quinta-feira, 8 de agosto de 2019







Letra de Augusto Pellegrini sobre música composta por Renato Winkler   - anos 1960
(publicada neste bloco em abril de 2017)

SOMOS NÓS  

Agora nós dois somos sós
O dia partiu sem adeus
A praia deitou com o mar
E um beijo marcou nossa paz
Beijo leve assim, como a flor
Como é doce o amor, como é bom
Abro a cortina, e a lua então
Nos manda sua pálida luz

E neste silêncio
E neste momento
Desta imensidão
Deste nosso mundo
Sequer pensamento
Existe a esta hora
Pra ser mais que o amor
Que serena em nós

Agora nós dois somos sós
Um resto de mundo, mas nós
Distantes do mundo, mas nós
E um beijo marcou nossa paz
E fico em você, mudo então
Escutando o seu coração
Sentindo o seu perfume bom
E o dia partiu sem adeus

segunda-feira, 5 de agosto de 2019







NOVOCABULÁRIO INGLÊS
(Copyright MacMillan)

(ver tradução após o texto)

MOVIEOKE

Here is the perfect pastime for the frustrated actor! If you’ve always wanted a chance to act our scenes from your favorite movies, then cinema’s answer to the karaoke could make your dreams come true. Stand in front of the MOVIEOKE screen, and you too could battle it out with Darth Vader in Star Wars or bring the hills alive with The Sound of Music!  
 “Created in New York, MOVIEOKE is karaoke for the movies. Every Wednesday night, wannabe screen legends flock to a small club in Manhattan’s East Village with one aim: to stand up in front of a crowd of strangers and deliver their idol’s words in their own unique style” (The Independent, March 07, 2005)
  

TRADUÇÃO

MOVIEOKÊ
Eis aqui o passatempo perfeito para um ator frustrado! Se você sempre quis ter uma chance de interpretar as cenas do seu filme favorito, existe uma versão karaokê do cinema para que seus sonhos possam se tornar realidade. Você fica em frente de uma tela MOVIEOKÊ e poderá então participar das batalhas de Darth Vader em Guerra das Estrelas ou viajar sobre as montanhas em A Noviça Rebelde! 

 “Criado em Nova York, MOVIEOKÊ é o karaokê do cinema. Toda quarta-feira à noite, aqueles que gostariam de ser uma estrela lendária do cinema se reúnem num pequeno local no East Village de Manhattan com um único propósito: se apresentar para uma plateia de desconhecidos e atuar usando as palavras do seu ídolo dentro do seu próprio estilo”. (Publicado em The Independent em 7 de março de 2005)

domingo, 4 de agosto de 2019





TRECHO FINAL DE “O GATO PRETO”  
(de Edgar Allan Poe)


 O presidente da Academia Poética Brasileira, jornalista Mhario Lincoln, sugeriu que os seus membros postassem alguma coisa  a postar alguma coisa sobre a #semanaALLANPOE. Eu decidi por reproduzir o próprio autor, posto que nada que eu fosse capaz de escrever teria um impacto maior do que o foi produzido pelo próprio mestre.
“O conto ‘O Gato Preto’ narra as desventuras de um homem que, dominado pelo álcool e pelo desvario, tenta matar o seu gato, do qual conseguiu apenas furar um olho, e acaba matando a própria esposa  numa explosão de loucura, cujo cadáver ele oculta numa parede falsa dentro de um aposento da casa em que morava.
O gato preto desaparecera desde o episódio.
A polícia, intrigada com o sumiço da mulher e alertada pelos vizinhos sobre as esquisitices do vizinho, resolve investigar e manda policiais para revistar a casa.
O homem, muito confiante no seu plano não só os convida e entrar como ajuda na revista e os brinda com frases de efeito, como:

“... Cavalheiros, estou encantado por ter desfeito todas as suas suspeitas ... A propósito, cavalheiros, esta casa é muito bem construída ... Estas paredes são muito sólidas...”

A narrativa que se segue é uma transcrição do conto:

E foi neste ponto que, tomado por um estúpido frenesi de bravata, bati pesadamente com uma bengala que tinha na mão justamente sobre aquela parede atrás da qual jazia o cadáver da minha esposa.
Possa Deus escudar-me e proteger-me das presas do Pai dos Demônios! Tão logo a reverberação dos golpes que eu havia dado desapareceu no silêncio, foi respondida por uma voz de dentro do túmulo! – respondida por um grito, a princípio abafado e entrecortado, como soluços de uma criança, mas rapidamente se avolumando em um grito longo, alto e contínuo, totalmente anormal e desumano – um uivo – um guincho lamentoso, meio de horror e meio de triunfo, tal como só podia ter subido das profundezas do inferno, um berro emitido conjuntamente pelas gargantas de centenas de condenados à danação eterna, torturados em sua agonia, e pelos demônios que exultam em sua condenação.
É tolice tentar descrever meus pensamentos. Sentindo-me desmaiar, cambaleei até a parede oposta. Por um instante, o grupo de policiais permaneceu imóvel, em um misto de espanto e de profundo terror. No momento seguinte, uma dúzia de braços robustos esforçava-se por esboroar a parede. Ela caiu inteira. O cadáver, já bastante decomposto e coberto de sangue coagulado, estava ereto perante os olhos dos espectadores, na mesma posição em que eu o deixara. Mas sobre sua cabeça, com a boca vermelha escancarada e uma chispa de fogo no único olho, sentava-se a besta horrenda cujos ardis me tinham levado ao assassinato e cuja voz denunciadora agora me levaria ao carrasco. Eu havia emparedado o monstro dentro do túmulo! 

sexta-feira, 2 de agosto de 2019







A VIDA INGLÓRIA DE TALARICO JOSÉ
(Excerto - II)

Eis a sua grande desdita: chamar-se Talarico.
Poderiam ter posto o nome de Teobaldo ou Estêvão, mas seu pai – um redondo cavalheiro de bigodeira austera – preferiu um nome de armas a um nome de almas.
Isto pensava ele – o pai – que errou desde o princípio, pois nunca se ouviu falar de um general ou soldado, estratego ou simples aguadeiro, ou sequer de um cavalo que, pronto e ajaezado para a luta, respondesse por tal nome.
Alarico, sim, vândalo e destemido, devastador de aldeias, degolador de populações civis e incivis, violador de virgens e de princípios, um cavaleiro negro às avessas, o que não indica que fosse branco – era amarelo de cara cozida e cabelos de milho, o doce encanto dos visigodos, mas sobrou um T.
Tímido, envergonhado e introvertido, Talarico também jamais chegou a ser um talarico, para a tranquilidade e o sossego dos maridos que o circundavam.
O José entrou de intrometido, o padre batizando com os devidos paramentos, respingos e borrifos, o pobre Talarico chorando, agora berrando – “Como se chamará o menino?” – “Ele se chamará Talarico, senhor padre, Talarico José” – “Então eu te batizo, Talarico José, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo!” – e todos ouvindo, sem reclamar, é preciso ter nome de santo para crescer com Deus, o padre assentindo.
O que todos esquecem é que o homem, ímpio por natureza,  criou à sua conveniência a existência de dois Deus, não apenas um. O Deus dos opulentos e o Deus dos desgraçados, andando de braço dado no Jardim do Éden, agora livres do primeiro homem, da primeira mulher e da primeira cobra, cada qual zelando pelo seu rebanho.
“Mas não é a cara da mãe?” – que Deus o livre de semelhante desventura: a mãe tem a cara de uma matrona renascentista pintada por um aprendiz.
“Não tem os olhos do pai?” – ao que o inglório infante, ao fitar os olhos empapuçados do pai, desatou num choro copioso, convulsivo e compreensível.
Definitivamente Talarico parece ser o prefácio antecipando um livro de aventuras que vai finalizar como um libreto de ópera bufa.
O tempo dirá.   


quinta-feira, 1 de agosto de 2019







Letra construída por Augusto Pellegrini sobre uma canção composta por renato Winkler - anos 1960

AMOR MANHà

Se a sombra agora mora em mim
O meu porquê há de virar canção
Estou triste, triste tanto
Só o sorriso bom de uma manhã
Fará nascer o meu sorriso sol
Estou triste, triste tanto
Só o renascer de todo amor
Que imenso foi vai me fazer feliz
Vem beijar meu desencanto
Volta, faz brilhar novamente a lua
Aquela mesma lua
Que iluminou nossa grande noite
Só o teu olhar traz o luar
Pra iluminar o meu anoitecer
Só teu olhar me faz amanhecer
Por que virar canção
Se é tão real?
Venha depressa
Disfarçar o mal
Motivação de minha vida e paz
Cante comigo o meu sorriso sol
E o amor manhã também renascerá










SINOPSE DO PROGRAMA SEXTA JAZZ DE 20/10/2017
Rádio Universidade FM - 106,9 Mhz
São Luís-MA

OS CARIOCAS

Formado em 1942 e liderado pelos irmãos Ismael Neto e Severino Filho, o grupo Os Cariocas apareceu como uma alternativa mais moderna dos diversos conjuntos vocais então existentes no Brasil. A harmonização vocal deixava de lado os acordes básicos utilizados pelos demais - Bando da Lua, Anjos do Inferno, Quatro Ases e um Curinga - e se aproximava do trabalho executado por grupos americanos - The Modernaires, The Pied Pipers, The Mel-Tones - com ênfase na voz de falsete. Quando chegou a hora da bossa nova, Os Cariocas puderam mostrar com mais propriedade seus dotes em termos de dissonância e jazzificação, produzindo uma série de álbuns e participando de memoráveis sessões ao vivo nos bares, boates e teatros por todo o Brasil, em especial no Rio de Janeiro. O grupo sofreu diversas modificações ao longo de mais de 70 anos de existência, terminando com a morte de Severino em 2016. Aqui, ele é composto por Severino Filho, Badeco, Luis Roberto e Quartera, e apresenta preciosidades como "Minha Namorada", "Samba de Verão", "Inútil Paisagem", Só Tinha de Ser com Você" e "Vivo Sonhando". 
       
Sexta Jazz, nesta sexta, oito da noite, produção e apresentação de Augusto Pellegrini
                                                                                                                                    





segunda-feira, 29 de julho de 2019







NOVOCABULÁRIO INGLÊS
(Copyright MacMillan)

(ver tradução após o texto)

MISWANT

If you’ve always wanted a new car but have never been able to afford one, if there is a whole list of things you’d buy “if only you had the money”, then stop MISWANTING and consider whether these things would really make you permanently happy. Psychologists claim that as humans we are programmed to MISWANT: we mistakenly believe that getting a particular thing is the route for future happiness.     
 “If you are wondering how anyone could ever MISWANT something, consider how wanting is intrinsically tied to predicting. To want something is to predict that when we get it, we will feel good… Here lies the problem of MISWANTING… MISWANTING refers to the fact that people sometimes make mistakes about how much they will like something in the future” (Psychological Science Agenda, Vol 18, No 4, April 2004)
  

TRADUÇÃO

DESEJO ILUSÓRIO
Se há tempos você deseja um carro novo, mas nunca teve condições financeiras para comprar, ou se existe uma lista de coisas que você compraria “se tivesse dinheiro”, pare de se iludir e considere se a obtenção de todas essas coisas iria fazê-lo realmente feliz. Os psicólogos afirmam que, como seres humanos, nós estamos programados para ter este tipo de desejo: erradamente acreditamos que a obtenção de um objeto em particular signifique o caminho da felicidade.       

 “Se você está se perguntando como alguém pode ter um desejo ilusório por possuir alguma coisa, leve em consideração que “querer” está intrinsecamente ligado a “prever”. Desejar alguma coisa é prever que quando nós a obtivermos nós iremos nos sentir melhor... Aqui reside o problema do DESEJO ILUSÓRIO... Este desejo diz respeito ao fato de que as pessoas às vezes se enganam sobre até que ponto eles realmente desejariam possuir tal coisa”. (Agenda de Ciência e Psicologia, Volume 18, Nº 4, abril de 2004)

sexta-feira, 26 de julho de 2019






O POLÍTICO
(Excerto)

Ali estava o velho político. Morto, e além do mais, convicto.
O peito, que antes estufava de elogios e medalhas
Agora estufa de vermes, e de moscas na mortalha
As mãos que faziam o ambiente tenso
Agora estão imóveis, segurando um terço
Antes, da multidão o delírio. Agora resta um silêncio vazio

Desde quando menino sonhava. O poder queria, a todo custo
Com ou sem honestidade, a liderança pedia; achava justo
Conseguiu-a com dinheiro – pai ricaço, industrial, berço de ouro
Seu prestígio cimentava luz e glória, tal e qual o pressuposto

Quem nasceu sem sociedade e sem recursos, não interessava
Sociedade era pra ele a fina casta da porção sofisticada
Na juventude não teve amigo ou companheiro que fosse pobre
A virtude nunca conta. A vida com mais dinheiro se faz mais nobre

Sem exames rigorosos ingressou na faculdade de advogados
De janota prepotente a jurista consagrado foi transportado
Em pleno baile de gala, luzes e cristais brilhando, traje a rigor
Recebeu os parabéns e os elogios gentis do próprio governador

A indústria do pai crescera, encontrara um meio de sonegar
E hoje era parte integrante da segurança nacional
Que o povo pedisse água, passasse fome, e ele com isso?
O pai lhe mostrara a arte de ver de frente só o bonito

De bacharel à gloriosa e emocionante corrida eleitoral
Pois... onde a reconhecida capacidade de advogar?
E foi eleito, fez lei e discurso em homenagem ao morto pai
Que lhe dera como herança toda a bagagem de industrial

Fez mais mal que a peste negra, que a peste branca, que a peste
Tanto mal, que a própria peste não achou um meio de ser-lhe fértil
Fez gatunagens, suborno, negócios inconfessáveis, mas ninguém soube
Foi inimigo da pátria: seu território, suas águas, vendeu a lote

Mas na vida tudo acaba, e o nosso livro chega enfim à última página
Ali estava o velho político. Morto, e além do mais, convicto


           1988
 

quinta-feira, 25 de julho de 2019







POUCOS TRECHOS COM CLAUDETE
(Excerto - II)

Coloca o bispo na quarta casa do cavalo do rei.
“É da minha filha que eu estou falando, sabe?” – ele gostava de falar por interrogativas – “você não deve usá-la como se usa um pente, se quebrar joga fora e pronto!”
Imaginei Claudete um pente. Um pente que toca a Polonaise ao piano e faz carícias nos meus cabelos pretos.
A verdade é uma só, imutável e irretorquível: meu interesse por Claudete não vai além das carícias quentes nas escadas frias. Até um pouco aquém, creio eu.  
“É como se Deus não estivesse vendo!”. Patético: não sei se finge ou sofre; logo ele desata a chorar. Claudete se aproxima.
“Aceita um vinho do Porto?” – irrompe ela, como sempre fora de hora, e serve uma dose minúscula num cálice imperial mesmo sem ter tido qualquer aquiescência.
Ele joga furiosamente, como se estivesse apostando a própria vida. Cita Napoleão e suas táticas de guerra. Eu não deixo para menos:
“O conhaque é excelente!”
“Estou falando do general, não do conhaque, não me interrompa. Eu dizia que até ele teve o seu Waterloo, a gente luta tanto para morrer, sumir e não ser lembrado, a não ser como alvo de chacotas – e chacotas com os mortos têm outro sabor!”
“Sabor de defunto!” – disse eu, enquanto movia o cavalo para uma casa estratégica, abrindo todo o flanco para o ataque da dama. “Pronto! Agora o senhor não pode mais mover a torre!” – o rei se escondia detrás dela como alguém se escondendo dos seus atos.
A partida está ganha. Alheia a tudo, Claudete toca a La Revolutionnaire ou qualquer coisa do tipo, esmagador, triunfante, constrangedor, enquanto o pai tomba vencido sem nenhuma torre para se esconder atrás, meu xadrez e os seus problemas.
Um peão rola pelo tapete e para ao lado do meu pé.

segunda-feira, 22 de julho de 2019






NOVOCABULÁRIO INGLÊS
(Copyright MacMillan)

(ver tradução após o texto)

HEALTHSPAN

As you reach for another beer or cigarette, think of your HEALTHSPAN. For those of us who live in the Western world, “lifespan” is significantly longer than HEALTHSPAN – the period of our lives when we are free from serious illness. Our life expectancy might have increased, but what we need to think about is staying healthy as we grow older.    
 “Now, in the dawn of the 21st century, the Buck Institute is making advances in the biology of aging that will extend our HEALTHSPAN – the healthy years of life. The Institute is building a future where growing old no longer will mean growing ill” (Buck Institute for Aging Research Newsletter – Autumn 2004)
  

TRADUÇÃO
TEMPO DE VIDA SAUDÁVEL
Quando você bebe mais uma cerveja ou acende um outro cigarro, pense no seu TEMPO DE VIDA SAUDÁVEL. Para aqueles que como nós vivem no mundo ocidental, o “tempo de vida cronológico” é bem maior do que o TEMPO DE VIDA SAUDÁVEL – período das nossas vidas em que estamos livres de doenças mais sérias. A nossa expectativa de vida pode ser aumentada, mas precisamos ter em mente que devemos continuar saudáveis na medida em que envelhecemos.      

 “Agora, no alvorecer do século 21, o Instituto Buck está fazendo progresso na biologia do envelhecimento a fim de aumentar o nosso TEMPO DE VIDA SAUDÁVEL. O Instituto está construindo um futuro onde envelhecer não signifique necessariamente envelhecer doente”. (publicado no Boletim Informativo do Instituto Buck de Pesquisa sobre Envelhecimento, Califórnia – EUA, em novembro de 2004)