segunda-feira, 26 de agosto de 2019






NOVOCABULÁRIO INGLÊS
(Copyright MacMillan)

(ver tradução após o texto)

SPIM

First there was “spam”, unwanted e-mail, and no sooner had we worked out a way of dealing with it, then along came SPIM. SPIM is similar to “spam”, but instead of working through e-mail inboxes, it attacks users through instant messaging (IM) services, making advertisements and unwanted messages automatically appear when you are connected to the internet.

            “A U.S. teenager has become the first person to be arrested on suspicion of sending unsolicited instant messages – or SPIM… Experts have warned in recent years that SPIM would be the next area of development for those looking to further exploit access to users’ desktops and bombard them with unwanted messages.” (CNET News, 21st February 2005)
  

TRADUÇÃO

SPIM
Antes existia o “spam”, e-mail indesejado, e tão logo a gente aprendeu a lidar com ele apareceu o SPIM. SPIM é similar ao “spam”, mas em vez de funcionar através de e-mail recebidos na caixa de entrada, ele ataca o usuário através um serviço de mensagens instantâneas (IM), onde propaganda e mensagens indesejadas aparecem automaticamente quando você se conecta com a internet.   

 “Um adolescente americano se tornou a primeira pessoa a ser presa por suspeita de enviar mensagens instantâneas não solicitadas – ou SPIM... Especialistas vêm alertando nos últimos anos que o SPIM seria o próximo passo desenvolvido por aqueles que desejam interferir nos computadores dos usuários e bombardeá-los com mensagens indesejadas.” (Apresentado no CNET News em 21 de fevereiro de 2005)

sábado, 24 de agosto de 2019






À MODA DA CASA 
(Marchinha composta por Augusto Pellegrini em 1968)

Silenciosamente eu saio à rua
A manhã flutua
E o nevoeiro da noite passada passou
Silenciosamente cuido de mim
Num botequim
Cerveja preta gelada
E um misto quente na chapa
Indiferente
À moda e à marca da casa

Silenciosamente no barulho
Milhões de embrulhos
Pacotes muitos, laços cor de rosa nas mãos
Silenciosamente sons musicais
Sons guturais
São discos tocando alto
E gente ganhando a nota
Indiferentes
À moda da casa

O grande sucesso do momento
É de ciúme, de queixume
Ou puro ardume de amor
Com azedume eu saio à rua
Com coragem
Não é fácil enfrentar monstro-motor
À moda da casa eu vejo o caso
Com descaso
Por acaso eu sou alguém?
Não sei
Então eu sigo à moda da casa
Esqueço o caso num silêncio
Até que eu faço muito bem

Perigosamente o povo vive
Mais uma crise, mais uma virgem
Pétala de rosa no chão
Naturalmente sempre os dramas existem
E as damas insistem
A convidar na calçada
Ao menos lá na avenida
Indiferentes
Às coisas da vida





O ORGULHO  
(Excerto)


O palco da pantomima foi o escritório de uma poderosa estatal. Os personagens são o diretor geral Doutor Sacramento, a secretária Dona Júlia e eu, mísero office-boy.
Dona Júlia, um exemplo de dedicação, levantara aquele dia pisando com o pé esquerdo e num momento de irreflexão teve uma discordância com o chefe, que era um verdadeiro déspota.
Ele vestiu sua face com o seu olhar mais satânico e disse num tom tonitruante que pode ser ouvido em todo o andar: “Dona Júlia, chame o chefe do pessoal e peça para ele contratar uma nova secretária. E que seja bem rápido!”. Dona Júlia olhou com os olhos arregalados de quem está sendo despejada da casa e tendo que assinar a sua própria sentença. Aos cinquenta e alguns anos ela teria que ir à cata de um novo emprego, além de aturar o sorriso vencedor dos seus inimigos.
Dona Júlia desabou num desmaio que – comentam – teria sido mais histriônico que neurológico, mas eu me precipitei em socorrê-la, num ato de cavalheirismo extremo.   
Doutor Sacramento passou pelo corpo inerte e se dirigiu à sua sala como quem estivesse desviando de um cachorro morto. Bateu a porta com força sem olhar pra trás.
O chefe do pessoal veio e despediu não somente Dona Júlia por insubordinação, como a mim também, por conivência.

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Nosso reencontro foi dramático.
Quase quinze anos haviam transcorrido. Continuei meus estudos, e tudo aconteceu numa sequência muito rápida: a graduação, o mestrado, o doutorado no exterior, o cargo de diretor numa grande empresa multinacional e a gestão dos negócios da empresa junto ao governo.
Convocado para uma reunião onde seria decidido o investimento de alguns bilhões de dólares, encontrei-me novamente com a fera, já meio gasta, os olhos opacos e os poucos cabelos já definitivamente brancos, embora apresentando o mesmo ar de empáfia e superioridade, usando na cabeça a mesma coroa de louros – “Ave, Sacramentus!” – embora invisível.
O encontro se deu no elevador todo envidraçado em fumê. Ele me reconheceu e fez um muxoxo de desagrado, e este muxoxo se transformou em espanto quando ele entendeu que caberia a mim a condução dos negócios, interpelando e orientando a todos naquela enorme mesa de jacarandá, tendo ao fundo uma pintura de Gainsborough.
Ao fim da reunião, derrotado em todos os seus argumentos, Sacramento parecia um vaso Ming se fragmentando, um pergaminho se desfazendo, um frade nu.   
Soube que ele morreu um mês depois da reunião, amaldiçoado pelas pragas solitárias de Dona Júlia agravada por uma úlcera perfurada – dizem os especialistas.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019






ABRACADABRA... PUFF !!!

Tinha dinheiro, mas eis que de repente
Minha polpuda carteira fica vaga
Pensando bem, é bem melhor pra gente
Se fazer de pão-duro diariamente
E não gastar dinheiro feito água

Mas os amigos, ah vêm os amigos
Que, sabedores da nossa poupança
Nos consideram santo salvador
E se aproximam cheios de esperança
Pedindo ajuda – “amigo, por favor”!

O bolso então aos poucos esvazia
E os juros da poupança vão pro ralo
E na devolução, conforme o caso
Se o empréstimo foi feito a bolso raso
Vêm náuseas naturais, vem pressão alta

Mas felizmente isso não é comigo
Graças aos céus algum provento tenho
O que faz da devolução simples rotina
Mesmo pensando no quanto eu não retenho

De quem me salva eu sou também amigo
E para os meus devoto um forte empenho
Pra nunca ser chamado de sovina
Pra nunca ser cobrado numa esquina







THE GRAMMAR BIBLE

ENGLISH IN DROPS
      Copyright Michael Strumpf & Auriel Douglas)

                                   (ver tradução abaixo)


THE COPIOUS DRINKER AND HER PILE  
Question: “Is this ad correct?” asked an astute beer drinker. “It reads, ‘She is sitting among a pile of beer cans.’”
Answer: Structurally, “among a pile” is correct, but logically it doesn’t make sense. You can not sit “among a pile”, which is defined as a single heap. You can sit “on” a pile or “next to” a pile or “between two piles” but not “among” one. The sentence needs to be reworded:
She is sitting among many beer cans.
She is sitting on a pile of beer cans.
She is sitting in the midst of many beer cans.

Any of these will work. Why was she there anyway? Doesn’t she have better things to do with her time? And who drank all that beer? The possibilities boggle the mind.  


TRADUÇÃO

A GRANDE BEBEDORA E A CERVEJA EMPILHADA


Pergunta: “Isto está correto?” perguntou um bebedor de cerveja esperto. “Está escrito ‘Ela está sentada entre uma pilha de cervejas’”.  

Resposta: A sentença “sentada entre uma pilha de cervejas” não faz sentido dentro da lógica. Você não pode se sentar “entre uma pilha”, pois “uma pilha” define uma única unidade. Você pode se sentar “numa pilha”, ou “perto de uma pilha” ou “entre duas pilhas”, mas não “entre uma pilha”. A sentença necessita ser refeita:

Ela está sentada entre muitas latas de cerveja.

Ela está sentada numa pilha de latas de cervejas.

Ela está sentada no meio de muitas latas de cerveja.

Nota: “Among” e “between” são traduzidas indistintamente como “entre” na língua portuguesa. Usa-se “among” quando você se refere a estar entre mais de duas coisas e “between” quando vocè se refere a estar entre apenas duas coisas:

She distributed the candies among the twelve children (Ela distribuiu os doces entre as doze crianças).

She distributed the candies between the two children (Ela distribuiu os doces entre as duas crianças).


segunda-feira, 19 de agosto de 2019







SINOPSE DO PROGRAMA SEXTA JAZZ DE 21/04/2017
RÁDIO UNIVERSIDADE FM - 106,9 Mhz
São Luís-MA

MIKE NOCK TRIO
  
Michael Anthony "Mike" Nock é um pianista neozelandês que alcançou grande sucesso na Austrália, Nova Zelândia e Europa com o seu jazz cheio de estilo. Quando eu digo cheio de estilo, eu convido o ouvinte do Sexta Jazz para conferir. É muito interessante constatar que tanto o seu ritmo quando a sua melodia têm uma indelével afinidade com a música brasileira dos grandes mestres do piano reportando ao final do século 20 - de Antonio Carlos Jobim a Antonio Adolfo, de Wagner Tiso a Gilson Peranzetta, de Edu Lobo a Cesar Camargo Mariano. Mike Nock vem acompanhado pelos irmãos Ben Waples no contrabaixo acústico e James Waples na bateria, interpretando músicas da sua autoria e outras praticamente desconhecidas do público brasileiro de autores como Gigi Gryce, Bill Reid e Russ Freeman. O concerto foi gravado ao vivo em outubro de 2008 no Sound Lounge Sydney, na Austrália. 

Sexta Jazz, nesta sexta, oito da noite, produção e apresentação de Augusto Pellegrini







NOVOCABULÁRIO INGLÊS
(Copyright MacMillan)

(ver tradução após o texto)

SHEEPLE

The power of 21st century media tricks many of us into following the most fashionable ideas of the moment. If you’re one of those people who tends to follow popular trends and bases their opinions on what everyone else is saying, then count yourself among the SHEEPLE. A blend of the words “sheep” and “people”, SHEEPLE describes people who are easily persuaded and tend to follow what others do.

            “Unfortunately, voters succumbed to the bullying tactics of our elected officials… These increased taxes will harm the economy and hurt families. Hopefully, voters will remember in the future that it’s ‘We the people’ not ‘We the SHEEPLE’.” (Macon Telegraph, 22nd June 2005)
  

TRADUÇÃO

CARNEIROS AMESTRADOS
A força da mídia do século 21 ilude muitas pessoas para que elas sigam as ideias da moda. Se você é um desses que costuma seguir tendências populares e baseia a sua opinião naquilo que os outros estão dizendo você faz parte dos CARNEIROS AMESTRADOS. “SHEEPLE” é uma mistura das palavras “sheep” (carneiro) e “people (gente) e descreve as pessoas que são convencidas com facilidade a fazer aquilo que os outros querem.

 “Infelizmente, os eleitores sucumbiram às táticas de intimidação dos candidatos eleitos... O constante aumento de impostos vai levar a economia a pique e prejudicar muitas famílias. Esperamos que os eleitores se lembrem no futuro que o correto é “nós, o povo” e não “nós os CARNEIROS AMESTRADOS”.   (Publicado no Macon Telegraph em 22 de junho de 2005)



sexta-feira, 16 de agosto de 2019





Letra de Augusto Pellegrini sobre composição musical de Renato Winkler, anos 1960

A BUSCA 

Ah, esta eterna procura
Do que não se perdeu
A gente onde é que está?
Ah, esta sempre vontade
De ser e de saber
Tudo o que é e tem seu valor
É busca da gente em si mesma
É busca no tempo e no espaço
É busca do amor que não veio
Com a esperança de um dia encontrar

Ah, a procura daquela
Nova dimensão
A dimensão da paz
De tudo o que se quis um dia
De tudo o que se fez um dia
Pra ter aquela Maria
Pra ter aquela Maria

quinta-feira, 15 de agosto de 2019






A IRA  
(Excerto)


Tudo andava às mil maravilhas naquela cidadezinha no sul da França, Saint Jean des Canards. Monsieur Patou caminhando placidamente pela rua arborizada, as flores florindo na primavera, o sol resplandecente furando as copas das árvores, os passarinhos gorjeando em francês e alguns Jacques, Jean-Pierres e Charlottes se cumprimentando e se sorrindo.
O vendedor de sorvetes oferece à criança um copinho com “crème des pommes” enquanto ao fundo a jovem Geneviève tem um “frisson” ao cruzar seu olhar com o de Laurent, um vizinho tímido e agradável que falava com os olhos tudo aquilo que os lábios não ousavam pronunciar, como dizia o poeta.
Monsieur Patou consulta o seu relógio, aqueles de bolso, a  corrente fazendo um arco por cima da virilha, é quase hora do almoço, vamos provar os quitutes preparados por Madeleine, sua mulher há mais de trinta anos, exímia cozinheira, já antevendo o assado de vitela com batatas coradas, regadas ao bom vinho “du Rhône”.
Madeleine termina de ajeitar a mesa, o avental impecavelmente engomado servindo de adorno ao vestido caseiro, trazendo no rosto a expressão de um artista a contemplar a sua mais recente obra prima, a mesa posta e uma terrina de sopa ocupando o centro.
Monsieur Patou entra pela porta da sala, dirige-se à mesa, beija afetuosamente Madeleine na testa e pergunta – “o que minha patinha fez para o almoço de hoje?” – ao que Madeleine responde – “sopa de quiabo” – “sopa de quiabo?!” – exclama Patou estupefato – “mas Joujou” (Joujou é Madeleine, na intimidade), “você sabe que eu odeio sopa de quiabo!” – “mas sopa de quiabo é tão bom!...” – e segue por aí afora a discussão sobre as qualidades nutritivas do quiabo, até que Patou se deu por vencido e sentou-se à mesa sem disfarçar um resmungo – “sopa de quiabo com vinho ‘du Rhone’, bah!”
Mas a primavera estava linda, Patou amava Joujou e ainda mais com essa linguiça cortada aos pedaços, e a batata, e o tempero de Joujou... sem contar que ele já havia lido num velho almanaque que quiabo era um poderoso afrodisíaco!...
Os dois sentados à mesa, a toalha xadrez já um pouco machucada pelo uso, a terrina fumegando, os pratos decorados e o relógio da sala batendo meio-dia, o sol penetrando pelas frestas da janela e as nuvens negras do desacordo se desvanecendo no ar.
Patou e Madeleine Joujou formavam um casal feliz, como feliz se sentia toda a humanidade concentrada na pequena Saint Jean des Canards naquele dia maravilhoso. 
Monsieur Patou dá a primeira colherada, dá a segunda colherada, limpa o canto da boca com o guardanapo branco que tem preso ao pescoço e, de repente, arregala os olhos.
“Uma mosca! Uma mosca na minha sopa!”
O pequeno díptero, já morto e com as pernas arreganhadas flutuava de costas ao lado de um pedaço de tomate e de uma rodela de quiabo, preso à sua viscosidade como se esta fosse uma teia de aranha gelatinosa.
Patou se levanta num solavanco, arranca o guardanapo do pescoço e ainda gritando – “uma mosca! uma mosca!” – entorna o prato com sopa, mosca e demais pertences por cima da mesa, borrifando o líquido quente e pegajoso sobre o avental bem cuidado de Joujou, que exclama “Mon Dieu!” e, ato contínuo, destempera a cabeça de Patou com a garrafa do puro “Rhône” safra 1982, uma das melhores dos últimos vinte anos, de acordo com os enólogos.
Está aberto o diálogo franco, franco em todos os sentidos.
Os passarinhos já estão se bicando por conta de um verme encontrado no meio do gramado, uma cumulus-nimbus tolda o brilho do sol, Jean-Pierre esbarra em Jacques e ambos trocam insultos, Charlotte ouve algumas palavras mal-intencionadas, pensa que é com ela e acerta a cabeça do sorveteiro com um portentoso golpe de guarda-chuva. Ao ver a cena, a criança morde a língua e chora, toda lambuzada de sorvete, e Geneviève planta um tapa na cara do jovem Laurent que enfim desencabulara e fizera propostas um tanto arrojadas para a sua condição de donzela. Laurent vira uma fera e agride a mocinha na maior baixaria.
Todo mundo se ofende e se desrespeita, pedras são atiradas a esmo, chega a polícia, bombas de gás, chega o reforço do exército, e por fim explode a bomba atômica.

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Tirando uma ou outra incorreção semântica, estas cenas foram extraídas do filme “Les sept péchés capitaux” – episódio “La colère” – mostrando uma ira à francesa, já bem familiarizada com as devastações que a guerra pode trazer.
Como nós aqui desde os idos da Guerra do Paraguai não somos brindados com o inimigo à porta de casa, nossa ira normalmente explode por questões de somenos importância ou pelo menos sem a mesma gravidade, e as nossas asas do rancor se estendem apenas até onde alcança a nossa rotina do dia-a-dia.
Ira em francês é mais “chic”.    



terça-feira, 13 de agosto de 2019







CARTA DE AGRADECIMENTO
(Augusto Pellegrini)

Primeiramente eu queria
Te agradecer pelo dia
Que ontem passamos juntos
Embora ao lado de amigos
Consegui ficar contigo
Pra lembrar nossos assuntos

Depois de um tempo afastados
Tivemos enfim o cuidado
De trocar velhas lembranças
Dos nossos anos dourados
Eu, cabelo despenteado
E tu cabelo de tranças

Tanta alegria e tristeza
Colocamos sobre a mesa
Como fosse um manjar fino
Relembramos tanta coisa
Até onde a mente ousa
Sem cometer desatino

Disfarçamos nossos erros
Ressaltando erros alheios
Como uma autodefesa
Faz-de-conta faz um conto
Celebramos nosso encontro
Com muito vinho e cerveja

Como se fosse um espelho
Nós dois, um pouco mais velhos
Nos sentamos face a face
Dois personagens na cena
Tivemos a tarde inteira
Pra caprichar no disfarce

Espero vê-la outra vez
Daqui a um ano, ou um mês
Pra arrematar a conversa
Esquece aquele pedido
Que nunca foi concedido
Hoje eu não tenho mais pressa

Minha cara confidente
Eu fiquei muito contente
De com você conversar
Qualquer coisa, manda um plá
Pra gente se reencontrar
Dia desses, de repente


Agosto, 2019