segunda-feira, 25 de novembro de 2013


 
 

TITEBILIDADE
 

Ele é o queridinho da imprensa, respeitado pelos jogadores do time, elogiado pela diretoria do clube e uma unanimidade entre os torcedores do Corinthians.
Faixas são desenroladas nas arquibancadas incensando o seu nome.
Na sua trajetória dos últimos dois anos, ele conquistou para o clube tudo aquilo que qualquer treinador e qualquer clube almeja – Campeonato Paulista, Campeonato Brasileiro, Copa Libertadores, Recopa Sul-Americana e Mundial da Fifa – e chegou a ser cogitado para assumir a seleção brasileira antes da escolha de Scolari.
Seu nome é Adenor Leonardo Bacchi, mas todos o conhecem pelo apelido de Tite.
Ex-jogador de recursos mais ou menos limitados (era médio-volante) chegou a ser vice-campeão brasileiro pelo Guarani, mas acabou se consagrando mesmo como técnico, a exemplo do que aconteceu com Luxemburgo e Felipão.
Como a maioria dos técnicos da escola gaúcha, Tite prima pela disciplina e apesar de gostar do diálogo, não admite uma última palavra que não seja a sua.
Craques têm que confirmar a titularidade jogando bola, pois ele não trabalha simplesmente com nomes, e não admite jogadores que reclamam da reserva.
Só que mesmo com este elogioso resumo, ao terminar o ano futebolístico Tite vai pegar o seu boné e procurar emprego.
É bem verdade que em 2013 ele não repetiu a façanha nem o time conseguiu mostrar em campo aquele futebol pragmático, sem ser vistoso, dos anos anteriores. Por isso, o clube ficou numa posição intermediária, pois além de continuar não sendo vistoso, perdeu a “intensidade” (uma das suas palavras prediletas).
Tite é muito bem articulado e possui uma característica linguística especial. Inventou o “titês”, nos mesmos moldes que nos anos 1980 Sebastião Lazaroni havia inventado o “lazaronês”, um português empolado e repleto de neologismos para explicar seus conceitos.
Para os jogadores do Corinthians isto parece ter funcionado, pois mesmo aqueles com capacidade de raciocínio limitada no que diz respeito ao vernáculo parecem assimilar as suas ordens mais do que muitos repórteres presentes às suas entrevistas coletivas.
Pessoalmente, eu acho Tite um bom treinador na pele de um ator bastante histriônico, pois consegue passar a imagem de bonzinho para ficar de bem com a arbitragem e com a imprensa, muito embora aja com a mesma falta de esportividade com que age a maioria dos seus companheiros de profissão.
Mas seu desempenho, como um todo, fez com que ele amealhasse mais amigos do que inimigos ao longo de uma carreira de treinador que já dura 22 anos, e aí é que reside a tônica do artigo de hoje.
O que teria levado um profissional com este currículo e com este perfil a ser sumariamente comunicado que sua temporada no clube havia chegado ao fim?
As hipóteses são várias, todas contendo alguma dose de lógica: Tite teria uma oferta financeira irrecusável para dirigir um time na China; teria se desentendido com o presidente Mario Gobbi ao reclamar que o elenco estava envelhecido e que precisava ser renovado; o sonho da diretoria do clube (e do próprio presidente) é ter a volta de Mano Menezes, que dirigiu o clube com relativo sucesso antes de ser chamado para a seleção brasileira, liberado pelo então presidente Andrés Sanchez; a diretoria ainda não digeriu ver o caríssimo Alexandre Pato sendo desvalorizado no banco de reservas; ou, ainda, Tite espera ocupar a vaga de Felipão que teria sinalizado não ter a intenção de continuar na seleção após a Copa do Mundo (repetindo o que fez em 2002) e pretende descansar e se reciclar até o segundo semestre do ano que vem.
Façam suas apostas.    

                                                                                                



                                                                                                

terça-feira, 19 de novembro de 2013


 
 
O BOM SENSO F.C. VAI PARA O ATAQUE
 

O protesto pacífico dos jogadores em apoio ao Bom Senso F.C. chegou aos estádios e foi repassado para o público presente e também para os telespectadores.
Em alguns casos, os jogadores dos dois times entraram em campo juntos como se fizessem parte da mesma equipe, segurando uma faixa que conclamava os responsáveis pela administração do futebol a atenderem às solicitações dos atletas profissionais com referência a um calendário mais racional.
Em outros casos os jogadores tiveram a permissão da arbitragem para um minuto de silêncio simbólico antes de ser dado o pontapé inicial, e quando não houve tal permissão, os jogadores de ambos os times ficaram trocando a bola por quase um minuto sem esboçar qualquer tipo de disputa.
Para quem não sabe, este movimento partiu de um grupo de atletas que atuam na Série A do futebol brasileiro, em função do desgaste físico e técnico causado pelo excesso de jogos, pela falta de férias regulamentares e por uma pré-temporada adequada às necessidades do restante do ano.
O movimento toma força, mas não há evidência alguma que possa ser atendido pelo menos em curto prazo, pois mesmo que as federações tomem consciência do problema, existe uma série de entraves que só poderão ser superados com tempo e paciência.
O próximo ano é totalmente atípico, com todo um mês dedicado à Copa do Mundo, mas como a temporada do futebol vai estar na sua metade, havendo inclusive a interrupção de alguns campeonatos e torneios, seria exigir muito da organização que alguma coisa fosse arrumada tão cedo.
Além do mais, uma mudança de calendário teria que ter forçosamente a participação da televisão, que banca boa parte do circo, e dos patrocinadores dos clubes, que verão um encolhimento da veiculação dos seus nomes nas camisas dos jogadores e nos painéis das entrevistas coletivas.
Nada tão simples de ser solucionado, portanto. Deve-se, porém, levar em conta que os artistas do espetáculo precisam ser ouvidos para que o espetáculo continue a existir com qualidade.
A última providência do Bom Senso F.C, foi entrar em contato com Tiago Silva, capitão da seleção brasileira que estava em Miami para disputar o amistoso de sábado contra Honduras, e pedir que algum gesto fosse feito para apoiar o movimento.
Como se podia prever, os jogadores que estão lutando por uma vaga por uma convocação final para a Copa não tiveram o menor interesse em entrar em atrito com o “establishment”, e não houve qualquer resposta, até porque pode ter havido uma proibição formal do presidente Marin e do técnico Felipão.
Pergunta-se o que fariam Marin e Felipão se Neymar se engajasse no projeto de corpo e alma e fizesse um protesto particular a favor do bom senso em pleno jogo da seleção. Afinal, ele é a única unanimidade no momento, e uma palavra ou atitude sua, além de carimbar a ideia, teria uma repercussão de tal sorte que as autoridades se veriam obrigadas a discutir o assunto em público, o que não acontece no momento – eles preferem fazer de conta que nada disso existe e provavelmente irão protelar uma discussão até a sua exaustão.
Talvez imaginar que um astro da grandeza de Neymar possa se preocupar com assuntos tão comezinhos seja querer demais.
Os intelectuais do passado também exigiram atitude de Pelé a favor dos negros e contra a ditadura e, apesar dos tempos serem outros, o Rei também se manteve alheio ao problema.

                                                                                                

segunda-feira, 11 de novembro de 2013


 
 
2014 – A PROFECIA


A apenas sete meses da abertura da Copa, o Brasil segue vivendo uma crise de credibilidade e de incertezas, com ela trazendo o risco de comprometer o sucesso do evento.
Quem reside no país pode atestar a precariedade o nosso sistema de comunicação – falamos da telefonia móvel e da internet – que continua num nível de qualidade muito abaixo das nossas necessidades de usuários comuns.
Só que milhões de turistas e profissionais esperados para este megaevento são originários de países onde a comunicação via internet é rápida e a ligação através de celulares é segura e instantânea, e eles aqui terão uma qualidade de serviço com a qual não estão acostumados – e agora não há mais tempo útil para que a situação se reverta tão radicalmente.
Além disso, todo brasileiro que se utiliza de transporte aéreo no país sabe da falta de estrutura e conforto nos nossos aeroportos.
O Ministro dos Esportes, Aldo Rebelo declarou meio “em passant”, isto é, sem se aprofundar muito no assunto, que todos os aeroportos estarão funcionando com 100% de eficiência quando a Copa começar (na verdade, tem que ser um pouco antes, pois turistas, profissionais e as próprias delegações deverão estar no Brasil algum tempo antes do início do torneio).
O ministro não se pronunciou sobre acomodações, mobilidade urbana, telecomunicações ou segurança, muito provavelmente por não serem assuntos afetos à sua área de responsabilidade. Para ele já basta ter que exercitar o jogo de cintura a fim de driblar os fiscais e dirigentes da Fifa e aparar as arestas criadas pelo atraso das obras, pela oposição parlamentar e pelas declarações desastrosas de Ronaldo Fenômeno, membro do Comitê Organizador da Copa.
A indefinição sobre as questões de segurança, aliada às recentes e constantes manifestações iniciadas em julho já provocou a sua primeira baixa.
Num ano tão importante, onde o Brasil está no foco central do futebol em todo o mundo, os organizadores da Soccerex, uma convenção global que acontece anualmente para debater assuntos do esporte, cancelaram o evento que seria realizado de 30 de novembro a 5 de dezembro no Rio de Janeiro, e teria como palco o Estádio do Maracanã.
A Soccerex é uma oportunidade de se ter em um só local pessoas de todo o mundo interessadas em fazer negócios com o futebol, reunindo associações oficiais (Fifa, UEFA, Conmebol), dirigentes de clubes e de federações, empresários e agentes, provedores de serviços ligados ao futebol, autoridades de turismo e marketing esportivo, técnicos, jogadores e celebridades.
Os motivos alegados pelo cancelamento do evento são dois: primeiro, o governo estadual, acuado pelas manifestações que têm causado grandes tumultos, trazendo um enorme prejuízo ao patrimônio público e à sua própria imagem, retirou o apoio financeiro que já estava costurado com a Secretaria Municipal de Esportes; depois, informantes internacionais se mostram temerosos com a saúde e o bem-estar das 4.500 pessoas que participariam do evento, porque o sistema de segurança atualmente em funcionamento no Brasil é considerado precário.
Apesar da vinda do Papa Francisco haver transcorrido de forma pacífica e ordeira, esses olheiros acham que naquela oportunidade, mesmo os manifestantes mais revoltosos respeitaram o aspecto religioso – portanto apolítico – da visita.
Eles têm em mente as manifestações em Fortaleza e Brasília quando o Brasil disputou dois amistosos – México e a Austrália – e existem também informações negativas alertando turistas sobre a violência urbana nos grandes centros, a impunidade quanto ao crime comum e a falta de credibilidade da nossa política de segurança pública. 

                                                                                                             

 

sábado, 9 de novembro de 2013




A reunião do conselho

A reunião fora marcada para as 13 horas do dia 13, num sinal de respeito à numerologia, dado o tema nefasto proposto em pauta. Na extensa mesa se cumprimentavam e se sorriam uma dezena de cavalheiros já no outono da idade, todos protocolarmente vestidos de paletó e gravata, tendo à sua frente os inevitáveis copos com água, enquanto à cabeceira o Presidente do Conselho aguardava pacientemente que terminasse o arrulhar dos participantes para então pigarrear e dar início à sessão.
-  Bem, senhores, vamos começar a nossa sessão extraordinária para avaliarmos os estragos que estão sendo realizados nos diversos setores da sociedade. Conselheiro da Administração faça, por favor, uma explanação sobre a atual política de preços.
-  Senhor presidente, temos conseguido manter tudo fora do controle, conforme planejado. Atendendo à sua solicitação, estamos providenciando uma média de dez aumentos por mês nos preços dos combustíveis, assim tanto pagam aqueles que possuem veículos como os transportadores de carga e as donas de casa que não têm nada a ver com isso. Ah! Ia esquecendo – também majoramos as tarifas de telefone, água, correios e energia, para o mal estar geral, assim os comerciantes têm excelentes motivos para até triplicar o valor das mercadorias. Com relação aos impostos, faz-se necessário uma reunião especial com o Conselheiro da Fazenda, aqui ausente, para estabelecermos percentuais inalcançáveis e assim estimular ainda mais a sonegação.
-  Muito bem. E a inflação, como vai?
-  Está ótima. Pretendemos com a ajuda dos empresários alcançar a marca recorde de 400% ainda este mês. Com isso talvez consigamos atingir patamares sequer imaginados lá pra março do ano que vem.
-  E V.Exa. Conselheiro Político, o que tem a dizer?
-  Está tudo correndo como previsto, senhor Presidente. Teremos um fator complicador de grande impacto que deverá comprometer o resultado das próximas eleições. Conseguimos, através da imprensa e das bases partidárias, direcionar as intenções de voto para um terrível candidato da extrema direita – desses fascistas que prometem coisas impossíveis, apelam para a aparência pessoal e dão demonstrações ridículas da sua força física – e para um primata analfabeto de extrema esquerda com propostas cretinas e ultrapassadas e um grande projeto proletário para aparelhar o Estado, o que irá levar toda a sociedade, tanto vença um como o outro, a um caos completo e total, com um desgoverno que irá recompensar todo o esforço que já foi feito nesse sentido.
-  E como está o seu setor, Conselheiro da Saúde?
-  Estávamos preocupados com a queda da mortalidade infantil, senhor Presidente, mas já tomamos as devidas providências quanto a isso. Reduzimos em quase 90% a quantidade de vacinas e fechamos os postos de saúde mais requisitados, assim esperamos aumentar drasticamente a mortalidade para o próximo ano. Estamos também empenhados juntos à Medicina Social para que as condições dos hospitais públicos piorem consideravelmente, tanto no atendimento como no tratamento médico-hospitalar. Ah! Ia esquecendo: estamos trabalhando no sentido de ampliar os focos de cólera e dengue a aumentar as áreas de risco, estimulando a construção de palafitas junto à zona ribeirinha e o despejo de dejetos in natura.
-  Excelente. E o Conselheiro do Trabalho?
-  Estamos empenhados em fomentar mais greves nos setores essenciais, assim poderemos chegar muito em breve ao nosso objetivo, que é a paralisação total do país em todos os setores. Temos um acordo firmado com o Conselheiro da Justiça para que a intervenção policial seja a mais violenta possível, assim teremos bastante mortos e feridos e quem sabe até alguns atentados.
-  E quanto ao Conselheiro do Planejamento?
-  Já temos em andamento um plano nacional de desestabilização que inclui o colapso total de energia elétrica e distribuição de água em todas as grandes cidades. Estamos também enviando ao Conselheiro da Justiça um projeto que, se bem aplicado, conseguirá aumentar em 120% a taxa de criminalidade em todo o país, o que sem dúvida trará mais insegurança e desconforto a cada cidadão. Além do mais, mantivemos contatos com a cúpula dos maiores cartéis do mundo a fim de nos assegurarmos de que não faltarão drogas para o consumo e a deterioração da nossa juventude.
-  Muito bem. Alguém mais gostaria de fazer algum comentário?
-  Sim, Excelência – diz o Conselheiro do Interior – Com base nas expectativas do Conselheiro do Planejamento, acabamos de decretar um novo horário, que será diferente nas diversas regiões do país, que obrigará todas as pessoas a acordarem de duas a quatro horas mais cedo sem o menor sentido ou benefício, de modo a saírem por aí se espreguiçando, totalmente mal-humoradas e improdutivas, e provocando acidentes de carro ou de trabalho, para a nossa satisfação. Aumentamos também sistematicamente a quantidade de feriados, assim as empresas têm um prejuízo maior, o produto interno bruto cai e a vagabundagem desenfreada, que era um atributo de apenas uma parcela da população, vai se espalhar e ficar totalmente sem freios.
-  Senhor Presidente, gostaria de ter a palavra.
-  Pois não, senhor Conselheiro das Relações Exteriores.
-  Gostaria de cumprimentar os demais Conselheiros pelo esforço extraordinário que está sendo envidado para que a nossa crise seja cada vez maior, desejando que a desonra, o desrespeito e a impunidade estejam cada vez mais presentes no seio de cada família. Gostaria também de complementar informando que estamos mantendo contatos de alto nível com as forças do sobrenatural, de forma a trazer para cá as maravilhosas tragédias que assolam outros países e que por aqui, incompreensivelmente, quase não acontecem. Queremos terremotos, vulcões em atividade, tufões, tsunamis! Por que São Francisco e não a nossa capital? Por que o interior da China e não a região central do nosso planalto?  Porque as ilhas Salomão e não o nosso litoral? Só assim alcançaremos, após intensa luta, a nossa infelicidade total!  
Isto posto, o Presidente declara encerrada a sessão e todos se levantam e se retiram, uns torcendo pela queda da bolsa, outros pela escalada dos sequestros, outros pela escassez de alimentos, outros pelo aumento do desemprego, outros...

 

 

 

 

 

segunda-feira, 4 de novembro de 2013


 
 
AS BIOGRAFIAS E A CENSURA FELIPENSE
 

Vou discorrer sobre dois assuntos diferentes, embora de certa forma correlatos, pois ambos tratam de uma distorção do comportamento humano. Ambos estão na pauta do dia e fazem parte das discussões de programas televisivos, das redes sociais e das mesas de bar.
Especialistas, jornalistas e cidadãos de outras diversas categorias concordam e/ou discordam, e todos têm seus argumentos para dar suporte às suas opiniões. Para mim, porém, os dois assuntos mostram que estamos vivendo uma época de profunda indigência moral.
Primeiro: antigos ícones se levantam contra o direito de historiadores e biógrafos cumprirem com o seu dever para com a humanidade, fazendo o registro histórico de fatos referentes às vidas das pessoas que fazem a História.
Esta indigência, que se baseia na defesa da privacidade, encontrou um paralelo no futebol – o segundo assunto – quando um jogador praticamente desconhecido no Brasil decidiu jogar por outro país, e teve o seu direito de escolha duramente criticado por um sujeito que procedeu exatamente da mesma forma há exatos dez anos.
Vou explicar melhor.
O primeiro parágrafo cita Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil, ativistas culturais que levantaram a bandeira contra a censura e pela liberdade de expressão durante a época da ditadura militar. Não menciono Roberto Carlos neste pacote porque este sempre foi um alienado oportunista.
Estes senhores acompanharam o parecer do Rei da Juventude e buscam proibir na justiça qualquer biografia que não tenha a autorização do biografado.
De acordo com o biógrafo e cronista Ruy Castro, biografias autorizadas, se consideradas em conjunto, mascaram a verdade, adulteram o espírito real de uma época e transformam história em mentira literária.
O que conhecemos da história do mundo, do ser humano e das suas idiossincrasias sociais muito se deve ao que conhecemos dos personagens que fizeram a história – artistas, políticos, filósofos, conquistadores - cujas biografias não autorizadas nos dão a dimensão exata da sua participação na evolução do mundo.
Se Alexandre, Napoleão, Hitler, Einstein ou Charlie Chaplin tivessem escrito suas próprias histórias nós conheceríamos apenas uma parte das suas vidas.
O segundo parágrafo deste artigo fala sobre Luiz Felipe Scolari, técnico da nossa seleção. Este senhor é o mesmo que pediu dispensa da seleção brasileira após a conquista da Copa de 2002 para treinar Portugal em 2003. Lembre-se que Portugal poderia vir a ser adversário do Brasil na Copa de 2006, o que não aconteceu por mero detalhe.
Além disso, Felipão convenceu o brasileiro Deco (e depois Pepe, em 2007) a se nacionalizarem portugueses, e jamais passou pela sua cabeça que qualquer um deles pudesse ser taxado de antipatriota ou inimigo do Brasil.
É portanto bastante estranho e lamentável que Felipão, com este passado recente,  faça a montagem dessa encenação teatral – talvez para fazer média com os patrões da CBF – denunciando Diego Costa por ter se nacionalizado espanhol e “virado as costas para o seu país”.
Felipão convocou Diego para a Copa das Confederações, mas não lhe deu a menor chance e deixou bem claro que o jogador estava fora dos seus futuros planos. Esta pretensa convocação para os amistosos contra Honduras e Chile foi apenas um factoide necessário para desestabilizar o atleta, exaltar a CBF e criar um clima antagônico contra a Espanha.
Não se sabe se a seleção brasileira consegue inocular nos seus treinadores o vírus da arrogância e da falta de respeito ou se eles são escolhidos para o cargo exatamente por possuírem este perfil.

 

 

quinta-feira, 31 de outubro de 2013





EM TEMPOS DE 007 

Na década de 1960, o mundo era um gigantesco tabuleiro político de xadrez cujas peças eram movidas por vários jogadores importantes ao mesmo tempo. O jogo era repleto de lances arriscados, posto que sempre existia a possibilidade de um xeque-mate iminente. A partida era tensa e o golpe final poderia falhar deixando a defesa descoberta no caso de uma resposta adequada do adversário.
Dada a estratégia cautelosa utilizada por todos, pois ninguém se arriscava em ir além do necessário, o match terminou empatado.
Hoje, o mundo globalizou e virou um enorme aparato eletrônico, com aplicativos, jogos mortais, câmeras ocultas, informações confidenciais, redes sociais, e toda uma gama de instrumentos e de recursos, o que enseja a prática de certas ações não muito éticas, como espionagem, invasão de sites, intromissão na vida alheia, fotos não autorizadas, mentiras e toda uma série de malfeitos.
Algumas situações criadas são bastante sugestivas, para não dizer bizarras e talvez constrangedoras – e não estou me referindo à espionagem americana nem ao blefe norte-coreano, mas ao inofensivo futebol.
Felipão e a CBF entraram em choque com a Federação espanhola por um motivo altamente prosaico: a disputa pelo centroavante Diego Costa, há muitos anos jogando no futebol espanhol e atualmente defendendo as cores do Atlético Madrid.
Carente de atacantes, os espanhóis pretendem nacionalizar o jogador e fazê-lo atuar pela sua seleção na Copa de 2014, com boa chance de vir a ser titular.
Foi o suficiente para que soasse o alarme da brasilidade e Felipão começasse uma briga de bastidores para que o jogador permanecesse neutro a fim de não reforçar o adversário, que é de antemão um dos favoritos ao título.
Assim, Diego, entre a certeza de jogar a Copa pela Espanha e a dúvida se será pelo menos convocado pela CBF tem tudo para escolher a primeira opção.
Aí ocorreu uma pilantragem celular. Um jornalista espanhol ligou para Felipão fazendo-se passar pelo presidente do Atlético Madrid e foi direto ao assunto: “Afinal, você vai convocar Diego Costa?” – “Sim!” – “E pretende levá-lo para a Copa?” – “Sim!”
Assim, Felipão garantiu a segunda convocação (a primeira havia sido a confirmação do goleiro Júlio Cesar) e sua afirmativa foi ao ar em todas as rádios e emissoras de televisão do Brasil e da Espanha, muito embora muita gente duvide que haja sinceridade nisso.
Depois, Felipão descobriu que havia levado um trote, e ficou com cara de tacho.
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O assunto da semana foi o pênalti perdido por Alexandre Pato, cobrado com extrema displicência para quem foi comprado por 40 milhões de reais e ainda não justificou a contratação, pois a cobrança debochada precipitou a eliminação do seu clube.
Bêbada pelo chute imperfeito, a bola foi dormir nas mãos de Dida.
Pato, figura carimbada por Felipão, presença constante no jet-set e contratado pela Triton como modelo da São Paulo Fashion Week, parecia deslumbrado e desconcentrado para tão desimportante empreitada, e com esta patacoada vai ficar de molho por algum tempo, a começar pelo desfile de modas, ao qual ele teve o bom senso de cancelar a presença.
Comparando com o insucesso de um goleiro, Pato se tornou o avesso do frango e tomou a sábia decisão de pretextar compromissos de última hora em Porto Alegre porque se voltasse a São Paulo junto com o grupo derrotado, seria um Pato frito.
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Valeu, Sampaio!!!

                                                                                                 

segunda-feira, 21 de outubro de 2013




 

QUEM MANDA NO FUTEBOL?

Há duas ou três semanas, os senhores Alexandre Kalil e Mário Celso Petraglia, respectivamente presidentes dos dois Atléticos mais famosos do Brasil – o Mineiro e o Paranaense – declararam para a imprensa que o futebol brasileiro está nas mãos das empreiteiras.
Não se sabe se isto foi dito para tirar a responsabilidade da CBF e, portanto, se aproximar do poder do futebol num momento em que se discutem vários assuntos, como as alterações no calendário propostas pelo Bom Senso F.C., a situação dos clubes em 2014 com a paralisação das competições e com o desinteresse do público pelo futebol doméstico na véspera e durante a Copa, e com as próprias eleições na confederação.
Mas, qualquer que seja o motivo, esta declaração não corresponde inteiramente à verdade.
O que infelizmente está nas mãos das empreiteiras não é o futebol brasileiro, mas a administração pública brasileira.
Afinal, empreiteira significa obras e obras significam votos. Mais que isso, obras significam contratos, o que significa licitação, e o resto vocês sabem.
Voto também significa eleitos, e eleitos significa poder, poder significa criar situações para gastar dinheiro, dinheiro significa obras, e aí o círculo vicioso – e põe vicioso nisso – se fecha, pois dinheiro também significa financiamento de campanha, o que gera troca de favores, e por aí vai.
Mas o futebol do Brasil não entra nesta ciranda. Como em todo o mundo, ele está nas mãos de grupos que detêm o poder financeiro, que de um modo geral não são empreiteiras, e sim empresas multinacionais, investidores da bolsa ou milionários que enriqueceram através de lavagem de dinheiro. No nosso caso, até bicheiros e contraventores podem fazer parte da roda.
Para agravar a situação, no Brasil os grandes clubes são comandados por pessoas vaidosas e descompromissadas, torcedores de elite que não raro fazem da presidência uma plataforma política e usam o clube como cabo eleitoral ou para satisfazer o ego inflado.
Outros fazem do clube o seu feudo particular, vivendo às expensas da verba recebida da CBF, da televisão e dos patrocinadores, endividando o clube e deixando o abacaxi para ser descascado por uma outra gestão, geralmente oposicionista, portanto, um  inimigo.
O futebol brasileiro é uma galinha de ovos de ouro, abençoado por Deus e bonito por natureza, como reza a lenda do nosso país tropical.
Ao contrário de atletas que praticam outros esportes, nossos jogadores nascem como capim no serrado, e a cada ano vão se revelando, produzindo lucros razoáveis – alguns notáveis – ao longo das suas carreiras, numa atividade interessante que remunera uns mais, outros menos, desde na base produtora até o destino final do produto, sem se esquecer do próprio jogador.
É nessa situação que aparece o verdadeiro dono do futebol brasileiro, o empresário ou agente, que deixou a administração dos clubes a ver navios.
Isso por causa da Lei Pelé, assinada por Fernando Henrique Cardoso em 1998, acabando com a “lei do passe”, instrumento pelo qual os clubes detinham poderes sobre os jogadores.
A Lei Pelé, baseada na Lei Zico, de 1993, e fundamentada no “caso Bosman”, uma pendenga jurídica europeia 1995, chegou a ser comparada à Lei Áurea, pois tirava os jogadores dos grilhões que os clubes lhes impunham. Com o passar do tempo, porém, os grilhões foram recolocados, colocando na mesma senzala os jogadores e os clubes, sob o chicote dos dirigentes de clubes que agem como agentes e dos agentes que agem como dirigentes de clubes.

                                                                                                 

      

segunda-feira, 14 de outubro de 2013


 
 
VERDE QUE TE QUERO VERDE
Foi com certeza atendendo aos rogos da Federação Amazonense de Futebol, não à verve poética de Federico Garcia Lorca como poderia supor o leitor mais erudito, que a CBF instituiu a Copa Verde, torneio tipo mata-mata que será realizado a cada ano nos meses de janeiro e fevereiro a partir de 2014.
Como o seu nome indica, o torneio visa oxigenar os clubes dos estados esportivamente carentes da Amazônia, com a inclusão de times do Brasil Central (onde o verde é menos verde) e do Espírito Santo, um estado que tende mais para a coloração vermelha, com sabor de óxido de ferro.
Serão ao todo dezesseis clubes, desde o tradicional Remo, do Pará, até o desconhecido Oratório, do Amapá, que irão se eliminado a cada duas partidas.
O custo da empreitada deverá ser dividido entre o Ministério dos Esportes, que aposta em uma maior integração do futebol no Brasil, e a TV Interativa, que, talvez por ser interativa, adquiriu a concessão de transmitir o torneio e já está à cata de patrocinadores (dada à atual gritaria contra o mal uso de dinheiro público, o Ministério nega que esteja participando financeiramente deste projeto).
A Copa Verde seguirá mesmo o modelo da Copa Nordeste, embora esta última seja uma competição mais rentável porque agrupa estados de maior tradição futebolística como Bahia e Pernambuco. Desta forma, considerando que o sul e o sudeste estão bem fornidos na participação dos seus clubes no calendário nacional (tanto que alguns clamam pelo enxugamento de torneios e campeonatos), o Brasil finalmente consegue integrar o futebol de ponta a ponta, cobrindo nosso vasto território de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, o quinto maior do mundo, desde o Monte Caburaí, no Roraima, até o Arroio Chuí, no Rio Grande do Sul, e desde a nascente do Rio Moa, no Acre, até a Ponta do Seixas, na Paraíba.
Seria bom se esta integração fosse completa, mas a realidade é diferente.
Inexplicavelmente, os clubes do Maranhão e do Piauí foram excluídos desta geopolítica, pois aparentemente não foram considerados nem verdes nem nordestinos.
Não falo pelo Piauí – igualmente discriminado – mas no nosso caso há muito tempo se discute se o Maranhão pertenceria à região nordeste (pela proximidade territorial com Ceará e Piauí e com a divisão estabelecida no mapa) ou à região norte (pelas características do clima e da vegetação).
Agora que surgiu a oportunidade de colocar as coisas nos seus devidos lugares, pelo menos em termos de futebol, a CBF resolveu o problema usando a jurisprudência de Salomão, que ameaçou cortar uma criança ao meio para oferecer cada parte às duas mulheres que clamavam pela maternidade.
Para a CBF, porém, acomodar a situação não significou nenhuma ameaça. Ela simplesmente resolveu deixar os dois estados de fora, e estamos conversados.
O Maranhão foi excluído porque aparentemente não se sabia onde colocá-lo, e o Piauí, embora considerado definitivamente nordestino, também ficou a ver navios.   
Cabe aos presidentes das federações que foram colocadas à margem do calendário nacional – respectivamente Antônio Américo Lobato Gonçalves e Cesarino Oliveira – lutarem pelo seu direito de participar da festa como o fez o colega manauara, pois independentemente do eventual interesse da televisão ou dos patrocinadores, esta exclusão não tem uma justificativa lógica ou sequer moral.
Afinal, quando falam em “verde”, as federações e a CBF se referem a simplesmente uma metáfora, à riqueza de nossas matas (ainda verdes, embora não se saiba até quando) ou simplesmente à forma figurada de como o vulgo se refere ao vil dinheiro?

                                                                                                

sexta-feira, 11 de outubro de 2013


 
 A SELEÇÃO DE TODOS 

As pessoas têm o hábito de selecionar e classificar tudo o que existe na face da terra. Isso vale para as espécies da natureza, para concursos de beleza, para festivais de música, mostras de cinema, programas de calouro, e até para a disputa entre compositores eruditos que nunca imaginaram esta situação de confronto, até porque não eram contemporâneos.

No futebol, então, isso virou mania: é seleção da rodada, seleção do campeonato, os melhores times de todos os tempos, o gol mais bonito do ano, e por aí vai.

Como regra geral, há os que concordam e os que não concordam com as escolhas porque, como diz o ditado, em cada cabeça uma sentença.

Uma das revistas esportivas mais conceituadas do mundo, a inglesa World Soccer, realizou recentemente uma eleição para a escolha de um time com os melhores jogadores da história. A escolha foi feita por 73 jornalistas de diversas partes do mundo que deram a sua opinião sobre a escalação desta mega seleção, possivelmente levando em conta aqueles jogadores que eles próprios viram atuar.

Tarefa difícil e improdutiva. Com certeza cada analista (e cada leitor) faria uma escolha diferente em pelo menos meia-dúzia de posições.

Considerando a plêiade de futebolistas brasileiros que já encantaram o mundo desde a época de Leônidas da Silva, muitos deverão achar estranho que esta seleção maior tenha só dois jogadores tupiniquins.

Um deles, provavelmente sem qualquer contestação, é Pelé. O outro, dependendo do leitor, poderia ser o próprio Leônidas, ou Garrincha, Didi, Romário ou Ronaldo, todos eles seres iluminados que desequilibraram nas Copas do Mundo em que participaram.

No entanto, pasmem os senhores, a comissão julgadora optou por Cafu, um jogador esforçado, mas tecnicamente mediano e inferior a, por exemplo, Carlos Alberto Torres, na mesma posição. Digamos que Cafu seja uma mistura do voluntarioso Maicon com o arisco Daniel Alves, sem muito pedigree para fazer parte de um universo tão seleto, nem na vida real nem no imaginário popular.

É bem verdade que Cafu foi o jogador selecionado que obteve o menor numero de votos (24 no total), ao lado de Bobby Moore. Isto pode significar que foi difícil alcançar uma unanimidade sobre a existência de um “craque” nas suas respectivas posições.

Por outro lado, craques indiscutíveis como Di Stefano e Zidane também foram escolhidos com poucos votos (26 e 27 respectivamente), mas aqui cabe outro tipo de raciocínio: possivelmente a existência de muitos meio-campistas e pontas de lança de estirpe – como Schiafino, Liedholm, Puskas, Didi, Platini, Xavi e Iniesta – tenha pulverizado a votação, ou seja, muitos nomes foram citados para esta posição.

A seleção mais votada teve o goleiro Lev Iashin (da antiga União Soviética), os laterais Cafu (Brasil) e Paolo Maldini (Itália), os zagueiros Bobby Moore (Inglaterra) e Franz Beckenbauer (Alemanha), os meio-campistas Johann Cruyff (Holanda), Alfredo Di Stefano (Argentina), Zinedine Zidane (França) e Diego Maradona (Argentina), e os atacantes Pelé (Brasil) e Lionel Messi (Argentina), o único que está na ativa.

O mais votado foi Beckenbauer, com 68 indicações entre as 73 possíveis.

Trata-se de uma superseleção para ser pôster de revista, mas se conseguisse ser formada provavelmente acabaria não dando certo, pois tantos craques juntos carecem de um carregador de piano pra segurar as pontas.

Pensando bem, acho que a escalação de Cafu acabou sendo acertada.

                                                                                                

 

domingo, 29 de setembro de 2013




A Revolta dos Malês

A Revolta dos Malês foi um movimento que ocorreu na cidade de Salvador em 1835, protagonizado por negros islamitas que, apesar de não serem escravos e de exercerem suas profissões livremente – alfaiates, artesãos, carpinteiros – sentiam-se discriminados por serem negros e professarem tal religião.
Com a revolta, eles reivindicavam a aceitação da sociedade branca e cristã e a possibilidade de ascender socialmente.
Eles não conseguiram nem uma coisa nem outra, pois a insurreição não deu certo. Os malês foram presos, os seus líderes mortos, e a vida seguiu em frente.
Os malês do século 21 também são livres e exercem a sua profissão – jogar futebol – e ao contrário dos revoltosos da época do império, têm a aceitação da sociedade, ascendem socialmente e os signatários são mais bem providos financeiramente do que seus pares do passado.
Entre eles se encontram jogadores jovens, outros em fim de carreira, alguns selecionados e outros selecionáveis, todos dispostos a lutar por direitos que dizem respeito à sua profissão, à sua carreira e à sua saúde.
O grupo, formado por 75 atletas, assinou um manifesto solicitando um encontro com as federações e os clubes para discutir o calendário futebolístico do Brasil, principalmente no que diz respeito aos chamados clubes grandes, que são aqueles que têm uma maior quantidade de jogos para jogar e de torneios para participar.
Na pauta, o horário dos jogos noturnos imposto pela Rede Globo, inconveniente tanto para os jogadores como para o público que frequenta estádios.
Fazem parte do levante alguns jogadores de grife, como Alexandre Pato, Rogério Ceni, Alex, Zé Roberto e Juninho Pernambucano, que contam com o apoio de alguns técnicos, como Dunga e Muricy. Felipão não se manifestou.
O documento prevê até uma greve geral durante o mês de dezembro próximo se os insurretos não forem atendidos, o que poderia paralisar o Campeonato Brasileiro na reta final e colocar em risco a participação do Atlético Mineiro no Mundial de Clubes da Fifa, em Marrocos.
Mas, como é possível que jogadores de futebol regiamente pagos, incensados pela mídia e supervalorizados no mercado possam se sentir escravos a ponto de se revoltarem contra os donos do sistema?
O problema com o calendário é que os jogadores se veem forçados a atuar até cerca de oitenta partidas por ano, passando boa parte do tempo em aeroportos e aviões, sem tempo para treinamentos táticos ou técnicos, para a desintoxicação ou o repouso muscular.
Com isso, cai o rendimento em campo, aumentam os riscos de contusão e carreiras são encerradas precocemente.
A CBF ainda não se manifestou, mas é bem provável que o presidente Marin aceda ao desejo dos jogadores e se coloque à disposição para discutir o assunto (eu disse “discutir”, não “resolver”), tentando aparar as arestas.
Alguns dirigentes de clubes, porém, já deram a sua opinião a respeito. Para eles, “os jogadores estão chorando de barriga cheia”.
O problema é que o futebol se transformou em uma máquina de fazer dinheiro, com um universo de patrocinadores, emissoras de televisão que trazem a reboque mais patrocinadores, torneios que distribuem altas somas em dinheiro e a necessidade de uma frequente exposição da mercadoria – os jogadores – para com isso produzirem mais dinheiro em transações mirabolantes e nem sempre muito bem explicadas.
E com isso, os malês modernos acabam se tornando escravos por via indireta.