sexta-feira, 27 de março de 2015





A MORTE DOS ELEFANTES 

(ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 27/03/2015) 

As águas de março estão causando estragos num Brasil que até alguns meses atrás se ressentia da falta de chuva e do esvaziamento das represas. As represas continuam à meia boca, mas as cidades, desde à acreana Rio Branco até a paulistana São Paulo vivem tempos de provas aquáticas.
Domingo passado foi a vez do Rio. Felizmente não se teve notícias de deslizamentos na baixada fluminense, mas o Maracanã teve sua tarde de glória.
Em pleno dia de Flamengo x Vasco, o gramado da novíssima Arena Maracanã, construída com todos os requintes do padrão Fifa de qualidade, se transformou num Piscinão de Ramos, porque o equipamento responsável pela drenagem deixou de funcionar.  
Quero entender que os serviços de manutenção do estádio estejam precisando de manutenção.
Mas tirando a má-nutenção, e com toda a queda de braço entre a empresa concessionária para administrar o estádio, a federação carioca e os clubes que fazem o espetáculo, o Maracanã ainda vai dando conta do recado.
Destino pior estão tendo os anunciados elefantes brancos, estádios construídos em regiões onde não há público para o futebol das equipes locais.
E olhem que não foi por falta de aviso.
Na euforia da Copa todo o Brasil se vestiu de verde amarelo e os dirigentes esportivos, governantes e políticos em geral ficaram absolutamente cegos com a possibilidade de entrarem no fuzuê da gastança porque, diziam eles, cada centavo gasto reverteria em um portentoso retorno tanto para os cofres de quem investia como para o bem estar da população, em termos de legado.
Corrupção e mau gerenciamento à parte, a Arena Mané Garrincha, em Brasília, foi construída para abrigar um público de 72.800 pessoas, e apesar de no período pós-Copa hospedar cinco jogos envolvendo equipes de ponta do cenário nacional – Botafogo, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense e São Paulo – teve a ridícula média de público de 14.948 pessoas por jogo.
O mesmo raciocínio se aplica à Arena Amazônia, em Manaus, construída para um público de 44.351 pessoas. Sem a mesma força empresarial de Brasília, conseguiu realizar apenas uma partida – Botafogo x Corinthians – para uma plateia de 19.498 espectadores, ou seja, menos de 50% da capacidade do estádio.
Em ambas as cidades ainda não há uma definição sobre quem administrará o complexo e de que forma utilizará as suas instalações para ter um rendimento mensal mínimo que permita manter o estádio sem que o governo tenha que meter a mão no bolso para cobrir os prejuízos e os buracos.
E olhem que os estádios ainda estão cheirando a tinta e se não tiverem uma manutenção programada começarão a se deteriorar. Nada muito promissor para duas obras que custaram respectivamente – Manaus e Brasília – 757 milhões e 1 bilhão e 700 milhões de reais.
Menos de um ano após a Copa, a Arena Pantanal, em Cuiabá, já apresenta sérios problemas estruturais, com infiltrações, goteiras e problemas na rede elétrica e no gramado. Quando da realização do jogo Corinthians x Vitória não havia água nos vestiários e o próprio conforto do local já estava comprometido.
Construído para uma capacidade de 43.150 pessoas, a um custo de 570 milhões de reais, o estádio conseguiu uma média de público 21.165 torcedores nos três jogos realizados envolvendo Atlético Mineiro, Corinthians, Flamengo e Santos. 
Financeiramente, a manada também tão está funcionando.
Para enfrentar o Vitória pelo Campeonato Brasileiro o Corinthians mudou o local de mando de jogo de São Paulo para Cuiabá em troca de uma quantia de 1 milhão de reais livres de despesas. A partida na Arena Pantanal propiciou uma renda bruta de cerca de 480 mil reais, o que deu ao organizador um prejuízo de mais de meio milhão de reais, sem contar com os demais custos do evento.   

 

sexta-feira, 20 de março de 2015





O FUTEBOL SOB MEDIDA 

 (ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 20/03/2015) 

Em meio à turbulência política que agita o país com manifestações de um lado e investigações do outro, o governo finalmente resolveu encaminhar para discussão a Medida Provisória que visa dar oxigênio aos clubes que estão cada dia mais sufocados em dívidas, em virtude da sua própria (dos clubes) incompetência.
É claro que para colocar novamente o futebol brasileiro nos eixos não bastam apenas medidas políticas, direcionamento administrativo e sanções punitivas, mas a coisa pode começar por aí.
A Medida Provisória em questão dará condições para que os clubes endividados ganhem um fôlego para quitar os seus débitos e busca dar aos dirigentes dos clubes brasileiros uma derradeira oportunidade para colocar a casa em ordem.
Há quem apoie a posição do governo, que atende aos apelos dos clubes. Mas há também os que criticam, pois temem que esta Medida venha transformar a estrutura do futebol brasileiro em uma Futebrás, e que o Estado comece a assumir os prejuízos advindos da secular má administração do esporte no Brasil, seja ele profissional ou não.
O Ministro da Fazenda custou a dar o seu aval, até entender que o texto proposto pelo grupo interministerial não indicava a existência de um novo REFIS, ou seja, um financiamento do débito dos clubes a perder de vista com direito a reparcelamento sobre reparcelamento e até a uma eventual anistia.
Na verdade, ninguém pode apostar nas consequências futuras deste ato, mas as condições para que os clubes possam participar do programa são no mínimo curiosas para quem não está conseguindo sobreviver sem acumular débitos com obrigações sociais e trabalhistas: eles terão que apresentar junto com o pagamento da parcela mensal as certidões negativas de débitos e a comprovação de pagamento dos salários dos jogadores em dia, sob pena de perda do direito ao parcelamento e do rebaixamento para uma divisão inferior.
O projeto também prevê o limite de mandato dos presidentes para quatro anos, com direito a apenas uma recondução ao cargo.
A turma do Bom Senso F.C. não concordou com os termos da Medida e os milhares de empresários que têm débitos com a União reclamam que também querem ter a sua dívida parcelada nos mesmos 20 anos que estão dando aos clubes, isso sem ter que desembolsar nem um tostão de entrada.
De acordo com o Bom Senso, apenas uma parte dos salários dos jogadores é registrada em carteira, o que diminui os riscos de atraso do pagamento e das respectivas obrigações, sendo que a lei não controlará a outra parte, chamada eufemisticamente de “direitos de imagem”, cujo pagamento é feito mediante emissão de uma nota fiscal avulsa.
Na opinião da presidente Dilma Rousseff e do Ministro do Esporte George Hilton esta medida é necessária porque dezenas de clubes estão na eminência de um colapso (leia-se pindaíba) e o futebol dos grandes clubes é considerado um patrimônio nacional.
Até o ponto que me foi dado conhecer, a Medida não responsabiliza criminalmente os dirigentes dos clubes como acontece com as empresas legalmente registradas, e se assim ocorrer o problema continuará numa progressão negativa, pois o presidente que deixar o cargo passará o abacaxi para o outro, ficando imune a possíveis punições, isto é, volta à baila a velha reivindicação de que os clubes sejam regulamentados como empresas, coisa que a “bancada da bola” nunca deixou acontecer.
Resta torcer para que esta medida seja um passo adiante também na moralização da área esportiva e possa modernizar e dar novos rumos ao futebol brasileiro, que anda seriamente desacreditado pelo efeito 7x1.  

 

sexta-feira, 13 de março de 2015




 

BRASILEIROS EM AÇÃO 

(ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 13/03/2015) 

Os clubes brasileiros entraram em ação na disputa de mais uma Copa Libertadores da América, uma missão sempre difícil, mas na qual nós temos nos desincumbido relativamente bem nos últimos anos.
Nos quinze torneios disputados a partir do ano 2000, os brasileiros abiscoitaram seis, a mesma quantidade dos argentinos, contra um dos colombianos, um dos equatorianos e outro dos paraguaios.
Considerando a disputa desde 1960, quando o torneio teve início, os argentinos têm vinte e três conquistas contra dezessete do Brasil e quatorze dos demais países juntos.
Nesta edição o futebol brasileiro está sendo representado por Atlético Mineiro, Corinthians, Cruzeiro, Internacional e São Paulo (em ordem alfabética, pra não ferir suscetibilidades), e apesar da sequência dos jogos realizados já mostrar uma tendência nesta fase de grupos, ainda é cedo para a gente fazer uma previsão definitiva porque os clubes ainda tem todo o returno pela frente.
No entanto, é possível fazer uma análise momentânea das possibilidades das equipes brasileiras, levando em conta o que aconteceu até agora.
Todos os times mexeram no elenco, alguns mais, outros menos, e o entrosamento entre os jogadores considerados titulares ainda não é o ideal também por causa da disputa dos campeonatos regionais, onde os times têm se apresentado mesclado de reservas.
Mas o Corinthians está jogando com sobras, e num grupo onde estão o atual campeão – o argentino San Lorenzo – e o rival caseiro São Paulo, o alvinegro já saiu na frente com duas vitórias, tendo inclusive batido os argentinos na própria Buenos Aires.
O tricolor está no momento disputando a segunda vaga contra o San Lorenzo, mas não pode perder mais pontos e terá que melhorar muito se quiser seguir adiante. O outro disputante do grupo é o Danubio, do Uruguai, franco atirador que poderá aprontar alguma surpresa.
O Cruzeiro, que foi obrigado a repor muitas peças importantes, está mostrando um futebol que pelo menos até o momento não estimula a sua torcida a acreditar numa classificação. Mas sempre resta uma esperança, pois apesar de “não existir mais bobo no futebol”, seus adversários não são aquilo que se poderia chamar de poderosos – o mediano argentino Huracán e os quase desconhecidos Universitario de Sucre, da Bolívia, e Mineros de Guayana, da Venezuela.
Seu rival mineiro, o Atlético, tem uma missão mais difícil. Com duas derrotas em dois jogos disputados, o Galo não pode se dar ao luxo de perder mais pontos ou acabará se distanciando dos dois primeiros colocados e comprometendo de vez a sua passagem para a próxima fase. Seus adversários são em tese mais difíceis do que os do rival Cruzeiro – o colombiano Santa Fé, o chileno Colo-Colo e o mexicano Atlas.
Por fim, o Internacional parece que está respirando um pouco melhor, pois no momento divide a liderança contra os equatorianos do Emelec, embora tenha o Universidad de Chile e o boliviano The Strongest no seu encalço. Todos os adversários do Colorado são times que tradicionalmente costumam dar muito trabalho na Copa Libertadores.
Passando para a fase seguinte, o afunilamento vai começar a apresentar problemas, pois os argentinos Boca Juniors e Estudiantes, além do chileno Libertad e do tradicional Racing Club, também da Argentina, devem estar entre os nossos adversários. Sem esquecer os surpreendentes Wanderers, do Uruguai e Tigres, do México. E ainda tem o River Plate, correndo por fora.   

sábado, 7 de março de 2015





BRASIL DE MENTIRINHA
 
 (ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 06/03/2015) 

Em outubro de 2009 a cidade do Rio de Janeiro foi escolhida para sediar os Jogos Olímpicos que serão realizados no ano que vem.
Ao pleitear o direito de sede, o COB – Comitê Olímpico Brasileiro preparou um elaborado trabalho documental a respeito das nossas condições e possibilidades em receber tal laurel, porque este procedimento faz parte do processo de escolha.
Este tipo de relatório é detalhista ao extremo e fornece todas as informações sobre os locais onde serão realizadas as provas – estádios, quadras, piscinas, pistas – assim como a construção da Vila dos Atletas. Também detalha o planejamento estratégico dos Jogos, como o esquema de segurança, hospedagem, transporte, comunicação e acesso.
Dado o tiro de partida, esperava-se uma corrida para que a concepção do relatório fosse cumprida.
Ocorre que, a pouco mais de um ano para a abertura dos jogos, 25% das obras que constam da lista de projetos essenciais não foram ainda sequer licitadas, e o Parque Olímpico Deodoro, base dos Jogos – pois abrigará canoagem slalom, tiro, mountain-bike, bicicross, hóquei, pentatlo, rúgbi, hipismo e natação – ainda não passa de um confuso canteiro de obras.
Mas os maiores problemas são as obras do velódromo e outras instalações na zona da Barra, e principalmente a despoluição da Lagoa Rodrigo de Freitas, da Marina da Glória e da área do Forte Copacabana para as competições de remo e canoagem, de vela, da maratona aquática e do triatlo.
O custo também deve disparar: somente o pacote as obras de infraestrutura, englobando projetos de aeroporto, porto, mobilidade urbana e gestão ambiental, estimado em R$ 16,5 bilhões na época da candidatura já chegou a R$ 24 bilhões sem que o progresso físico tivesse acompanhado o custo.
Mas a gente já se acostumou com este tipo de problema, pois no Pan-2007 e na Copa do Mundo as coisas também estavam erradas acabaram dando certo no fim.
Esportivamente, porém, a situação está tomando outra dimensão.
O Brasil já produziu – às duras penas, é verdade – medalhistas individuais como Adhemar Ferreira da Silva, Joaquim Cruz, Aurélio Miguel, Rogério Sampaio, Gustavo Borges, Cesar Cielo, Maurren Maggi, Arthur Zanetti e Sarah Menezes, entre outros, e agora se vê obrigado a importar atletas de outros países para não passar vergonha, pelo menos na estatística.
Isto porque os nossos dirigentes olímpicos tiveram mais de uma década para investir em novos talentos, estimular e dar condições a jovens promissores, criando estruturas em escolas públicas e estabelecendo parcerias com empresas particulares, mas aparentemente investiram apenas no próprio prestígio ou, quem sabe, no próprio bolso.
A lista dos importados que devem se naturalizar brasileiros para lutar por medalhas não é pequena, e inclui até o momento  Adrián Delgado – Espanha, Ivez Gonzales – Cuba, Josip Vrilic – Croácia, Slobodan Soro – Sérvia e Tony Azevedo – EUA (no polo aquático), Nathalia Moelhausen – Itália,  Marta Baeza – Espanha e Katherine Miller – EUA (na esgrima), Inge Vermeulen – Holanda (no hóquei na grama), Eduard Soghomonyan – Armênia e Marat Garipov – Cazaquistão (na luta olímpica) e Juliano Fiori – Inglaterra e Dave Harvey – Austrália (no rúbgy).
Esta estratégia não é incomum, sendo frequentemente usada por outros países na exacerbada luta pela conquista de medalhas, mas de certa forma contraria os ideais olímpicos, onde se presume outro tipo de comportamento. Este procedimento acaba deturpando o esporte e o contaminando com um profissionalismo selvagem que a cada dia se faz mais presente. 
Mas vai ser engraçado ver um armênio no pódio ouvindo o Hino Nacional Brasileiro e fazendo cara de paisagem.

 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015






FUTEBOL DE UMA SÓ TORCIDA 

(ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 27/02/2015) 

Nos dias que antecederam o primeiro clássico paulista deste ano, entre Palmeiras e Corinthians, o Ministério Público criou uma grande polêmica ao exigir que o jogo fosse realizado com o estádio abrigando apenas a torcida do time mandante, no caso o alviverde.
O promotor usava como argumento que a segurança dos torcedores estaria ameaçada com a presença de torcedores dos dois clubes, mesmo obedecendo à atual determinação de que o time visitante somente contasse com cota de 10% dos ingressos.
O Palmeiras, é claro, não se manifestou, mas o Corinthians e boa parte da imprensa bateram o pé, evocando o direito de o torcedor pagar o seu ingresso e assistir ao jogo in loco, e acusaram o Ministério Público de estar fazendo demagogia porque o Estado perdeu a capacidade de exercer segurança sobre qualquer agrupamento de pessoas que exceda a uns poucos indivíduos.
Para o Estado, a melhor forma de o cidadão ficar em segurança é ele não sair de casa, muito embora nem isso funcione cem por cento.
O cidadão está prejudicado no seu direito de ir e vir e de fazer as coisas mais corriqueiras, como ir a um caixa automático, estacionar em via pública, passear num parque, sair à noite para tomar algumas, usar o seu celular ou abrir o portão de casa.
Os especialistas em segurança do Estado, ao invés de nos dar segurança, nos dão conselhos ou impõem restrições ao nosso comportamento, proibindo o uso de celulares dentro de bancos, desautorizando seguranças particulares a portar armas, nos orientando a fazer tudo o que o bandido mandar e agora querendo proibir a nossa ida a um estádio de futebol por causa da “violência que campeia entre os torcedores”.
Violência por violência, a atual conjuntura da sociedade faz ocorrer coisas estranhas: alguns torcedores corintianos que estavam entre os 10% que tiveram seu lugar reservado no Allianz Parque acabaram brigando entre si, sem a participação de um palmeirense sequer.
Confrontos também poderiam ter acontecido em frente ao estádio, nas ruas adjacentes, numa estação de metrô ou até num ponto de ônibus a cem quilômetros do local do jogo, porque muitos torcedores são realmente violentos, mas também porque a nossa força policial não está preparada para fazer cumprir a lei.
A polícia perdeu a autoridade, o cidadão perdeu o respeito e ambos perderam a compostura.
Continuando desse jeito, logo as nossas crianças terão que estudar em casa, porque será perigoso ir à escola, teremos que comprar laranjas, ovos e tomates pela internet porque será perigoso ir ao supermercado ou ao shopping, e deveremos ter uma capela em casa para fazer as orações à guisa de igreja ou assistir à santa missa pela televisão! 
Alguns poderão dizer que a violência é um problema mundial, citando como exemplo as intermináveis guerras, os constantes atentados e a desvalorização do ser humano por toda parte, mas não estou falando de manifestações políticas nem de retaliações religiosas, apenas de futebol.
Existem leis reguladas pela Justiça comum e pelo Estatuto do Torcedor que penalizam agressores e baderneiros. Se forem cidadãos independentes, que se curvem à força da lei que prevê prisão para atos de tumulto e vandalismo. Se forem torcedores das torcidas organizadas, que sejam punidos não apenas os desordeiros, mas também e empresa que os acoberta, inclusive os dirigentes de clubes que lhes dão guarida.
O que não pode acontecer é o torcedor desejar assistir a um espetáculo – como o faria num circo ou num cinema – e ser impedido de frequentar o estádio por causa de uma minoria de baderneiros que a segurança pública do Estado não tem competência de controlar e punir.  

 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015






FUTEBOL E SAMBA  

 (ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 20/02/2015) 

Terminou o carnaval e todos vamos pouco a pouco voltando à nossa rotina de vida, mesmo que preguiçosamente, pois a volta às atividades exige um pouco de pré-temporada e, em termos de folia, ainda existe algum rescaldo neste fim de semana.
O brasileiro é conhecido por duas paixões quase indissociáveis: o futebol e o samba. No meu caso, tenho em cada uma delas uma história pra contar.
Minha paixão pelo futebol jamais foi integralmente correspondida, pois apesar de escrever sobre futebol e de, modestamente, entender um pouco do riscado, nunca consegui estabelecer um diálogo mais íntimo com a bola, e minhas aventuras com a pelota correndo no gramado se resumem às peladas de rua da infância.
Talvez, a exemplo de alguns experts que jamais conseguiram jogar minimamente, eu pudesse ter sido um bom técnico, pois tenho a chamada visão de jogo, percebo as deficiências de um determinado jogador ou de uma formação inadequada e já “briguei” muitas vezes com treinadores e jogadores nas suas entrevistas quando eles expressam uma leitura errada do jogo em que se envolveram.
Escrevo sobre esporte – mais apropriadamente sobre futebol – há mais de vinte anos, e antes disso já havia participado ativamente do dia-a-dia do métier na qualidade de presidente da infelizmente extinta Sociedade Esportiva Tupan, conhecendo além dos problemas de campo de jogo também os segredos de bastidores e a política desenvolvida nas agremiações e na federação.
Não é, portanto, com surpresa que vejo o futebol brasileiro soçobrar nos dias de hoje, mas isso é um assunto que fica para outro dia.
Estranhamente, em termos de “bola no pé”, tenho mais intimidade com o samba do que com o futebol, pois durante sete anos fui participante de uma escola de samba do grupo especial de São Paulo – a G.R.E.S. Pérola Negra – na qual fazia parte da ala dos compositores e da direção de harmonia.
E fui além, tendo um samba-enredo premiado e apresentado na avenida em 1979, o que corresponde à conquista de um título particular dentro dos títulos alcançados pela escola.
Por isso, creio ter autoridade para comentar o que considero um descalabro, que é qualquer relação mais séria do futebol profissional com as escolas de samba.
O Rio de Janeiro, com certeza o melhor, mais bonito e mais empolgante carnaval de rua do país, sabe muito bem separar as coisas. Nos estádios, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco fazem a alegria dos seus torcedores. Na Marquês de Sapucaí, Beija Flor, Imperatriz, Mangueira, Mocidade, Salgueiro e Portela, dão empolgação às suas comunidades.
Mas em São Paulo as escolas tradicionais – Camisa Verde, Mocidade Alegre, Nenê de Vila Matilde, Rosas de Ouro, Vai Vai – começaram a dividir espaço com as torcidas organizadas, que invadem uma praia que não é a delas, comprometendo a lisura dos resultados, pois as paixões clubistas dos jurados vão além de uma interpretação racional, e ajudam a promover baderna no momento da apuração.
As escolas de samba Gaviões da Fiel, Mancha Verde e Dragões da Real nada mais são do que agremiações que congregam os associados das torcidas organizadas de Corinthians, Palmeiras e São Paulo – incluindo os delinquentes – que entram no desfile carnavalesco apenas para fazer aquilo que eles mais sabem – arruaça, desrespeito e confronto. Inclusive nas arquibancadas do sambódromo.
Há que separar o joio do trigo, para o bem dos foliões e dos torcedores.

sábado, 14 de fevereiro de 2015





                                                     A HISTÓRIA SE REPETE 

 (ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 13/02/2015) 

Mostrando um futebol pouco convincente, a seleção do Brasil encerrou a sua participação no Campeonato Sul-Americano Sub-20 disputado no Uruguai amargando um modesto quarto lugar.
A despedida teve um toque de melancolia com uma derrota contundente para a Colômbia por 3x0.
Menos mal que, terminando entre os quatro primeiros, o Brasil pelo menos conquistou o direito de disputar o Mundial da categoria a ser jogado em maio e junho deste ano na Nova Zelândia, representando a América do Sul juntamente com a Argentina (campeã do Sul-Americano), o Uruguai e a Colômbia.
Era o mínimo que se esperava, pois seria absolutamente cruel e vexatório se o Brasil não ficasse entre os quatro primeiros colocados em um torneio de seis participantes.
Se as coisas não forem consertadas, porém, corremos o risco de passarmos por um vexame maior no Mundial.
A seleção brasileira Sub-20 tem entre os seus integrantes alguns jogadores que já atuam como titulares dos seus respectivos clubes – entre eles os zagueiros Marlon (Fluminense) e Nathan (Palmeiras), os laterais Auro (São Paulo), João Pedro (Palmeiras) e Caju (Santos), o meio-campista Boschilia (São Paulo) e os atacantes Gabriel (Santos), Kennedy (Fluminense), Thales (Vasco), Yuri (Botafogo) e Malcom (Corinthians), além do ex-Internacional Otávio, atualmente defendendo o FC Porto, e Lucas Evangelista, ex-São Paulo, que joga na Udinese, da Itália.
Parece então que material não falta, pois o time possui bons valores individuais.
A seleção, no entanto, carece de uma estruturação tática mais moderna, isto é, padece dos mesmos males da seleção principal que perdeu o Mundial de 2014.
Infelizmente, estes males não se restringem apenas ao futebol praticado em campo e se não forem corrigidos representarão mais uma decepção daqui a três meses.
Os jovens são promissores, mas aparentemente não tiveram a orientação necessária, evidenciando despreparo em campo e causando cenas de grande constrangimento fora dele.
Depois de uma circulada noturna pelo bar do hotel onde estavam hospedados, três atletas arrumaram uma grande confusão com outros hóspedes e funcionários do hotel.
O rebuliço adentrou a madrugada, comprometendo a concentração do time que iria enfrentar a Argentina algumas horas mais tarde, quando o Brasil perdeu por 2x0 e deu um adeus antecipado às pretensões ao título.
A CBF não se manifestou imediatamente nem sobre o incidente nem sobre as providências que seriam tomadas, mas acaba de demitir o técnico Alexandre Gallo, que não conseguiu se impor nem dar padrão de jogo à equipe.
Gallo fez parte da equipe coordenada por Parreira em 2014 e apesar de não ter tido nenhuma influência prática sobre o resultado patético da seleção principal na Copa, ele está contaminado por aquela filosofia perdedora, que teve na falta de liderança de grupo a principal razão para má produção dos jogadores.
Nossos atletas ficam ricos e famosos muito jovens e com pouca maturidade, e padecem de um deslumbramento que deveria ser controlado pelos dirigentes, principalmente quando a equipe está representando o nosso futebol e a nossa história em uma competição de porte.
Sem uma correção de rumo logo iremos mostrar os mesmos problemas das seleções africanas, que primam pela indisciplina e pela falta de coordenação. 

 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015





A SAGA DO MARACANà

(ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 06/02/2015) 

Quando nasceu, o Estádio Municipal do Maracanã foi batizado como Estádio Jornalista Mário Filho, naqueles tempos em que arena era apenas “um espaço coberto de areia, no centro dos anfiteatros onde combatiam os gladiadores”, conforme dizem os dicionários.
Os puxa-sacos da época queriam denominá-lo Estádio General Ângelo Mendes de Morais, nome do prefeito do Rio de Janeiro, mas prevaleceu a vontade popular, posto que Mário Filho – irmão do dramaturgo Nelson Rodrigues – foi o verdadeiro mentor da obra, a princípio muito contestada.
A inauguração aconteceu no dia 16 de junho de 1950, numa partida entre as seleções do Rio e de São Paulo, vencida pelos paulistas por 3x1. O jogo correspondeu a um teste final do gramado e vestiários, pois a Copa do Mundo seria iniciada oito dias depois com o estádio ainda em obras, tendo o Brasil goleado o México por 4x0.
O jovem Maracanã foi palco de uma tragédia exatamente um mês depois de inaugurado, com o Uruguai calando 200 mil torcedores que comemoravam o título antecipadamente depois da estrondosa goleada sobre a Espanha – 6x0 – três dias antes.
Mas o saldo positivo de alegrias acabou superando as tristezas da Copa.
Por mais de sessenta anos o estádio foi palco dos clássicos cariocas e foi o teatro que abrigou a decisão de mais de uma centena de títulos diversos. Serviu de passarela para que Zizinho, Didi, Nilton Santos, Garrincha, Gerson, Zico, Roberto Dinamite e Romário encantassem o público com o seu grande futebol.
O estádio viveu também outros momentos de alegria, com diversas finais do Campeonato Brasileiro e com a final do primeiro Mundial de Clubes da Fifa e da Copa das Confederações de 2013, e foi a casa do Santos F.C. na conquista do bicampeonato Intercontinental de Clubes 1962-1963, além de testemunhar o milésimo gol de Pelé. Foi o local da abertura e do encerramento do Pan-2007 e presenteou a seleção brasileira feminina com a medalha de ouro.
Com tudo isso, o Maracanã pode e deve ser considerado um patrimônio nacional e, literalmente, a casa do povo, pois abrigava desde o mais humilde torcedor – aquele que não tinha dinheiro para ingressos caros e assistia aos jogos em pé, no cimentão da geral – até os mais sofisticados que se aboletavam nas arquibancadas e nas cadeiras.
Esse pessoal tinha nome: a classe proletária era chamada de “geraldinos” e os mais burgueses conhecidos como “arquibaldos”. Nunca se viu tanta democracia, sem qualquer resquício de luta de classes, pois a galera se preocupava apenas em incentivar os seus craques e os seu clubes.
Botafoguenses, rubro-negros, tricolores e vascaínos, no meio das bandeiras e faixas, dos torcedores fantasiados, dos foguetes, do pó de arroz e do papel picado, faziam a festa do domingo depois da praia.
Mas veio a Copa do Mundo de 2014 e o sonho acabou.
A arquitetura que guardava a marca dos anos 1950 foi desfigurada. A geral foi destruída em nome do padrão Fifa. O comportamento do torcedor foi regulamentado. E os preços foram para a estratosfera, para satisfazer os lucros de um Consórcio que, ao invés da Prefeitura do Rio, passou a administrar o estádio.
Os clubes perderam dinheiro e motivação e a qualidade do futebol carioca sofreu um baque.
Os atuais administradores possivelmente detestam futebol, pois estão impondo as maiores dificuldades para que os clubes usem o estádio. Assim, é de se esperar que o outrora Gigante do Maracanã venha algum dia se chamar Maracanã Music Hall ou quem sabe Maracanã Follies, para abrigar um público bem diferente daqueles saudosos arquibaldos e geraldinos.  

 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015







IDIOTAS NO COMANDO  

 (ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 03/02/2015) 

Existe um preceito jornalístico que limita o tempo de pergunta e a objetividade da resposta nos programas de entrevistas, tudo pautado na boa educação e no respeito que ambos – entrevistador e entrevistado – devem ter entre si e com o espectador. Esta regra vale para qualquer que seja o assunto em questão, seja ele de natureza científica, política, econômica ou educacional, seja ele sobre o nosso brejeiro futebol.
Interrupções no discurso são indesejáveis, como é indesejável impedir que a outra parte desenvolva o seu raciocínio quando tenta fazer com que a conversa fique mais clara para o público espectador.
Ao longo do tempo, porém, nos acostumamos a ver nas entrevistas esportivas muitos dirigentes e técnicos desequilibrados dando declarações arrogantes e muitas vezes ofensivas e não admitindo qualquer tipo de diálogo. São os “donos da verdade”.
Já nos habituamos a ver e ouvir as fanfarronices do chefão Eurico Miranda e a ironia do professor Vanderlei Luxemburgo, a insolência de Dunga, a má educação de Andrés Sanchez e soberba de Ricardo Teixeira. Também já estamos cansados das respostas mal-humoradas de Muricy Ramalho e Émerson Leão.
A maioria das entrevistas, no entanto, termina de uma maneira tranquila, com pedidos de desculpas explícitos ou embutidos.
Não foi o que aconteceu na semana passada, quando tivemos a oportunidade de assistir ao suprassumo da estupidez em que se transformou a entrevista de Mario Gobbi, atual presidente do Corinthians – que está de saída, para a felicidade do torcedor corintiano – no programa Bate Bola da hora do almoço na ESPN Brasil.
Ao invés de responder aos comentaristas com clareza e objetividade, o presidente esbravejou durante meia-hora sem dar espaço aos interlocutores, tendo o cuidado de afirmar que os jornalistas não estavam preparados para lhe fazer perguntas e se colocou num pedestal que, ao invés de traduzir conhecimento, demonstrou apenas falta de educação e ignorância.
Tudo começou quando o comentarista pediu que ele desse a sua versão para o fato de a torcida organizada do clube ter contratado o rapaz que lançou o sinalizador na Bolívia, causando a morte do menino Kevin Espada.
Mario Gobbi se enfureceu e disse não haver provas de que ele teria lançado o artefato e que “a prisão dos dez integrantes da Gaviões da Fiel em Oruro tinha sido um crime muito mais grave do que a morte do jovem boliviano”!
E então deitou falação sobre os procedimentos da lei boliviana, numa clara ingerência na soberania jurídica de um outro país, ao mesmo tempo em que dizia para os comentaristas boquiabertos que eles deveriam aprender sobre leis antes de interpelá-lo.
O show de grosseria e desvairamento terminou com a chamada dos comerciais.
Este é o perfil de muitos dirigentes do futebol brasileiro, que são despreparados para exercer a liturgia do cargo. O seu destempero muitas vezes açoda a desarmonia e estimula a violência.
A lista dos idiotas que estão no comando não é pequena, e neste exato instante ela tem entre os seus principais representantes o atual presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, que em pouquíssimo tempo só colecionou desafetos pela forma grosseira como conduz as discussões tanto interna quanto externamente, mas que diferentemente do presidente corintiano ainda está no início do mandato.
Já Mario Gobbi, que vai entregar o cargo neste mês de fevereiro, é o tipo de dirigente que nada acrescentou ao Corinthians nem ao futebol, e com certeza não vai deixar saudades.

 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015






MINISTRADAS E MINISTRICES 

(ARTIGO PUBLICADO NO CADERNO “SUPER ESPORTES” DO JORNAL “O IMPARCIAL” DE 29/01/2015) 

Inexperiente não apenas na liturgia ministerial como também na administração do assunto que lhe foi dado para ministeriar, George Hilton, o recém-empossado Ministro do Esporte já começou a meter os pés pelas mãos.
Não que tivesse posto em prática alguma política danosa ao esporte ou que tivesse se envolvido em algum desvio de conduta pouco recomendável, o que infelizmente vem sendo a tônica de muitos políticos aqui no Brasil.
Talvez, porém, pelo seu inequívoco envolvimento com o ministério religioso, o senhor (ou talvez devemo-lo chamar de pastor) Hilton se esqueceu de separar as atribuições do seu cargo atual (Ministro do Esporte) com o seu cargo de ofício (ministro de Deus) e declarou que a sua primeira ação no Ministério seria implantar procedimentos religiosos entre os jogadores, “para afastá-los das drogas”, disse ele.
Trata-se de duas coisas muito importantes que ajudam na formação dos jovens – religiosidade e prevenção contra o uso de drogas – mas que parecem estar sendo formuladas no momento e no fórum errados. E do modo errado.
O esporte brasileiro, em particular o futebol, nossa maior paixão, vive um momento de desencontro. Há um descompasso técnico, emocional e financeiro que começa a criar um abismo entre o Brasil e outros países que praticam este esporte, alguns se fortalecendo, como os europeus, outros se reforçando, como os asiáticos, outros se repaginando como os norte-americanos.
Além disso, vemos se aproximarem os Jogos Olímpicos de 2016 sem que possamos confiar na estrutura dos locais e dos equipamentos necessários e sem que possamos confiar nos atletas que representarão o Brasil, quer por causa dos problemas de preparação e treinamento, quer por falta de uma verba que dê suporte estrutural às modalidades, algumas das quais no meio de uma intensa crise de credibilidade, como o vôlei, a canoagem e o taekwondo, ou de funcionabilidade, como o futebol feminino, o atletismo, a natação e a ginástica.
Por fim, existe o problema de que o Brasil, como um país laico, não pode obrigar que os clubes ministrem compulsoriamente aos seus atletas qualquer tipo de religião, seja ela evangélica (como no caso do Ministro), católica ou provinda de raízes africanas, não apenas porque isto desviaria do atleta o seu foco principal – que é estar preparado para competir – como também porque criaria uma separação indesejável em grupos de atletas com diferentes crenças ou práticas religiosas.
O esporte deve ser tratado como esporte, e quaisquer desvios que possam afetar o desempenho do atleta e comprometer o seu rendimento devem ser tratados com reserva, inclusive aqueles relativos a uso de droga.
São conhecidos alguns casos de consumo de drogas no esporte (ou de uso de dopping, mais comum, mas igualmente condenável), mas felizmente esses casos são ínfimos se considerarmos a quantidade de atletas e profissionais que têm o esporte como meio de vida.  
Existem naturalmente, sem necessidade da interferência ministerial, muitos atletas evangélicos que se intitulam Atletas de Cristo, que a seu modo procuram transmitir aos companheiros algum tipo de formação religiosa, e os clubes – com exceção de alguns técnicos que são totalmente contrários à ideia – não se importam que isso aconteça. 
Alertado por alguém, George Hilton mudou o discurso e disse que a sua preocupação inicial será a formação de jovens atletas, o futebol feminino e a Olimpíada de 2016, omitindo qualquer menção a questões religiosas.
Mesmo assim, Hilton não deixou de preencher os principais cargos do seu Ministério com políticos do PRB, todos pastores da Igreja Universal do Reino de Deus, que obviamente farão do seu trabalho uma cruzada religiosa dentro do esporte.