          De uma forma geral, no entanto, os shows eram bastante personalizados, isto é, a apresentação era feita por um único cantor ou grupo, com raras “canjas” concedidas, geralmente ensaiadas e anunciadas de antemão.

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          Foi neste clima de mudanças que apareceu o bar Terceiro Piso, que recebeu este nome por se situar exatamente no terceiro piso de uma galeria na Cohama chamada Royal Center.
          Foi uma ideia revolucionária concebida e executada pelo proprietário, ninguém menos que o violonista Celson Mendes. Talvez não passasse pela cabeça de mais ninguém que um bar localizado no terceiro andar de um centro comercial pudesse prosperar.
          Mas o Terceiro Piso não apenas prosperou como se transformou num “point” da música ao vivo todas as noites a partir das quartas-feiras. Era para lá que se dirigiam músicos de diversas tribos e gêneros e um público maravilhado com o que lhe era concedido ver.
          Celson Mendes fazia de tudo um pouco (mais apropriado seria dizer “de tudo, quase tudo”) pois além de tocar violão – como manda o seu ofício – ele  atendia o público, gerenciava, divulgava, fazia a programação, abastecia e entretinha os fregueses. Era produtor, maitre, garçom, responsável pela sonorização e também DJ.  
          O Terceiro Piso foi um dos primeiros bares, senão o primeiro, a montar um show para a noite e manter o palco livre para todos os artistas que estivessem na casa e que quisessem mostrar o seu trabalho na base do mais puro improviso.
          O time principal era geralmente composto por Celson Mendes (violão). Julio Pinheiro (sax-tenor e flauta) e Léo Capiba (pandeiro e voz), mas uma plêiade de cantores e instrumentistas que frequentaram a casa deixaram o seu recado no seu período de curta duração entre 2004 e 2005.
          Entre eles, os cantores Augusto Pellegrini (que aqui relata os fatos), Antônio Vieira, Zeca do Cavaco, Luís Mochel, Sabrina Reis, Chico Saldanha, Josias Sobrinho, Rayane, Nubia Maranhão, Victor Vieira, Livia Amaral, Milla Camões, Tatto Costa, Anna Claudia, Lenita Pinheiro, Lena Machado e Fátima Passarinho. Por lá também passaram os músicos Pedro Massa (guitarra), Danuzio Lima (flauta), Jim Howard (trompete), Paulo Trabulsi (violão e cavaquinho), Francisco Solano (violão sete-cordas), Serra de Almeida (flauta), Paulo Pellegrini (teclado), Mayron (violão), Jeff Soares (guitarra), Fernando Machado (clarineta), Neres (trombone), Zezé Alves (flauta), Lázaro (pandeiro), Robson (surdo) e João Bentivi (trombone), e com certeza outros tantos que agora me fogem à memória. Isto sem esquecer do clarinetista brasiliense Paulo Sérgio Santos que lá compareceu durante sua passagem por São Luís.   
          O Terceiro Piso me traz à lembrança momentos inesquecíveis de música e de aconchego, um espaço amplo e confortável, um som de qualidade, uma música de encantar os mais exigentes gostos e uns petiscos de agradar os mais exigentes paladares. E aquela cerveja para agradar o gosto dos fregueses, cada qual tomando a sua marca preferida...
          O Terceiro Piso é uma saudosa e agradável lembrança.

 

 

  

 


NOVOCABULÁRIO INGLÊS

(Copyright FluentU) 

(ver tradução após o texto)

 

FITSPIRATION   

Every end of the year, we take time out to plan our goals for the new year.  What can we do? Eat healthier? Work out more? Get more fit? Yes, but we need inspiration!

So, we look around and, yes, we have a word for that. 

FITSPIRATION (fitness + inspiration) refers to the people, pictures and social media posts that inspire us to keep pushing ourselves and staying committed to our fitness goals.

 

“I was pretty impressed that my co-worker had stuck a picture of Arnold Schwarzenegger on his office wall for FITSPIRATION.”

           

                      TRADUÇÃO

 

INSPIRADO EM MALHAÇÃO  

A cada fim de ano a gente reserva algum tempo para planejar nossos objetivos para o ano que vai começar. O que podemos fazer? Ter uma alimentação saudável? Fazer mais exercícios? Ficar em forma? Sim, mas para isso a gente precisa ter inspiração. Aí então a gente procura e, sim, existe um termo para isso.

FITSPIRATION (“Inspirado em malhação”) se refere a pessoas, fotos e postagens na mídia social que nos inspira a manter o estímulo e continuar comprometido com as nossas metas para nos manter em forma.  

     

            “Eu fiquei bastante impressionado que o meu amigo tenha colocado na parede uma foto de Arnold Schwarzenegger para não perder o foco na malhação.”

 

 

 

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

 


PÁGINAS ESCOLHIDAS

O FANTASMA DA FM (1992)
(Augusto Pellegrini)

CLICHÊS – O TÁXI E A CHUVA

Chove a cântaros sobre a cidade.
Na avenida principal, alguns motoristas passam com o carro em plena velocidade lançando baldes de água do leito carroçável para as pernas dos desditosos transeuntes. Os taxis, na sua maioria já passam lotados, e mal dá para notar a silhueta do passageiro através do vidro opaco.
Epa! Lá vem um taxi vazio, se aproximando lentamente.
A senhora cheia de pacotes e um pequeno guarda-chuva acena frenética, se julgando a primeira de uma fila que não existe.
A garota de óculos, cheia de livros e sem guarda-chuva também acena, a blusa branca colada no corpo, fazendo com que o motorista reduza ainda mais a velocidade e passe a mão no vidro para melhorar o visual.
O senhor de idade e meia carregando uma pasta zero-zero-sete preta também acena, a gravata em desalinho.
Também acenam o office-boy com uma pasta de plástico com elástico cheia de contas para pagar, o cidadão tamanho família trajando uma providencial jaqueta de couro e um infeliz com cara de infeliz vestindo calça branca salpicada de água suja.
O taxi para.
Todos partem para a porta que se abre, a senhora deixando cair um pacote, a garota arrebentando um botão da blusa, o senhor de idade e meia fazendo um derradeiro exercício de força, o office-boy se insinuando como uma cobra, o grandalhão acotovelando tudo e todos e amassando o infeliz com cara de infeliz junto à coluna da porta.
Surpreendentemente, quem se afunda no assento é o senhor de idade e meia, que fecha a porta com energia e quase esmaga o dedo do grandalhão, que profere um sonoro palavrão.
A senhora dos pacotes corre atrás daquele que a correnteza vai levando, a mocinha fica indignada com o palavrão e com o botão, o da jaqueta de couro dá um derradeiro coice no táxi que parte acelerado jogando mais água pra cima dele e o office-boy sai andando resignado, pois afinal, vida de office-boy é assim mesmo.  
A chuva começa a cair mais forte, como se tivesse furado o toldo do céu.
‘É duro ser motorista”, diz ele para si mesmo e para o senhor de idade e meia.
O senhor de idade e meia suspira.

(Cidade grande: A aventura de tomar posse de um táxi num dia de tempestade)  




terça-feira, 11 de janeiro de 2022

 


SOMOS NÓS  

(Canção, música de Renato Winkler e letra de Augusto Pellegrini)

 

Agora nós dois somos sós

O dia partiu sem adeus

A praia deitou com o mar

E um beijo marcou nossa paz

Beijo leve assim, como a flor

Como é doce o amor, como é bom

Abro a cortina, e a lua então

Nos manda sua pálida luz

 

E neste silêncio

E neste momento

Desta imensidão

Deste nosso mundo

Sequer pensamento

Existe a esta hora

Pra ser mais que o amor

Que serena em nós

 

Agora nós dois somos sós

Um resto de mundo, mas nós

Distantes do mundo, mas nós

E um beijo marcou nossa paz

E fico em você, mudo então

Escutando o seu coração

Sentindo o seu perfume bom

O dia partiu sem adeus

domingo, 9 de janeiro de 2022

 


POEMA PAQUISTANÊS

(Baseado num poema paquistanês que foi declamado por Hammad Irfan Ghouri no idioma original em 02/02/2018 – e depois traduzido por Augusto Pellegrini)

Olhei a minha musa lá no alto da janela
Nem mesmo a bela lua parecia ser tão bela
Pintei minha paixão com as cores da aquarela
E parti pro meu destino sem deixar de pensar nela

Tempos depois voltei, seu semblante ainda gravado
Procurei pela janela e só vi um acortinado
Ouvi então uma voz triste em um tom desafinado
Que chorava – “agora é tarde, não devias ter voltado!”